2° SAMUEL EM AUDIO CLIC AQUI

1 Samuel NTLH

1 Sm 1

Havia um homem da tribo de Efraim, chamado Elcana, que vivia na cidade de Ramá, na região montanhosa de Efraim. Ele era filho de Jeroão, neto de Eliú, bisneto de Toú e trineto de Zufe.

Elcana tinha duas mulheres, Ana e Penina. Penina tinha filhos, porém Ana não tinha.

Todos os anos Elcana saía da sua cidade e ia a Siló a fim de adorar e oferecer sacrifícios ao SENHOR Todo-Poderoso. Hofni e Finéias, os filhos de Eli, eram sacerdotes do SENHOR Deus, em Siló.

Cada vez que Elcana oferecia o seu sacrifício, ele dava uma parte para Penina e outra para todos os seus filhos e filhas.

Mas para Ana ele dava duas vezes mais. Elcana a amava muito, embora o SENHOR não permitisse que ela tivesse filhos.

Penina, sua rival, provocava e humilhava Ana porque o SENHOR não permitia que ela tivesse filhos.

Isso acontecia ano após ano. Sempre que iam ao santuário do SENHOR, Penina irritava tanto Ana, que ela ficava só chorando e não comia nada.

Um dia o seu marido Elcana lhe perguntou: — Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está sempre triste? Por acaso, eu não sou melhor para você do que dez filhos?

Certa vez eles estavam em Siló e tinham acabado de comer. Eli, o sacerdote, estava sentado na sua cadeira, na porta da Tenda Sagrada.

Aí Ana se levantou aflita e, chorando muito, orou a Deus, o SENHOR.

E fez esta promessa solene: — Ó SENHOR Todo-Poderoso, olha para mim, tua serva! Vê a minha aflição e lembra de mim! Não esqueças a tua serva! Se tu me deres um filho, prometo que o dedicarei a ti por toda a vida e que nunca ele cortará o cabelo.

Ana continuou orando ao SENHOR durante tanto tempo, que Eli começou a prestar atenção nela

e notou que os seus lábios se mexiam, porém não saía nenhum som. Ana estava orando em silêncio, mas Eli pensou que ela estava bêbada

e disse: — Até quando você vai ficar embriagada? Veja se pára de beber!

— Senhor, — respondeu ela— ,eu não estou bêbada. Não bebi nem vinho nem cerveja. Estou desesperada e estava orando, contando a minha aflição ao SENHOR.

Não pense que sou uma mulher sem moral. Eu estava orando daquele jeito porque sou muito infeliz e sofredora.

Então Eli disse: — Vá em paz. Que o Deus de Israel lhe dê o que você pediu!

— Que o senhor sempre pense bem de mim! — respondeu ela. E saiu. Então comeu alguma coisa e já não estava tão triste.

Na manhã seguinte Elcana e a sua família se levantaram cedo e adoraram a Deus, o SENHOR. Aí voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com a sua esposa Ana, e o SENHOR respondeu à oração dela.

Ela ficou grávida e, no tempo certo, deu à luz um filho. Pôs nele o nome de Samuel e explicou: — Eu pedi esse filho a Deus, o SENHOR.

Elcana e a sua família foram a Siló para oferecer ao SENHOR o sacrifício anual e o sacrifício especial que ele havia prometido.

Ana, porém, não foi. Ela disse ao marido: — Assim que o menino for desmamado, eu o levarei ao santuário de Deus, o SENHOR, para que ele fique lá toda a sua vida.

Elcana respondeu: — Faça o que achar melhor. Fique em casa até que ele seja desmamado. E o SENHOR faça com que, de fato, se cumpra a promessa que você fez. Então Ana ficou em casa e amamentou o filho.

Depois que ele foi desmamado, ela o levou a Siló. Levou também um touro de três anos, dez quilos de farinha e um odre cheio de vinho. Samuel era muito novo quando a sua mãe o levou à casa do SENHOR, em Siló.

Os pais de Samuel ofereceram o touro em sacrifício e levaram o menino para Eli.

Ana disse: — Meu senhor, juro pela sua vida que sou aquela mulher que o senhor viu aqui de pé, orando.

Eu pedi esta criança a Deus, o SENHOR, e ele me deu o que pedi.

Por isso agora eu estou dedicando este menino ao SENHOR. Enquanto ele viver, pertencerá ao SENHOR. Então eles adoraram a Deus ali.

 

1 Sm 2

Então Ana orou assim: O SENHOR Deus encheu o meu coração de alegria; por causa do que ele fez, eu ando de cabeça erguida. Estou rindo dos meus inimigos e me sinto feliz, pois Deus me ajudou.

Ninguém é santo como o SENHOR; não existe outro deus além dele, e não há nenhum protetor como o nosso Deus.

Não fiquem contando vantagens e não digam mais palavras orgulhosas. Pois o SENHOR é Deus que conhece e julga tudo o que as pessoas fazem.

Os arcos dos soldados fortes estão quebrados, mas os soldados fracos se tornam fortes.

Os que antes estavam fartos agora se empregam para ganhar comida, mas os que tinham fome agora estão satisfeitos. A mulher que não podia ter filhos deu à luz sete filhos, mas a que possuía muitos filhos ficou sem nenhum.

O SENHOR Deus é quem tira a vida e quem a dá. É ele quem manda a pessoa para o mundo dos mortos e a faz voltar de lá.

Ele faz com que alguns fiquem pobres e outros, ricos; rebaixa uns e eleva outros.

Deus levanta os pobres do pó e tira da miséria os necessitados. Ele faz com que os pobres sejam companheiros dos príncipes e os põe em lugares de honra. Os alicerces da terra são de Deus, o SENHOR; ele construiu o mundo sobre eles.

Ele protege a vida dos que são fiéis a ele, mas deixa que os maus desapareçam na escuridão, pois ninguém vence pela sua própria força.

Os inimigos de Deus, o SENHOR, serão destruídos; ele trovejará do céu contra eles. O SENHOR julgará o mundo inteiro; ele dará poder ao seu rei e dará a vitória a esse rei que ele escolheu.

Então Elcana voltou para a sua casa, em Ramá. Mas o menino Samuel ficou em Siló, no serviço de Deus, o SENHOR, como ajudante do sacerdote Eli.

Os filhos do sacerdote Eli não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR.

Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo. Quando um homem estava oferecendo o seu sacrifício, o ajudante do sacerdote vinha com um garfo de três dentes. E, enquanto a carne estava cozinhando,

ele enfiava o garfo dentro da panela, e tudo o que o garfo tirava ficava sendo do sacerdote. Era costume fazer isso todas as vezes que um israelita ia a Siló para oferecer sacrifícios.

Mas, antes mesmo de a gordura ser tirada da carne e queimada, os filhos de Eli mandavam que o ajudante do sacerdote fosse e dissesse a quem estava oferecendo o sacrifício: “Me entregue um pedaço de carne para o sacerdote assar. Ele não vai aceitar de você carne cozida, mas só carne crua.”

E, se o homem respondia: “Deixe que a gordura queime primeiro, depois você pode tirar o que quiser”, o ajudante do sacerdote dizia: “Não. Entregue logo essa carne. Se não, eu a tomarei à força.”

Assim os filhos de Eli tratavam com muito desprezo as ofertas trazidas a Deus, o SENHOR. E para o SENHOR o pecado desses moços era muito grave.

Samuel continuava no serviço de Deus, o SENHOR. Embora ainda fosse menino, vestia um manto sacerdotal de linho.

Ana, a sua mãe, todos os anos fazia uma túnica para ele e a levava quando ia com o seu marido oferecer o sacrifício anual.

Então Eli abençoava Elcana e a sua mulher e dizia: — Que o SENHOR Deus dê a você e a Ana, a sua mulher, outros filhos para tomarem o lugar do que foi dedicado a ele! Depois eles voltavam para casa.

E o SENHOR abençoou Ana, e ela teve mais três filhos e duas filhas. E o menino Samuel crescia no serviço de Deus, o SENHOR.

Eli já estava muito velho. Ele ouvia falar de tudo o que os seus filhos faziam aos israelitas e também que eles estavam tendo relações com as mulheres que trabalhavam na entrada da Tenda Sagrada.

Então Eli disse: — Por que é que vocês estão fazendo essas coisas? Todos me falam do mal que vocês estão praticando.

Parem com isso, meus filhos! Eu estou ouvindo o povo do SENHOR Deus dizer coisas terríveis a respeito de vocês!

Se uma pessoa peca contra outra, o SENHOR pode defendê-la. Mas quem pode defender aquele que peca contra Deus? Mas eles não ouviram o pai, pois o SENHOR havia resolvido matá-los.

E o menino Samuel continuava a crescer, e tanto o SENHOR como as pessoas gostavam cada vez mais dele.

Então um profeta procurou Eli e lhe deu esta mensagem de Deus, o SENHOR: — Eu me revelei ao seu antepassado Arão quando ele e a sua família eram escravos no Egito.

Você sabe que eu os escolhi, entre todas as tribos de Israel, para serem meus sacerdotes, servirem no altar, queimarem incenso e usarem o manto sacerdotal na minha presença. E dei a eles o direito de ficarem com uma parte dos sacrifícios queimados no altar.

Por que é que vocês olham com tanta ganância para os sacrifícios e ofertas que eu ordenei que me fossem feitos? Eli, por que você honra os seus filhos mais do que a mim, deixando que eles engordem, comendo a melhor parte de todos os sacrifícios que o meu povo me oferece?

Eu, o SENHOR, o Deus de Israel, prometi no passado que a sua família e os seus descendentes me serviriam para sempre como sacerdotes. Mas agora eu digo que isso não vai continuar. Pois respeitarei os que me respeitam, mas desprezarei os que me desprezam.

Olhe! Está chegando o tempo em que eu matarei todos os moços da sua família e da família do seu pai para que nenhum homem da sua família chegue a ficar velho.

Você passará dificuldades e terá inveja de todas as coisas boas que vou dar ao povo de Israel, mas ninguém da sua família chegará a ficar velho.

Deixarei vivo apenas um dos seus descendentes, que será meu sacerdote. Mas ele ficará cego e perderá toda a esperança. E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta.

Hofni e Finéias, os seus dois filhos, morrerão no mesmo dia, e isso será uma prova para você de que o que eu disse é verdade.

Escolherei para mim um sacerdote fiel, e ele fará tudo o que eu quero. Darei a ele descendentes que sempre estarão a serviço do rei que eu escolher.

E todos os outros descendentes de você que, por acaso, ficarem com vida terão de se curvar diante do rei para pedir dinheiro e comida e implorarão para ajudar os sacerdotes, a fim de terem alguma coisa para comer.

 

1 Sm 3

Samuel ainda era menino e ajudava Eli na adoração a Deus, o SENHOR. Naqueles dias poucas mensagens vinham do SENHOR, e as visões também eram muito raras.

Certa noite Eli, já quase cego, estava dormindo no seu quarto.

Samuel dormia na Tenda Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava acesa.

Então o SENHOR Deus chamou: — Samuel, Samuel! — Estou aqui! — respondeu ele.

Então correu para onde Eli estava e disse: — O senhor me chamou? Estou aqui. Mas Eli respondeu: — Eu não chamei você. Volte para a cama. E Samuel voltou.

Então o SENHOR Deus tornou a chamar Samuel. O menino se levantou, foi aonde estava Eli e disse: — O senhor me chamou? Estou aqui. Mas Eli tornou a responder: — Eu não chamei você, filho. Volte para a cama.

Samuel não o conhecia SENHOR pois o SENHOR ainda não havia falado com ele.

Aí o SENHOR chamou Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi aonde Eli estava e disse: — O senhor me chamou? Estou aqui. Então Eli compreendeu que era o SENHOR quem estava chamando o menino

e ordenou: — Volte para a cama e, se ele chamar você outra vez, diga: “Fala, ó SENHOR, pois o teu servo está escutando!” E Samuel voltou para a cama.

Então o SENHOR veio e ficou ali. E, como havia feito antes, disse: — Samuel, Samuel! — Fala, pois o teu servo está escutando! — respondeu Samuel.

E o SENHOR disse: — Eu vou fazer com o povo de Israel uma coisa tão terrível, que todos os que ouvirem a respeito disso ficarão apavorados.

Naquele dia farei contra Eli tudo o que disse a respeito da família dele, do começo até o fim.

Eu lhe disse que ia castigar a sua família para sempre porque os seus filhos disseram coisas más contra mim. Eli sabia que eu ia fazer isso, mas não os fez parar.

Por isso, juro à família de Eli que nenhum sacrifício ou oferta poderá apagar o seu terrível pecado.

Samuel ficou na cama até de manhã. Aí se levantou e abriu os portões da área da Tenda Sagrada. Ele estava com medo de falar com Eli sobre a visão que havia tido.

Mas Eli o chamou: — Samuel, meu filho! — Estou aqui! — respondeu ele.

— O que foi que Deus lhe disse? — perguntou Eli. — Não esconda nada de mim. Deus o castigará severamente se você não me contar tudo o que ele disse.

Então Samuel contou tudo, sem esconder nada. E Eli disse: — Ele é Deus, o SENHOR. Que ele faça tudo o que achar melhor!

E Samuel cresceu. O SENHOR estava com ele e fazia tudo o que Samuel dizia que ia acontecer.

Assim todo o povo de Israel, do norte ao sul do país, ficou sabendo que Samuel era, de fato, um profeta do SENHOR.

O SENHOR continuou a aparecer em Siló, onde havia se revelado a Samuel e falado com ele. E a palavra de Samuel era respeitada por todo o povo de Israel.

 

1 Sm 4

Naqueles dias o povo de Israel foi lutar contra os filisteus. Os israelitas acamparam em Ebenézer, e os filisteus, em Afeca.

Os filisteus se aprontaram e entraram na luta. Eles venceram os israelitas, matando no campo de batalha mais ou menos quatro mil soldados.

Quando aqueles que tinham escapado voltaram ao acampamento, os líderes do povo de Israel disseram: — Por que é que o SENHOR Deus deixou que os filisteus nos vencessem hoje? Vamos trazer de Siló para cá a arca da aliança, para que assim o SENHOR esteja no meio de nós e nos salve dos nossos inimigos.

Então mandaram mensageiros a Siló para trazerem a arca da aliança do SENHOR Todo-Poderoso, que se assenta no seu trono entre os querubins. E Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, vieram junto com a arca.

Quando a arca chegou, os israelitas gritaram tão alto, que a terra tremeu.

Os filisteus ouviram os gritos e disseram: — Escutem esses gritos no acampamento dos hebreus. O que será que aconteceu? Quando souberam que a arca da aliança do SENHOR havia chegado ao acampamento hebreu,

os filisteus ficaram com medo e disseram: — Um deus chegou ao acampamento dos israelitas! Ai de nós! Nunca aconteceu uma coisa assim!

Ai de nós! Quem poderá nos salvar destes poderosos deuses? São os deuses que atacaram os egípcios com todo tipo de pragas, no deserto.

Sejam corajosos, filisteus! Lutem como homens ou seremos escravos dos hebreus, como eles já foram nossos escravos. Lutem como homens!

Assim os filisteus lutaram. Os israelitas foram vencidos e fugiram correndo para as suas casas. E houve uma grande matança: trinta mil israelitas foram mortos.

Então os filisteus tomaram a arca de Deus, e Hofni e Finéias, os filhos de Eli, foram mortos.

Um homem da tribo de Benjamim correu desde o campo de batalha até Siló e chegou lá no mesmo dia. Para mostrar a sua tristeza, ele havia rasgado as suas roupas e posto terra na cabeça.

Eli estava sentado numa cadeira, perto da estrada, esperando. Ele estava muito preocupado com a arca da aliança. Quando o homem deu a notícia, toda a gente da cidade ficou apavorada e começou a chorar alto.

Eli ouviu os gritos e perguntou: — Que barulho é esse? Então o homem correu para contar as notícias a Eli.

Eli estava com noventa e oito anos e completamente cego.

O homem disse: — Eu fugi da batalha e hoje mesmo vim correndo de lá até aqui. — O que aconteceu, meu filho? — perguntou Eli.

— O povo de Israel fugiu dos filisteus! — respondeu o mensageiro. — Foi uma terrível derrota para nós. Além de tudo, os seus filhos Hofni e Finéias foram mortos, e os filisteus tomaram a arca da aliança.

Quando ouviu falar na arca, Eli caiu da cadeira para trás, perto do portão da cidade. Ele estava muito velho e gordo. Por isso, quando caiu, quebrou o pescoço e morreu. Eli foi o líder do povo de Israel quarenta anos.

