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2 Samuel NTLH

2 Sm 1

Depois da morte de Saul, Davi voltou da sua vitória sobre os amalequitas e ficou dois dias na cidade de Ziclague.

No dia seguinte chegou um moço que vinha do acampamento de Saul. Para mostrar a sua tristeza, ele havia rasgado as suas roupas e posto terra na cabeça. O moço foi até o lugar onde Davi estava, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão em sinal de respeito.

Davi lhe perguntou: — De onde você está vindo? — Eu fugi do acampamento israelita! — respondeu ele.

— Conte o que foi que aconteceu! — disse Davi. — O nosso exército fugiu da batalha, e muitos dos nossos homens foram mortos! — disse o moço. — Saul e o seu filho Jônatas também morreram.

— Como é que você sabe que Saul e Jônatas estão mortos? — perguntou Davi.

E o moço respondeu assim: — Acontece que eu cheguei, por acaso, ao monte Gilboa e vi Saul apoiado na sua lança. Os carros e os cavaleiros inimigos chegavam cada vez mais perto dele.

Então ele se virou, me viu e me chamou. E eu respondi: “Aqui estou, senhor!”

Saul perguntou quem eu era, e eu respondi que era amalequita.

Aí ele disse: “Fui ferido gravemente e estou morrendo. Venha aqui e me mate.”

Então eu subi até o lugar onde ele estava e o matei porque eu sabia que, logo que caísse no chão, ele morreria. Aí tirei a coroa da cabeça dele e a pulseira do seu braço e trouxe para o senhor.

Então Davi rasgou as suas roupas em sinal de tristeza, e todos os seus soldados fizeram o mesmo.

Choraram, se lamentaram e jejuaram até a tarde por Saul, por Jônatas e por Israel, o povo de Deus, o SENHOR, pois muitos deles tinham sido mortos na batalha.

Aí Davi perguntou ao moço que tinha trazido as notícias: — De onde você é? — Eu sou amalequita, mas estou morando aqui na sua terra! — respondeu ele.

— Como é que você se atreveu a matar o rei escolhido por Deus, o SENHOR? — perguntou Davi.

Então chamou um dos seus homens e ordenou: — Mate-o! O homem atacou o amalequita e o matou.

E Davi disse ao amalequita: — O culpado disso foi você mesmo. Você se condenou quando confessou que havia matado o rei escolhido pelo SENHOR.

Davi cantou esta lamentação por Saul e por seu filho Jônatas

e ordenou que fosse ensinada ao povo de Judá. (Esta lamentação está escrita no Livro do Justo.)

Os nossos líderes estão mortos nos montes de Israel! Caíram os nossos soldados mais valentes!

Não contem isso na cidade de Gate nem nas ruas de Asquelom, para que as mulheres dos filisteus não se alegrem, nem pulem de contentamento as filhas dos pagãos.

Não caia chuva nem orvalho nos montes de Gilboa, e que os seus campos não produzam mais nada. Pois ali os escudos dos guerreiros valentes estão cobertos de pó, e o escudo de Saul perdeu o seu brilho.

O arco de Jônatas era mortal, e a espada de Saul nunca falhava para derrubar os poderosos e matar os inimigos.

Saul e Jônatas, tão queridos e maravilhosos; juntos na vida, juntos na morte! Eram mais rápidos do que as águias e mais fortes do que os leões!

Mulheres de Israel, chorem por Saul! Ele vestia vocês com vestidos de fina lã vermelha e as enfeitava com jóias de ouro.

Os soldados mais valentes caíram e foram mortos na batalha. Jônatas está morto nas montanhas.

Eu choro por você, meu irmão Jônatas; como eu o estimava! Como era maravilhoso o seu amor para mim, melhor ainda do que o amor das mulheres.

Os soldados mais valentes caíram, e as suas armas não têm mais utilidade.

 

2 Sm 2

Depois disso Davi perguntou a Deus, o SENHOR: — Devo ir e governar alguma das cidades de Judá? — Sim! — o SENHOR respondeu. — Qual delas? — perguntou ele. — Hebrom! — foi a resposta.

Então Davi foi para Hebrom, levando consigo as suas duas esposas. Uma era Ainoã, da cidade de Jezreel, e a outra era Abigail, viúva de Nabal, da cidade de Carmelo.

Davi também levou os seus soldados com as suas famílias, e eles ficaram morando nas cidades vizinhas de Hebrom.

Aí os homens de Judá foram a Hebrom e ungiram Davi como rei de Judá. Quando Davi soube que os moradores da cidade de Jabes, da região de Gileade, tinham sepultado Saul,

mandou que alguns homens fossem lá com a seguinte mensagem: — Que o SENHOR abençoe vocês por terem feito a caridade de sepultar o nosso rei!

Que o SENHOR seja bom e fiel para vocês! Por causa do que fizeram, eu também os tratarei bem.

Sejam fortes e valentes! Saul, o rei de vocês, morreu, e o povo de Judá me ungiu como rei deles.

O comandante do exército de Saul, Abner, filho de Ner, havia fugido com Isbosete, filho de Saul, para Maanaim, no outro lado do rio Jordão.

Lá, Abner fez Isbosete rei das terras de Gileade, Aser, Jezreel, Efraim e Benjamim; na verdade, ele o fez rei de todo o povo de Israel.

Isbosete tinha quarenta anos de idade quando começou a reinar em Israel e reinou dois anos. Mas a tribo de Judá ficou fiel a Davi,

e ele a governou em Hebrom sete anos e meio.

Abner e os oficiais de Isbosete foram de Maanaim para a cidade de Gibeão.

Joabe, cuja mãe era Zeruia, e os oficiais de Davi foram encontrá-los perto da represa de Gibeão. Lá todos eles se sentaram, um grupo de um lado da represa e o outro do outro lado.

Então Abner disse a Joabe: — Deixe que alguns dos nossos moços enfrentem alguns dos seus, em uma luta armada. — Está bem! — respondeu Joabe.

Aí doze soldados, representando Isbosete e a tribo de Benjamim, lutaram contra doze soldados de Davi.

Cada um pegou o seu adversário pela cabeça e enfiou a espada no lado dele. E assim todos eles caíram mortos juntos. É por isso que aquele lugar perto da cidade de Gibeão é chamado de “Campo das Espadas”.

Em seguida houve ali uma violenta batalha, e Abner e os israelitas foram derrotados pelos soldados de Davi.

Joabe, Abisai e Asael, os três filhos de Zeruia, estavam lá. Asael, que era tão ligeiro como uma gazela selvagem,

começou a perseguir Abner, correndo atrás dele.

Abner olhou para trás e perguntou: — Asael, é você? — Sim, sou eu! — respondeu ele.

— Pare de me perseguir! — disse Abner. — Corra atrás de um dos soldados e pegue para você as coisas dele. Porém Asael continuou a persegui-lo.

Mais uma vez Abner disse: — Pare de me perseguir! Você está me forçando a matá-lo! Como é que eu poderia, depois, olhar o seu irmão Joabe nos olhos?

Porém Asael não parou de persegui-lo. Então Abner deu um golpe para trás com a sua lança. Ela entrou na barriga de Asael e saiu pelas costas. Ele caiu morto no chão, e todos os que chegavam paravam no lugar onde ele estava caído.

Mas Joabe e Abisai continuaram a perseguir Abner e, quando o sol estava se pondo, chegaram ao monte de Amá, a leste da cidade de Giá, na estrada que vai para o deserto de Gibeão.

Os soldados da tribo de Benjamim se reuniram novamente em volta de Abner e ficaram no alto de um morro.

Então Abner gritou para Joabe: — Será que vamos ter de continuar lutando para sempre? Você não vê que, no fim, não vai sobrar nada, a não ser amargura? Nós somos seus irmãos! Até quando você vai esperar para mandar que os seus soldados parem de nos perseguir?

Joabe respondeu: — Juro pelo Deus vivo que, se você não tivesse falado, os meus soldados continuariam a perseguir vocês até amanhã cedo.

Então Joabe tocou a corneta. Todos os seus soldados pararam de perseguir os israelitas, e a luta acabou.

Durante toda aquela noite, Abner e os seus soldados marcharam pelo vale do Jordão. Atravessaram o rio Jordão e, depois de marcharem toda a manhã do dia seguinte, chegaram à cidade de Maanaim.

Quando Joabe parou a perseguição, reuniu todos os seus soldados e viu que estavam faltando dezenove, além de Asael.

Porém os soldados de Davi haviam matado trezentos e sessenta soldados de Abner, todos eles da tribo de Benjamim.

