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Lição 08 - Despedida em Éfeso: entre lágrimas e alertas

Revista Adultos 3° trimestre 2026 cpad

Adultos 3º trimestre 2026

23 de agosto de 2026

TEXTO ÁUREO
Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue.(At 20.28).

VERDADE PRÁTICA
A Igreja é preservada quando líderes vigilantes cuidam do rebanho com fidelidade à Palavra e submissão ao Espírito Santo.

LEITURA DIÁRIA
Segunda — At 20.19-21 A fidelidade cristã se revela em humildade e perseverança
Terça — Fp 1.20,21 Viver para Cristo dá sentido à vida e sustenta a missão
Quarta — At 20.28 O Espírito Santo estabelece líderes para cuidar do rebanho
Quinta — 1Pe 5.2,3 O verdadeiro pastoreio é exercido com vigilância, amor e exemplo
Sexta — At 20.32 A Palavra da graça edifica a Igreja e garante a nossa herança
Sábado — 1Tm 6.6-10 O contentamento e o desprendimento em Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 20.17-25,36-38.
17 — De Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja.
18 — E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós,
19 — servindo ao Senhor com toda a humildade e com muitas lágrimas e tentações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram;
20 — como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas,
21 — testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
22 — E, agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer,
23 — senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.
24 — Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
25 — E, agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o Reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.
36 — E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos e orou com todos eles.
37 — E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam,
38 — entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.

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PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
A lição desta semana nos convida à reflexão sobre a fidelidade ministerial, a vigilância doutrinária e o cuidado pastoral à luz de Atos 20. Ao trabalhar a despedida de Paulo, considere os aspectos cognitivos (compreensão do texto e análise histórica), afetivos (empatia, zelo e amor pela Igreja) e práticos (aplicação ministerial). Trabalhe para que essa aula fortaleça o compromisso pessoal, integrando conteúdo bíblico, maturidade espiritual e responsabilidade eclesial.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Conduzir a classe a compreender e valorizar a fidelidade cristã; II) Orientar a classe a discernir erros e fundamentar-se na sã doutrina; III) Encorajar a classe a aplicar vigilância e amor no serviço cristão.
B) Motivação: Estudar Atos 20 é compreender que a fidelidade não é opcional, mas vocacional. Ao analisar o legado de Paulo, percebemos que doutrina, caráter e amor pastoral sustentam a Igreja. Conhecer esse ensino fortalece a nossa identidade pentecostal e desperta responsabilidade espiritual no servir o Corpo de Cristo.
C) Sugestão de Método: Inicie a aula escrevendo no quadro o título da lição “Despedida em Éfeso: Entre Lágrimas e Alertas” e o tema do trimestre “A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos”. Promova uma revisão dialogada das Lições 5 a 7, destacando missão, consolidação e liderança. Em seguida, peça sínteses breves e conecte as respostas a Atos 20, mostrando que a despedida de Paulo representa o amadurecimento da Igreja e a necessidade permanente de vigilância doutrinária e amor pastoral.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: A despedida de Paulo nos chama a viver com coerência, vigilância e amor. Na vida cristã, isso significa cuidar da própria fé, permanecer firmes na sã doutrina e servir com integridade, mesmo em meio a pressões.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Aconselhamentos Pastorais”, localizado depois do segundo tópico, aprofunda as advertências apostólicas aos líderes de Éfeso; 2) O texto “O altruísmo de Paulo”, localizado ao final do terceiro tópico, trata sobre o cuidado e o serviço pastoral.

Palavra-Chave: ADVERTÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Esta lição acompanha a comovente despedida do apóstolo Paulo dos presbíteros de Éfeso, em Mileto, antes de sua saída definitiva da Ásia. Trata-se do único discurso registrado de Paulo dirigido exclusivamente a líderes cristãos, no qual ele exorta ao cuidado do rebanho, alerta contra falsas doutrinas e reafirma a fidelidade ao ensino apostólico. Entre lágrimas, oração e abraços, o apóstolo revela o peso da separação e a urgência da vigilância espiritual diante dos perigos que ameaçam a Igreja.

