1º Trimestre de 2013

Data: 17 de Fevereiro de 2013

TEXTO ÁUREO

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

VERDADE PRÁTICA

A trama orquestrada pela rainha Jezabel e o rei Acabe contra Nabote demonstra quão danoso é render-se aos desejos da cobiça e de uma satisfação pessoal.

HINOS SUGERIDOS

522, 547, 635.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mc 7.22-23

A raiz da cobiça

Terça – Ef 5.5

Fruto da cobiça

Quarta – Êx 10.17

Advertência contra a cobiça

Quinta – Gn 31.41

A cobiça exemplificada

Sexta – Pv 28.20

Consequência da cobiça

Sábado – Is 57.17

Julgamento da cobiça

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Reis 21.1-5,15,16.

1 – E sucedeu, depois destas coisas, tendo Nabote, o jezreelita, uma vinha que em Jezreel estava junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria,

2 – que Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha, ao pé da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor do que ela; ou, se parece bem aos teus olhos, dar-te-ei a sua valia em dinheiro.

3 – Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais.

4 – Então, Acabe veio desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jezreelita, lhe falara, dizendo: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.

5 – Porém, vindo a ele Jezabel, sua mulher, lhe disse: Que há, que está tão desgostoso o teu espírito, e não comes pão?

15 – E sucedeu que, ouvindo Jezabel que já fora apedrejado Nabote e morrera, disse Jezabel a Acabe: Levanta-te e possui a vinha de Nabote, o jezreelita, a qual ele te recusou dar por dinheiro; porque Nabote não vive, mas é morto.

16 – E sucedeu que, ouvindo Acabe que já Nabote era morto, Acabe se levantou, para descer para a vinha de Nabote, o jezreelita, para a possuir.

INTERAÇÃO

Acabe não se contentou com o que tinha — e não era pouco, ele tinha “apenas” o governo da nação de Israel, o reino do Norte, à sua disposição. Ele poderia comprar ou possuir qualquer terra ou vinha em Israel. Mas por que justamente desejou a de Nabote? Uma vinha de valor não apenas financeiro, mas, principalmente, familiar. Não satisfeito, e alimentado pela loucura de sua mulher, Jezabel, Acabe cometeu uma das maiores injustiças narradas nas Sagradas Escrituras. Ele permitiu a morte de Nabote e tomou para si a sua vinha. Eliminemos a cobiça do nosso coração, pois, podemos ser injustos e cruéis com pessoas inocentes.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Identificar o objeto da cobiça de Acabe.
Citar as causas da cobiça.
Conscientizar-se dos frutos e consequências da cobiça.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Prezado professor, na aula desta semana trataremos a respeito da cobiça. A fim de contextualizar a lição, reproduza, de acordo com as suas possibilidades, o esquema abaixo.

Introduza a lição dizendo que a cobiça é uma consequência da visão de mundo que o ser humano possui. Explique que o mundo onde vivemos é orientado por um estilo de vida materialista, hedonista e pragmatista. Todavia, o Evangelho demanda de cada um de nós um estilo rigorosamente contrário ao mundano.

O ESPÍRITO DO MUNDO

Materialismo

É o ceticismo a respeito da existência daquilo que é transcendental. Um estilo de vida pautado somente nas coisas materiais. Após essa vida, dizem os materialistas, tudo acaba.

Hedonismo

Ética pautada na busca intensa pelo prazer inteiramente pessoal. O sexo, a paz interior e a prosperidade são os sonhos de vida do ser humano.

Pragmatismo

É o estilo de vida que objetiva o lucro pessoal. Os relacionamentos de ordem sentimental, espiritual e profissional são baseados numa perspectiva de barganha.

COMENTÁRIO

introdução

Palavra Chave

Cobiça: Desejo veemente de possuir bens materiais; avidez, cupidez.

O episódio envolvendo o rei Acabe e a vinha de Nabote é um dos mais tristes do registro bíblico. Uma grande injustiça é cometida contra um homem inocente. Triste porque vemos até onde pode chegar um coração cobiçoso. Por outro lado, o fato é um dos que melhor revela a manifestação da justiça divina ante as injustiças dos homens. Acabe matou Nabote e apropriou-se de suas terras. Todavia, não pôde usufruir do fruto de seu pecado, porque o Senhor, através do profeta Elias, o denunciou e o disciplinou.

É triste saber que soberanos, governantes e reis injustos governam, mas é mais maravilhoso saber que um Rei justo governa todo o universo.