Aí Joabe e os seus soldados pegaram o corpo de Asael e o sepultaram no túmulo da sua família, em Belém. Então marcharam durante a noite inteira e, ao amanhecer, chegaram a Hebrom.

 

2 Sm 3

Durou muito tempo a guerra entre os que apoiavam a família de Saul e os que apoiavam Davi. Davi ia ficando cada vez mais forte, e a gente de Saul, cada vez mais fraca.

Os filhos de Davi que nasceram na cidade de Hebrom são estes: o primeiro foi Amnom, filho de Ainoã, da cidade de Jezreel.

O segundo foi Quileabe, filho de Abigail, viúva de Nabal, da cidade de Carmelo. O terceiro foi Absalão, filho de Maacá, que era filha de Talmai, rei de Gesur.

O quarto foi Adonias, filho de Hagite. O quinto foi Sefatias, filho de Abital.

O sexto foi Itreão, filho de Eglá, esposa de Davi. Todos esses filhos de Davi nasceram em Hebrom.

Enquanto continuava a luta entre os que apoiavam a família de Saul e os que seguiam Davi, Abner ficava cada vez mais poderoso entre a gente de Saul.

Um dia Isbosete, filho de Saul, acusou Abner de ter tido relações com uma concubina de Saul chamada Rispa, filha de Aías.

Abner ficou furioso com isso e disse: — Você pensa que eu sou traidor? Pensa que passei para o lado da tribo de Judá? E continuou: — Desde o começo tenho sido fiel à causa de Saul, o seu pai, aos seus irmãos e aos seus amigos e tenho evitado que você seja derrotado por Davi. No entanto, hoje você me acusa de ser culpado no caso dessa mulher!

(9-10) O SENHOR Deus prometeu a Davi que tiraria o reino de Saul e dos seus descendentes e que tornaria Davi rei tanto de Israel como de Judá, para governar o país inteiro. Que Deus me mate se eu não fizer que isso aconteça!

Isbosete tinha medo de Abner; por isso, não disse nada.

Naquela época Davi estava na cidade de Hebrom, e Abner lhe mandou mensageiros com o seguinte recado: — Quem vai governar esta terra? Faça um acordo comigo, e eu o ajudarei a levar todo o povo de Israel para o seu lado.

Davi respondeu: — Muito bem. Eu farei um acordo com você, porém com uma condição: quando vier falar comigo, você vai me trazer Mical, filha de Saul.

Então Davi mandou alguns mensageiros dizerem a Isbosete: — Entregue-me a minha esposa Mical. Eu paguei cem prepúcios de filisteus para ter o direito de casar com ela.

Então Isbosete mandou tirá-la do seu marido Paltiel, filho de Laís.

Paltiel seguiu-a chorando pelo caminho, até chegarem à cidade de Baurim. Aí Abner lhe ordenou: — Volte para casa. E ele voltou.

Então Abner foi falar com os líderes de Israel. Ele disse: — Há muito tempo que vocês queriam que Davi fosse rei de Israel.

Esta é a hora de agir. Lembrem que o SENHOR disse: “Eu usarei o meu servo Davi para salvar Israel, o meu povo, tanto dos filisteus como de todos os outros inimigos.”

Abner falou também com o povo da tribo de Benjamim e depois foi a Hebrom para contar a Davi o que o povo de Benjamim e o povo de Israel tinham resolvido.

Abner, com vinte homens, foi a Hebrom para se encontrar com Davi, e este lhe ofereceu uma festa.

Abner disse a Davi: — Eu irei agora e conquistarei todo o povo de Israel para o senhor. E eles o aceitarão como rei. Aí o senhor terá o que desejava e governará o país inteiro. Então Davi deixou Abner ir embora em paz.

Pouco tempo depois, Joabe e os outros oficiais de Davi voltaram de um ataque rápido, trazendo muitas coisas que haviam tomado dos inimigos. Mas Abner não estava mais em Hebrom com Davi porque este já o havia deixado ir embora em paz.

Quando Joabe chegou com os seus soldados, contaram-lhe que Abner havia ido falar com o rei Davi e que este o havia deixado ir embora em paz.

Então Joabe foi falar com o rei. Ele disse: — O que foi que o senhor fez? Abner veio aqui, e o senhor deixou que ele fosse embora sem mais nem menos?

Ele veio para enganá-lo, para ficar conhecendo todos os lugares aonde o senhor vai e tudo o que faz. E o senhor sabe disso!

Logo que saiu de perto de Davi, Joabe mandou mensageiros atrás de Abner. Eles o alcançaram no poço de Sira e o trouxeram de volta. Mas Davi não ficou sabendo disso.

Quando Abner chegou a Hebrom, Joabe o levou para o lado do portão, como se quisesse falar com ele em particular, e enfiou um punhal na barriga dele. Assim Abner, filho de Ner, foi assassinado por ter matado Asael, irmão de Joabe.

Quando soube disso, Davi disse: — O SENHOR Deus sabe que eu e os meus seguidores não temos nenhuma culpa no assassinato de Abner.

Que o castigo por esse crime caia sobre Joabe e toda a sua família! Que nunca faltem na sua família homens que tenham gonorréia ou lepra, ou que sejam capazes de fazer somente trabalho de mulher, ou que sejam mortos em batalha, ou que não tenham o que comer!

Assim Joabe e o seu irmão Abisai assassinaram Abner porque ele havia matado Asael, o irmão deles, na batalha de Gibeão.

Então Davi mandou que Joabe e os seus soldados chorassem por Abner e que, em sinal de tristeza, rasgassem as suas roupas e vestissem roupas de luto. E no enterro o próprio rei Davi ia caminhando atrás do caixão.

Abner foi sepultado em Hebrom, e o rei chorou alto perto do seu túmulo. E todo o povo fez o mesmo.

E Davi fez esta lamentação para Abner: “Por que teria Abner de morrer como se fosse um louco?

As suas mãos não estavam amarradas, nem estavam atados os seus pés; ele morreu como alguém que é morto por criminosos!” Então o povo chorou novamente por Abner.

O povo tentou convencer Davi a comer alguma coisa antes que o dia terminasse, mas ele fez este juramento: — Que Deus me mate se eu comer alguma coisa antes que o dia acabe!

O povo ouviu isso e gostou. De fato, o povo gostava de tudo o que o rei fazia.

Assim todos os seguidores do rei Davi e todo o povo de Israel entenderam que ele não tinha tomado parte no assassinato de Abner.

E ele disse aos seus oficiais: — Fiquem sabendo que hoje morreu um grande líder de Israel.

Embora eu seja o rei escolhido por Deus, hoje me sinto fraco. Os filhos de Zeruia são homens violentos demais para mim! Que o SENHOR castigue esses criminosos como eles merecem!

 

2 Sm 4

Quando Isbosete, filho de Saul, soube que Abner havia sido assassinado na cidade de Hebrom, perdeu a coragem, e todo o povo de Israel ficou com medo.

Havia dois oficiais de Isbosete que comandavam os ataques rápidos ao território inimigo. Eles se chamavam Baaná e Recabe e eram filhos de Rimom, da cidade de Beerote, da tribo de Benjamim. (A cidade de Beerote é considerada como parte do território de Benjamim.

Os antigos moradores de Beerote haviam fugido para a cidade de Gitaim e eles vivem ali como estrangeiros até hoje.)

Quando Saul e Jônatas foram mortos em Jezreel, Mefibosete, filho de Jônatas, tinha cinco anos de idade. Ao chegar a notícia da morte de Saul e de Jônatas, a mulher que cuidava de Mefibosete o pegou e fugiu. Mas estava com tanta pressa, que o deixou cair, e ele ficou manco.

Recabe e Baaná foram para a casa de Isbosete e chegaram lá quando ele estava tirando a sua soneca depois do almoço.

A mulher que estava na porta peneirando trigo havia ficado com sono e estava dormindo. Por isso, Baaná e Recabe entraram em silêncio,

foram ao quarto onde Isbosete dormia um sono pesado e o mataram. Então cortaram a cabeça dele e a levaram consigo. Eles caminharam a noite toda pelo vale do rio Jordão.

Quando chegaram a Hebrom, mostraram a cabeça de Isbosete ao rei Davi e disseram: — Aqui está a cabeça de Isbosete, filho do seu inimigo Saul, que queria matá-lo. Hoje o SENHOR Deus vingou o rei, meu senhor, de Saul e dos seus descendentes.