A nora de Eli, a mulher de Finéias, estava grávida e já quase na época de ter a criança. Quando ela soube que a arca de Deus havia sido tomada e que o seu sogro e o seu marido tinham morrido, começou a ter as dores de parto e deu à luz.

Ela estava morrendo, mas as mulheres que a ajudavam disseram: — Tenha coragem! Você ganhou um filho. Ela não se interessou e não respondeu.

Mas deu ao menino o nome de Icabô, explicando: “A glória saiu de Israel.” Disse isso, falando da tomada da arca de Deus e da morte do seu sogro e do seu marido.

Ela disse: — A glória saiu de Israel, pois a arca de Deus foi tomada pelos nossos inimigos.

 

1 Sm 5

Depois de tomarem a arca de Deus, os filisteus a levaram de Ebenézer para a cidade de Asdode.

Eles a colocaram no templo do seu deus Dagom, perto da sua imagem.

No dia seguinte, de manhã, os moradores de Asdode viram que a imagem de Dagom estava caída de cara no chão, na frente da arca da aliança. Então eles pegaram a imagem e a puseram de volta no seu lugar.

No dia seguinte, de manhã, viram que ela estava caída de novo na frente da arca. A cabeça e os dois braços da imagem estavam quebrados, caídos na soleira da porta; somente o corpo estava inteiro.

É por isso que até hoje os sacerdotes de Dagom e todos os que o adoram em Asdode não pisam aquele lugar.

E o SENHOR Deus castigou duramente o povo de Asdode. Fez com que todo o povo dali e da vizinhança ficasse cheio de tumores.

Quando eles viram isso, disseram: — O Deus de Israel está castigando a nós e ao nosso deus Dagom. Não podemos mais deixar que a arca do Deus de Israel fique aqui.

Então mandaram que alguns mensageiros fossem chamar todos os cinco governadores filisteus e lhes perguntaram: — Que vamos fazer com a arca do Deus de Israel? — Levem para a cidade de Gate! — responderam eles. Então os filisteus a levaram para lá.

Mas, depois que a arca chegou ali, o SENHOR Deus castigou a cidade e pôs medo nos seus moradores. Apareceram tumores em todas as pessoas da cidade, tanto nas mais importantes como nas mais humildes.

Então enviaram a arca da aliança para a cidade de Ecrom. Quando a arca chegou lá, o povo começou a gritar: — Trouxeram a arca do Deus de Israel para cá; eles querem acabar com a gente!

Então mandaram que alguns mensageiros dissessem a todos os governadores filisteus: — Mandem a arca do Deus de Israel de volta ao seu lugar, para que ela não mate a nós e às nossas famílias. Houve morte e destruição em toda a cidade, por causa do castigo severo de Deus.

Os que não morreram ficaram cheios de tumores, e os gritos dos moradores da cidade subiram até o céu.

 

1 Sm 6

Já fazia sete meses que a arca da aliança estava na terra dos filisteus.

Aí eles chamaram os seus sacerdotes e os seus mágicos e perguntaram: — Que faremos com a arca do SENHOR? Se a mandarmos de volta, o que devemos enviar junto com ela?

Eles responderam: — Se vocês mandarem de volta a arca do Deus de Israel, não a enviem sem uma oferta. Mandem junto uma oferta para pagar pelo pecado de vocês. Assim vocês serão curados e saberão por que motivo ele continuou a castigá-los.

— Que oferta devemos mandar? — perguntaram os filisteus. Os sacerdotes e os mágicos responderam: — Mandem cinco tumores feitos de ouro e cinco ratos também de ouro, de acordo com o número dos governadores filisteus. Pois os cinco governadores foram atingidos pela mesma praga que caiu sobre vocês.

Façam imitações dos tumores e dos ratos que estão destruindo a nossa terra e dêem como presente em homenagem ao Deus de Israel. Assim ele talvez pare de castigar vocês, os seus deuses e a sua terra.

Por que razão vocês seriam tão teimosos quanto o rei do Egito e os egípcios? Não esqueçam que Deus zombou deles até que eles deixaram os israelitas saírem do Egito.

Façam o seguinte: arranjem duas vacas que ainda não puxaram carroça e amarrem as duas a uma carroça nova. Depois toquem os bezerros delas para o curral.

Então peguem a arca do SENHOR Deus e a coloquem na carroça. Ponham também numa caixa, ao lado da arca, as imitações de ouro que vocês vão mandar ao Deus de Israel como ofertas para pagamento pelos seus pecados. Aí toquem as vacas para a frente e deixem que elas vão para onde quiserem.

E prestem atenção. Se a carroça for na direção da cidade de Bete-Semes, isso quer dizer que foi o Deus dos israelitas que nos mandou este grande mal. Mas, se isso não acontecer, então quer dizer que não foi ele quem mandou esta praga, e sim que ela veio por acaso.

E os filisteus fizeram o que os seus sacerdotes e mágicos haviam dito: pegaram duas vacas e as amarraram à carroça e prenderam os bezerros no curral.

Depois puseram a arca do SENHOR Deus na carroça, junto com a caixa onde estavam os ratos e os tumores de ouro.

Então as vacas foram diretamente para a cidade de Bete-Semes, andando e mugindo, sem se desviar do caminho. E os cinco governadores filisteus as seguiram até a divisa de Bete-Semes.

O povo de Bete-Semes estava colhendo trigo no vale. De repente, eles olharam e viram a arca da aliança e ficaram muito alegres.

A carroça puxada pelas vacas chegou até a plantação de Josué, de Bete-Semes, e parou perto de uma grande pedra. Então os moradores dali cortaram em pedaços a carroça de madeira, mataram as vacas e as queimaram em sacrifício a Deus, o SENHOR.

Os levitas pegaram a arca do SENHOR e a caixa com as imitações de ouro e puseram em cima da grande pedra. Naquele dia o povo de Bete-Semes apresentou ao SENHOR ofertas que foram completamente queimadas e também sacrifícios de animais.

Os cinco governadores filisteus viram isso e no mesmo dia voltaram para Ecrom.

Os filisteus mandaram a Deus, o SENHOR, os cinco tumores de ouro como oferta em pagamento pelos seus pecados— um por cidade: Asdode, Gaza, Asquelom, Gate e Ecrom.

Mandaram também cinco ratos de ouro, de acordo com o número das cidades governadas pelos cinco governadores filisteus, isto é, as cinco cidades protegidas por muralhas e os povoados que ficavam ao seu redor. Na plantação de Josué, que era natural de Bete-Semes, a arca de Deus foi colocada em cima de uma grande pedra, e essa pedra ainda está ali como prova do que aconteceu.

Setenta homens de Bete-Semes olharam para dentro da arca da aliança, e por isso o SENHOR os matou. E o povo chorou por causa dessa grande matança que Deus fez entre eles.

Então os moradores de Bete-Semes disseram: — Quem pode ficar diante do SENHOR, esse Deus tão santo? Para onde mandaremos a sua arca a fim de que ele fique longe de nós?

Aí enviaram mensageiros para dizerem ao povo da cidade de Jearim: — Os filisteus devolveram a arca da aliança do SENHOR. Desçam até aqui e levem a arca.

 

1 Sm 7

Então os homens da cidade de Jearim foram até lá e levaram a arca do SENHOR. Eles a colocaram na casa de Abinadabe, que ficava num morro. E escolheram e separaram o seu filho Eleazar para tomar conta dela.

A arca da aliança ficou na cidade de Jearim bastante tempo, isto é, mais ou menos vinte anos. Durante esse tempo todos os israelitas oravam a Deus, o SENHOR, pedindo ajuda.

Samuel disse ao povo de Israel: — Se vocês querem com todo o coração voltar a Deus, o SENHOR, joguem fora todos os deuses estrangeiros e as imagens da deusa Astarote. Dediquem-se completamente ao SENHOR e adorem somente a ele. E ele livrará vocês do poder dos filisteus.

Aí os israelitas jogaram fora as suas várias imagens de Baal e também as de Astarote e adoraram somente a Deus, o SENHOR.

Então Samuel mandou que todos os israelitas se reunissem em Mispa. E prometeu que ali oraria por eles ao SENHOR.

Assim todos eles se reuniram em Mispa. Tiraram água e a derramaram em oferta ao SENHOR, jejuaram o dia todo e disseram: — Nós pecamos contra Deus, o SENHOR. E ali em Mispa Samuel julgava e governava o povo de Israel.

Quando os filisteus souberam que os israelitas haviam se reunido em Mispa, os cinco governadores filisteus saíram com os seus homens para atacá-los. Os israelitas souberam disso e ficaram com medo.

E disseram a Samuel: — Não pare de orar ao SENHOR, nosso Deus, pedindo que ele nos livre do domínio dos filisteus.

Então Samuel matou um carneirinho e queimou todo ele como sacrifício a Deus, o SENHOR. Pediu que o SENHOR ajudasse o povo de Israel, e ele respondeu à sua oração.

Enquanto Samuel estava oferecendo o sacrifício, os filisteus avançaram contra os israelitas. Mas o SENHOR os atacou com fortes trovoadas. Então eles ficaram em completa confusão e fugiram.

Os israelitas saíram de Mispa e perseguiram os filisteus até Bete-Car, matando-os pelo caminho.

Aí Samuel pegou uma pedra, pôs entre Mispa e Sem e disse: — Até aqui o SENHOR Deus nos ajudou. Por isso deu a ela o nome de Ebenézer.

Assim os filisteus foram derrotados, e o SENHOR Deus não deixou que eles invadissem a terra de Israel enquanto Samuel viveu.

Todas as cidades que os filisteus haviam tomado, desde Ecrom até Gate, foram devolvidas ao povo de Israel. Dessa maneira os israelitas receberam de volta toda a sua terra. E também houve paz entre os israelitas e os amorreus.

Até o fim da sua vida Samuel foi chefe e juiz do povo de Israel.

Todos os anos ele ia a Betel, Gilgal e Mispa e nesses lugares resolvia as questões que o povo lhe apresentava.

Depois voltava para a sua casa na cidade de Ramá, onde também era juiz. E em Ramá Samuel construiu um altar para Deus, o SENHOR.

 

1 Sm 8

Quando Samuel ficou velho, pôs os seus filhos como juízes de Israel.

O seu filho mais velho se chamava Joel, e o mais novo, Abias. Eles eram juízes na cidade de Berseba.

Porém não seguiram o exemplo do pai. Estavam interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça.

Então todos os líderes de Israel se reuniram e foram falar com Samuel, em Ramá.

Eles disseram: — Olhe! Você já está ficando velho, e os seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, queremos que nos arranje um rei para nos governar, como acontece em outros países.

Samuel não gostou do pedido deles. Então orou a Deus, o SENHOR,

e ele respondeu assim: — Atenda o pedido do povo. Não é só você que eles rejeitaram; eles rejeitaram a mim como Rei.

Desde que eu os trouxe do Egito, eles sempre me têm abandonado e têm adorado outros deuses. Agora estão fazendo com você o que sempre fizeram comigo.

Portanto, atenda o pedido deles. Mas avise essa gente, explicando com toda a clareza como o rei vai tratá-los.

Então Samuel explicou ao povo tudo o que o SENHOR lhe tinha dito.

Ele disse: — O rei os tratará assim: tomará os filhos de vocês para serem soldados; porá alguns para servirem nos seus carros de guerra, outros na cavalaria e outros para correrem adiante dos carros.

Colocará alguns deles como oficiais encarregados de mil soldados, e outros encarregados de cinqüenta. Os seus filhos terão de cultivar as terras dele, fazer as suas colheitas e fabricar as suas armas e equipamentos para os seus carros de guerra.

As filhas de vocês terão de preparar os perfumes do rei e trabalhar como suas cozinheiras e padeiras.

Ele tomará de vocês os melhores campos, plantações de uvas, bosques de oliveiras e dará tudo aos seus funcionários.

Ficará com a décima parte dos cereais e das uvas, para dar aos funcionários da corte e aos outros funcionários.

Tomará também os empregados de vocês, o melhor gado e os melhores jumentos, para trabalharem para ele.

E ficará com a décima parte dos rebanhos de vocês. E vocês serão seus escravos.

Quando isso acontecer, vocês chorarão amargamente por causa do rei que escolheram, porém o SENHOR Deus não ouvirá as suas queixas.

Mas o povo não se importou com o aviso de Samuel. Pelo contrário, eles disseram: — Não adianta. Nós queremos um rei.

Queremos ser como as outras nações: queremos ter um rei para nos governar, para nos dirigir na guerra e lutar em nossas batalhas.

Samuel ouviu o que eles disseram e então foi e contou tudo a Deus, o SENHOR.

Ele respondeu: — Faça o que eles querem. Dê a eles um rei. Aí Samuel pediu a todos os homens de Israel que voltassem para casa.

 

1 Sm 9

Havia um homem chamado Quis, que era da tribo de Benjamim. Ele era filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afias. Quis era rico e importante.

Tinha um filho jovem e bonito, chamado Saul. Não havia ninguém mais bonito do que ele entre todos os israelitas. Além disso era mais alto do que todos. Quando estava no meio do povo, ele aparecia dos ombros para cima.

E aconteceu que algumas jumentas que pertenciam a Quis, o pai de Saul, se perderam. Então ele disse a Saul: — Filho, leve com você um dos nossos empregados e vá procurar as jumentas.

Eles foram por toda a região montanhosa de Efraim e pela terra de Salisa, porém não acharam as jumentas. Então procuraram na terra de Saalim, porém elas não estavam lá. Aí procuraram no território da tribo de Benjamim, mas também não as encontraram.

Quando entraram na terra de Zufe, Saul disse ao empregado: — Vamos voltar para casa; se não, em vez de se preocupar com as jumentas, o meu pai vai acabar se preocupando com a gente.

O empregado respondeu: — Espere. Nesta cidade mora um homem santo que é muito respeitado porque tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele possa nos dizer onde podemos encontrar as jumentas.

Saul perguntou: — Se formos lá, o que vamos levar para ele? Não há comida nas nossas sacolas, e não temos nada para lhe dar. Ou será que temos?

O empregado respondeu: — Tenho uma pequena quantia de prata que posso dar a ele para que nos conte onde poderemos achar as jumentas.

(Antigamente, quando alguém queria fazer uma pergunta a Deus, costumava dizer: “Vamos falar com o vidente.” Porque naquele tempo os profetas eram chamados de videntes.)

— É uma boa idéia! — respondeu Saul. — Vamos. Então eles foram à cidade onde o homem santo morava.

Quando estavam subindo o morro para chegar à cidade, encontraram algumas moças que estavam saindo para tirar água. Eles perguntaram: — O vidente está na cidade?

— Ele está, sim! — responderam elas. — Olhem! Ali vai ele, ali na frente. Andem depressa. Ele está entrando na cidade porque o povo vai oferecer hoje um sacrifício no altar do monte.

Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão antes que ele suba o monte para comer. O povo não começa a comer antes que ele chegue lá, pois primeiro ele tem de abençoar o sacrifício. Só depois é que os convidados podem comer. Subam lá agora e logo vocês o encontrarão.

Então eles foram até a cidade. Quando iam entrando, viram Samuel, que saía para subir até o lugar de adoração.

Um dia antes de Saul chegar, o SENHOR Deus tinha dito a Samuel:

— Amanhã, a esta hora, eu vou enviar a você um homem da tribo de Benjamim. Você o ungirá para ser o governador do meu povo de Israel. Ele libertará o povo do domínio dos filisteus. Eu tenho visto o sofrimento do meu povo e ouvido os seus pedidos de ajuda.

Quando Samuel viu Saul, o SENHOR lhe disse: — Este é o homem de quem lhe falei. Ele governará o meu povo.

Saul foi encontrar-se com Samuel, perto do portão, e perguntou: — Por favor, onde mora o vidente?

Samuel respondeu: — Eu sou o vidente. Vá adiante de mim até o lugar de adoração. Vocês dois vão jantar comigo hoje. Amanhã cedo eu responderei a todas as suas perguntas, e então vocês poderão ir embora.

E não se preocupe com as jumentas que se perderam há três dias, pois elas já foram encontradas. Afinal, quem é que o povo de Israel está querendo? Eles querem é você— você e a família do seu pai.

Saul respondeu: — Eu sou da tribo de Benjamim, a menor de Israel, e a minha família é a menos importante da tribo. Então por que o senhor está falando comigo desse jeito?

