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QUANDO O HOMEM PERDE DEUS, MAS NÃO PERDE A RELIGIÃO

Texto-base: 2 Timóteo 3.1-9

Tema: Os perigos de uma vida dominada pelo ego, pelos prazeres e pela aparência espiritual.
Objetivo: Levar a igreja a examinar o próprio coração e perceber que o maior perigo dos últimos dias não é apenas o mundo ficar mais perverso, mas a perversidade conseguir entrar na religião sem parecer perversidade.

Texto-chave

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.”
2 Timóteo 3.5

INTRODUÇÃO — O PERIGO QUE NÃO PARECE PERIGO

Paulo começa dizendo:

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.”

Observe que Paulo não diz simplesmente que os últimos dias seriam difíceis por causa de guerras, crises, perseguições ou problemas econômicos.

Ele fala principalmente sobre pessoas.

O texto começa descrevendo o coração humano.

E existe algo assustador nisso:

O maior perigo para a igreja nem sempre vem de fora. Às vezes, ele nasce dentro do próprio coração.

Há pessoas que abandonam a verdade abertamente.

Mas há outro grupo muito mais difícil de perceber:

pessoas que continuam próximas das coisas de Deus, mas o coração já está distante de Deus.

Continuam frequentando a igreja.

Continuam cantando.

Continuam ouvindo pregação.

Continuam falando “Deus”.

Continuam usando a Bíblia.

Mas alguma coisa mudou por dentro.

A aparência permanece.

O poder desaparece.

E esse é o grande alerta de Paulo.

1. OS ÚLTIMOS DIAS COMEÇAM COM UMA CRISE NO INTERIOR DO HOMEM

2 Timóteo 3.2

“Porque haverá homens amantes de si mesmos...”

É interessante que Paulo não começa dizendo:

“haverá homens que odiarão a Deus”.

Ele começa:

“amantes de si mesmos.”

Aqui está uma das raízes da crise espiritual.

O homem passa a colocar o próprio “eu” no centro.

O problema do “eu”

Quando o homem coloca a si mesmo no centro:

  • Deus deixa de ser o Senhor;

  • a vontade pessoal passa a ser prioridade;

  • a correção passa a incomodar;

  • a renúncia passa a parecer injustiça;

  • o sofrimento passa a parecer abandono;

  • o pecado passa a ser justificado;

  • a verdade passa a ser aceita somente quando agrada.

A pessoa não pergunta mais:

“O que Deus quer de mim?”

Ela começa a perguntar:

“O que Deus pode fazer por mim?”

Essa mudança parece pequena, mas é profunda.

O evangelho passa a ser usado pelo ego

A pessoa quer:

  • Deus, mas sem renúncia;

  • bênção, mas sem obediência;

  • promessa, mas sem compromisso;

  • vitória, mas sem cruz;

  • céu, mas sem transformação.

Ela não quer deixar de ser o centro.

2. O AMOR DESORDENADO PELO “EU” PRODUZ OUTROS PECADOS

Paulo continua:

“amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos...”

Perceba que Paulo está mostrando uma espécie de cadeia.

Quando o “eu” ocupa o trono, outras coisas começam a aparecer.

O ego produz orgulho.

“Eu sei mais.”

“Eu não preciso ouvir ninguém.”

“Eu não preciso ser corrigido.”

O ego produz avareza.

“Eu quero mais.”

“Eu preciso ter mais.”

“Eu não posso perder.”

O ego produz ingratidão.

“Eu merecia mais.”

“Por que Deus não fez do meu jeito?”

O ego produz conflitos.

“Eu não vou pedir perdão.”

“Eu não vou voltar atrás.”

“Quem tem que mudar é o outro.”

O ego produz falta de domínio próprio.

“Eu quero, então faço.”

“Eu sinto, então obedeço.”

“Tenho vontade, então não vejo problema.”

3. O HOMEM PODE PERDER A CAPACIDADE DE ENXERGAR A SI MESMO

Esse é um ponto profundo do texto.

O pecado não destrói apenas comportamentos.

Ele também pode deformar a percepção que a pessoa tem de si mesma.

O homem pode estar errado e acreditar que está certo.

Pode estar distante de Deus e pensar que está perto.

Pode estar espiritualmente enfermo e acreditar que está saudável.

Pode estar vivendo de aparência e acreditar que está vivendo de fé.

Por isso, uma das orações mais importantes continua sendo:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”
Salmo 139.23

Porque existe uma área da nossa vida que nós mesmos temos dificuldade de enxergar.

O nosso próprio coração.

4. O MAIS PERIGOSO NÃO É PECAR E SABER QUE PECOU

Existe uma diferença entre:

“Eu pequei.”

e

“Eu não vejo nada de errado no que estou fazendo.”

Davi, quando confrontado, reconheceu seu pecado.

Pedro chorou depois de negar Jesus.

O filho pródigo caiu em si.

O problema de 2 Timóteo 3 é ainda mais profundo.

Paulo descreve pessoas que desenvolveram uma estrutura interior capaz de resistir à verdade.