I. O MINISTÉRIO DE PAULO COMO EXEMPLO DE FIDELIDADE

1. Um ministério vivido com coerência e entrega (vv.17-21). Paulo apresenta seu ministério como um testemunho vivo de fidelidade ao Senhor. Ele recorda aos presbíteros de Éfeso que serviu “com toda a humildade, lágrimas e provações” (v.19 — ARA), demonstrando que o verdadeiro ministério nasce do quebrantamento e da perseverança. Sua fidelidade manifesta-se no compromisso de anunciar “todo o conselho de Deus”, sem omitir verdades, proclamando arrependimento para com Deus e fé em Jesus Cristo (vv.20,21). Assim, vida e mensagem caminham juntas, revelando que a autoridade espiritual é confirmada por um testemunho coerente (1Co 4.16).
2. A fidelidade apostólica como guarda da verdade. A fidelidade apostólica envolve zelo pela sã doutrina e vigilância contra o erro. Paulo sabia que apenas a verdade do Evangelho seria capaz de confrontar falsas doutrinas e preservar a Igreja (Gl 1.6-9). Por isso, líderes são chamados a ensinar com firmeza, mansidão e discernimento, retendo “a fiel palavra” para exortar e convencer os contradizentes (Tt 1.9; 2Tm 2.24). A Igreja permanece saudável quando se alimenta da Palavra e desenvolve uma fé não fingida, sustentada por uma boa consciência (1Tm 1.5).
3. Fidelidade diante do futuro e consciência irrepreensível (vv.22-27). O apóstolo também revela pressentimentos acerca do futuro, afirmando que o Espírito lhe testificava prisões e tribulações em Jerusalém (vv.22,23). Ainda assim, não recua, pois considera sua vida sem valor diante do chamado de completar a carreira e testemunhar do Evangelho da graça (v.24; Fp 1.20,21). Sua consciência estava limpa, pois havia anunciado plenamente a vontade de Deus, tornando-se irrepreensível quanto à responsabilidade espiritual do rebanho (vv.26,27; Ez 33.7-9). Esse exemplo nos ensina que a fidelidade não elimina sofrimentos, mas produz segurança diante de Deus. A partir dessa convicção, Paulo passa a exortar os líderes a cuidarem vigilantemente da Igreja.

SINOPSE I
O apóstolo Paulo é um exemplo de fidelidade, coerência e entrega total ao ministério.

AMPLIANDO O CONHECIMENTO
O PRESBÍTERO
“O ofício de ancião ou presbítero (presbyteros) é um dos mais comuns na igreja. Esse ofício é baseado no modelo dos anciãos da sinagoga judaica. Paulo e Barnabé designaram presbíteros em todas as igrejas logo na sua primeira viagem missionária (At 14.23). Tiago instrui os enfermos a chamar os presbíteros da igreja para estes orarem por aqueles (Tg 5.14).” Amplie mais o seu conhecimento lendo o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, p.365.