(9-11) Davi respondeu: — Eu agarrei e mandei matar o mensageiro que foi ao meu encontro na cidade de Ziclague; pois ele, pensando que estava me dando uma boa notícia, me contou a respeito da morte de Saul. Agora, juro pelo SENHOR, o Deus vivo, que me salvou de todos os perigos, que eu castigarei muito mais os homens traiçoeiros que mataram um inocente que estava dormindo na sua própria casa! Agora vou me vingar de vocês por terem matado Isbosete e vou varrer vocês da face da terra.

Então Davi deu ordem, e os seus soldados mataram Recabe e Baaná. Depois cortaram as mãos e os pés deles e penduraram perto da represa de Hebrom. E pegaram a cabeça de Isbosete e enterraram na sepultura de Abner, em Hebrom.

 

2 Sm 5

Então todas as tribos de Israel foram se encontrar com Davi em Hebrom e disseram: — Nós pertencemos ao mesmo povo que você, ó rei.

No passado, quando Saul era o nosso rei, você comandou o povo de Israel na batalha. E o SENHOR Deus lhe disse que você seria comandante e governador do povo dele.

Assim todos os líderes de Israel foram se encontrar com Davi em Hebrom. Davi fez um acordo sagrado com eles, e eles o ungiram rei de Israel.

Ele tinha trinta anos de idade quando se tornou rei e reinou quarenta anos.

Governou Judá, em Hebrom, sete anos e meio; e governou Israel e Judá, em Jerusalém, trinta e três anos.

O rei Davi e os seus soldados foram atacar Jerusalém. Os jebuseus, que eram os moradores da cidade, pensaram que ele não seria capaz de conquistá-la e por isso disseram: — Você nunca entrará aqui. Para fazer você ficar do lado de fora, bastam os cegos e os aleijados.

Mas Davi tomou a fortaleza de Sião, e ela passou a ser chamada de “Cidade de Davi”. A coisa aconteceu assim.

Naquele dia Davi disse aos seus soldados: — Se alguém quiser matar os jebuseus, aqueles pobres cegos e aleijados, que eu tanto odeio, então que suba pelo túnel da água e os ataque. É por isso que se diz: “Os cegos e os aleijados não podem entrar na casa de Deus.”

Davi ficou morando na fortaleza e a chamou de Cidade de Davi. Em volta ele construiu defesas que iam desde a torre de Milo até o palácio.

E Davi ia ficando cada vez mais forte porque o SENHOR, o Deus Todo-Poderoso, estava com ele.

O rei Hirão, da cidade de Tiro, enviou embaixadores a Davi. Ele mandou toras de cedro e também carpinteiros e pedreiros, e eles construíram um palácio para Davi.

E assim Davi entendeu que o SENHOR o havia confirmado como rei de Israel e que, por amor ao seu povo, estava fazendo o seu reino progredir.

Depois que saiu da cidade de Hebrom, Davi arranjou mais concubinas e esposas em Jerusalém e com elas teve mais filhos e filhas.

Os filhos de Davi que nasceram em Jerusalém foram: Samua, Sobabe, Natã, Salomão,

Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia,

Elisama, Eliada e Elifelete.

Quando os filisteus souberam que Davi tinha se tornado rei de Israel, o seu exército saiu para prendê-lo. Quando soube disso, Davi desceu para a fortaleza.

Os filisteus chegaram ao vale dos Gigantes e o ocuparam.

Aí Davi perguntou a Deus, o SENHOR: — Devo lutar contra os filisteus? Tu me darás a vitória? — Vá! — disse o SENHOR. — Eu lhe darei a vitória.

Então Davi foi até Baal-Perazim e ali venceu os filisteus. Ele disse: — Como uma enchente que derruba tudo, assim o SENHOR abriu uma brecha no meio dos meus inimigos. Por isso, aquele lugar é chamado de Baal-Perazim.

Ali os filisteus abandonaram os seus ídolos, e Davi e os seus soldados os levaram embora.

Então os filisteus voltaram para o vale dos Gigantes e o ocuparam.

Mais uma vez Davi consultou o SENHOR, e ele respondeu: — Não os ataque daqui. Dê a volta, vá até as amoreiras e ataque por trás.

Quando você ouvir o barulho de passos por cima das amoreiras, fique pronto para atacar porque isso quer dizer que eu fui na sua frente para derrotar o exército dos filisteus.

Davi fez o que o SENHOR havia mandado e obrigou os filisteus a recuarem desde Geba até Gezer.

 

2 Sm 6

Mais uma vez Davi reuniu os melhores soldados de Israel, num total de trinta mil homens.

Levou-os à cidade de Baalá, em Judá, para pegarem a arca da aliança, que tem o nome do SENHOR Todo-Poderoso, que se assenta no seu trono, entre os querubins.

Colocaram a arca num carro de bois, novo, e a tiraram da casa de Abinadabe, que ficava num monte. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro

que carregava a arca. Aiô caminhava na frente.

Davi e todos os israelitas dançavam e cantavam com todas as suas forças em louvor a Deus, o SENHOR. Eles tocavam harpas, liras, tambores, castanholas e pratos.

Quando chegaram ao campo de descascar cereais que pertencia a Nacom, os bois tropeçaram. Então Uzá estendeu a mão e segurou a arca da aliança.

O SENHOR Deus ficou irado com Uzá, por sua falta de respeito, e o matou. E Uzá morreu ali, ao lado da arca.

Davi ficou furioso porque o SENHOR, na sua ira, havia castigado Uzá; assim até hoje aquele lugar é chamado de Peres-Uzá.

Então Davi ficou com medo de Deus, o SENHOR, e disse: — E agora como é que poderei levar comigo a arca da aliança?

Assim Davi resolveu não levar a arca para a sua cidade de Jerusalém; em vez disso, ele mudou de direção e a levou para a casa de Obede-Edom, que era da cidade de Gate.

A arca da aliança ficou ali três meses, e o SENHOR abençoou Obede e a sua família.

O rei Davi soube que, por causa da arca, o SENHOR havia abençoado a família de Obede e tudo o que ele tinha. Então tirou a arca da casa de Obede-Edom e, com uma grande festa, a levou para Jerusalém.

Depois que os homens que carregavam a arca deram seis passos, Davi ofereceu a Deus em sacrifício um touro e um bezerro gordo.

Davi, vestindo um manto sacerdotal de linho, dançou com todo o entusiasmo em louvor a Deus, o SENHOR.

E assim ele e todos os israelitas levaram a arca da aliança para Jerusalém, com gritos de alegria e sons de trombetas.

Quando a arca estava entrando na cidade, Mical, filha de Saul, olhou pela janela, viu o rei Davi pulando e dançando em louvor ao SENHOR. Então sentiu por ele um profundo desprezo.

Levaram a arca e a colocaram no seu lugar, na barraca que Davi tinha preparado para ela. Então ele ofereceu a Deus, o SENHOR, sacrifícios que foram completamente queimados e ofertas de paz.

Quando acabou de oferecer os sacrifícios e as ofertas, Davi abençoou o povo em nome do SENHOR Todo-Poderoso.

Depois deu a cada homem e a cada mulher de Israel um pão, um pedaço de carne assada e passas. Em seguida todos foram para casa.

Davi voltou para casa a fim de estar com a sua família, e Mical, filha de Saul, saiu para encontrá-lo. Ela disse: — Que bela figura fez hoje o rei de Israel! Parecia um sem-vergonha, mostrando o corpo para as empregadas dos seus funcionários!

Davi respondeu: — Eu estava dançando em louvor ao SENHOR, que preferiu me escolher em vez de escolher o seu pai e os descendentes dele e me fez o líder de Israel, o seu povo. Pois eu continuarei a dançar em louvor ao SENHOR

e me humilharei ainda mais diante dele. Você pode pensar que eu não sou nada, mas aquelas moças de quem você falou vão me dar muito valor!

E Mical, filha de Saul, nunca teve filhos.

 

2 Sm 7

O rei Davi conseguiu controlar completamente o seu reino, e o SENHOR Deus o livrou de todos os seus inimigos.

Um dia Davi disse ao profeta Natã: — Veja só! Aqui estou eu, morando numa casa revestida de madeira de cedro, enquanto a arca da aliança está guardada numa barraca!

Natã respondeu: — Faça tudo o que quiser porque o SENHOR Deus está com você.

Mas naquela noite o SENHOR disse a Natã:

— Vá e diga ao meu servo Davi que eu mandei dizer o seguinte: “Não é você a pessoa que deve construir um templo para eu morar nele.

Desde que tirei do Egito o povo de Israel e até hoje, eu não tenho morado em nenhum templo. Tenho viajado morando numa barraca.