Versículo 8:

“Resistem à verdade.”

Imagine isso.

A verdade chega.

A consciência é confrontada.

A Palavra mostra o caminho.

Mas a pessoa cria justificativas para não mudar.

Ela começa a proteger o próprio pecado.

5. QUANDO A PESSOA AMA O PECADO, ELA COMEÇA A NEGOCIAR COM A VERDADE

É possível ouvir uma pregação e pensar:

“Isso serve para fulano.”

É possível ler a Bíblia e encontrar argumentos para defender aquilo que já decidimos fazer.

É possível procurar uma igreja, um pregador ou uma interpretação que nunca confronte nossas escolhas.

Então acontece algo perigoso:

A pessoa deixa de usar a Palavra para corrigir sua vida e começa a usar a Palavra para justificar sua vida.

Isso é espiritualmente perigoso.

A pergunta correta não é:

“A Bíblia concorda comigo?”

A pergunta é:

“Eu estou disposto a concordar com a Bíblia, mesmo quando ela confronta aquilo que existe dentro de mim?”

6. “AMANTES DE SI MESMOS” — QUANDO O EGO VIRA UM ÍDOLO

Ídolo não é somente uma imagem.

Tudo aquilo que ocupa o lugar que pertence a Deus pode se tornar um ídolo.

E existe um ídolo muito difícil de derrubar:

O próprio eu.

Porque outros ídolos podem ser abandonados.

Mas o ego luta para continuar vivo.

Jesus disse:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”
Lucas 9.23

Observe:

Negue-se a si mesmo.

O evangelho não é simplesmente:

“Deus vai realizar todos os seus desejos.”

O evangelho também diz:

“Você precisa entregar a Deus o direito de governar sua vida.”

7. O GRANDE CONFLITO: QUEM ESTÁ NO TRONO?

Imagine o coração como um trono.

Existe uma pergunta fundamental:

Quem está sentado nele?

Deus?

Ou eu?

Quando Deus está no trono, a pergunta é:

“Senhor, o que queres que eu faça?”

Quando o ego está no trono, a pergunta é:

“Deus, faça aquilo que eu quero.”

Essa diferença muda completamente a vida espiritual.

8. “TENDO APARÊNCIA DE PIEDADE”

Chegamos ao coração da mensagem.

Versículo 5:

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.”

Paulo não está falando simplesmente de pessoas que parecem más.

Ele fala de pessoas que possuem aparência de piedade.

Isso é assustador.

Porque aparência engana.

Uma árvore pode ter folhas e ainda estar sem fruto.

Uma pessoa pode ter linguagem religiosa e ainda não ter transformação interior.

Pode conhecer versículos e não conhecer intimidade com Deus.

Pode falar de santidade e alimentar pecados escondidos.

Pode ensinar outros e não obedecer aquilo que ensina.

9. A RELIGIÃO PODE ESCONDER UMA FERIDA QUE NUNCA FOI TRATADA

Aqui podemos fazer uma reflexão profunda.

Às vezes, uma pessoa aprende a esconder aquilo que precisa entregar a Deus.

Ela aprende a sorrir.

Aprende a responder:

“Estou bem.”

Aprende a levantar as mãos.

Aprende a cantar.

Aprende a dizer:

“Glória a Deus!”

Mas por dentro existe:

  • culpa;

  • orgulho;

  • ressentimento;

  • amargura;

  • inveja;

  • desejos descontrolados;

  • falta de perdão;

  • pecado escondido.

A aparência consegue esconder dos homens.

Mas não consegue esconder de Deus.

10. O PERIGO DE VIVER UMA VIDA DUPLA

Existe uma diferença entre alguém que luta contra uma fraqueza e alguém que decidiu proteger seu pecado.

Quem luta diz:

“Senhor, eu preciso de ajuda.”

Quem protege diz:

“Eu consigo controlar isso.”

Quem luta busca luz.

Quem protege procura esconderijo.

Quem luta confessa.

Quem protege justifica.

Quem luta deseja mudança.

Quem protege deseja apenas não ser descoberto.

E aqui está uma pergunta forte para a igreja:

Se ninguém descobrisse aquilo que você faz escondido, você ainda desejaria abandonar esse pecado?

Essa pergunta revela muito.

Porque arrependimento verdadeiro não é simplesmente medo de ser descoberto.

É tristeza por ter ferido a comunhão com Deus.

11. “NEGANDO A EFICÁCIA DELA”

Piedade verdadeira possui poder.

Poder para quê?

Para transformar.

A pessoa continua sendo humana.

Continua tendo lutas.

Continua enfrentando tentações.

Mas não consegue mais viver tranquilamente no pecado.

Porque existe algo dentro dela que foi transformado.

A verdadeira piedade muda:

  • pensamentos;

  • desejos;

  • prioridades;

  • relacionamentos;

  • atitudes;

  • palavras;

  • decisões.

Não significa perfeição instantânea.

Significa uma nova direção de vida.

12. MUITO APRENDIZADO, POUCA TRANSFORMAÇÃO

Versículo 7:

“Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.”