Aí Samuel levou Saul e o seu empregado para o salão de festas e pediu que os dois sentassem à cabeceira da mesa. Ao redor dessa mesa estavam sentados mais ou menos trinta convidados.

E Samuel disse ao cozinheiro: — Traga aquele pedaço de carne que eu lhe entreguei e pedi para deixar reservado.

O cozinheiro pegou o melhor pedaço da perna e o pôs na frente de Saul. Samuel disse: — Olhe! Aqui está o pedaço que foi reservado para você. Coma-o, pois foi guardado para você comer nesta ocasião em que convidei o povo. E assim, naquele dia, Saul jantou com Samuel.

Depois os dois desceram do lugar de adoração para a cidade. Aí arrumaram uma cama para Saul no terraço,

e ele dormiu ali.

Quando chegaram à saída da cidade, Samuel disse a Saul: — Diga ao seu empregado que vá na frente e você espere aqui um instante. O empregado foi, e Samuel disse a Saul: — Eu tenho um recado de Deus para você.

 

1 Sm 10

Samuel tinha levado consigo um frasco de azeite. Ele derramou o azeite na cabeça de Saul, beijou-o e disse: — O SENHOR Deus está ungindo você como o chefe do seu povo, o povo de Israel. Você o governará e o livrará de todos os seus inimigos. Esta é a prova de que Deus o escolheu para ser o chefe do seu povo:

Hoje, quando você for embora, encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel, em Zelza, no território da tribo de Benjamim. Eles vão contar a você que já foram achadas as jumentas que estavam perdidas. Contarão também que agora o seu pai não está mais preocupado com elas e sim com você; e que ele está dizendo: “Que posso fazer para encontrar meu filho?”

— Você deve seguir até chegar à árvore sagrada que fica em Tabor. Ali você vai encontrar três homens que estarão indo a Betel, para lá oferecerem sacrifício a Deus. Um deles estará carregando três cabritos; o outro, três pães; e o terceiro, um odre de vinho.

Eles vão cumprimentar você e vão lhe oferecer dois pães. E você deve aceitar.

Em seguida você irá para o monte de Deus, em Gibeá, onde há um acampamento dos filisteus. Na entrada da cidade vai encontrar um grupo de profetas descendo o morro, vindos do altar. Eles estarão tocando harpas, tambores, flautas e liras. E estarão profetizando.

Então o Espírito do SENHOR dominará você, e você vai agir como um profeta junto com eles e ficará uma pessoa diferente.

Quando isso acontecer, faça tudo o que tiver de fazer, pois Deus estará com você.

Vá na minha frente para Gilgal. Eu me encontrarei com você lá e oferecerei sacrifícios que serão completamente queimados e ofertas de paz. Espere lá sete dias até que eu chegue e diga o que você deve fazer.

Deus mudou o coração de Saul no momento em que ele se despediu de Samuel. E naquele dia aconteceu tudo o que Samuel tinha dito.

Quando Saul e o seu empregado chegaram a Gibeá, um grupo de profetas o encontrou. O Espírito de Deus tomou conta de Saul, e ele se juntou a eles, agindo como um profeta.

Algumas pessoas que o conheciam viram isso e perguntavam: — O que aconteceu com o filho de Quis? Será que Saul virou profeta?

Um homem que morava ali perguntou: — E os outros? Será que os pais deles são profetas? Foi assim que surgiu o seguinte ditado: “Será que Saul também virou profeta?”

Quando Saul acabou de profetizar, foi para o altar, no monte.

O tio de Saul perguntou a ele e ao seu empregado: — Onde foi que vocês estiveram? — Estávamos procurando as jumentas! — respondeu Saul. — E, como não as encontramos, fomos falar com Samuel.

— E o que foi que ele disse? — perguntou o tio.

— Ele nos disse que os animais já haviam sido encontrados! — respondeu Saul. Porém não contou ao tio o que Samuel tinha dito a respeito de ele se tornar rei.

Samuel chamou todo o povo para uma reunião religiosa em Mispa

e disse: — O SENHOR, o Deus de Israel, diz: “Eu tirei vocês do Egito e os livrei dos egípcios e de todos os outros povos que os maltratavam.

Eu sou o Deus de vocês, o único que os livra de todos os seus problemas e dificuldades, mas hoje vocês me rejeitaram e pediram que eu lhes desse um rei. Muito bem, então reúnam-se na minha presença, separados por tribos e por grupos de famílias.”

Samuel mandou que todas as tribos viessem para perto dele, e o sorteio indicou a tribo de Benjamim.

Então Samuel mandou que as famílias da tribo de Benjamim avançassem, e a família de Matri foi indicada. Aí os homens da família de Matri avançaram, e Saul, filho de Quis, foi indicado. Eles o procuraram, porém não puderam achá-lo.

Então perguntaram a Deus, o SENHOR: — Ainda há mais alguém? — Há, e ele está escondido no meio da bagagem! — respondeu o SENHOR.

Então eles correram e trouxeram Saul. E ele era o mais alto de todos, aparecendo dos ombros para cima no meio do povo.

Samuel disse ao povo: — Aqui está o homem que o SENHOR Deus escolheu! Não há ninguém igual a ele entre nós. E todo o povo gritou: — Viva o rei!

Samuel explicou ao povo os direitos e deveres de um rei e os escreveu num livro, que foi colocado na presença de Deus, o SENHOR. Aí mandou todos para casa.

Saul também voltou para a sua casa em Gibeá. Alguns homens corajosos, que no seu coração sentiram a orientação de Deus, foram com Saul.

Mas algumas pessoas de mau caráter disseram: — Como é que este homem vai poder nos salvar? E desprezaram Saul e não lhe deram presentes.

 

1 Sm 11

Mais ou menos um mês depois, Naás, o rei dos amonitas, marchou contra a cidade de Jabes, na terra de Gileade. O exército de Naás cercou a cidade, e então os homens de Jabes lhe disseram: — Vamos fazer um acordo e nós o aceitaremos como chefe.

Naás respondeu: — Eu faço um acordo, mas com a seguinte condição: furarei o olho direito de todos vocês e assim humilharei todo o povo de Israel.

Os líderes de Jabes disseram: — Dê-nos sete dias para mandar mensageiros por toda a terra de Israel. Se ninguém vier nos ajudar, então nos entregaremos a você.

Os mensageiros chegaram a Gibeá, onde Saul morava. Quando deram as notícias, o povo começou a chorar de desespero.

Naquela hora Saul vinha chegando do campo com o gado e perguntou: — O que foi que houve? Por que todos estão chorando? Eles lhe contaram o que os mensageiros de Jabes tinham dito.

Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus o dominou, e ele ficou furioso.

Pegou dois bois, cortou-os em pedaços e mandou-os por meio de mensageiros a toda a terra de Israel, com a seguinte mensagem: — É isso o que acontecerá com os bois dos que não seguirem Saul e Samuel na batalha! O povo de Israel ficou com medo do que o SENHOR poderia fazer, e então todos vieram, com um só pensamento, para seguir Saul.

Saul os reuniu e os levou de Bezeque. Havia trezentos mil homens de Israel e trinta mil de Judá.

Eles disseram aos mensageiros de Jabes: — Digam ao seu povo que amanhã, antes do meio-dia, vocês receberão socorro. O povo de Jabes ficou muito alegre quando recebeu a mensagem.

Então eles disseram aos amonitas: — Amanhã nós nos entregaremos, e vocês poderão fazer com a gente o que quiserem.

Na manhã seguinte Saul dividiu os seus homens em três grupos. Ao amanhecer eles avançaram sobre o acampamento amonita e o atacaram. Lá pelo meio-dia já haviam massacrado os inimigos. E os que escaparam se espalharam, cada um fugindo para um lado.

Então o povo de Israel disse a Samuel: — Onde estão as pessoas que disseram que Saul não seria o nosso rei? Traga essa gente aqui, que nós os mataremos.

Mas Saul respondeu: — Ninguém será morto neste dia porque hoje o SENHOR Deus deu a vitória ao povo de Israel.

E Samuel disse ao povo: — Vamos todos a Gilgal e lá confirmaremos Saul como nosso rei.

Então foram todos a Gilgal e lá, no lugar sagrado, fizeram de Saul o seu rei. Ofereceram sacrifícios de paz, e Saul e todo o povo de Israel festejaram o acontecimento.

 

1 Sm 12

Então Samuel disse aos israelitas: — Eu fiz o que me pediram: dei a vocês um rei para governá-los.

Agora vocês têm um rei que os guiará. Quanto a mim, já estou velho, de cabelos brancos, e os meus filhos estão com vocês. Fui o seu líder desde a minha mocidade, até hoje.

Aqui estou eu. Se fiz alguma coisa errada, me acusem agora, na presença do SENHOR Deus e do rei que ele escolheu. Por acaso, tomei o boi ou o jumento de alguém? Enganei ou persegui alguém? Recebi dinheiro de alguém para torcer a justiça? Se fiz alguma dessas coisas, eu devolverei o que tirei.

O povo respondeu: — O senhor não nos enganou, nem nos perseguiu e não tomou nada de ninguém.

Samuel disse: — O SENHOR e o rei que ele escolheu são testemunhas de que hoje vocês acharam que estou completamente inocente de qualquer acusação. — Sim, o SENHOR é testemunha! — responderam eles.

E Samuel continuou: — O SENHOR é testemunha, ele que escolheu Moisés e Arão e trouxe do Egito os antepassados de vocês.

Fiquem agora onde estão, e eu os acusarei diante de Deus, o SENHOR, e os farei lembrar de todas as coisas poderosas que ele fez para salvar vocês e os seus antepassados.

Quando Jacó e a sua família foram para o Egito, os egípcios os escravizaram, e eles, os antepassados de vocês, pediram ajuda ao SENHOR. Então ele mandou Moisés e Arão, que os tiraram do Egito e os colocaram nesta terra.

Mas os antepassados de vocês esqueceram o SENHOR, nosso Deus. Por isso ele deixou que Sísera, o comandante do exército da cidade de Hazor, e os filisteus e o rei de Moabe lutassem contra eles e os vencessem.

Aí eles gritaram pedindo ajuda a Deus, o SENHOR, dizendo: “Ó Deus, nós pecamos, pois te deixamos e adoramos o deus Baal de várias cidades e também Astarote. Mas agora livra-nos dos nossos inimigos, e nós te adoraremos.”

Então o SENHOR enviou Gideão, Baraque, Jefté e Samuel, que os libertaram dos seus inimigos, e assim vocês viveram em segurança.

E, quando viram que o rei Naás, de Amom, ia atacá-los, vocês rejeitaram o SENHOR, nosso Deus, como rei e me disseram: “Nós queremos um rei para nos governar.”

— Agora, aqui está o rei que vocês escolheram. Vocês pediram, e o SENHOR Deus deu esse rei.

Tudo correrá bem para vocês se temerem o SENHOR, nosso Deus, se o adorarem, se o ouvirem, se obedecerem às suas ordens, e se vocês e o seu rei o seguirem.

Porém, se não ouvirem o SENHOR e se desobedecerem às suas ordens, ele ficará contra vocês e contra o seu rei.

Fiquem agora onde estão e vocês verão que coisa maravilhosa o SENHOR vai fazer.

Estamos na época da seca, e o trigo está sendo colhido, não é mesmo? Pois eu vou orar, e o SENHOR vai mandar trovões e chuva. Quando vocês virem isso acontecer, compreenderão que cometeram um grande pecado contra Deus, o SENHOR, quando pediram um rei.

Aí Samuel orou, e no mesmo dia o SENHOR mandou trovões e chuva. Então todo o povo ficou com medo do SENHOR e de Samuel.

Eles disseram a Samuel: — Por favor, ore por nós ao SENHOR, seu Deus, e assim nós não morreremos. Além de todos os nossos pecados, ainda pecamos ao pedir um rei.

— Não fiquem com medo! — respondeu Samuel. — Embora vocês tenham feito uma coisa tão má, não deixem de adorar o SENHOR, nosso Deus, mas sirvam a ele com todo o coração.

Não andem atrás de deuses falsos. Eles não podem ajudar, nem salvar vocês, pois não são verdadeiros.

Deus, o SENHOR, pela honra do seu nome, prometeu que não vai abandoná-los, pois resolveu fazer com que vocês sejam o povo dele.

Quanto a mim, não deixarei de orar por vocês, pois do contrário estaria pecando contra o SENHOR. E eu lhes ensinarei o caminho bom e direito.

Temam o SENHOR e sirvam a ele fielmente, com todo o coração. Lembrem das grandes coisas que ele fez por vocês.

Mas, se vocês continuarem a fazer o mal, certamente tanto vocês como o seu rei serão destruídos.

 

1 Sm 13

Saul tinha…anos de idade quando se tornou rei e governou o povo de Israel dois anos.

Ele escolheu três mil israelitas e mandou todos os outros de volta para casa. Dois mil estavam na cidade de Micmás e na região montanhosa de Betel. Mil homens ficaram com o seu filho Jônatas, na cidade de Gibeá, no território da tribo de Benjamim.

Jônatas matou o comandante filisteu, em Geba, e os filisteus ficaram sabendo disso. Aí Saul mandou mensageiros para tocarem corneta por todo o país, chamando os hebreus para a guerra.

E todo o povo ouviu esta mensagem: “Saul matou o comandante dos filisteus, e agora eles estão com ódio dos israelitas.” Então o povo respondeu ao chamado e foi juntar-se a Saul, em Gilgal.

Os filisteus se reuniram para lutar contra os israelitas. Eles tinham trinta mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e tantos soldados quantos os grãos de areia da praia do mar. Foram até Micmás, a leste da cidade de Bete-Avém, e acamparam ali.

Os israelitas perceberam que estavam sem saída e numa situação muito difícil. Alguns se esconderam em cavernas e em buracos, e outros, entre rochas, em covas e em poços.

Outros ainda atravessaram o rio Jordão e foram para as terras de Gade e de Gileade. Saul havia ficado em Gilgal, e o povo dali estava apavorado.

Seguindo as instruções de Samuel, Saul esperou sete dias, mas Samuel não foi até lá. E o povo começou a abandonar Saul e sair dali.

Então Saul lhes disse: — Tragam os animais para o sacrifício que é completamente queimado e para as ofertas de paz. Ele ofereceu o sacrifício,

e, quando estava terminando, Samuel chegou. Saul foi ao encontro dele, para o cumprimentar,

mas Samuel disse: — O que foi que você fez? Saul respondeu: — Eu percebi que o povo estava me abandonando e indo embora. Você também não veio como havia prometido, e os filisteus já estavam reunidos em Micmás.

Aí eu pensei: “Os filisteus vão descer a Gilgal para me atacar, e eu ainda não tentei conseguir a ajuda de Deus, o SENHOR.” Então achei que tinha de oferecer o sacrifício.

— O que você fez foi uma loucura! — respondeu Samuel. — Você não obedeceu à ordem do SENHOR, nosso Deus. Se tivesse obedecido, ele teria deixado que você e os seus descendentes governassem o povo de Israel para sempre.

Mas agora você não continuará a governar. Você desobedeceu ao SENHOR, e por isso ele vai encontrar um homem do tipo que ele quer e o fará chefe deste povo.

Aí Samuel saiu de Gilgal e foi embora. Saul, acompanhado pelo resto do povo, também deixou Gilgal e foi para junto dos seus soldados, em Gibeá, no território da tribo de Benjamim. Então ele fez uma contagem dos seus soldados: eram mais ou menos seiscentos homens.

Saul, o seu filho Jônatas e os seus homens ficaram em Geba, no território de Benjamim. Os filisteus estavam acampados em Micmás.

Os soldados filisteus saíram para patrulhar em três grupos: um grupo foi na direção de Ofra, na terra de Sual,

o outro seguiu rumo a Bete-Horom, e o terceiro, na direção do monte de onde se avista o vale de Zeboim e o deserto.

Os filisteus haviam proibido os hebreus de fazerem espadas e lanças. Por isso, não havia nenhum ferreiro na terra de Israel.

Assim, quando os arados, as enxadas, os machados e as foices dos israelitas precisavam ser amolados, eles os levavam aos filisteus.

Estes cobravam caro dos israelitas para afiar machados e ferrões de tocar bois e mais caro ainda para afiar arados e enxadas.

Por isso, no dia da batalha, nenhum soldado israelita tinha nem espada nem lança; só Saul e o seu filho Jônatas é que tinham.

Os filisteus mandaram um grupo de soldados para defender o desfiladeiro de Micmás.

 

1 Sm 14

Um dia Jônatas disse ao rapaz que carregava as suas armas: — Vamos até o acampamento filisteu, que está no outro lado do desfiladeiro. Mas Jônatas não contou ao pai o que ia fazer.