I. O OBJETO DA COBIÇA

1. O direito à propriedade no Antigo Israel. De acordo com o livro de Levítico, a terra pertencia ao Senhor (Lv 25.23). O israelita da Antiga Aliança estava consciente de que o Senhor lhe havia dado o direito de explorar a terra como uma concessão. Assim sendo, ele não poderia vender aquilo que lhe fora dado como herança divina.

O livro de Números destaca esse fato: “Assim, a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais” (Nm 36.7). Com isso, o Senhor queria proteger seu povo da cobiça, além de garantir-lhe o direito de cultivar a terra para sua subsistência.

Fica, pois, a lição de que não devemos cobiçar aquilo que é do próximo, nem tampouco jogar fora aquilo que o Senhor nos confiou como despenseiros.

2. A herança de Nabote. Acabe queria a vinha de Nabote de qualquer jeito. Diante da insistência do rei, Nabote contra argumentou: não poderia desfazer-se de sua herança (1 Rs 21.3). Nabote era obediente ao Senhor e invocou o poder da lei para proteger-se. Diante desse fato, o rei cobiçoso ficou triste, pois sabia que até mesmo um monarca hebreu precisava submeter-se à lei divina (1 Sm 10.25). Mas Jezabel, sua esposa, que viera de um reino pagão, ficou escandalizada com esse fato, pois entre os reinos gentios os governantes não eram apenas soberanos, eram também tiranos (1 Rs 21.5-7). Dessa forma, ela arquitetou um plano para apossar-se da vinha de Nabote (1 Rs 21.8-14).

Quantas pessoas têm consciência da ilegalidade de determinada coisa, mas como Acabe ficam à procura de justificativas que a tornem legal. Cuidado! Deus há de julgar os tiranos e malfeitores.

SINOPSE DO TÓPICO (I)

A cobiça transforma indivíduos comuns em criminosos.

II. AS CAUSAS DA COBIÇA

1. A casa de campo de Acabe. O livro de 1 Reis destaca que Acabe possuía uma segunda residência em Jezreel (1 Rs 18.45,46). Era uma casa de verão. A vinha de Nabote estava, pois, localizada próxima à residência de Acabe (1 Rs 21.1). O rei Acabe possuía uma casa real, uma casa de campo, mas não estava satisfeito enquanto não possuísse a pequena vinha do seu súdito, Nabote. É uma verdade que muitas pessoas, mesmos sendo ricas, não se satisfazem com o que têm. Querem mais e mais, e assim mesmo não conseguem encontrar satisfação. Nenhum ser humano conseguirá satisfazer-se plenamente se o centro da sua satisfação não estiver em Deus.

2. A horta de Acabe. Acabe estava dominado pelo desejo de “ter”, de “possuir”. Somente a casa de verão, que sem dúvida era majestosa, não lhe satisfazia, queria agora construir ao seu lado uma horta para que seus desejos pudessem ser realizados. Não se importava em quebrar o mandamento divino: “Não cobiçarás” (Êx 20.17). Mais do que qualquer motivação externa, Acabe estava totalmente dominado pelos desejos cobiçosos de seu coração.

Jamais devemos incorrer no erro de achar que os fins justificam os meios, e assim quebrar a Palavra do Senhor na busca de um desejo meramente egoísta.

SINOPSE DO TÓPICO (II)

Acabe desejou a propriedade de Nabote, pois queria, ali, construir uma horta.

III. O FRUTO DA COBIÇA

1. Falso testemunho. As atitudes de Acabe foram acontecendo como reação em cadeia. É evidente que um desejo pecaminoso não pode dar frutos bons. O problema agora não era somente Acabe, mas também sua famigerada mulher, Jezabel (1 Rs 21.7). Foi ela que arquitetou um plano sórdido para apossar-se da propriedade de Nabote. Diz o texto sagrado que ela envolveu várias pessoas nesse intento, incluindo os nobres do reino (1 Rs 21.8). Nobres sem nenhuma nobreza! Escreveu uma carta e selou com o anel de Acabe. Por conseguinte, com o pleno consentimento do marido, engendrou o plano, a fim de que Nabote, o Jezreelita, fosse acusado de ter blasfemado contra Deus e contra o rei (1 Rs 21.10). Um simples desejo que evoluiu para cobiça e falso testemunho.