Em todas as minhas viagens com o povo de Israel, nunca perguntei aos líderes que escolhi por que razão eles não construíram para mim um templo revestido de cedro.”

Portanto, diga ao meu servo Davi que eu, o SENHOR Todo-Poderoso, digo o seguinte: “Eu tirei você do trabalho de cuidar de ovelhas nos campos e o fiz governador do meu povo de Israel.

Estive com você em todos os lugares por onde tem ido e, conforme você foi avançando, eu o defendi de todos os seus inimigos. Eu farei com que você seja famoso, tão famoso quanto os maiores líderes do mundo.

(10-11) Escolhi um lugar para o meu povo de Israel e o fiz morar ali, onde eles viverão em paz. Desde que entraram nesta terra, eles têm sido atacados por povos violentos, mas isso não acontecerá mais. Eu prometo que livrarei você de todos os seus inimigos e que lhe darei descendentes.

E, quando você morrer e for sepultado ao lado dos seus antepassados, eu colocarei um dos seus filhos como rei e tornarei forte o reino dele.

Será ele quem construirá um templo para mim, e eu farei com que os seus descendentes governem para sempre.

Eu serei o pai dele, e ele será meu filho. Quando ele errar, eu o castigarei como um pai castiga seu filho.

Porém não retirarei dele o meu amor, como fiz com Saul, para que você pudesse ser rei.

Você sempre terá descendentes, e eu farei com que o seu reino dure para sempre. E a sua descendência real nunca terminará.”

E Natã contou a Davi tudo o que Deus lhe havia revelado.

O rei Davi entrou na Tenda Sagrada, sentou-se e orou assim: — Ó SENHOR, meu Deus, eu não mereço tudo o que fizeste por mim no passado, e a minha família também não merece.

E, como se as bênçãos do passado ainda fossem poucas, agora estás fazendo promessas a respeito dos meus descendentes no futuro. E deixaste um homem ver isso, ó SENHOR, meu Deus!

O que mais posso te dizer? Tu me conheces, pois sou teu servo.

Era o teu desejo e propósito fazer isso; e tu me deixaste saber de todas essas grandes coisas.

Como és grande, ó SENHOR, nosso Deus! Não há ninguém igual a ti; como temos ouvido dizer, somente tu és Deus; não existe outro.

Não há nenhuma outra nação na terra como o teu povo de Israel, que libertaste para ser o teu próprio povo. Tu te tornaste famoso e fizeste grandes e maravilhosas coisas por eles. Tu libertaste o teu povo do Egito e expulsaste as outras nações e os seus deuses conforme o teu povo ia avançando.

Ó SENHOR, tu fizeste com que o teu povo de Israel fosse teu para sempre e te tornaste o seu Deus.

— E agora, ó SENHOR, nosso Deus, confirma a promessa que fizeste a meu respeito e a respeito da minha família e cumpre o que disseste que ia acontecer.

A tua fama será grande, e para sempre as pessoas dirão: “O SENHOR Todo-Poderoso é o Deus de Israel.” E tu farás com que sempre haja reis entre os meus descendentes.

SENHOR Todo-Poderoso, Deus de Israel! Eu tenho coragem para te fazer esta oração porque revelaste a mim, teu servo, que farás com que os meus descendentes sejam reis.

— E mais. Tu, ó SENHOR, me fizeste esta maravilhosa promessa, e as tuas promessas sempre se cumprem porque tu és Deus.

Eu te peço agora que abençoes os meus descendentes para que eles continuem a ter sempre a tua proteção. Tu, ó SENHOR, meu Deus, prometeste isso. Que a tua bênção esteja com os meus descendentes para sempre!

 

2 Sm 8

Algum tempo depois, Davi atacou os filisteus, derrotou-os e acabou com o poder deles naquela região.

Ele também derrotou os moabitas. Fez com que se deitassem no chão, mediu-os com uma corda e matou dois terços deles. Assim os moabitas se tornaram escravos de Davi e lhe pagavam impostos.

Então Davi atacou o rei de Zoba, Hadadezer, filho de Reobe, quando este foi tomar de novo as terras que ficam perto do rio Eufrates.

Davi prendeu mil e setecentos cavaleiros de Hadadezer e vinte mil dos seus soldados da infantaria; também aleijou os cavalos que puxavam os carros, deixando cavalos somente para cem carros.

Os sírios de Damasco foram socorrer Hadadezer, e Davi matou vinte e dois mil deles.

Em seguida colocou acampamentos militares na terra deles. Davi os dominou, e eles lhe pagavam impostos. O SENHOR Deus fez com que Davi fosse vitorioso em todos os lugares aonde ia.

Davi tomou dos oficiais de Hadadezer os escudos de ouro que eles usavam e os levou para Jerusalém.

Também levou uma grande quantidade de bronze das cidades de Betá e Berotai, que eram governadas por Hadadezer.

O rei Toí, da cidade de Hamate, soube que Davi tinha derrotado todo o exército de Hadadezer.

Então enviou o seu filho Jorão para cumprimentar Davi e para lhe dar parabéns por ter vencido Hadadezer. Acontece que Toí havia lutado muitas vezes contra Hadadezer. Jorão levou para Davi objetos feitos de prata, de ouro e de bronze.

E o rei Davi os separou para serem usados na adoração ao SENHOR, juntamente com a prata e o ouro que havia tomado dos povos que havia conquistado,

isto é, os edomitas, os moabitas, os amonitas, os filisteus e os amalequitas. E fez a mesma coisa com parte do que havia tirado de Hadadezer.

Davi se tornou ainda mais famoso quando voltou depois de ter matado dezoito mil edomitas no vale do Sal.

Ele colocou acampamentos militares em todo o país de Edom e dominou o povo dali. O SENHOR Deus fez com que Davi fosse vitorioso em todos os lugares aonde ia.

Davi governou todo o povo de Israel e fez com que eles fossem sempre tratados com igualdade e justiça.

Joabe, cuja mãe era Zeruia, comandava o seu exército. Josafá, filho de Ailude, era o conselheiro do rei.

Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes. Seraías era o escrivão.

Benaías, filho de Joiada, era o chefe dos guardas de Davi, isto é, os queretitas e os peletitas. E os filhos de Davi eram sacerdotes.

 

2 Sm 9

Certo dia Davi perguntou: — Será que alguma pessoa da família de Saul ainda está viva? Se está, eu quero fazer alguma coisa boa para essa pessoa, por causa de Jônatas.

Havia um escravo chamado Ziba, da família de Saul. Alguém lhe disse que fosse falar com o rei Davi. — Você é Ziba? — perguntou o rei. — Sim, sou eu mesmo, às suas ordens! — respondeu ele.

E o rei lhe perguntou: — Ainda existe alguém da família de Saul para quem eu possa fazer alguma coisa boa, como prometi a Deus? Ziba respondeu: — Sim. Existe um filho de Jônatas. Ele é aleijado dos dois pés.

— Onde está ele? — perguntou o rei. — Na casa de Maquir, filho de Amiel, na cidade de Lo-Debar! — respondeu Ziba.

Então o rei Davi mandou buscá-lo.

Quando Mefibosete, filho de Jônatas e neto de Saul, chegou, ele ajoelhou-se e encostou o rosto no chão diante de Davi em sinal de respeito. Davi disse: — Mefibosete! — Às suas ordens, senhor! — respondeu ele.

— Não fique com medo! — disse Davi. — Eu serei bondoso com você por causa de Jônatas, o seu pai. Eu lhe darei de volta todas as terras que pertenciam ao seu avô Saul, e você será sempre bem-vindo à minha mesa.

Mefibosete se curvou novamente e respondeu: — Eu não valho mais do que um cachorro morto! Por que o senhor é tão bondoso comigo?

Então o rei chamou Ziba, o escravo de Saul, e disse: — Eu estou devolvendo a Mefibosete, o neto do seu patrão, tudo o que pertencia a Saul e à sua família.

Você, os seus filhos e os seus empregados cultivarão a terra para a família do seu patrão Saul e farão a colheita para que eles tenham comida. Mas Mefibosete comerá sempre à minha mesa. Ziba tinha quinze filhos e vinte empregados.

Ele respondeu: — Farei tudo o que o senhor mandar. Daí em diante Mefibosete passou a comer junto com o rei, como se fosse filho dele.

Mefibosete tinha um filho pequeno chamado Mica. Todos os que eram da família de Ziba se tornaram empregados de Mefibosete.

Assim Mefibosete, que era aleijado dos dois pés, ficou morando em Jerusalém e todos os dias comia junto com o rei.