Saul estava em Migrom, perto de Gibeá, acampado debaixo de um pé de romã. Com ele estavam mais ou menos seiscentos homens.

O sacerdote que usava o manto sacerdotal era Aías, filho de Aitube e sobrinho de Icabô. (Icabô era filho de Finéias e neto de Eli, que havia sido sacerdote do SENHOR Deus em Siló.) Os homens não sabiam que Jônatas havia saído do acampamento.

No desfiladeiro que Jônatas tinha de atravessar para chegar ao acampamento dos filisteus, havia duas grandes pedras, uma de cada lado da passagem. Uma era chamada de Bosês, e a outra, de Senê.

Uma estava no lado norte do desfiladeiro, de frente para Micmás, e a outra, no lado sul, de frente para Geba.

Jônatas disse ao rapaz que o acompanhava: — Vamos até o acampamento desses filisteus pagãos. Pode ser que o SENHOR nos ajude. E, se ele nos ajudar, nada poderá impedi-lo de nos dar a vitória, ainda que sejamos poucos.

O rapaz respondeu: — Faça o que achar melhor! Eu estou com o senhor.

— Muito bem! — respondeu Jônatas. — Vamos até lá e deixemos que aqueles homens nos vejam.

Se eles disserem para ficarmos parados até que cheguem perto de nós, nós obedeceremos.

Mas, se disserem para irmos até o lugar onde eles estão, nós iremos, pois isso será o sinal de que o SENHOR Deus nos deu a vitória.

Aí os dois deixaram que os filisteus os vissem. E estes disseram: — Vejam! Alguns hebreus estão saindo das tocas onde estavam escondidos.

Então os soldados filisteus chamaram Jônatas e o rapaz: — Subam até aqui! Queremos mostrar uma coisa a vocês. Jônatas disse ao rapaz: — Siga-me, pois o SENHOR Deus deu ao povo de Israel a vitória sobre os filisteus.

Ele subiu engatinhando, e o rapaz o seguiu. Jônatas ia atacando e derrubando os filisteus, e o rapaz os ia matando.

Nesse primeiro ataque eles mataram cerca de vinte homens, em uma área de mais ou menos mil e duzentos metros quadrados.

Todos os filisteus que estavam no acampamento ficaram apavorados. Os patrulheiros e os soldados do acampamento tremeram de medo. A terra também tremeu, e houve uma grande confusão.

Os espiões de Saul que estavam em Gibeá, no território da tribo de Benjamim, viram que os filisteus estavam tontos, correndo para cá e para lá.

Então Saul disse aos seus oficiais: — Contem os nossos soldados e vejam quem está faltando. Eles contaram e descobriram que estavam faltando Jônatas e o rapaz que carregava as suas armas.

Aí Saul disse a Aías, o sacerdote: — Traga aqui a arca da aliança. Ele disse isso porque naquele tempo a arca ia na frente do povo de Israel.

Enquanto Saul falava com o sacerdote, a confusão no acampamento filisteu aumentava cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote: — Você não precisa mais consultar o SENHOR.

Aí ele e os seus homens entraram na batalha contra os filisteus. Estes, em completa confusão, estavam lutando uns contra os outros.

Os hebreus que haviam passado para o lado dos filisteus e tinham ido para o acampamento com eles mudaram de lado outra vez e se juntaram com Saul e Jônatas.

Os israelitas que estavam escondidos nas montanhas de Efraim também souberam que os filisteus estavam fugindo. Eles se reuniram e atacaram os filisteus,

lutando todo o caminho até além de Bete-Avém. E o SENHOR Deus deu naquele dia a vitória ao povo de Israel.

Naquele dia os israelitas estavam fracos de fome porque Saul havia feito este juramento: “Quem comer qualquer coisa hoje, antes de eu me vingar dos meus inimigos, será amaldiçoado.” Por isso, ninguém tinha comido nada o dia inteiro.

Todos eles chegaram a um bosque e ali acharam mel por toda parte.

As árvores estavam cheias de mel, mas ninguém comeu nada porque eles estavam com medo do juramento de Saul.

Mas Jônatas não tinha ouvido o seu pai dar a ordem ao povo. Por isso, estendeu o bastão que tinha na mão, molhou a ponta num favo e comeu um pouco de mel. E logo se sentiu melhor.

Mas um dos homens disse: — Todos estão fracos de fome porque o seu pai nos ameaçou, dizendo: “Quem comer qualquer coisa hoje será amaldiçoado!”

Então Jônatas respondeu: — O meu pai fez uma coisa terrível com o nosso povo. Vejam como estou me sentindo melhor depois de comer um pouco deste mel!

Teria sido bem melhor se hoje o nosso povo tivesse comido o alimento que tomou do inimigo quando o derrotou. Imaginem quantos filisteus mais eles teriam matado!

Naquele dia os israelitas derrotaram os filisteus, lutando desde Micmás até Aijalom. A essa altura os israelitas estavam muito fracos de fome.

Por isso, avançaram sobre o que haviam tirado dos inimigos, isto é, as ovelhas, as vacas e os bezerros, e os mataram ali mesmo e comeram a carne com o sangue.

Aí alguém foi dizer a Saul: — Olhe! O povo está pecando contra Deus, comendo carne sem primeiro deixar escorrer o sangue. Saul gritou: — Isso é traição! Rolem aqui para mim uma pedra grande.

E ordenou ainda: — Vão para o meio do povo e digam a eles que tragam aqui o seu gado e as suas ovelhas. E que os matem e os comam aqui. E que não pequem contra Deus, comendo carne com sangue. Por isso, naquela noite, todos trouxeram o seu gado e o mataram ali.

E Saul construiu um altar para o SENHOR Deus, e esse foi o primeiro que ele construiu.

Aí Saul disse aos seus soldados: — Vamos descer de noite e atacar os filisteus. Até o amanhecer nós tomaremos tudo o que eles têm e não deixaremos nenhum filisteu vivo. Eles responderam: — Faça o que achar melhor. Mas o sacerdote disse: — Primeiro vamos consultar a Deus.

Aí Saul perguntou a Deus: — Devo atacar os filisteus? Tu darás a vitória ao povo de Israel? Mas naquele dia Deus não respondeu nada.

Então Saul disse aos oficiais: — Venham aqui e descubram que pecado foi cometido hoje.

Eu prometo pelo SENHOR, o Deus vivo, o Salvador de Israel, que, mesmo que o culpado seja o meu filho Jônatas, eu o matarei. Mas ninguém respondeu nada.

Então Saul ordenou: — Fiquem todos de um lado. Eu e o meu filho Jônatas ficaremos do outro. — Faça o que achar melhor! — responderam eles.

Então Saul disse ao SENHOR, o Deus de Israel: — Ó Deus, por que não me respondeste hoje? Ó SENHOR, Deus de Israel, responde por meio do sorteio. Se a culpa for minha ou de Jônatas, responde pela pedra marcada Urim; mas, se a culpa for de Israel, o teu povo, responde pela pedra marcada Tumim. E a resposta indicou Jônatas e Saul e não os soldados.

Então Saul disse: — Façam o sorteio para saber se a culpa é minha ou do meu filho Jônatas. E Jônatas foi indicado.

Então Saul perguntou: — O que foi que você fez? — Eu comi um pouco de mel que tirei com a ponta do bastão que eu tinha na mão! — respondeu Jônatas. — E estou aqui, pronto para morrer.

— Que Deus me mate se você não for morto! — disse Saul.

Mas os soldados responderam: — Isso, nunca! Jônatas, que deu esta grande vitória ao povo de Israel, não deve morrer. Nós prometemos pelo SENHOR, o Deus vivo, que ele não vai perder nem um fio de cabelo. O que ele fez hoje foi conseguido com a ajuda de Deus. E assim os soldados salvaram Jônatas da morte.

Saul parou de perseguir os filisteus, e eles voltaram para a sua terra.

Depois que se tornou o rei de Israel, Saul lutou contra todos os povos vizinhos que eram seus inimigos: os povos de Moabe, de Amom e de Edom, os reis de Zoba e os filisteus. E em toda parte em que lutava era vitorioso.

Saul lutou corajosamente e venceu os amalequitas. E defendeu o povo de Israel de todos os ataques.

Saul tinha três filhos homens: Jônatas, Isvi e Malquisua. A sua filha mais velha chamava-se Merabe, e a mais nova, Mical.

A sua mulher chamava-se Ainoã e era filha de Aimaás. O comandante do exército de Saul era o seu primo Abner, filho de seu tio Ner.

Quis, o pai de Saul, e Ner, o pai de Abner, eram filhos de Abiel.

Durante toda a sua vida Saul lutou ferozmente contra os filisteus. E, sempre que encontrava um homem forte e valente, ele o alistava no seu exército.

 

1 Sm 15

Samuel disse a Saul: — O SENHOR Deus me mandou ungir você para ser rei de Israel, o povo dele. Agora escute isto que o SENHOR Todo-Poderoso diz.

Ele castigará os amalequitas porque eles lutaram contra os israelitas quando estes vieram do Egito.

Vá, ataque os amalequitas e destrua completamente tudo o que eles têm. Não tenha dó nem piedade. Mate todos os homens e mulheres, crianças e bebês, gado e ovelhas, camelos e jumentos.

Então Saul convocou o seu exército e em Telaim fez uma contagem dos seus soldados. Havia duzentos mil soldados do povo de Israel e dez mil de Judá.

Aí Saul e todos os seus soldados foram para a cidade de Amaleque e ficaram esperando escondidos no leito seco de um rio.

Saul preveniu os queneus: — Saiam do meio dos amalequitas para que eu não os mate junto com eles, pois vocês foram bondosos com os israelitas quando eles vieram do Egito. Então os queneus saíram.

E Saul derrotou os amalequitas, desde Havilá até Sur, a leste do Egito.

Prendeu Agague, o rei dos amalequitas, porém matou todo o povo.

Saul e os seus soldados não mataram Agague; também não mataram as melhores ovelhas, os melhores touros, bezerros e carneiros e tudo o mais que era bom. Mas destruíram tudo o que era imprestável e sem valor.

O SENHOR Deus falou com Samuel:

— Eu estou arrependido de ter feito Saul rei, pois ele me abandonou e desobedeceu às minhas ordens. Samuel ficou triste com isso e a noite inteira orou em voz bem alta a Deus, o SENHOR, em favor de Saul.

Na manhã seguinte, bem cedo, ele saiu para procurar Saul. Soube que ele tinha ido para a cidade de Carmelo, onde havia construído um monumento em honra de si mesmo, e que depois tinha seguido para Gilgal.

Samuel encontrou Saul, e este o cumprimentou, dizendo: — Que o SENHOR Deus o abençoe, Samuel! Eu obedeci às ordens do SENHOR.

E Samuel perguntou: — Então por que é que estou ouvindo o mugido de gado e o berro de ovelhas?

Saul respondeu: — Os meus soldados os tomaram dos amalequitas. Pegaram as melhores ovelhas e o melhor gado para oferecer como sacrifício ao SENHOR, o Deus de você. E destruímos completamente o resto.

— Espere! — interrompeu Samuel. — Eu vou lhe contar o que o SENHOR Deus me disse na noite passada. — Fale! — disse Saul.

E Samuel continuou: — Você pode pensar que é uma pessoa sem importância, mas é o líder das tribos de Israel. O SENHOR Deus o ungiu como rei do povo de Israel

e mandou que você fosse e destruísse os amalequitas, essa gente má. E disse para você lutar até acabar com eles.

Então por que é que você não obedeceu? Por que é que você teve pressa de ficar com as coisas do inimigo, fazendo assim uma coisa que para Deus é errada?

— Mas eu obedeci a Deus, o SENHOR! — respondeu Saul. — Saí como ele me ordenou, trouxe o rei Agague e matei todos os amalequitas.

Porém os meus soldados não mataram o melhor gado e as melhores ovelhas, que estavam condenados à destruição. Em vez disso, eles os trouxeram aqui para Gilgal a fim de os oferecer como sacrifício ao SENHOR, o Deus de você.

Samuel respondeu: — O que é que o SENHOR Deus prefere? Obediência ou oferta de sacrifícios? É melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas.

A revolta contra o SENHOR é tão grave como a feitiçaria, e o orgulho é pecado como é pecado a idolatria. O SENHOR o rejeitou como rei porque você rejeitou as ordens dele.

— Eu pequei! — respondeu Saul. — Desobedeci às ordens de Deus, o SENHOR, e às instruções que você deu. Fiquei com medo do povo e fiz o que eles queriam.

Mas agora, Samuel, eu peço que perdoe o meu pecado e volte comigo para que eu possa adorar o SENHOR.

— Eu não voltarei com você! — respondeu Samuel. — Você rejeitou as ordens de Deus, o SENHOR, e por isso ele também o rejeitou como rei de Israel.

Então Samuel virou-se para sair. Mas Saul o segurou pela barra da capa, e ela se rasgou.

E Samuel disse: — Hoje Deus rasgou das suas mãos o Reino de Israel e o deu a alguém que é melhor do que você.

O glorioso Deus de Israel não mente, nem muda de idéia. Ele não é um ser humano e por isso não se arrepende.

— Eu pequei! — repetiu Saul. — Mas pelo menos me respeite na frente dos líderes e de todo o povo de Israel. Volte comigo para que eu possa adorar o SENHOR, seu Deus.

Então Samuel voltou com ele, e Saul adorou a Deus, o SENHOR.

E Samuel ordenou: — Tragam aqui o rei Agague. Tremendo de medo, Agague foi até o lugar onde Saul estava e disse: — Como é amargo morrer!

Samuel disse: — Assim como a sua espada fez muitas mães ficarem sem filhos, agora também a sua mãe vai ficar sem o seu filho. Em seguida Samuel cortou Agague em pedaços, em Gilgal, em frente do altar.

Aí Samuel foi para Ramá, e Saul voltou para a sua casa em Gibeá.

E nunca mais Samuel tornou a ver Saul, mas ficou com muita pena dele. E o SENHOR Deus se arrependeu de ter colocado Saul como rei de Israel.

 

1 Sm 16

O SENHOR Deus disse a Samuel: — Até quando você vai continuar a ter pena de Saul? Eu não quero mais que ele seja rei de Israel. Encha um chifre com azeite e leve com você. Depois vá a Belém, até a casa de um homem chamado Jessé, pois eu escolhi um dos filhos dele para ser rei.

— Como posso fazer isso? — respondeu Samuel. — Se Saul souber disso, ele me mata! O SENHOR Deus respondeu: — Leve um bezerro e diga que você foi lá para oferecer um sacrifício ao SENHOR.

Convide Jessé para o sacrifício, e depois eu lhe digo o que fazer. Você ungirá como rei aquele que eu indicar.

Samuel fez o que o SENHOR Deus havia mandado e foi a Belém. Quando chegou lá, os líderes da cidade foram tremendo encontrá-lo e perguntaram: — A sua visita é de paz?

— Sim! — respondeu ele. — Eu vim oferecer um sacrifício a Deus. Purifiquem-se e venham comigo. Ele mandou que Jessé e os seus filhos se purificassem e os convidou para o sacrifício.

Quando eles chegaram, Samuel viu Eliabe, um dos filhos de Jessé, e pensou: — Este homem que está aqui na presença de Deus, o SENHOR, certamente é aquele que o SENHOR escolheu.

Mas o SENHOR disse: — Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração.

Então Jessé chamou o seu filho Abinadabe e o levou a Samuel. Mas Samuel disse: — Este também não foi escolhido pelo SENHOR.

Aí Jessé trouxe o seu filho Siméia. E Samuel disse: — O SENHOR Deus também não escolheu este.

Assim Jessé apresentou a Samuel sete dos seus filhos. E Samuel disse: — O SENHOR Deus não escolheu nenhum destes.

E perguntou a Jessé: — Você não tem mais nenhum filho? Jessé respondeu: — Tenho mais um, o caçula, mas ele está fora, tomando conta das ovelhas. — Então mande chamá-lo! — disse Samuel. — Nós não vamos oferecer o sacrifício enquanto ele não vier.

Aí Jessé mandou buscá-lo. Era um belo rapaz, saudável e de olhos brilhantes. E o SENHOR disse a Samuel: — É este mesmo. Unja-o.

Samuel pegou o chifre cheio de azeite e ungiu Davi na frente dos seus irmãos. E o Espírito do SENHOR dominou Davi e daquele dia em diante ficou com ele. E Samuel voltou para Ramá.