2. Assassinato e apropriação indevida. A trama precisava ser bem feita para não gerar desconfiança. E por isso um jejum deveria ser proclamado, como sinal de lamento por haver Nabote blasfemado contra o Deus de Israel (1 Rs 21.9). Uma prática religiosa foi usada para dar uma roupagem espiritual ao caso. Como foi planejado, Nabote e sua família foram apedrejados e mortos injustamente! (1 Rs 21.13). Quantas vezes a Bíblia é usada para justificar práticas pecaminosas! Resolvido o problema, agora o rei apoderar-se-ia da vinha de Nabote (1 Rs 21.16). Um abismo chama outro abismo.

O pecado havia evoluído da cobiça para o assassinato!

SINOPSE DO TÓPICO (III)

A cobiça origina o falso testemunho, assassinato e apropriação indevida dos bens do outro.

IV. AS CONSEQUÊNCIAS DA COBIÇA

1. Julgamento divino. Tanto Acabe como a sua esposa, Jezabel, estavam convencidos de que ninguém mais sabia dos seus intentos. De fato, ninguém dentre o povo soube dos bastidores desse estratagema diabólico, exceto Elias, o Tisbita. Tão logo Acabe apossou-se da vinha de Nabote, ordena Deus ao profeta Elias que se apresente ao rei e lhe proclame o juízo divino: “Falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o Senhor: Porventura, não mataste e tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o Senhor: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo” (1 Rs 21.19,20).

Alguém pode enganar aos homens, mas nunca ao Senhor. Diante dEle todas as coisas estão patentes (Hb 4.13).

2. Arrependimento e morte. Duas atitudes podem ser tomadas diante de uma sentença divina de julgamento: arrepender-se ou rejeitar a correção. No caso de Acabe, o texto sagrado destaca que logo após receber a profecia sentenciando a sua morte, ele “rasgou as suas vestes, e cobriu a sua carne de pano de saco, e jejuou; e dormia em cima de sacos e andava mansamente. Então, veio a palavra do Senhor a Elias, o tisbita, dizendo: Não viste que Acabe se humilha perante mim? Porquanto, pois, se humilha perante mim, não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho trarei este mal sobre a sua casa” (1 Rs 21.27-29). Acabe arrependeu-se, mas mesmo assim não teve como se livrar das consequências de suas ações (1 Rs 22.29-40; 2 Rs 1.1-17). O pecado sempre tem seu alto custo!

SINOPSE DO TÓPICO (IV)

Na cobiça que dominou Acabe, vemos o julgamento divino, e também arrependimento e morte.

CONCLUSÃO

Lendo a história de Acabe, constatamos logo que o pecado não compensa. Todas as nossas ações terão consequências, e algumas delas extremamente amargosas. Deveríamos medir nossas intenções primeiramente pela Palavra de Deus e somente assim evitaríamos dar vazão aos nossos instintos. Nossas ações glorificariam a Deus em vez de satisfazer nossos egos. Acabe fracassou porque esqueceu-se da Palavra de Deus, preferindo ouvir e seguir a orientação de uma pagã que nada sabia sobre a Lei do Senhor. Quando alguém quebra a Palavra de Deus, na verdade é ele quem está se quebrando!

VOCABULÁRIO

Obsequioso: Que presta obséquios; serviçal, benévolo; afável no trato.
Tirano: Governante injusto e cruel.
Famigerada: Tristemente afamada.
Sórdido: Que fere a decência, os bons princípios; indecente, indigno, vergonhoso.
Engendrou: Dar existência a; formar, gerar.
Estratagema: Plano, esquema, previamente estudado e posto em prática para atingir determinado objetivo.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ: CPAD, 2009.
HENRY, M. Comentário Bíblico do Antigo Testamento: Josué a Ester. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.

EXERCÍCIOS

1. De acordo com a lição, por que Nabote recusou vender a sua vinha?

R. Porque a terra era dada como uma concessão e como tal não poderia ser vendida. A lei mosaica ainda proibia um israelita vender a herança de seus pais.

2. Explique o porquê do desejo de Acabe em se apossar da vinha de Nabote.

R. Acabe possuía uma casa de verão e queria construir ao seu lado uma horta.

3. Destaque alguns frutos da cobiça de Acabe.

R. Falso testemunho, apropriação indébita e assassinato.

4. Como Acabe reagiu à sentença de julgamento dada pelo profeta Elias?

R. Com arrependimento.

5. Lendo a história de Acabe, o que podemos constatar?

R. Que o pecado não compensa.

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