II. ADVERTÊNCIAS AOS PRESBÍTEROS CONTRA OS FALSOS MESTRES

1. O Espírito Santo como originador do ministério pastoral (v.28). Paulo afirma que os líderes da igreja foram constituídos pelo próprio Espírito Santo como “bispos” (epískopoi), isto é, supervisores do rebanho (v.28). No mesmo versículo, eles também são chamados de pastores, evidenciando que “presbíteros”, “bispos” e “pastores” designam o mesmo ofício, sob perspectivas complementares (At 14.23; Tt 1.5-7). Essa função não nasce de ambição pessoal, mas de vocação divina, o que torna a responsabilidade ainda maior, pois o rebanho pertence a Deus e foi adquirido com o sangue de Cristo. Por isso, antes de cuidar dos outros, o líder deve zelar por sua própria vida espiritual e testemunho (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9).
2. O perigo real e contínuo das falsas doutrinas (vv.29,30). O apóstolo adverte que “lobos cruéis” surgiriam, tanto de fora quanto de dentro da própria comunidade, distorcendo a verdade para atrair discípulos após si (vv.29,30). Esses falsos mestres, movidos por interesses egoístas, representam ainda hoje uma ameaça constante à fidelidade da Igreja (Rm 16.17,18; 1Jo 4.1). Embora o contexto histórico inclua possíveis influências gnósticas, a advertência é atemporal: sempre haverá ensinos que relativizam a verdade bíblica. Por isso, somente a permanência na sã doutrina preserva a fé genuína e protege o povo de Deus contra o engano (2Tm 4.3,4).
3. Vigilância espiritual como dever permanente do pastor (v.31). Diante desses perigos, Paulo exorta os presbíteros à vigilância constante, lembrando-lhes que por três anos advertiu a igreja com lágrimas (v.31). Vigiar implica cuidar, alimentar e proteger o rebanho com amor e fidelidade, seguindo o exemplo do Bom Pastor (1Pe 5.2,3; Jo 10.11). Essa exortação também se aplica à Igreja hoje: líderes e membros são chamados a permanecer atentos, firmes na Palavra e sensíveis à voz do Espírito. Com essa advertência solene, Paulo prepara os presbíteros para compreenderem que o cuidado pastoral exige dependência da graça divina.

SINOPSE II
Vigilância pastoral contra erros e falsos mestres traz sabedoria ao ministério.

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“ACONSELHAMENTOS PASTORAIS. [...] Paulo demonstrou seus motivos espirituais, despertando os presbíteros a cumprirem fielmente seus ministérios. ‘Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue’ (ver Jo 21.15; At 13.2; 1Pe 5.1,2). Seria um grande pecado negligenciar o povo de Deus, comprado a tão alto preço. Paulo adverte sobre dois perigos. Primeiro, contra a intrusão de falsos mestres, chamados ‘lobos cruéis’. Estes vivem às custas do rebanho e não em prol dele (Ap 2.1,2). Segundo, contra os que causariam separações na igreja, ensinando doutrinas contrárias às Escrituras (Rm 16.17,18; 1Tm 3.6; 2Tm 1.5; 1Jo 2.26; 4.1,3,5). Quanto à vigilância do rebanho, Paulo cita seu próprio exemplo (v.31). O ditado conhecido diz: ‘A eterna vigilância é o preço da liberdade’. Este cuidado também é necessário para a união espiritual dos membros da Igreja.” (PEARMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na força e na unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.209,210).