O Espírito do SENHOR saiu de Saul, e um espírito mau, mandado por Deus, começou a atormentá-lo.

Então os empregados de Saul lhe disseram: — Sabemos que um espírito mau mandado por Deus está atormentando o senhor.

Mande, e nós iremos procurar um homem que saiba tocar lira. Assim, quando o espírito mau vier sobre o senhor, o homem tocará a lira, e o senhor ficará bom de novo.

E Saul ordenou: — Procurem um homem que toque bem lira e o tragam aqui.

Um dos empregados respondeu: — Jessé, da cidade de Belém, tem um filho que é bom músico. Ele também é valente, bom soldado, fala bem, tem boa aparência, e o SENHOR Deus está com ele.

Aí Saul enviou mensageiros com este recado para Jessé: — Mande-me o seu filho Davi, aquele que toma conta das ovelhas.

Então Jessé mandou Davi a Saul, e Davi levou de presente um odre cheio de vinho, um cabrito e um jumento carregado de pão.

Davi foi e ficou trabalhando para Saul. Este gostou muito de Davi e o escolheu para carregar as suas armas.

E mandou a seguinte mensagem a Jessé: — Eu gostei de Davi. Deixe que ele fique aqui a meu serviço.

Daí em diante, toda vez que o espírito mau mandado por Deus vinha sobre Saul, Davi pegava a sua lira e tocava. O espírito mau saía de Saul, e ele se sentia melhor e ficava bom novamente.

 

1 Sm 17

Os filisteus se reuniram para lutar em Socó, uma cidade de Judá. Acamparam num lugar chamado “Fronteira Sangrenta”, entre Socó e Azeca.

Saul e os israelitas se juntaram, acamparam no vale do Carvalho e se prepararam para lutar contra os filisteus.

Os filisteus pararam no monte que ficava de um lado do vale, e os israelitas ficaram no monte do outro lado.

Um homem chamado Golias, da cidade de Gate, saiu do acampamento filisteu para desafiar os israelitas. Ele tinha quase três metros de altura

e usava um capacete de bronze e uma armadura também de bronze, que pesava uns sessenta quilos.

As pernas estavam protegidas por caneleiras de bronze, e ele carregava nos ombros um dardo, também de bronze.

A lança dele era enorme, muito grossa e pesada; a ponta era de ferro e pesava mais ou menos sete quilos. Na frente dele ia um soldado carregando o seu escudo.

Golias veio, parou e gritou para os israelitas: — Por que é que vocês estão aí, em posição de combate? Eu sou filisteu, e vocês são escravos de Saul! Escolham um dos seus homens para lutar comigo.

Se ele vencer e me matar, nós seremos escravos de vocês; mas, se eu vencer e matá-lo, vocês serão nossos escravos.

Eu desafio agora o exército israelita. Mandem alguém para lutar comigo!

Quando Saul e os seus soldados ouviram isso, ficaram apavorados.

Davi era filho de Jessé, do povoado de Efrata, que ficava perto de Belém de Judá. Jessé tinha oito filhos. No tempo em que Saul era rei, Jessé já estava bem idoso.

Os seus três filhos mais velhos tinham ido com Saul para a guerra. O primeiro se chamava Eliabe, o segundo, Abinadabe, e o terceiro, Siméia.

Davi era o filho mais novo. Enquanto os seus três irmãos mais velhos ficavam com Saul,

Davi ia ao acampamento de Saul e voltava a Belém para tomar conta das ovelhas do seu pai.

Durante quarenta dias Golias desafiou os israelitas todas as manhãs e todas as tardes.

Um dia Jessé disse a Davi: — Pegue dez quilos de trigo torrado e estes dez pães e vá depressa levar para os seus irmãos no acampamento.

Leve também estes dez queijos ao comandante. Veja como os seus irmãos estão passando e traga uma prova de que você os viu e de que eles estão bem.

Os seus irmãos, o rei Saul e todos os outros soldados israelitas estão no vale do Carvalho, lutando contra os filisteus.

Na manhã seguinte Davi se levantou cedo, deixou alguém encarregado das ovelhas, pegou os mantimentos e foi, como Jessé havia mandado. Ele chegou ao acampamento justamente na hora em que os israelitas, soltando o seu grito de guerra, estavam saindo a fim de se alinhar para a batalha.

O exército dos filisteus e o exército dos israelitas tomaram posição de combate, um de frente para o outro.

Davi deixou as coisas com o oficial encarregado da bagagem e correu para a frente de batalha. Chegou perto dos seus irmãos e perguntou se estavam bem.

Enquanto Davi estava falando com eles, Golias avançou e desafiou os israelitas, como já havia feito antes. E Davi escutou.

Quando os israelitas viram Golias, fugiram apavorados.

Eles diziam: — Olhem para ele! Escutem o seu desafio! Quem matar esse filisteu receberá uma grande recompensa: o rei lhe dará muitas riquezas, lhe dará sua filha em casamento, e a família do seu pai nunca mais vai ter de pagar nenhum imposto.

Então Davi perguntou aos soldados que estavam perto dele: — O que ganhará o homem que matar esse filisteu e livrar Israel desta vergonha? Afinal de contas, quem é esse filisteu pagão para desafiar o exército do Deus vivo?

Aí eles lhe contaram o que ganharia quem matasse Golias.

Eliabe, o irmão mais velho de Davi, ouviu-o conversando com os soldados. Então ficou zangado e disse: — O que é que você está fazendo aqui? Quem é que está tomando conta das suas ovelhas no deserto? Seu convencido! Você veio aqui só para ver a batalha!

— O que foi que eu fiz agora? — perguntou Davi. — Será que não posso nem fazer uma pergunta?

Então Davi fez a mesma pergunta a outro soldado. E ouviu a mesma resposta.

Alguns soldados ouviram o que Davi tinha dito e contaram a Saul. Então ele mandou chamar Davi.

Davi chegou e disse a Saul: — Meu senhor, ninguém deve ficar com medo desse filisteu! Eu vou lutar contra ele.

Mas Saul respondeu: — Você não pode lutar contra esse filisteu. Você não passa de um rapazinho, e ele tem sido soldado a vida inteira!

— Meu senhor, — disse Davi— eu tomo conta das ovelhas do meu pai. Quando um leão ou um urso carrega uma ovelha,

eu vou atrás dele, ataco e tomo a ovelha. Se o leão ou o urso me ataca, eu o agarro pelo pescoço e o golpeio até matá-lo.

Tenho matado leões e ursos e vou fazer o mesmo com esse filisteu pagão, que desafiou o exército do Deus vivo.

O SENHOR Deus me salvou dos leões e dos ursos e me salvará também desse filisteu. — Pois bem! — respondeu Saul. — Vá, e que o SENHOR Deus esteja com você!

Então deu a sua própria armadura para Davi usar. Pôs um capacete de bronze na cabeça dele e lhe deu uma couraça para vestir.

Davi prendeu a espada de Saul num cinto sobre a armadura e tentou andar. Mas não conseguiu porque não estava acostumado a usar essas coisas. Aí disse a Saul: — Não consigo andar com tudo isto, pois não estou acostumado. Então Davi tirou tudo.

Pegou o seu bastão, escolheu cinco pedras lisas no ribeirão e pôs na sua sacola. Pegou também a sua funda e saiu para enfrentar Golias.

Golias, o filisteu, começou a caminhar na direção de Davi. O ajudante que carregava as suas armas ia na frente. Quando chegou perto de Davi,

Golias olhou bem para ele e começou a caçoar porque Davi não passava de um rapaz bonito e de boa aparência.

Aí disse a Davi: — Para que é esse bastão? Você pensa que eu sou algum cachorro? Em seguida rogou a maldição dos seus deuses sobre Davi

e o desafiou, dizendo: — Venha, que eu darei o seu corpo para as aves e os animais comerem.

Davi respondeu: — Você vem contra mim com espada, lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do SENHOR Todo-Poderoso, o Deus dos exércitos israelitas, que você desafiou.

Hoje mesmo o SENHOR Deus entregará você nas minhas mãos; eu o vencerei e cortarei a sua cabeça. E darei os corpos dos soldados filisteus para as aves e os animais comerem. Então o mundo inteiro saberá que o povo de Israel tem um Deus,

e todos aqui verão que ele não precisa de espadas ou de lanças para salvar o seu povo. Ele é vitorioso na batalha e entregará todos vocês nas nossas mãos.

Então Golias começou novamente a caminhar na direção de Davi, e Davi correu rápido na direção da linha de batalha dos filisteus, para lutar contra ele.

Enfiou a mão na sua sacola, pegou uma pedra e com a funda a atirou em Golias. A pedra entrou na testa de Golias, e ele caiu de cara no chão.

(50-51) Então Davi correu, ficou de pé sobre Golias, tirou a espada dele da bainha e o matou, cortando com ela a cabeça dele. E assim Davi venceu Golias e o matou apenas com uma pedra. Quando os filisteus viram que o seu herói estava morto, fugiram.

Aí os soldados de Israel e de Judá correram atrás deles, gritando, e os perseguiram até a cidade de Gate e até os portões de Ecrom. Os filisteus caíram feridos pela estrada de Saaraim, até Gate e Ecrom.

Os israelitas voltaram da perseguição aos filisteus e levaram as coisas do acampamento deles.

Davi pegou a cabeça de Golias e a levou para Jerusalém. Porém as armas de Golias ele guardou na sua própria barraca.

Quando Saul viu Davi saindo para lutar com Golias, perguntou a Abner, o comandante do seu exército: — Abner, quem é aquele rapaz? — Meu senhor, juro pela sua vida que não sei! — respondeu Abner.

— Então vá e procure saber! — disse Saul.

Assim, quando Davi voltou para o acampamento, depois de matar Golias, Abner o levou a Saul. Davi ainda estava carregando a cabeça de Golias.

Saul perguntou: — Rapaz, quem é você? — Sou filho do seu criado Jessé, da cidade de Belém! — respondeu Davi.

 

1 Sm 18

Saul e Davi terminaram a sua conversa. Jônatas, filho de Saul, começou a sentir uma profunda amizade por Davi e veio a amá-lo como a si mesmo.

Daquele dia em diante Saul levou Davi para a sua casa e não deixou que voltasse para a casa do seu pai.

Jônatas e Davi fizeram um juramento de amizade, pois Jônatas tinha grande amor por Davi.

Ele tirou a capa que estava usando e a deu a Davi. Deu também a sua túnica militar, a espada, o arco e o cinto.

Davi saiu-se bem em todos os lugares aonde Saul o enviou. Então Saul o promoveu a comandante do seu exército. E isso agradou a todo o exército, inclusive aos outros oficiais.

Quando os soldados estavam voltando para casa depois de Davi ter matado Golias, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram para encontrar o rei Saul. Elas cantavam canções alegres, dançavam e tocavam pandeiro e lira.

Alegravam-se e cantavam assim: “Saul matou mil; Davi matou dez mil!”

E Saul não gostou disso. Ficou muito zangado e disse: — Para mim as mulheres deram mil, mas para Davi deram dez mil. A única coisa que está faltando agora é ele ser rei!

E desse dia em diante Saul começou a ter ciúme de Davi e a desconfiar dele.

No dia seguinte, um espírito mau mandado por Deus dominou Saul, e ele começou a agir como louco dentro de casa. Davi estava tocando lira, como fazia todos os dias, e Saul estava segurando uma lança.

Então Saul pensou assim: — Vou espetar Davi na parede. E atirou a lança contra ele, duas vezes. Porém nas duas vezes Davi se desviou.

O SENHOR estava com Davi e havia abandonado Saul; por isso, Saul tinha medo de Davi.

Então Saul o afastou de si, pondo-o como oficial comandante de mil homens. Davi comandava os seus soldados na batalha,

e tudo o que fazia dava certo, pois o SENHOR estava com ele.

Saul viu o sucesso de Davi e ficou ainda com mais medo dele.

Mas em Israel e em Judá todos amavam Davi porque ele era um líder corajoso.

Então Saul disse a Davi: — Aqui está Merabe, a minha filha mais velha. Eu a darei em casamento a você, com a condição de que você me sirva como soldado valente e fiel e lute nas batalhas de Deus, o SENHOR. Saul pensava que desta maneira os filisteus matariam Davi e assim não teria ele mesmo de fazer isso.

Davi respondeu: — Quem sou eu, e quem é a minha família em Israel para que eu seja genro do rei?

Mas, quando chegou a época de Merabe ser dada em casamento a Davi, ela foi dada a um homem chamado Adriel, da cidade de Meolá.

Porém Mical, a outra filha de Saul, apaixonou-se por Davi. E, quando Saul soube disso, ficou contente.

Ele pensou: — Vou dar Mical em casamento a Davi, e ela servirá como uma armadilha para que ele seja morto pelos filisteus. Então, pela segunda vez, Saul disse a Davi: — Você será meu genro.

Ele mandou que os seus oficiais conversassem em particular com Davi e dissessem a ele: — O rei e todos os oficiais gostam de você. Esta é uma boa ocasião para você casar com a filha dele.

Então eles falaram com Davi, e ele respondeu: — Ser genro do rei é uma honra grande demais para uma pessoa pobre e sem valor como eu.

Os oficiais contaram a Saul o que Davi tinha dito,

e ele ordenou que dissessem o seguinte a Davi: — Tudo o que o rei quer de você em pagamento pela noiva são os prepúcios de cem filisteus mortos, como vingança contra os inimigos dele. Saul tinha planejado isso porque assim Davi seria morto pelos filisteus.

Os oficiais contaram a Davi o que Saul tinha dito, e ele ficou entusiasmado com a idéia de ser genro do rei. Antes do dia marcado para o casamento,

Davi e os seus soldados foram e mataram duzentos filisteus. Aí Davi levou ao rei os prepúcios dos filisteus mortos e os contou na presença dele, para que assim se tornasse seu genro. Então Saul deu a sua filha Mical em casamento a Davi.

Saul viu e reconheceu que o SENHOR estava com Davi e que a sua filha Mical o amava.

Por isso, ficou com mais medo ainda de Davi e pelo resto da sua vida foi seu inimigo.

Todas as vezes que os exércitos filisteus saíam para lutar, Davi conseguia mais vitórias do que todos os outros oficiais de Saul e assim ficou muito famoso.

 

1 Sm 19

Saul contou ao seu filho Jônatas e a todos os seus oficiais que ele planejava matar Davi. Mas Jônatas era muito amigo de Davi

e por isso lhe disse: — O meu pai está planejando matar você. Amanhã cedo, tenha cuidado. Esconda-se em algum lugar secreto e fique lá.

Eu vou esperar pelo meu pai no campo em que você estiver escondido e vou falar com ele a seu respeito. Se descobrir alguma coisa, eu aviso você.

Então Jônatas elogiou Davi para Saul e disse: — Meu pai, não faça nenhum mal ao seu servidor Davi, pois ele nunca lhe fez nenhum mal. Pelo contrário, tudo o que ele tem feito tem ajudado bastante o senhor.

Ele arriscou a própria vida quando matou Golias, e por meio dele o SENHOR Deus conquistou uma grande vitória para Israel. O senhor mesmo viu isso e ficou contente. Então, por que o senhor, meu pai, faria mal a um homem inocente, matando Davi sem nenhuma razão?

Saul atendeu o pedido de Jônatas e jurou em nome do SENHOR, o Deus vivo, que Davi não seria morto.

Então Jônatas chamou Davi e lhe contou tudo. Aí o levou a Saul, e Davi continuou a servir o rei como antes.

E novamente houve guerra contra os filisteus. Davi os atacou e derrotou tão completamente, que eles fugiram.

Um dia um espírito mau mandado pelo SENHOR dominou Saul. Ele estava sentado em casa, com a lança na mão, e Davi estava ali tocando lira.

Saul tentou espetar Davi na parede com a sua lança, mas ele se desviou, e a lança ficou fincada na parede. Então Davi correu e escapou.

Naquela mesma noite Saul mandou alguns homens vigiarem a casa de Davi, para o matarem na manhã seguinte. Mical, a mulher de Davi, o avisou: — Se você não fugir esta noite, amanhã estará morto.

Aí ela desceu Davi por uma janela, e ele correu e escapou.

Então Mical pegou o ídolo protetor do lar e o deitou na cama. Pôs uma almofada feita de pêlo de cabra na cabeça dele e o cobriu.

Quando os homens de Saul foram pegar Davi, Mical disse que ele estava doente.

Mas Saul mandou que voltassem lá e que eles mesmos vissem Davi. — Tragam Davi aqui na sua cama, e eu o matarei! — disse Saul.

