118 Esperando em Deus
Qual suspira a corça inquieta
Pelas águas a bramir,
Tua divinal presença
Quer minha alma, ó Deus, sentir.
Sede intensa me angustia!
Quando ó Deus, virá o dia
De contínuo me alegrar
Por teu rosto contemplar?
Pranteando amargamente,
Vou vivendo os dias meus,
Pois os ímpios me atormentam
Perguntando por meu Deus.
Choro então os velhos dias,
Quando, em santas alegrias,
Proclamava o teu louvor
Junto a ti, ó meu Senhor.
Em rajadas tormentosas
Teu juízo me alcançou!
E minha alma, bem ferida,
Penitente se humilhou.
Tu, então, meus pés guiando,
Com ternura me amparando,
Alto abrigo me vens dar
E na Rocha me firmar!
Por que tremes, ó minha alma,
E te abates dentro em mim?
Para longe os teus receios!
Deus ao teu penar põe fim!
Ele as ondas más quebranta,
Nos seus braços te levanta.
Ó minha alma, sem temor,
Canta a Deus o teu louvor. Amém.
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