 

2 Sm 10

Algum tempo depois morreu o rei Naás, do país de Amom, e o seu filho Hanum se tornou rei.

E Davi disse: — Eu serei bondoso com Hanum, assim como Naás, o seu pai, foi bondoso comigo. Então enviou mensageiros a Hanum para mostrar a sua amizade. Porém, quando os mensageiros chegaram à cidade de Rabá,

as autoridades amonitas disseram ao seu rei: — O senhor pensa que é em honra do seu pai que Davi enviou estes homens para mostrar amizade? É claro que não! Ele os mandou aqui como espiões a fim de conhecerem a cidade, para poderem destruí-la.

Então Hanum pegou os mensageiros de Davi, raspou um lado da barba deles, cortou as suas roupas até a altura das nádegas e os mandou embora.

Quando Davi soube disso, enviou outros mensageiros para se encontrarem com eles porque eles estavam muito envergonhados. Davi mandou lhes dizer que ficassem na cidade de Jericó e que só voltassem quando as suas barbas tivessem crescido de novo.

Os amonitas compreenderam que tinham feito de Davi um inimigo deles. Por isso, contrataram vinte mil soldados sírios das cidades de Bete-Reobe e Zoba. Também contrataram o rei da cidade de Maacá, com mil homens, e doze mil homens da cidade de Tobe.

Davi soube disso e enviou contra eles Joabe com todos os melhores soldados do exército israelita.

Os amonitas saíram e tomaram posição na entrada da cidade de Rabá enquanto os outros— os sírios de Zoba e de Reobe e os homens de Tobe e Maacá— tomaram posição em campo aberto.

Joabe viu que as tropas inimigas os atacariam pela frente e por trás. Então escolheu os melhores soldados de Israel e os colocou de frente para os sírios.

Deixou o resto das suas tropas sob o comando do seu irmão Abisai, que as colocou de frente para os amonitas.

E Joabe disse a Abisai: — Se você perceber que os sírios estão me vencendo, venha me ajudar; e, se os amonitas estiverem vencendo você, eu irei ajudá-lo.

Seja corajoso! Vamos lutar com firmeza pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus. E que seja feita a vontade de Deus, o SENHOR!

Então Joabe e os seus soldados avançaram para atacar, e os sírios fugiram.

Os amonitas viram os sírios fugindo. Então também fugiram de Abisai e voltaram para dentro da cidade. E Joabe parou de lutar contra os amonitas e voltou para Jerusalém.

Quando os sírios viram que tinham sido vencidos pelos israelitas, reuniram de novo todas as suas tropas.

O rei Hadadezer mandou chamar os sírios que estavam no lado leste do rio Eufrates. Então eles foram até a cidade de Helã. Na frente deles ia Sobaque, o comandante do exército de Hadadezer.

Quando Davi soube disso, reuniu as tropas israelitas, atravessou o rio Jordão e marchou para Helã. Lá os sírios tomaram posição de frente para os israelitas. A luta começou,

e os israelitas fizeram os sírios fugir. Davi e os seus soldados mataram setecentos soldados que guiavam carros de guerra e quarenta mil cavaleiros sírios. Feriram também Sobaque, o comandante inimigo, que morreu ali no campo de batalha.

Quando os reis que eram chefiados por Hadadezer viram que tinham sido vencidos pelos israelitas, fizeram paz com eles, ficando debaixo do seu poder. E os sírios ficaram com medo de ajudar de novo os amonitas.

 

2 Sm 11

Na primavera seguinte, época do ano em que os reis costumam sair para a guerra, Davi mandou que Joabe, os seus oficiais e o exército israelita fossem atacar os inimigos. Eles venceram os amonitas e cercaram a cidade de Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém.

Uma tarde Davi se levantou, depois de ter dormido um pouco, e foi passear no terraço do palácio. Dali viu uma mulher muito bonita tomando banho.

Aí ele mandou que descobrissem quem era aquela mulher e soube que era Bate-Seba, filha de Eliã e esposa de Urias, o heteu.

Então Davi mandou que alguns mensageiros fossem buscá-la. Eles a trouxeram, e Davi teve relações com ela. Bate-Seba tinha justamente terminado o seu ritual mensal de purificação. Ela voltou para casa

e depois descobriu que estava grávida e mandou um recado a Davi contando isso.

Davi mandou então esta mensagem a Joabe: — Mande que Urias, o heteu, venha falar comigo. E Joabe obedeceu.

Quando Urias chegou, Davi perguntou a ele se Joabe e as tropas estavam bem e como estava indo a guerra.

Depois disse a Urias: — Vá para casa e descanse um pouco. Urias saiu, e Davi mandou levar um presente à casa dele.

Mas Urias não foi para casa; em vez disso, dormiu no portão do palácio junto com os guardas do rei.

Quando Davi soube que Urias não tinha ido para casa, perguntou-lhe: — Você acaba de voltar depois de ter ficado fora muito tempo. Por que não foi para casa?

Urias respondeu: — Os homens de Israel e de Judá estão longe, na frente de batalha, e a arca da aliança está com eles. O meu comandante Joabe e os seus oficiais estão acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa, comer e beber e dormir com a minha mulher? Juro por tudo o que é sagrado, que nunca poderia fazer isso!

Então Davi disse: — Fique aqui o resto do dia. Amanhã eu o mandarei de volta. E Urias ficou em Jerusalém naquele dia e no dia seguinte.

Davi convidou-o para jantar e fez com que ele ficasse bêbado. Mesmo assim, Urias não foi para casa naquela noite. Em vez disso, dormiu no seu cobertor, no quarto da guarda do palácio.

Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joabe e a mandou por Urias.

Davi escreveu o seguinte: “Ponha Urias na linha de frente, onde a luta é mais pesada. Depois se retire e deixe que ele seja morto.”

Por isso, enquanto estava cercando a cidade, Joabe mandou Urias para um lugar onde sabia que o inimigo estava mais forte.

As tropas inimigas saíram da cidade, lutaram contra as forças de Joabe e mataram alguns oficiais de Davi. E Urias também foi morto.

Então Joabe mandou a Davi notícias da batalha.

Ele disse ao mensageiro o seguinte: — Se, depois que você contar ao rei tudo sobre a batalha,

ele ficar zangado e perguntar: “Por que vocês chegaram tão perto da cidade para lutar com eles? Não viram que eles poderiam atirar flechas do alto da muralha?

Vocês não lembram como Abimeleque, filho de Jerubesete, foi morto? Foi na cidade de Tebes, onde uma mulher atirou de cima da muralha uma pedra de moinho e o matou. Então por que vocês chegaram tão perto da muralha?” Se o rei perguntar isso, responda: “Urias, seu oficial, também foi morto.”

Então o mensageiro foi e disse a Davi o que Joabe tinha mandado.

O mensageiro disse assim: — Os inimigos eram mais fortes do que nós e saíram para fora da cidade para lutar em campo aberto. Mas nós os forçamos a voltar para o portão da cidade.

Então eles atiraram flechas do alto da muralha contra nós, e alguns dos seus oficiais foram mortos. E o seu oficial Urias também morreu.

Davi respondeu ao mensageiro: — Anime Joabe e diga-lhe que não fique preocupado, pois numa batalha nunca se sabe quem vai morrer. Diga-lhe que ataque com mais força, até conquistar a cidade.

Bate-Seba soube que o marido tinha morrido e chorou por ele.

Depois que passou o tempo de luto, Davi mandou trazê-la para o palácio. Ela se tornou sua esposa e lhe deu um filho. Mas o SENHOR não gostou do que Davi tinha feito.

 

2 Sm 12

O SENHOR Deus mandou que o profeta Natã fosse falar com Davi. Natã foi e disse: — Havia dois homens que viviam na mesma cidade: um era rico, e o outro era pobre.

O rico possuía muito gado e ovelhas,

enquanto que o pobre tinha somente uma ovelha, que havia comprado. Ele cuidou dela, e ela cresceu na sua casa, junto com os filhos dele. Ele a alimentava com a sua própria comida, deixava que ela bebesse no seu próprio copo, e ela dormia no seu colo. A ovelha era como uma filha para ele.

Certo dia um visitante chegou à casa do homem rico. Este não quis matar um dos seus próprios animais para preparar uma refeição para o visitante; em vez disso, pegou a ovelha do homem pobre, matou-a e preparou com ela uma refeição para o seu hóspede.

Então Davi ficou furioso com aquele homem e disse: — Eu juro pelo SENHOR, o Deus vivo, que o homem que fez isso deve ser morto!