Eles entraram e acharam o ídolo do lar na cama e a almofada de pêlo de cabra na cabeça dele.

Então Saul perguntou a Mical: — Por que você me enganou assim e deixou o meu inimigo escapar? Ela respondeu: — Ele disse que me mataria se eu não o ajudasse a fugir.

Davi escapou, foi para Ramá e contou a Samuel tudo o que Saul tinha feito contra ele. Depois ele e Samuel foram para a casa dos profetas e ficaram lá.

Saul ficou sabendo que Davi estava na casa dos profetas, em Ramá,

e mandou alguns homens lá para prendê-lo. Quando eles chegaram, viram um grupo de profetas profetizando, e Samuel era o líder. Então o Espírito de Deus dominou os homens de Saul, e eles também começaram a profetizar.

Quando Saul soube disso, mandou mais mensageiros, e eles também começaram a profetizar. Então mandou mensageiros pela terceira vez, e aconteceu a mesma coisa.

Aí o próprio Saul foi a Ramá. Quando chegou a um poço grande na cidade de Seco, perguntou onde estavam Samuel e Davi, e lhe disseram que eles estavam na casa dos profetas.

Enquanto Saul estava indo para lá, o Espírito de Deus o dominou também, e ele foi profetizando por todo o caminho, até chegar à casa dos profetas.

Lá, tirou a roupa e profetizou na presença de Samuel. E ficou deitado no chão, nu, o dia inteiro e a noite inteira. E foi assim que surgiu o seguinte ditado: “Será que Saul também virou profeta?”

 

1 Sm 20

Então Davi fugiu da casa dos profetas, em Ramá, foi até o lugar onde Jônatas estava e disse: — O que foi que eu fiz? Qual foi o meu crime? Que mal fiz eu ao seu pai, para ele querer me matar?

Jônatas respondeu: — Que Deus não permita que você morra! O meu pai me conta tudo o que faz, seja importante ou não. Ele não esconderia isso de mim. Isso não é bem assim!

Mas Davi respondeu: — O seu pai sabe muito bem o quanto você gosta de mim. Por isso, resolveu não deixar que você fique sabendo dos planos dele, para você não sofrer muito. Eu juro pela sua vida e pela vida de Deus, o SENHOR, que estou bem perto da morte!

— O que você quer que eu faça? — perguntou Jônatas.

Davi respondeu: — Amanhã é a Festa da Lua Nova, e eu deveria ir sem falta ao jantar do rei. Mas, se você deixar, eu irei me esconder no campo até depois de amanhã à noite.

Se o seu pai notar que eu não estou à mesa, diga que eu pedi a você para me deixar ir com urgência a Belém, pois está na época de toda a minha família oferecer lá o sacrifício anual.

Se ele disser: “Está bem”, eu estarei salvo. Mas, se ele ficar com raiva, então você ficará sabendo que ele está com más intenções.

Peço que você me faça este favor e cumpra assim a promessa sagrada que me fez. Porém, se eu sou culpado, mate-me você mesmo! Por que deixar o seu pai fazer isso?

— Nem pense numa coisa dessas! — respondeu Jônatas. — Se eu soubesse que o meu pai estava mesmo resolvido a acabar com você, acha que eu não o avisaria?

Então Davi perguntou: — E, se o seu pai responder com raiva, quem vai me avisar?

Jônatas respondeu: — Venha comigo, vamos até o campo. Eles foram,

e Jônatas disse a Davi: — Que o SENHOR, o Deus de Israel, seja nossa testemunha. Amanhã e depois de amanhã, a esta hora, eu vou fazer algumas perguntas ao meu pai. Se a intenção dele para com você for boa, eu lhe mandarei dizer.

Mas, se ele tiver a intenção de fazer alguma coisa contra você, que o SENHOR Deus me mate se eu não enviar uma mensagem a você e não deixá-lo ir embora são e salvo! Que o SENHOR esteja com você, assim como esteve com o meu pai!

E agora, se eu continuar vivo, cumpra a sua promessa sagrada e seja fiel a mim. Mas, se eu morrer,

trate sempre a minha família com bondade. E, quando o SENHOR destruir completamente todos os nossos inimigos,

que nós não quebremos a promessa que fizemos um ao outro. Se você a quebrar, Deus o castigará.

Novamente Jônatas fez um juramento de amizade a Davi, pois ele amava Davi como a si mesmo.

E disse a Davi: — Amanhã é a Festa da Lua Nova, e, se você não estiver lá, a sua falta será notada.

Depois de amanhã a sua falta será notada ainda mais. Assim vá para o lugar onde você se escondeu da outra vez e fique atrás do monte de pedras que há ali.

Então eu atirarei três flechas, como se o monte de pedras fosse um alvo.

Aí direi ao meu empregado para ir buscá-las. Se eu disser a ele: “Olhe, as flechas estão para cá de você, pegue-as” — isso quer dizer que tudo está bem, e você pode sair. Eu juro por Deus, o SENHOR, que nesse caso você não estará em perigo.

Mas, se disser a ele: “As flechas estão mais para lá de você” — então fuja, pois o SENHOR estará mandando que você vá.

Quanto à promessa que fizemos um ao outro, o SENHOR Deus nos ajudará a cumpri-la para sempre.

Então Davi se escondeu no campo. O rei Saul chegou para a Festa da Lua Nova

e sentou-se para comer no lugar de costume, perto da parede. Abner sentou-se ao lado de Saul, e Jônatas, na sua frente. Mas o lugar de Davi ficou vazio.

Naquele dia Saul não disse nada porque pensou: “Deve ter acontecido alguma coisa com ele, e de certo ele não passou pela cerimônia de purificação.”

No dia seguinte, o segundo dia da Festa da Lua Nova, o lugar de Davi continuava desocupado. Aí Saul perguntou a Jônatas: — Por que Davi não veio comer nem ontem nem hoje?

Jônatas respondeu: — Ele me pediu licença para ir a Belém.

Ele me disse: “Deixe-me ir a Belém porque a minha família está lá fazendo a festa do sacrifício, e o meu irmão mandou que eu também fosse. Se você é meu amigo, deixe que eu vá ver os meus parentes.” E Jônatas continuou: — É por isso que ele não está no seu lugar, à mesa.

Então Saul ficou muito zangado com Jônatas e disse: — Seu filho de uma mulher à-toa! Agora eu sei que você passou para o lado de Davi, trazendo desonra para você e para a sua mãe!

Enquanto Davi for vivo, você não será rei deste país. Vá agora e traga-o aqui porque é preciso que ele morra!

— Por que é que ele deve morrer? — perguntou Jônatas. — O que foi que ele fez?

Então Saul atirou a sua lança contra Jônatas para matá-lo. E assim Jônatas compreendeu que o seu pai estava mesmo resolvido a matar Davi.

Jônatas levantou-se furioso da mesa e não comeu nada naquele dia, o segundo dia da Festa da Lua Nova. Ele estava muito sentido porque Saul tinha insultado Davi.

Na manhã seguinte ele foi ao campo a fim de encontrar Davi, como tinham combinado. Levou consigo um rapazinho

e disse: — Corra e vá buscar as flechas que eu atirar. O rapaz correu, e Jônatas atirou uma flecha que passou além dele.

Quando o rapaz chegou ao lugar onde a flecha tinha caído, Jônatas gritou: — A flecha caiu mais para lá de você!

Não fique aí parado! Ande logo! O rapaz pegou as flechas e voltou para perto do seu patrão,

não sabendo o que queria dizer tudo aquilo— somente Jônatas e Davi sabiam.

Aí Jônatas entregou as suas armas ao rapaz e mandou que as levasse de volta para a cidade.

Depois que o rapaz foi embora, Davi saiu de trás do monte de pedras, jogou-se no chão e encostou o rosto na terra três vezes. Então eles se beijaram chorando. E a tristeza de Davi era maior do que a de Jônatas.

Aí Jônatas disse a Davi: — Deus esteja com você! O SENHOR Deus fará com que você, e eu, e os seus descendentes, e os meus cumpramos sempre a promessa sagrada que nós fizemos um ao outro. Então Davi partiu, e Jônatas voltou para a cidade.

 

1 Sm 21

Davi foi falar com o sacerdote Aimeleque, em Nobe. O sacerdote saiu tremendo para se encontrar com Davi e disse: — Por que é que você veio aqui sozinho?

Davi respondeu: — Estou aqui a serviço do rei. Ele ordenou que eu não deixasse ninguém saber o que ele me mandou fazer. Por isso, mandei que os meus soldados fossem encontrar-se comigo em certo lugar.

Agora diga: o que é que você tem para comer? Me dê uns cinco pães ou qualquer outra coisa que você tiver.

O sacerdote disse: — Eu não tenho pão comum; só pão sagrado. Você pode levá-lo, se é que já faz algum tempo que os seus soldados não tiveram relações sexuais.

Davi respondeu: — Claro que não tiveram. Nós não estivemos com nenhuma mulher. Os meus homens sempre se mantêm puros quando saímos em missão comum. Quanto mais agora que estamos em missão especial!

Então o sacerdote deu a Davi os pães sagrados porque ele só tinha os pães que haviam sido oferecidos a Deus, o SENHOR. Esses pães tinham sido tirados da mesa sagrada e trocados por pães frescos.

Acontece que Doegue, o edomita, que era o chefe dos pastores de Saul, estava ali naquele dia porque tinha de cumprir um dever religioso.

Davi disse a Aimeleque: — Você tem uma espada ou uma lança para me dar? Eu não trouxe a minha espada nem outra arma. Por causa das ordens do rei, eu saí com muita pressa.

Aimeleque respondeu: — Tenho a espada de Golias, o filisteu, que você matou no vale do Carvalho. Ela está atrás do manto sacerdotal, enrolada num pano. Leve-a se quiser. É a única arma que há aqui. Davi disse: — Não existe espada melhor do que essa. Pode me dar.

Então Davi saiu, fugindo de Saul, e foi procurar Aquis, o governador da cidade de Gate.

As autoridades da cidade disseram a Aquis: — Não há dúvida de que este é Davi, o rei da terra de Israel. A respeito dele as mulheres cantavam enquanto dançavam: “Saul matou mil; Davi matou dez mil!”

Davi assustou-se com as palavras deles e ficou com muito medo de Aquis.

Então, na frente de todos eles, fez de conta que estava louco. Quando tentaram segurá-lo, ele começou a agir como doido: rabiscava os portões da cidade e deixava escorrer saliva pela barba.

Então Aquis disse aos seus oficiais: — Este homem está louco! Por que o trouxeram para cá?

Será que já não tenho bastantes loucos em volta de mim? Por que trazem outro doido para a minha própria casa, a fim de me aborrecer com as suas loucuras?

 

1 Sm 22

Davi fugiu da cidade de Gate e foi para uma caverna perto da cidade de Adulã. Quando os seus irmãos e o resto da família souberam que ele estava lá, foram ficar com ele.

E todos os homens que estavam em dificuldades, ou com dívidas, ou insatisfeitos também foram, e Davi se tornou o chefe deles. Havia com ele mais ou menos quatrocentos homens.

Aí Davi saiu dali, foi para Mispa, em Moabe, e disse ao rei daquele país: — Por favor, deixe que o meu pai e a minha mãe venham para cá e fiquem com você até que eu saiba o que Deus vai fazer por mim.

Davi deixou os pais com o rei de Moabe, e eles ficaram ali enquanto Davi esteve escondido na fortaleza.

O profeta Gade foi para o lugar onde Davi estava e disse: — Não fique aqui. Vá logo para a terra de Judá. Então Davi saiu e foi para a floresta de Herete.

Saul estava em Gibeá, num morro, sentado debaixo de uma árvore, com a lança na mão. Todos os seus oficiais estavam ao redor dele. E lhe contaram que Davi e os seus homens estavam em certo lugar.

Então Saul disse aos seus oficiais: — Ouçam, homens da tribo de Benjamim! Vocês pensam que Davi lhes dará campos e plantações de uvas e os fará capitães e tenentes do seu exército?

É por isso que vocês estão fazendo planos contra mim? Nenhum de vocês me contou que o meu próprio filho fez um acordo com Davi. Ninguém se preocupa comigo. Ninguém me diz que Davi, um dos meus próprios homens, está agora mesmo procurando uma oportunidade para me matar e que foi o meu próprio filho quem o pôs contra mim!

Doegue, do país de Edom, estava ali com os oficiais de Saul e disse: — Eu vi quando Davi foi falar com Aimeleque, filho de Aitube, em Nobe.

Aimeleque perguntou a Deus, o SENHOR, o que Davi devia fazer. E também deu a Davi comida e a espada de Golias, o filisteu.

Então o rei Saul mandou chamar Aimeleque e todos os seus parentes, que também eram sacerdotes em Nobe, e eles foram para o lugar onde ele estava.

Saul disse a Aimeleque: — Escute, Aimeleque! — Às suas ordens, senhor! — respondeu ele.

Saul lhe perguntou: — Por que é que você e Davi se juntaram para fazer planos contra mim? Por que você lhe deu comida e uma espada e perguntou a Deus o que ele devia fazer? Agora Davi se virou contra mim e está esperando a hora de me atacar.

Aimeleque respondeu: — Davi é o oficial mais fiel que o senhor tem! Ele é o seu próprio genro, capitão da sua guarda pessoal e muito respeitado por todas as autoridades do país.

Será que esta foi a primeira vez que eu perguntei a Deus o que Davi devia fazer? Claro que não! O senhor não deve acusar a mim nem ninguém da minha família de estarmos fazendo planos contra o senhor. Não sei nada a respeito disso!

Então o rei disse: — Aimeleque, você e os seus parentes vão morrer.

Em seguida disse aos guardas que estavam ali perto: — Matem os sacerdotes de Deus, o SENHOR! Eles se juntaram com Davi e não me disseram que ele havia fugido, embora soubessem disso o tempo todo. Mas os guardas se recusaram a levantar a mão para matar os sacerdotes do SENHOR.

Então Saul disse a Doegue: — Mate-os você! E Doegue os matou. Nesse dia ele matou oitenta e cinco sacerdotes de Deus.

Saul também mandou matar todos os outros moradores de Nobe, a cidade dos sacerdotes: homens e mulheres, meninos e criancinhas, o gado, jumentos e ovelhas— todos foram mortos.

Mas Abiatar, um dos filhos de Aimeleque, escapou e foi para o lugar onde Davi estava.

Ele contou que Saul havia matado os sacerdotes de Deus, o SENHOR.

Então Davi disse a Abiatar: — Naquele dia, quando vi Doegue lá, eu sabia que ele não deixaria de contar tudo a Saul. Assim, eu sou culpado da morte de todos os seus parentes.

Fique comigo e não tenha medo. Saul quer matar a nós dois, mas comigo você estará livre de perigo.

 

1 Sm 23

Davi soube que os filisteus estavam atacando a cidade de Queila e roubando o trigo que havia sido colhido há pouco.

Então perguntou a Deus, o SENHOR: — Devo ir e atacar os filisteus? — Sim! — respondeu o SENHOR. — Ataque-os e salve a cidade de Queila.

Mas os homens de Davi disseram: — Nós já estamos com medo de ficar aqui em Judá. Quanto mais de ir a Queila para atacar o exército dos filisteus!

Então Davi consultou novamente a Deus, o SENHOR, e ele respondeu: — Vá a Queila e ataque porque eu lhe darei a vitória sobre os filisteus.

Então Davi e os seus homens foram a Queila e atacaram os filisteus. Mataram muitos deles e tomaram os seus rebanhos. E assim Davi salvou os moradores de Queila.

Na ocasião em que Abiatar, filho de Aimeleque, escapou e foi se juntar a Davi em Queila, ele levou o manto sacerdotal.

Quando Saul foi avisado de que Davi tinha ido para Queila, disse: — Deus entregou Davi nas minhas mãos. Ele foi para uma cidade cercada de muralhas, com portões reforçados, e assim caiu numa armadilha.

Então Saul chamou todos os soldados para a batalha a fim de marchar contra Queila e cercar Davi e os seus homens.

Quando Davi soube que Saul estava planejando atacá-lo, disse ao sacerdote Abiatar: — Traga aqui o manto sacerdotal para que possamos consultar a Deus.

Então Davi disse: — Ó SENHOR, Deus de Israel, eu, o teu servo Davi, soube que Saul está planejando vir a Queila para destruí-la por minha causa.

