Esse encerramento, embora breve, contem uma poderosa verdade teologica: a graca divina atua no espirito do cristao, fortalecendo-o, guiando-o e moldando sua vida interior.
Paulo escreve a Filemom, um cristao exemplar, para tratar sobre a reconciliacao com Onesimo, e encerra sua carta com essa bencao que aponta para a verdadeira fonte da transformacao crista: a graca de Cristo operando no espirito humano.
A palavra “graca” (do grego charis) se refere ao favor imerecido de Deus, ao seu amor ativo e salvador. Em todas as cartas paulinas, a graca aparece como o fundamento da vida crista, a base da salvacao e o poder para viver segundo Deus.
No caso de Filemom, a graca era necessaria para lidar com um desafio delicado: receber Onesimo, antes escravo fugitivo, agora irmao em Cristo. Esse tipo de perdao e reconciliacao nao nasce do mero esforco humano; nasce da graca que atua no interior do crente.
Assim, Paulo lembra que a vida crista so e possivel porque a graca de Cristo capacita o crente por dentro, transformando sua maneira de pensar, sentir e agir.
Paulo nao diz: “seja com a vossa forca”, nem “com os vossos sentimentos”, mas “com o vosso espirito”.
Na teologia biblica, o “espirito” do homem e a dimensao mais profunda do seu ser — aquela que se relaciona diretamente com Deus, onde habita a consciencia, o discernimento e a vida interior.
Ao desejar graca no espirito, Paulo expressa tres verdades fundamentais:
A mudanca visivel na vida do cristao comeca dentro do espirito, onde Deus opera.
So pela graca o crente tem firmeza, paciencia, mansidao e capacidade de perdoar.
Se o espirito e alcancado pela graca, tudo o mais — palavras, decisoes, atitudes — e afetado.
Filemom 25 nao e apenas um encerramento formal; e uma declaracao profunda da doutrina crista tradicional: a graca de Cristo opera no espirito, orientando o crente a reconciliacao, santidade, perdao e maturidade.
Que a mesma graca esteja tambem em nosso espirito, conduzindo-nos sempre conforme a vontade de Deus.