Ele deverá pagar quatro vezes o que tirou, por ter feito uma coisa tão cruel!

Então Natã disse a Davi: — Esse homem é você. E é isto o que diz o SENHOR, o Deus de Israel: “Eu tornei você rei de Israel e o salvei de Saul.

Eu lhe dei o reino e as mulheres dele; tornei você rei de Israel e de Judá. E, se isso não bastasse, eu lhe teria dado duas vezes mais.

Por que é que você desobedeceu aos meus mandamentos e fez essa coisa tão horrível? Você fez com que Urias fosse morto na batalha; deixou que os amonitas o matassem e então ficou com a esposa dele!

Portanto, porque você me desobedeceu e tomou a mulher de Urias, sempre alguns dos seus descendentes morrerão de morte violenta.

E também afirmo que farei uma pessoa da sua própria família causar a sua desgraça. Você verá isso quando eu tirar as suas esposas e as der a outro homem; e ele terá relações com elas em plena luz do dia.

Você pecou escondido, em segredo, mas eu farei com que isso aconteça em plena luz do dia, para todo o povo de Israel ver.”

Então Davi disse: — Eu pequei contra Deus, o SENHOR. Natã respondeu: — O SENHOR perdoou o seu pecado; você não morrerá.

Mas, porque, fazendo isso, você mostrou tanto desprezo pelo SENHOR, o seu filho morrerá.

Aí Natã foi para casa.

Davi orou a Deus para que a criança sarasse e não quis comer nada. Entrou no seu quarto e passou a noite inteira deitado no chão.

Então os funcionários do palácio tentaram fazer Davi se levantar, mas ele não quis e não comeu nada com eles.

Uma semana depois, a criança morreu, e os funcionários ficaram com medo de dar a notícia a Davi. Eles disseram: — Enquanto a criança estava viva, Davi não respondia quando falávamos com ele. Como vamos dizer a ele que a criança morreu? Ele poderá fazer alguma loucura!

Quando Davi viu os oficiais cochichando uns com os outros, compreendeu que a criança havia morrido. Então perguntou: — A criança morreu? — Morreu! — responderam eles.

Então Davi se levantou do chão, tomou um banho, penteou os cabelos e trocou de roupa. Depois foi à casa de Deus, o SENHOR, e o adorou. Quando voltou ao palácio, pediu comida e comeu logo o que lhe foi servido.

Aí os seus oficiais disseram: — Nós não entendemos isto. Enquanto o menino estava vivo, o senhor chorou por ele e não comeu; mas, logo que ele morreu, o senhor se levantou e comeu!

— Sim! — respondeu Davi. — Enquanto o menino estava vivo, eu jejuei e chorei porque o SENHOR poderia ter pena de mim e não deixar que ele morresse.

Mas agora que está morto, por que jejuar? Será que eu poderia fazê-lo viver novamente? Um dia eu irei para o lugar onde ele está, porém ele nunca voltará para mim.

Então Davi consolou a sua esposa Bate-Seba. Teve relações com ela, e ela deu à luz um filho, a quem Davi deu o nome de Salomão. Deus amou o menino

e mandou que o profeta Natã lhe desse o nome de Jedidias porque o SENHOR Deus o amava.

Enquanto isso, Joabe continuou a atacar Rabá, a capital do país de Amom. Quando estava para conquistar a cidade,

enviou mensageiros com o seguinte recado para Davi: — Eu ataquei Rabá e conquistei os seus reservatórios de água.

Reúna agora o resto dos seus soldados, e o senhor ataque a cidade, e tome-a. Eu não quero ficar com a glória dessa vitória.

Então Davi reuniu os seus soldados, foi até Rabá, atacou a cidade e a conquistou.

Moloque, o ídolo que os amonitas adoravam, tinha uma coroa que pesava mais ou menos trinta e quatro quilos. A coroa era de ouro, e nela havia uma pedra preciosa, que Davi tirou e colocou na sua própria coroa. Levou também de Rabá muitas coisas de valor.

Davi fez o povo da cidade trabalhar com serras, enxadas e machados e fabricar tijolos. E fez o mesmo em todas as outras cidades de Amom. Então Davi e os seus soldados voltaram para Jerusalém.

 

2 Sm 13

Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito bonita, que se chamava Tamar. Outro filho de Davi, chamado Amnom, apaixonou-se por ela.

Ele estava tão apaixonado, que até ficou doente. Amnom pensava que era impossível possuir a sua meia-irmã; ela era virgem e por isso não tinha o direito de se encontrar com nenhum homem.

Mas Amnom tinha um amigo muito esperto, chamado Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi.

Jonadabe disse a Amnom: — Você é filho do rei e, no entanto, cada dia está mais triste. Diga-me por quê. — É que estou apaixonado por Tamar, a irmã de Absalão, o meu irmão por parte de pai! — respondeu Amnom.

Então Jonadabe disse: — Finja que está doente e vá se deitar. Quando o seu pai vier, diga a ele: “Por favor, deixe que a minha irmã Tamar venha me dar de comer. Que ela prepare a comida aqui onde eu possa vê-la e que ela mesma me sirva a comida.”

E Amnom se deitou e fingiu que estava doente. O rei Davi foi visitá-lo, e Amnom disse: — Por favor, deixe que Tamar venha e prepare alguns bolos aqui onde eu possa vê-la, e que ela mesma os sirva para mim.

Então Davi mandou dizer a Tamar, no palácio: — Vá à casa de Amnom e prepare alguma comida para ele.

Ela foi e o encontrou de cama. Aí pegou um pouco de massa, preparou-a e fez alguns bolos ali onde ele podia vê-la. Então assou os bolos

e os tirou da forma para Amnom comer. Mas ele não quis e disse: — Mande todo mundo sair. Todos saíram.

E Amnom disse a Tamar: — Traga os bolos aqui para a minha cama e sirva-os para mim. Então ela levou os bolos para ele.

Quando os ofereceu a Amnom, ele a agarrou e disse: — Deite-se comigo, minha irmã!

Porém ela respondeu: — Não, meu irmão! Não me obrigue a fazer isso! Não se faz uma coisa dessas em Israel. Não faça essa loucura!

Como eu poderia aparecer depois disso diante dos outros? E você ficaria completamente desmoralizado em Israel. Por favor, fale com o rei, e eu estou certa de que ele me dará a você.

Mas Amnom não quis ouvir o que Tamar dizia. E, como era mais forte, ele a forçou e teve relações com ela.

Depois teve nojo dela e a odiou ainda mais do que a tinha amado antes. Então disse: — Saia daqui!

Tamar respondeu: — Não, meu irmão! Você me mandar embora assim é um crime ainda maior do que o que você acaba de cometer! Mas Amnom não quis escutar o que ela dizia.

Chamou o seu empregado particular e disse: — Tire essa mulher da minha frente! Ponha-a para fora e feche a porta!

Então o empregado pôs Tamar para fora e fechou a porta. Ela estava usando um vestido longo, de mangas compridas— a roupa que as princesas solteiras usavam naquele tempo.

Aí ela pôs cinza na cabeça, rasgou o vestido e saiu gritando, cobrindo o rosto com as mãos.

O seu irmão Absalão perguntou: — Amnom fez mal a você? Não conte isso a ninguém, minha irmã. Afinal de contas, ele é seu meio-irmão. Não leve isso muito a sério. Assim Tamar ficou vivendo triste e sozinha na casa de Absalão.

Quando o rei Davi soube do que tinha acontecido, ficou furioso.

Absalão não disse nem uma palavra a Amnom, mas ficou com ódio dele porque havia forçado a sua irmã Tamar.

Dois anos depois, Absalão estava cortando a lã das suas ovelhas em Baal-Hazor, perto da cidade de Efraim, e convidou todos os filhos do rei para irem até lá.

Ele foi falar com o rei Davi e disse: — Meu rei, eu estou cortando a lã das minhas ovelhas. Gostaria que o senhor e os seus funcionários também fossem até lá.

Davi respondeu: — Não, meu filho. Se todos nós fôssemos, daríamos muito trabalho a você. Absalão insistiu, mas o rei não quis ir e lhe disse que podia ir embora.

Mas Absalão disse: — Está bem. Então deixe que pelo menos o meu irmão Amnom vá. — Por que motivo ele iria com você? — perguntou o rei.

Mas Absalão continuou a insistir, até que por fim Davi deixou que Amnom e todos os seus outros filhos fossem. Absalão preparou um banquete de rei

e deu as seguintes instruções aos seus empregados: — Prestem atenção em Amnom. Quando ele estiver bêbado, eu darei uma ordem, e vocês o matarão. Não tenham medo, pois a responsabilidade será minha. Sejam corajosos e decididos!