Será que os moradores de Queila vão me entregar nas mãos de Saul? Será que Saul virá mesmo, como ouvi dizer? Ó SENHOR, Deus de Israel, peço-te que me respondas! — Saul virá! — respondeu o SENHOR.

— E será que os moradores de Queila vão entregar a mim e também os meus homens a Saul? — perguntou Davi. — Sim, vão! — respondeu o SENHOR.

Então Davi e os seus homens— mais ou menos seiscentos— saíram imediatamente de Queila e seguiram sem rumo certo. Quando Saul ficou sabendo que Davi tinha fugido de Queila, abandonou o seu plano.

Davi se escondeu nas fortalezas da região deserta e montanhosa que fica perto de Zife. Saul continuava a procurá-lo todos os dias, mas Deus não entregou Davi a ele.

E Davi estava com medo porque Saul tinha saído para matá-lo. Davi passou a viver em Horesa, no deserto que fica perto de Zife.

Jônatas foi encontrar-se com ele ali e lhe deu coragem para confiar na proteção de Deus.

Jônatas disse: — Não tenha medo. Saul, o meu pai, não conseguirá causar-lhe nenhum mal. Você será o rei de Israel, e eu ocuparei o segundo lugar no seu governo. E o meu pai sabe muito bem disso.

E ali, na presença de Deus, o SENHOR, os dois renovaram a sua promessa de amizade. Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para casa.

Algumas pessoas de Zife foram a Gibeá e disseram a Saul: — Davi está escondido na nossa terra, em Horesa, no monte Haquila, ao sul de Jesimom.

Nós sabemos que o senhor quer muito prendê-lo. Venha com a gente, que nós lhe entregaremos Davi.

Saul respondeu: — Que o SENHOR abençoe vocês por serem tão bondosos comigo!

Vão e se informem novamente. Descubram com certeza onde Davi está e quem o viu ali. Dizem que ele é muito esperto.

Descubram exatamente os lugares onde ele se esconde e voltem aqui sem falta. Então irei com vocês e, se ele estiver lá, eu o pegarei ainda que tenha de procurar em toda a terra de Judá.

Então eles voltaram para Zife, adiante de Saul. Davi e os seus homens estavam no deserto de Maom, num vale seco ao sul de Jesimom.

Saul e os seus soldados foram procurar Davi. Mas Davi ficou sabendo e foi para uma passagem nas rochas do deserto de Maom e ficou ali. Quando Saul soube disso, foi atrás de Davi.

Saul e os seus soldados estavam de um lado do monte, e Davi e os seus, do outro. Estes fugiram depressa para escapar de Saul e dos seus soldados, que os estavam cercando para prendê-los.

Mas justamente nesse momento um mensageiro chegou e disse a Saul: — Volte imediatamente! Os filisteus estão invadindo o país!

Então Saul parou de perseguir Davi e foi lutar contra os filisteus. É por isso que aquele lugar é chamado de “Rocha da Separação”.

Davi saiu e foi para os lugares protegidos da região da fonte de Gedi.

 

1 Sm 24

Quando Saul voltou da luta contra os filisteus, soube que Davi estava na região deserta que fica perto da fonte de Gedi.

Então escolheu três mil dos melhores soldados de Israel e foi com eles procurar Davi e os seus homens a leste das Rochas dos Cabritos Selvagens.

Saul chegou a uma caverna junto de alguns currais de ovelhas, perto da estrada, e entrou ali para satisfazer as suas necessidades. Aconteceu que Davi e os seus homens estavam escondidos mais no fundo da caverna.

Então eles disseram a Davi: — Esta é a sua oportunidade! O SENHOR Deus disse que lhe entregaria o seu inimigo e que você poderia fazer com ele o que quisesse. Então Davi se arrastou de mansinho até onde estava Saul e cortou um pedaço da capa dele, sem que ele percebesse.

Mas aí a consciência de Davi começou a doer porque ele havia cortado um pedaço da roupa de Saul.

Então disse aos seus homens: — O SENHOR Deus me livre de fazer algum mal ao meu senhor, que ele escolheu como rei! Eu não devo atacá-lo de jeito nenhum porque ele é o rei escolhido pelo SENHOR.

Assim Davi convenceu os seus homens de que eles não deviam atacar Saul. Então Saul levantou-se, saiu da caverna e seguiu o seu caminho.

Davi saiu atrás dele e gritou: — Rei Saul! Ele virou-se, e Davi, em sinal de respeito, se ajoelhou e encostou o rosto no chão.

Então disse: — Por que é que o senhor dá atenção às pessoas que dizem que eu quero prejudicá-lo?

O senhor pode ver por si mesmo que hoje na caverna o SENHOR Deus o entregou a mim. Alguns me disseram que o matasse, mas eu não quis fazer isso. E disse que não levantaria um dedo contra o senhor, pois o SENHOR o escolheu para ser rei.

Veja, meu pai, veja o pedaço da sua capa que está na minha mão! Eu cortei o pano, mas não matei o senhor. Isso prova que eu não penso em me revoltar contra o senhor, nem em fazer-lhe nenhum mal. Eu sabia muito bem que o senhor está procurando me matar, mas mesmo assim eu não o ataquei!

Que o SENHOR julgue qual de nós dois está errado! E que ele castigue o senhor pelo que fez contra mim, pois eu não vou atacá-lo de jeito nenhum!

Como diz o velho ditado: “O mal vem dos maus.” Mas eu não lhe farei nenhum mal.

Vejam o que o rei de Israel está tentando matar! Vejam só o que ele está caçando: um cachorro morto, uma pulga!

O SENHOR Deus vai julgar e decidir qual de nós dois está errado. Que ele me julgue, me defenda e me livre do senhor!

Quando Davi acabou de falar, Saul disse: — É você mesmo, meu filho Davi? E Saul começou a chorar.

Então disse a Davi: — Você está certo, e eu estou errado. Você tem sido muito bom para mim enquanto que eu lhe tenho feito muito mal.

Hoje você mostrou o quanto é bom para mim, pois não me matou, embora o SENHOR me tivesse entregado a você.

Será que alguém, depois de pegar o seu inimigo, o deixa ir embora são e salvo? Que o SENHOR o abençoe pelo que você fez por mim hoje!

Agora estou certo de que você será rei de Israel e de que durante o seu governo o reino continuará firme.

Mas jure em nome do SENHOR que você não acabará com os meus descendentes, e assim o meu nome e o nome da minha família não serão esquecidos.

E Davi jurou. Então Saul foi para casa, e Davi e os seus homens voltaram para a fortaleza.

 

1 Sm 25

Samuel morreu, e todos os israelitas se juntaram e choraram a morte dele. Então o sepultaram na sua casa, em Ramá.

(2-3) Havia um descendente de Calebe, chamado Nabal, da cidade de Maom, que ganhava a vida na cidade de Carmelo. Ele era muito rico. Tinha três mil ovelhas e mil cabras. A sua mulher se chamava Abigail. Ela era bonita e inteligente, mas ele era mau e grosseiro. Nabal estava em Carmelo, cortando a lã das suas ovelhas.

Davi estava no deserto e soube disso.

Então enviou dez rapazes a Carmelo, com ordem de encontrarem Nabal e o cumprimentarem em nome dele.

Mandou que dissessem o seguinte: “Meu caro amigo, Davi lhe manda saudações, desejando tudo de bom para o senhor, a sua família e tudo o que é seu.

Ele soube que o senhor está cortando a lã das suas ovelhas e mandou lhe contar que os seus pastores estiveram com a gente, e nós não lhes fizemos nenhum mal. Durante o tempo em que estiveram em Carmelo, não roubamos nada do que era deles.

Pergunte, e eles lhe contarão. Davi pede para o senhor nos receber com amizade porque viemos aqui num dia de festa. Assim, por favor, dê o que puder a nós, os seus criados, e ao seu querido amigo Davi.”

Os homens de Davi foram e deram o recado a Nabal, em nome de Davi. Então ficaram esperando,

e Nabal respondeu: — Davi? Filho de Jessé? Quem é ele? Nunca ouvi falar nele! Hoje em dia há muitos escravos que fogem dos seus donos!

O meu pão, a minha água e os animais que matei para dar aos meus empregados eu não darei a homens que eu nem sei de onde vieram!

Os homens de Davi voltaram e contaram o que Nabal tinha dito.

Então Davi disse: — Ponham as suas espadas nos cintos! E todos obedeceram. Davi também pegou a sua espada e saiu com mais ou menos quatrocentos dos seus homens enquanto duzentos ficaram atrás com a bagagem.

Um dos empregados de Nabal disse a Abigail, a mulher de Nabal: — A senhora soube? Davi enviou do deserto uns mensageiros com saudações para o nosso patrão, mas ele os tratou mal.

No entanto, eles têm sido muito bons para a gente: nunca nos incomodaram e, durante todo o tempo em que estivemos com eles nos campos, eles não roubaram nada que era nosso.

Eles nos protegeram dia e noite todo o tempo em que estivemos com eles tomando conta dos nossos rebanhos.

Pense nisso e resolva o que fazer. Isso poderá vir a ser um desastre para o nosso patrão e toda a sua família. Ele é tão mau, que ninguém pode falar com ele.

Então Abigail pegou depressa duzentos pães, dois odres cheios de vinho, cinco ovelhas assadas, uns dezessete quilos de trigo torrado, cem cachos de passas e duzentas pastas de figos secos e pôs tudo sobre jumentos.

Então disse aos empregados: — Vão na frente, que eu vou atrás. Porém não contou nada ao seu marido.

Abigail ia montada no seu jumento e, de repente, numa curva, na descida, encontrou Davi e os seus homens, que vinham na sua direção.

Davi tinha pensado assim: “De que me adiantou proteger a propriedade desse homem aqui no deserto? Nós não roubamos nada que era dele, e é assim que ele me paga a ajuda que lhe dei?

Que Deus me castigue se eu não matar até o último daqueles homens antes do amanhecer!”

Quando Abigail viu Davi, desmontou depressa, ajoelhou-se diante dele e encostou o rosto no chão,

aos seus pés, dizendo: — Por favor, senhor! Escute-me! Eu sou a culpada!

Por favor, não dê atenção a Nabal, pois ele não vale nada! Ele é exatamente o que seu nome quer dizer: um tolo! Eu mesma não vi os rapazes que o senhor mandou.

Foi o SENHOR Deus quem impediu que o senhor se vingasse e matasse os seus inimigos. Agora eu juro, pela sua vida e pela vida do SENHOR, que todos os seus inimigos e todos os que querem prejudicá-lo serão castigados como Nabal.

Senhor, faça o favor de aceitar este presente que eu lhe trouxe e o entregue aos seus homens.

Perdoe, por favor, qualquer coisa errada que eu tenha feito. O SENHOR Deus fará com que o senhor seja rei e também os seus descendentes, pois o senhor está combatendo o combate dele e o senhor não vai fazer nenhum mal enquanto viver.

Se alguém o atacar e tentar matá-lo, o SENHOR, seu Deus, o protegerá como um homem que guarda um tesouro precioso. Mas ele vai jogar longe os seus inimigos, como um homem que atira pedras com a sua funda.

O SENHOR Deus cumprirá todas as coisas boas que lhe prometeu e o fará rei de Israel.

E, quando isso acontecer, o senhor não terá motivo para se arrepender, ou sentir remorso por haver matado sem razão, ou por ter se vingado por si mesmo. E, quando o SENHOR Deus o abençoar, não esqueça de mim.

Davi respondeu: — Louvado seja o SENHOR, o Deus de Israel, que mandou você hoje para me encontrar!

Graças ao que você fez hoje e ao seu juízo, eu deixei de cometer um crime de morte e fui impedido de me vingar por mim mesmo.

Que o SENHOR Deus me livre de fazer algum mal a você! Eu juro pelo SENHOR, o Deus de Israel, o Deus vivo, que, se você não tivesse se apressado e não tivesse vindo me encontrar, amanhã cedo todos os homens de Nabal estariam mortos, até os meninos!

Então Davi aceitou o que ela havia trazido e disse: — Volte para casa e não se preocupe. Eu farei o que você quiser.

Abigail voltou para o seu marido Nabal, que estava em casa, festejando como um rei. Ele estava bêbado e alegre. Então ela não lhe contou nada. Na manhã seguinte,

quando ele não estava mais bêbado, ela lhe contou tudo. Aí ele teve um ataque e ficou completamente paralisado.

Uns dez dias depois, a ira de Deus feriu Nabal, e ele morreu.

Quando Davi soube que Nabal havia morrido, disse: — Louvem a Deus, o SENHOR! Ele me vingou de Nabal, que me insultou. E assim livrou este seu servo de fazer o mal. O SENHOR castigou Nabal por sua maldade. Então Davi mandou a Abigail uma proposta de casamento.

Os empregados dele foram até Carmelo e disseram: — Davi nos mandou buscá-la para que a senhora seja sua esposa.

Então Abigail ajoelhou-se, encostou o rosto no chão e disse: — Eu sou escrava de Davi e estou pronta para lavar os pés dos empregados dele.

Aí ela se levantou depressa e montou o seu jumento. E, acompanhada por suas cinco empregadas, partiu na companhia dos empregados de Davi e se tornou esposa dele.

Davi tinha casado com Ainoã, de Jezreel, e agora Abigail também se tornou sua esposa.

Nesse meio tempo Saul tinha dado a sua filha Mical, que tinha sido esposa de Davi, a Palti, filho de Laís, da cidade de Galim.

 

1 Sm 26

Alguns moradores de Zife foram a Gibeá e contaram a Saul que Davi estava escondido no monte Haquila, em frente de Jesimom.

Então Saul partiu imediatamente para o deserto de Zife com três mil dos melhores soldados de Israel a fim de procurar Davi.

Eles acamparam no monte Haquila, em frente de Jesimom. Davi estava no deserto e ouviu dizer que Saul tinha vindo atrás dele.

Aí enviou alguns espiões e ficou sabendo que Saul, de fato, estava ali.

Imediatamente foi até lá e encontrou o lugar onde dormiam Saul e Abner, filho de Ner, comandante do seu exército. Saul dormia dentro do acampamento, e os seus soldados acampavam em volta dele.

Então Davi perguntou ao heteu Aimeleque e a Abisai, cuja mãe era Zeruia e cujo irmão era Joabe: — Quem de vocês vai comigo ao acampamento de Saul? — Eu vou! — respondeu Abisai.

Assim, naquela noite, Davi e Abisai entraram no acampamento de Saul. E o encontraram dormindo no centro do acampamento, com a sua lança fincada no chão, perto da sua cabeça. Abner e os soldados dormiam em volta de Saul.

Então Abisai disse a Davi: — Esta noite Deus colocou o seu inimigo nas suas mãos. Agora deixe que eu atravesse Saul com a lança dele e o espete no chão com um só golpe. Não precisarei dar dois golpes!

Mas Davi respondeu: — Não o mate, pois o SENHOR Deus castigará quem levantar a mão para matar o rei que ele escolheu.

Tão certo como o SENHOR Deus está vivo, assim ele mesmo matará Saul, seja quando chegar o seu dia de morrer, seja numa batalha!

O SENHOR me livre de levantar a mão contra quem ele escolheu como rei! Vamos pegar o jarro de água e a lança dele e vamos embora.

Então Davi pegou a lança e o jarro de água que estavam ao lado da cabeça de Saul e foi embora com Abisai. Ninguém os viu, nem soube o que havia acontecido. E ninguém acordou. Todos estavam dormindo profundamente porque o SENHOR tinha feito com que todos eles caíssem num sono profundo.

Aí Davi passou para o outro lado do vale, foi até o alto do monte, a uma boa distância deles,

e gritou para Abner e para os soldados de Saul: — Abner, você está me ouvindo? — Quem é que está gritando para o rei? — perguntou Abner.

Davi respondeu: — Você é homem ou não é? Você não é o melhor soldado de Israel? Então por que não protegeu o seu chefe, o rei? Agora mesmo alguém entrou no acampamento para matar o rei, o seu chefe.

Você falhou, Abner! Eu juro pelo SENHOR, o Deus vivo, que vocês todos morrerão, pois não protegeram o seu chefe, que o SENHOR Deus fez rei. Escutem! Onde está a lança do rei? Onde está o jarro de água que estava ao lado da cabeça dele?

Saul reconheceu a voz de Davi e perguntou: — Davi, é você, meu filho? — Sim, senhor! — respondeu Davi.

— Por que é que o senhor continua a perseguir este seu criado? O que foi que eu fiz? Qual foi o crime que cometi?