III. O CUIDADO PASTORAL DE PAULO COM OS LÍDERES DA IGREJA

1. A Palavra de Deus como fundamento seguro do ministério (v.32). Ao concluir sua exortação, Paulo entrega os presbíteros “a Deus e à palavra da sua graça”, revelando o coração do cuidado pastoral: a centralidade das Escrituras. É a Palavra que edifica, amadurece e conduz o crente à herança entre os santificados (Ef 4.12; Rm 8.17). A fidelidade apostólica não se apoia em autoridade pessoal nem em tradições humanas, mas na submissão plena à Palavra confiada por Deus (2Tm 1.14). O verdadeiro líder jamais se coloca acima das Escrituras, mas se deixa governar por elas, pois somente a Palavra preserva a Igreja firme e frutífera.
2. O exemplo de desprendimento e serviço cristão (vv.33-35). Paulo reforça sua integridade ao declarar que não cobiçou riquezas nem buscou ganhos pessoais. Pelo contrário, trabalhou com as próprias mãos para suprir suas necessidades e ajudar os que estavam com ele (At 18.3). Esse testemunho confronta diretamente a postura de falsos obreiros, movidos pela ganância e pelo desejo de lucro (1Tm 6.5-10; 2Pe 2.14,15). Ao citar as palavras do Senhor Jesus — “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (v.35) — Paulo ensina que o ministério autêntico é marcado pelo serviço sacrificial e pelo cuidado com os fracos, e não pela exploração do rebanho.
3. Uma despedida marcada por amor, comunhão e lágrimas (vv.36-38). O encontro termina em oração, lágrimas e abraços, revelando a profundidade do vínculo espiritual entre Paulo e os líderes de Éfeso. Suas lágrimas expressam sofrimento (v.19; Fp 3.18), zelo pastoral (v.31) e amor sincero (v.37). Esse afeto mostra que a defesa da verdade jamais deve ser dissociada do amor cristão. Anos depois, embora elogiada por sua firmeza doutrinária, a igreja de Éfeso seria advertida por ter abandonado o primeiro amor (Ap 2.4). O cuidado pastoral, portanto, exige equilíbrio entre verdade e amor. A Igreja permanece viva quando guarda a sã doutrina sem perder a chama da comunhão, da oração e da devoção sincera a Cristo.

SINOPSE III
Palavra, serviço e amor marcam o cuidado pastoral.

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“O ALTRUÍSMO DE PAULO. ‘De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido’. Paulo contrasta seu exemplo com o dos falsos obreiros, que atraem discípulos atrás de si mesmos, visando ganhos (1Tm 6.5-10; Rm 16.17,18; 2Pe 2.14,15). Paulo não permitiu que a mínima cobiça obscurecesse sua visão das almas necessitadas. Não permitiu que nenhum interesse em ouro ou prata diminuísse sua paixão pelas almas. As ações de Paulo confirmaram seu testemunho: ‘Vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram.’” (PEARMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na força e na unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.210).

CONCLUSÃO

O discurso de Paulo aos presbíteros de Éfeso permanece como um legado espiritual para a Igreja em todas as épocas. Nele aprendemos que a firmeza na Palavra, a vigilância espiritual e o amor pastoral são o maior antídoto contra as falsas doutrinas e a apostasia. A Igreja de hoje necessita de líderes e membros comprometidos com a verdade do Evangelho, dispostos a servir com integridade e a cuidar do rebanho de Deus. Assim, a fidelidade bíblica continua sendo o caminho seguro para preservar a Igreja do Senhor em meio aos desafios de cada geração.

REVISANDO O CONTEÚDO
1. Na sua comovente despedida dos presbíteros de Éfeso, como Paulo apresenta seu ministério?
Paulo apresenta seu ministério como um testemunho vivo de fidelidade ao Senhor. Ele recorda aos presbíteros de Éfeso que serviu “com toda a humildade, lágrimas e provações”, demonstrando que o verdadeiro ministério nasce do quebrantamento e da perseverança.

2. De que maneira a fidelidade de Paulo se manifesta?
Sua fidelidade manifesta-se no compromisso de anunciar “todo o conselho de Deus”, sem omitir verdades, proclamando arrependimento para com Deus e fé em Jesus Cristo (vv.20,21).

3. O que Paulo afirma sobre os líderes da igreja?
Paulo afirma que os líderes da igreja foram constituídos pelo próprio Espírito Santo como “bispos” (epískopoi), isto é, supervisores do rebanho (v.28).

4. De que maneira Paulo reforça sua integridade, como exemplo de desprendimento e serviço cristão, confrontando a postura dos falsos obreiros movidos por ganância?
Paulo reforça sua integridade ao declarar que não cobiçou riquezas nem buscou ganhos pessoais. Pelo contrário, trabalhou com as próprias mãos para suprir suas necessidades e ajudar os que estavam com ele.

5. Como termina o encontro de Paulo com os líderes de Éfeso?
O encontro termina em oração, lágrimas e abraços, revelando a profundidade do vínculo espiritual entre Paulo e os líderes de Éfeso.
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