Os empregados mataram Amnom, como Absalão havia mandado. Então todos os outros filhos de Davi montaram suas mulas e fugiram.

Enquanto eles estavam voltando para casa, Davi recebeu esta notícia: “Absalão matou todos os seus filhos; não escapou nenhum!”

Então o rei se levantou, rasgou as suas roupas em sinal de tristeza e se jogou no chão. E todos os servidores dele que estavam ali também rasgaram as suas roupas.

Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, disse: — Senhor, eles não mataram todos os seus filhos. Somente Amnom morreu. Pelo jeito de Absalão, a gente podia ver que ele havia resolvido fazer isso desde o dia em que Amnom forçou a sua irmã Tamar.

Por isso, eu não acredito na notícia de que todos os seus filhos morreram; somente Amnom foi morto.

Enquanto isso, Absalão fugiu. Naquele momento o soldado que estava de guarda viu muita gente descendo o monte, na estrada de Horonaim. Ele foi até o lugar onde o rei estava e disse: — Alguns homens estão descendo o monte, na estrada de Horonaim.

Então Jonadabe disse a Davi: — São os seus filhos que estão voltando, justamente como eu disse.

Logo que ele acabou de dizer isso, os filhos de Davi entraram. Eles começaram a chorar alto, e Davi e os seus oficiais também choraram muito.

Absalão fugiu e foi ficar com o rei da cidade de Gesur, chamado Talmai, filho de Amiúde. E por muito tempo Davi chorou a morte do seu filho Amnom.

Absalão ficou três anos em Gesur.

Então o rei Davi começou a sentir muita saudade dele, pois agora já estava conformado com a morte de Amnom.

 

2 Sm 14

Joabe, cuja mãe era Zeruia, soube que o rei Davi estava sentindo muita saudade de Absalão.

Então mandou buscar uma mulher esperta que morava na cidade de Tecoa e disse: — Finja que está de luto. Vista as suas roupas de luto e não penteie os cabelos. Faça de conta que você já está de luto há bastante tempo.

Então vá falar com o rei e diga a ele o que eu vou dizer a você. Aí Joabe disse o que ela devia falar.

A mulher foi até o lugar onde o rei estava, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão em sinal de respeito e disse: — Por favor, me ajude, ó rei!

— O que é que você quer? — perguntou ele. Ela respondeu: — O meu marido morreu; eu sou uma pobre viúva.

Senhor, eu tinha dois filhos. Um dia eles brigaram no campo. Não havia ninguém para apartar a briga, e um deles matou o outro.

E agora todos os meus parentes ficaram contra mim. Estão exigindo que eu entregue a eles o meu filho porque querem matá-lo, pois ele matou o seu irmão. Se fizerem isso, eu ficarei sem nenhum filho. Eles vão destruir a minha última esperança e vão deixar o meu marido sem nenhum filho para manter vivo o seu nome.

Davi respondeu: — Volte para casa, que eu cuidarei deste assunto.

— Senhor, — disse ela— eu e a minha família aceitaremos a culpa por qualquer coisa que o senhor fizer. O senhor e a sua família ficarão inocentes.

Então o rei disse: — Se alguém ameaçar você, traga-o aqui, e ele nunca mais a incomodará.

— Senhor, — disse ela— por favor, ore ao SENHOR, seu Deus, para que os meus parentes que planejam vingar a morte do meu filho não cometam um crime maior ainda, matando o meu outro filho. Davi disse: — Eu juro pelo SENHOR, o Deus vivo, que ninguém tocará no seu filho.

— Senhor, — disse a mulher— deixe-me dizer somente mais uma coisa. — Está bem! — respondeu ele.

— Por que o senhor fez uma coisa tão errada com o povo de Deus? — perguntou ela. — Ó rei, o senhor não deixou que o seu filho voltasse do estrangeiro; assim, com o que acabou de dizer, condenou a si mesmo.

Todos nós morreremos; somos como a água derramada no chão, que não pode ser juntada de novo. Mesmo Deus não traz os mortos de volta à vida, mas o rei pode dar um jeito de trazer um homem de volta do estrangeiro.

Ó rei, eu vim falar com o senhor agora porque o povo me ameaçou. Aí eu pensei: “Vou falar com o rei, pois tenho a esperança de que ele atenda o meu pedido.”

Pensei que o senhor me atenderia e me salvaria daquele que está tentando matar o meu filho e a mim e que quer nos tirar da terra que Deus deu ao seu povo.

Eu, a sua criada, também pensei que a sua promessa me salvaria, pois o rei é como o anjo de Deus e sabe tudo. Que o SENHOR, nosso Deus, esteja com o senhor!

— Eu vou lhe fazer uma pergunta— respondeu o rei, — e você vai me dizer toda a verdade. — Pergunte o que quiser, senhor! — respondeu ela.

— Foi Joabe que pôs você nisto, não foi? — perguntou o rei. Ela respondeu: — Digo, por tudo o que é sagrado, que não há jeito de escapar da sua pergunta. Sim, foi o seu oficial Joabe quem me disse o que fazer e o que falar.

Ele fez isso para resolver este caso. O senhor é sábio como o anjo de Deus e sabe tudo o que acontece.

Mais tarde o rei disse a Joabe: — Eu resolvi fazer o que você quer. Vá e traga de volta o jovem Absalão.

Então Joabe se jogou no chão em frente de Davi em sinal de respeito e disse: — Deus o abençoe, ó rei! Agora eu sei que o senhor está satisfeito comigo, pois atendeu o pedido que eu, o seu criado, fiz.

Então Joabe levantou-se, foi à cidade de Gesur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém.

No entanto, o rei deu ordem para Absalão não morar no palácio. — Eu não quero vê-lo! — disse ele. Aí Absalão foi morar na sua própria casa e não apareceu mais diante do rei.

Em Israel não havia ninguém tão famoso por sua beleza como Absalão. Ele era perfeito da cabeça aos pés.

Tinha muito cabelo, que ele cortava uma vez por ano, quando ficava muito comprido e pesado. A sua cabeleira pesava mais de dois quilos, de acordo com a medida real de pesos.

Ele tinha três filhos e uma filha chamada Tamar, que era muito bonita.

Absalão morou dois anos em Jerusalém sem ver o rei.

Então mandou buscar Joabe para lhe pedir que fosse falar com o rei em favor dele. Mas Joabe não quis ir. Aí ele mandou buscá-lo de novo, mas Joabe recusou novamente.

Então Absalão disse aos empregados: — Olhem! O campo de Joabe é pegado ao meu, e nele há uma plantação de cevada. Vão lá e ponham fogo no campo dele. Então eles foram e puseram fogo no campo de Joabe.

Aí Joabe foi à casa de Absalão e perguntou: — Por que os seus empregados puseram fogo no meu campo?

Absalão respondeu: — Eu mandei chamar você. Quero que você vá dizer ao rei Davi o seguinte: “Afinal de contas, por que foi que eu voltei de Gesur? Seria melhor ter ficado lá.” E Absalão continuou: — Eu quero falar com o rei. Se sou culpado, que ele mande me matar.

Então Joabe foi conversar com o rei. Aí o rei mandou buscar Absalão, e este veio, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão diante dele. E o rei o beijou.

 

2 Sm 15

Depois disso Absalão mandou preparar para si um carro com cavalos e cinqüenta homens para correrem na sua frente.

Ele se levantava cedo e ficava no portão da cidade, onde a estrada terminava. Quando uma pessoa chegava ali com algum caso para o rei Davi resolver, Absalão a chamava e perguntava de onde era. E, quando a pessoa respondia: “Senhor, eu sou de tal tribo de Israel”,

Absalão dizia: “Olhe! A lei está do seu lado, mas não há um representante do rei para ouvir o seu caso.”

Absalão também dizia: “Ah! Se eu fosse o juiz aqui! Então qualquer pessoa que tivesse uma questão ou um pedido poderia me procurar, e eu faria justiça.”

E, quando alguém chegava perto de Absalão para se curvar diante dele, ele o segurava, abraçava e beijava.

Absalão fazia isso com todos os israelitas que iam pedir ao rei Davi que fizesse justiça, e assim ele conquistava o coração do povo de Israel.

Quatro anos depois, Absalão disse ao rei Davi: — Deixe-me ir à cidade de Hebrom para pagar uma promessa que fiz a Deus, o SENHOR.