Ó rei, escute o que eu tenho a dizer. Se foi Deus que fez o senhor se virar contra mim, ele mudará de idéia se lhe for feita uma oferta. Mas, se foram certas pessoas que fizeram isso, que a maldição de Deus caia sobre elas! Pois me expulsaram da terra do SENHOR Deus para uma terra onde posso adorar somente deuses estrangeiros.

Não me deixe ser morto em terra estrangeira, longe do SENHOR Deus! Por que o rei de Israel viria aqui? Para procurar uma pulga como eu? Por que me caçaria como se eu fosse um pássaro selvagem?

Saul respondeu: — Eu errei. Volte, meu filho Davi! Nunca mais eu lhe farei nenhum mal, pois esta noite você respeitou a minha vida. Tenho sido um louco e cometi um grande erro!

Então Davi disse: — Aqui está a sua lança, senhor. Que um dos seus homens venha buscá-la!

O SENHOR Deus recompensa aqueles que são fiéis e corretos. Hoje ele colocou o senhor nas minhas mãos, mas eu não levantei a mão para matar aquele que Deus escolheu como rei.

Assim como eu hoje respeitei a sua vida, que o SENHOR faça o mesmo comigo e me livre de todas as dificuldades!

E Saul respondeu a Davi: — Deus o abençoe, meu filho! Tudo o que você fizer dará certo! Então Davi foi embora, e Saul voltou para casa.

 

1 Sm 27

Davi pensou assim: — Algum dia Saul vai me matar. A melhor coisa que posso fazer é fugir para a terra dos filisteus. Aí Saul deixará de me procurar em toda a terra de Israel, e assim eu ficarei livre de perigo.

Então Davi e os seus seiscentos homens foram imediatamente para onde estava Aquis, filho de Maoque, governador de Gate.

E Davi e os seus homens ficaram morando ali em Gate, com as suas famílias. Estavam com Davi as suas duas mulheres: Ainoã, de Jezreel, e Abigail, a viúva de Nabal, de Carmelo.

Quando Saul soube que Davi tinha fugido para Gate, deixou de procurá-lo.

Davi disse a Aquis: — Se você é meu amigo, me dê uma cidade pequena para eu morar nela. Não é preciso que eu fique morando com você na capital.

Então Aquis deu a Davi a cidade de Ziclague. Por isso, até hoje Ziclague pertence aos reis de Judá.

Davi morou um ano e quatro meses na terra dos filisteus.

Davi e os seus homens costumavam atacar os gesuritas, os girzitas e os amalequitas que viviam naquela região há muito tempo. Atacavam a terra deles desde Sur até o Egito.

Matavam todos os homens e mulheres e tomavam as ovelhas, o gado, os jumentos, os camelos e também as roupas. Aí Davi voltava para Gate,

e Aquis lhe perguntava: — Quem foi que você atacou hoje? E Davi respondia que tinha atacado o Sul de Judá, ou a tribo de Jerameel, ou a terra dos queneus.

Davi matava todos, homens e mulheres, para que ninguém voltasse a Gate e contasse o que ele e os seus homens faziam. Davi fez isso todo o tempo em que morou entre os filisteus.

Aquis confiava em Davi e dizia: — Ele é muito odiado pelo seu próprio povo, os israelitas, e por isso trabalhará para mim a vida inteira.

 

1 Sm 28

Algum tempo depois os filisteus reuniram as suas tropas para lutar contra Israel. Então Aquis disse a Davi: — Fique sabendo que você e os seus homens vão lutar ao meu lado.

— Claro que sim! — respondeu Davi. — Estou aqui para ajudar; você vai ver o que eu sou capaz de fazer. — Está bem! — disse Aquis. — Você vai ser o meu guarda pessoal por toda a vida.

Samuel havia morrido, e todos os israelitas haviam chorado a morte dele e o haviam sepultado na cidade de Ramá, onde ele tinha nascido. Saul tinha expulsado de Israel todos os médiuns e adivinhos.

Os soldados filisteus se reuniram e acamparam perto da cidade de Suném. Saul reuniu os israelitas e acampou no monte Gilboa.

Quando Saul viu o exército dos filisteus, ficou apavorado

e perguntou a Deus, o SENHOR, o que devia fazer. Mas o SENHOR não respondeu nem por sonhos, nem pelo Urim, nem através dos profetas.

Então Saul ordenou aos seus oficiais: — Procurem uma mulher que seja médium, e eu irei consultá-la. — Em Endor há uma médium! — responderam eles.

Então Saul se disfarçou, vestindo roupas diferentes. E, quando escureceu, foi com dois dos seus homens falar com a tal mulher. Ele disse: — Consulte para mim os espíritos e me diga o que vai acontecer. Eu vou dizer o nome de um homem, e você vai mandar subir o espírito dele.

A mulher respondeu: — Com certeza você sabe o que o rei Saul fez: ele expulsou de Israel os adivinhos e os médiuns. Então por que é que você está tentando me pegar numa armadilha para que eu seja morta?

Aí Saul jurou em nome de Deus, o SENHOR: — Pelo SENHOR, o Deus vivo, eu prometo que você não será castigada por fazer isso.

Então a mulher perguntou: — Quem é que você quer que eu faça subir? — Samuel! — respondeu ele.

Quando a mulher viu Samuel, deu um grito e disse a Saul: — Por que o senhor me enganou? O senhor é o rei Saul!

— Não tenha medo! — respondeu o rei. — O que é que você está vendo? — Estou vendo um espírito subindo da terra! — disse ela.

— Como é o jeito dele? — perguntou Saul. — É um velho que está subindo! — respondeu ela. — Ele está todo enrolado numa capa. Aí Saul entendeu que era Samuel: ajoelhou-se e encostou o rosto no chão, em sinal de respeito.

Então Samuel disse a Saul: — Por que é que você foi me incomodar? Por que me fez voltar? Saul respondeu: — É que estou numa grande dificuldade! Os filisteus estão em guerra contra mim, e Deus me abandonou. Ele não me responde mais nem por profetas nem por meio de sonhos. Foi por isso que chamei o senhor para me dizer o que devo fazer.

Samuel disse: — Por que é que você me chamou, agora que o SENHOR Deus o abandonou e se tornou seu inimigo?

O SENHOR fez com você o que ele, por meio de mim, prometeu que ia fazer: ele tirou o reino de você e o deu a outra pessoa, isto é, a Davi.

Você desobedeceu às ordens do SENHOR e não destruiu completamente os amalequitas e tudo o que eles tinham. É por isso que o SENHOR está fazendo isso com você agora.

Ele vai entregar você e o povo de Israel aos filisteus. Amanhã você e os seus filhos vão estar junto comigo. E o SENHOR também vai entregar o exército de Israel aos filisteus.

No mesmo instante Saul caiu no chão, de comprido, apavorado com o que Samuel tinha dito. Ele estava fraco porque não tinha comido nada todo aquele dia e toda aquela noite.

A mulher chegou perto dele e, vendo que ele estava apavorado, disse: — Eu arrisquei a minha vida fazendo o que o senhor me pediu.

Agora, por favor, faça o que estou pedindo: deixe que eu lhe traga um pouco de comida. Coma alguma coisa para ficar forte e poder viajar.

Saul recusou e disse que não ia comer nada. Mas os seus oficiais também insistiram para que comesse. Finalmente ele concordou. Levantou-se do chão e sentou-se na cama.

Então a mulher matou depressa um bezerro que estava sendo engordado. Pegou também um pouco de farinha de trigo, amassou e assou alguns pães sem fermento.

Aí colocou a comida diante de Saul e dos seus oficiais, e eles comeram. E naquela mesma noite foram embora.

 

1 Sm 29

Os filisteus reuniram todas as suas tropas em Afeca. Enquanto isso, os israelitas acamparam perto da fonte que fica no vale de Jezreel.

Os cinco governadores filisteus marcharam para lá com as suas tropas divididas em grupos de cem e de mil soldados. Davi e os seus homens marchavam atrás com Aquis.

Então os comandantes filisteus perguntaram: — O que é que estes hebreus estão fazendo aqui? Aquis respondeu: — Este é Davi, um oficial de Saul, o rei de Israel. Ele está comigo já faz algum tempo, desde que se revoltou contra Saul. E, desde o dia em que chegou, não o vi fazer nada de errado.

Mas os comandantes filisteus ficaram muito zangados com Aquis e disseram: — Mande esse homem de volta para a cidade que você lhe deu. Não deixe que ele entre na batalha conosco; ele é capaz de virar contra nós durante a luta. Pois a melhor maneira de ele conseguir a boa vontade do seu patrão seria matar os nossos homens.

Além disso, este é Davi, a respeito de quem as mulheres cantavam enquanto dançavam: “Saul matou mil; Davi matou dez mil!”

Então Aquis chamou Davi e disse: — Juro pelo SENHOR, o Deus vivo, que você tem sido fiel a mim e eu ficaria muito contente se você lutasse ao meu lado nesta batalha. Não encontrei nada de errado em você, desde o dia em que chegou até hoje. Mas os outros governadores não gostam de você.

Portanto, volte para casa em paz e não faça nada que possa desagradar a esses governadores.

Davi respondeu: — O que foi que eu fiz de errado? Você não encontrou em mim nenhuma falta desde o dia em que comecei a trabalhar para você. Então por que não posso ir com você, que é o meu patrão e o meu rei, para lutar contra os seus inimigos?

Aquis respondeu: — Eu sei disso e o considero tão fiel quanto um anjo de Deus. Mas os comandantes disseram que você não pode ir lutar conosco.

Portanto, amanhã de manhã, você e os outros que abandonaram Saul e passaram para o meu lado, levantem-se bem cedo e vão embora logo que amanhecer.

Assim, no dia seguinte, Davi e os seus homens se levantaram de madrugada a fim de voltar para a Filistéia. E os filisteus subiram para Jezreel.

 

1 Sm 30

Dois dias depois, Davi e os seus homens chegaram a Ziclague, a sua cidade. Enquanto ele havia estado fora, os amalequitas tinham invadido o Sul da terra de Judá e atacado Ziclague. Eles queimaram a cidade

e prenderam todas as mulheres. Não mataram ninguém, mas foram embora e levaram todos como prisioneiros.

Quando Davi e os seus homens chegaram, viram que a cidade tinha sido queimada e que as suas mulheres, os seus filhos e as suas filhas haviam sido levados embora.

Então Davi e os seus homens começaram a chorar e choraram até ficarem sem forças.

As duas mulheres de Davi, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal, da cidade de Carmelo, também haviam sido levadas.

Davi ficou então numa situação muito difícil, pois os seus homens estavam tão amargurados por ficarem sem os seus filhos, que falavam até em matá-lo a pedradas. Mas o SENHOR, seu Deus, lhe deu coragem.

E ele disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: — Traga aqui o manto sacerdotal para que possamos consultar a Deus. E Abiatar trouxe.

Então Davi perguntou a Deus, o SENHOR: — Devo ir atrás desses invasores? Conseguirei pegá-los? Deus respondeu: — Vá atrás deles. Você os pegará e libertará os prisioneiros.

Então Davi e os seus seiscentos homens saíram, e, quando chegaram ao ribeirão de Besor, alguns deles ficaram ali.

Davi continuou o seu caminho com quatrocentos homens. Os outros duzentos estavam cansados demais para atravessar o ribeirão e por isso ficaram para trás.

Os homens de Davi acharam no campo um rapaz egípcio e o levaram a Davi. Deram ao rapaz comida, água,

figos secos e dois cachos de passas. Ele havia ficado três dias e três noites sem comer, nem beber. Mas, depois de comer, as suas forças voltaram.

Então Davi perguntou: — Quem é o seu dono? De onde você é? — Eu sou egípcio e sou escravo de um amalequita! — respondeu ele. — O meu dono me deixou aqui há três dias porque fiquei doente.

Nós invadimos a terra dos queretitas, a região Sul de Judá e o território do grupo de famílias de Calebe e queimamos a cidade de Ziclague.

Então Davi lhe perguntou: — Você pode me levar até onde os amalequitas estão? — Sim, — respondeu ele— se o senhor prometer em nome de Deus que não me matará, nem me entregará ao meu dono.

Então ele levou Davi. Os amalequitas estavam espalhados por toda a região, comendo, bebendo e festejando por causa da grande quantidade de coisas que haviam tomado na terra dos filisteus e na terra de Judá.

No dia seguinte ao amanhecer, Davi os atacou e lutou até o anoitecer. E nenhum deles escapou, a não ser quatrocentos rapazes que montaram camelos e fugiram.

Davi salvou todos os que tinham sido levados como prisioneiros, incluindo as suas duas mulheres, e trouxe de volta tudo o que os amalequitas haviam tomado.

Não ficou faltando nada: Davi levou de volta todos os filhos e todas as filhas dos seus homens e todas as coisas, grandes e pequenas, que os amalequitas haviam tomado.

Levou também todas as ovelhas e todo o gado. Então os homens de Davi levaram a ele os seus animais e disseram: — Estes animais são seus.

Aí Davi voltou para o lugar onde estavam os duzentos homens que não tinham ido com ele e haviam ficado atrás, no ribeirão de Besor, por estarem muito cansados. Eles saíram ao encontro de Davi e dos seus homens. Davi chegou perto deles e os cumprimentou.

Mas alguns homens ordinários e de mau caráter que tinham ido com Davi disseram: — Eles não foram conosco; por isso, não lhes daremos nada do que trouxemos. Eles podem pegar as suas mulheres e os seus filhos e ir embora.

Mas Davi respondeu: — Meus irmãos, vocês não podem fazer isso com o que o SENHOR Deus nos deu! Ele nos salvou e nos deu a vitória sobre os inimigos.

Ninguém pode concordar com o que vocês estão dizendo! Tudo deve ser repartido em partes iguais: quem ficou atrás com a bagagem deve receber o mesmo que aquele que lutou na batalha.

Davi fez desta ordem uma lei. E até hoje ela é seguida em Israel.

Quando Davi voltou para Ziclague, pegou parte do que havia tomado dos inimigos e mandou para os seus amigos, os líderes de Judá, com esta mensagem: — Este é um presente para vocês, tirado das coisas que nós tomamos dos inimigos de Deus, o SENHOR.

Davi mandou presentes aos líderes das seguintes cidades: Betel, Ramá, que fica ao sul de Judá, Jatir,

Aroer, Sifmote, Estemoa,

(29-31) Racal, Horma, Borasã, Atace, Hebrom; e também às cidades das tribos dos jerameelitas e dos queneus— todos os lugares onde Davi e os seus homens haviam estado.

 

1 Sm 31

Os filisteus lutaram contra os israelitas no monte Gilboa. Muitos israelitas foram mortos ali, e o resto fugiu.

Os filisteus cercaram Saul e os seus filhos e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, os filhos de Saul.

A luta estava feroz em volta de Saul. Ele foi atingido por flechas inimigas e ficou muito ferido.

Então disse ao rapaz que carregava as suas armas: — Tire a sua espada e me mate para que esses filisteus pagãos não caçoem de mim e me matem. Mas o rapaz estava muito apavorado e não quis fazer isso. Então Saul pegou a sua própria espada e se jogou sobre ela.

Quando viu que Saul estava morto, o rapaz também se jogou sobre a sua própria espada e morreu junto com ele.

E assim morreram naquele dia Saul, os seus três filhos, o rapaz e todos os soldados de Saul.

Quando os israelitas que moravam no outro lado do vale de Jezreel e a leste do rio Jordão viram que o exército israelita havia fugido e que Saul e os seus filhos tinham sido mortos, abandonaram as suas cidades e fugiram. Então os filisteus foram e ocuparam aquelas cidades.

Um dia depois da batalha, quando os filisteus voltaram lá para tirar dos mortos as coisas de valor, acharam os corpos de Saul e dos seus três filhos caídos no monte Gilboa.

Então cortaram a cabeça de Saul e tiraram a sua armadura. Depois mandaram mensageiros com elas para a sua terra, para darem as boas notícias aos seus ídolos e ao povo.

Eles puseram as armas de Saul no templo da deusa Astarote e pregaram o corpo dele na muralha da cidade de Bete-Sã.

Quando o povo de Jabes, na região de Gileade, soube do que os filisteus haviam feito com Saul,

os seus moradores mais corajosos saíram e marcharam a noite inteira, até chegarem a Bete-Sã. Tiraram da muralha os corpos de Saul e dos seus três filhos, levaram de volta para Jabes e ali os queimaram.

Então pegaram os ossos e sepultaram na cidade, debaixo de uma árvore de tâmaras. E jejuaram sete dias.

1 opinião sobre “1° SAMUEL EM AUDIO”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.