Essa frase merece atenção.

“Aprendem sempre.”

A pessoa pode:

  • ouvir muitos sermões;

  • participar de estudos;

  • assistir vídeos;

  • ler livros;

  • conhecer doutrinas;

  • discutir teologia.

Mas conhecimento sem transformação pode se tornar apenas acúmulo de informação religiosa.

Você pode conhecer muito sobre Deus e ainda não permitir que Deus governe sua vida.

A pergunta não é:

“Quanto eu sei?”

Mas:

“Quanto daquilo que eu sei já transformou quem eu sou?”

13. A VERDADE QUE NÃO TRANSFORMA PODE VIRAR APENAS INFORMAÇÃO

Uma pessoa pode saber:

“Preciso perdoar.”

Mas continuar alimentando ressentimento.

Pode saber:

“Preciso controlar minha língua.”

E continuar destruindo pessoas com palavras.

Pode saber:

“Preciso buscar a Deus.”

E continuar colocando Deus em último lugar.

Pode saber:

“O pecado destrói.”

E continuar protegendo o pecado.

Nesse caso, o problema não é falta de conhecimento.

É falta de submissão à verdade conhecida.

14. JANES E JAMBRES — QUANDO A RELIGIÃO RESISTE À VERDADE

Paulo menciona:

“E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés...”

A tradição judaica identifica esses nomes como os magos que se opuseram a Moisés diante de Faraó, em Êxodo 7.

A mensagem de Paulo é:

Nem todo fenômeno impressionante significa aprovação de Deus.

Nem toda aparência espiritual significa verdade.

Nem tudo que impressiona os olhos transforma o coração.

Por isso, a igreja precisa aprender a discernir.

15. O PERIGO DA AUTOENGANAÇÃO

Talvez uma das coisas mais assustadoras na vida espiritual seja:

enganar outras pessoas é ruim; enganar a si mesmo é ainda pior.

Porque quando você engana os outros, sabe que está escondendo.

Mas quando começa a acreditar na própria mentira, perde a percepção de que precisa mudar.

É possível construir uma imagem espiritual tão forte diante das pessoas que começamos a acreditar nela.

Mas Deus não olha para a imagem.

Deus olha para o coração.

16. O QUE DEUS QUER DE NÓS?

A resposta não é:

“Seja perfeito.”

A resposta é:

Seja verdadeiro diante de Deus.

Se existe pecado, confesse.

Se existe orgulho, reconheça.

Se existe ressentimento, entregue.

Se existe frieza espiritual, volte.

Se existe desobediência, arrependa-se.

Se existe uma área que você não consegue vencer sozinho, leve-a para Deus.

A graça de Deus não foi dada para nos ensinar a esconder o pecado.

Foi dada para nos tirar dele.

17. TRÊS PERGUNTAS QUE PODEM CONFRONTAR A IGREJA

1. QUEM GOVERNA MINHA VIDA?

Deus ou meu próprio desejo?

2. EU ESTOU APENAS APRENDENDO OU ESTOU SENDO TRANSFORMADO?

Minha vida está diferente por causa daquilo que aprendi?

3. SE DEUS REVELASSE HOJE TUDO O QUE EXISTE DENTRO DO MEU CORAÇÃO, O QUE EU GOSTARIA QUE ELE TRANSFORMASSE PRIMEIRO?

Essa terceira pergunta leva a mensagem para dentro.

Porque Paulo não escreveu 2 Timóteo 3 para que Timóteo apontasse o dedo para os outros.

Ele escreveu para que a igreja tivesse discernimento e permanecesse fiel.

CONCLUSÃO — NÃO DEIXE A APARÊNCIA SUBSTITUIR A TRANSFORMAÇÃO

O mundo pode olhar para nossa aparência.

A igreja pode olhar para nossa aparência.

Nossa família pode olhar para nossa aparência.

Mas Deus olha para aquilo que ninguém vê.

O coração.

Você pode esconder dos homens.

Pode construir uma imagem.

Pode aprender a falar como crente.

Pode aprender a se comportar como crente.

Mas existe uma pergunta que ninguém consegue escapar:

Existe dentro de mim uma vida verdadeiramente transformada por Deus?

O grande perigo dos últimos dias não é somente o pecado aumentar.

É o pecado conseguir conviver com uma aparência de piedade.

Por isso, precisamos pedir:

“Senhor, não permita que eu me torne apenas alguém que parece estar perto de Ti. Faça-me alguém que realmente vive em comunhão contigo.”

FRASE FINAL

“O maior perigo espiritual não é quando o pecador sabe que está longe de Deus; é quando está longe de Deus e consegue convencer a si mesmo de que está perto.”

E podemos terminar levando a igreja a uma oração:

“Senhor, tira de nós tudo aquilo que é apenas aparência. Não queremos somente parecer santos diante dos homens; queremos ser transformados diante de Ti. Sonda o nosso coração, revela aquilo que precisa morrer e faz nascer em nós uma vida verdadeira, humilde e totalmente dependente de Ti.”

por: pb. Ivaldo Fernandes

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