Enquanto estava morando em Gesur, na Síria, eu prometi que, se o SENHOR me trouxesse de volta a Jerusalém, eu o adoraria em Hebrom.

— Vá em paz! — disse o rei. Aí Absalão foi a Hebrom.

Mas enviou mensageiros a todas as tribos de Israel, para dizerem o seguinte: — Quando vocês ouvirem o toque de cornetas, digam: “Absalão se tornou rei em Hebrom!”

Duzentos homens saíram de Jerusalém com Absalão, como convidados; eles não sabiam nada daquele plano e foram com toda a boa-fé.

Enquanto estava oferecendo sacrifícios, Absalão também mandou chamar Aitofel, da cidade de Gilo. Aitofel era um dos conselheiros de Davi. Assim a revolta contra o rei ficou mais forte, e os seguidores de Absalão aumentaram.

Então veio um mensageiro e contou a Davi que os israelitas haviam passado para o lado de Absalão.

Aí Davi disse a todos os seus oficiais que estavam com ele em Jerusalém: — Se queremos escapar de Absalão, temos de fugir logo. Vamos depressa; se não, ele vai nos alcançar aqui, vai nos vencer e matar todos os que estiverem na cidade!

— Sim. Nós, os seus servidores, estamos prontos para fazer tudo o que o senhor disser! — responderam eles.

Aí o rei saiu acompanhado por toda a sua família e pelos seus funcionários. Deixou somente dez concubinas para cuidarem do palácio.

Quando o rei e todo o seu povo estavam saindo da cidade, pararam na última casa.

Todos os funcionários ficaram de pé diante do rei enquanto os queretitas e os peletitas desfilaram em frente dele. Os seiscentos soldados que o haviam seguido desde a cidade de Gate também passaram diante dele.

Então Davi disse a Itai, o líder deles: — Por que é que você está indo com a gente? Volte e fique com o novo rei. Você é um estrangeiro, um refugiado que está longe da sua pátria.

Você só viveu aqui pouco tempo. Então por que eu faria você seguir comigo? Eu não sei para onde vou. Volte e leve os seus companheiros. E que o amor e a fidelidade do SENHOR estejam com você!

Porém Itai respondeu: — Ó rei, eu juro, em nome do SENHOR, o Deus vivo, que irei sempre com o senhor aonde quer que for, ainda que eu morra por causa disso.

— Muito bem! — respondeu Davi. — Então passe adiante! Itai foi em frente com todos os seus homens e os seus dependentes.

Enquanto os seguidores de Davi saíam, o povo chorava alto. O rei atravessou o riacho de Cedrom, e todos os seus homens também, e foram na direção do deserto.

Zadoque, o sacerdote, estava com eles, e também os levitas, carregando a arca sagrada da aliança. Os levitas colocaram a arca no chão até que todo o povo acabou de sair da cidade. Abiatar também estava ali.

Então o rei disse a Zadoque: — Leve a arca da aliança de volta para a cidade. Se o SENHOR está satisfeito comigo, um dia ele me deixará voltar para ver a arca e a casa onde ela fica.

Mas, se ele não está satisfeito, que faça comigo o que quiser!

E Davi continuou a falar com Zadoque: — Olhe! Leve seu filho Aimaás e também Jônatas, filho de Abiatar, e volte em paz para a cidade.

Enquanto isso, eu vou ficar esperando nos caminhos do deserto, até receber notícias de vocês.

Então Zadoque e Abiatar levaram a arca de volta para Jerusalém e ficaram lá.

Davi subiu o monte das Oliveiras chorando; ele estava descalço e havia coberto a cabeça em sinal de tristeza. Todos os que o seguiam cobriram a cabeça e também choravam.

Quando contaram a Davi que Aitofel havia passado para o lado de Absalão, ele disse: — Ó SENHOR Deus, faze com que os conselhos de Aitofel atrapalhem os planos de Absalão!

Quando Davi chegou ao alto do monte, onde havia um lugar de adoração, o seu fiel amigo Husai, da família dos arquitas, foi encontrar-se com ele ali. Husai estava com as roupas rasgadas e tinha posto terra na cabeça em sinal de tristeza.

Davi lhe disse: — Não venha comigo, pois isso não me ajudará.

Mas você poderá me ajudar, fazendo com que os conselhos de Aitofel fiquem sem efeito. Quando voltar à cidade, diga a Absalão: “Ó rei, eu agora vou servir o senhor como servia o seu pai.”

Os sacerdotes Zadoque e Abiatar vão estar lá, e você contará a eles tudo o que ouvir no palácio do rei.

Os filhos deles, Aimaás e Jônatas, vão estar lá também, e você poderá me mandar por eles todas as informações que conseguir.

Então Husai, o amigo de Davi, foi e chegou à cidade justamente quando Absalão estava chegando lá.

 

2 Sm 16

Davi passou para o outro lado do monte das Oliveiras e ali se encontrou, de repente, com Ziba, o empregado de Mefibosete. Ele trazia dois jumentos carregados com duzentos pães, cem cachos de passas, cem cachos de frutas frescas e um odre cheio de vinho.

Então o rei Davi lhe perguntou: — O que você vai fazer com tudo isso? Ziba respondeu: — Os jumentos são para a família do rei montar; o pão e as frutas, para os homens comerem; e o vinho é para eles beberem quando ficarem cansados no deserto.

— Onde está Mefibosete, o neto do seu patrão Saul? — perguntou o rei. Ziba respondeu: — Ele ficou em Jerusalém porque está convencido de que agora os israelitas vão devolver a ele o reino do seu avô Saul.

O rei disse a Ziba: — Tudo o que era de Mefibosete é seu. Ziba respondeu: — Eu me curvo diante do meu rei e senhor e que eu sempre possa agradá-lo!

Quando o rei Davi chegou à cidade de Baurim, Simei, filho de Gera, um dos parentes de Saul, foi encontrar-se com ele e começou a amaldiçoá-lo.

Simei começou também a jogar pedras em Davi e nos seus oficiais, apesar de o rei estar rodeado pelos seus homens e pelos guardas pessoais.

Ele amaldiçoou Davi e disse: — Fora daqui, assassino! Criminoso!

Você tomou o reino de Saul. O SENHOR Deus o está castigando por você ter matado tantas pessoas da família de Saul. Agora Deus entregou o reino ao seu filho Absalão, e você está arruinado, seu assassino!

Então Abisai, cuja mãe era Zeruia, disse ao rei: — Por que o senhor permite que este cachorro o amaldiçoe? Deixe que eu vá lá cortar a cabeça dele!

— Vocês não têm nada com isso! — respondeu o rei a Abisai e ao seu irmão Joabe. — Se foi o SENHOR Deus quem mandou que este homem me amaldiçoasse, quem tem o direito de perguntar por que é que ele está fazendo isso?

E Davi disse a Abisai e a todos os seus oficiais: — Se o meu próprio filho está tentando me matar, por que eu ficaria admirado se este membro da tribo de Benjamim quisesse fazer o mesmo? Deixem esse homem em paz. Deixem que ele amaldiçoe porque foi o SENHOR quem o mandou fazer isso.

Pode ser que o SENHOR olhe para a minha aflição e me dê algumas bênçãos em lugar destas maldições.

Então Davi e os seus homens continuaram o seu caminho. Simei também ia ao lado, caminhando pelo monte, amaldiçoando e jogando pedras e terra em Davi.

O rei e todos os seus homens chegaram muito cansados ao rio Jordão e descansaram ali.

Absalão e todos os israelitas entraram em Jerusalém, e Aitofel estava com eles.

Quando Husai, o amigo fiel de Davi, encontrou Absalão, gritou: — Viva o rei! Viva o rei!

E Absalão perguntou: — Onde está a sua fidelidade ao seu amigo? Por que você não foi com ele?

Husai respondeu: — Como é que eu poderia fazer isso? Eu sou a favor daquele que foi escolhido por Deus, o SENHOR, por este povo e por todos os israelitas. Eu ficarei com o senhor.

Afinal de contas, a quem eu deveria servir, a não ser o filho do meu chefe? Assim como servi o seu pai, eu agora o servirei.

Aí Absalão disse a Aitofel: — Eu quero o seu conselho. O que devemos fazer?

Aitofel respondeu: — Tenha relações com as concubinas do seu pai, aquelas que ele deixou cuidando do palácio. Assim todos em Israel ficarão sabendo que você se tornou inimigo do seu pai, e os seus seguidores ficarão bem animados.

Então armaram uma barraca para Absalão no terraço do palácio, e ali, na frente de todos, ele teve relações com as concubinas do seu pai.

Naquela época os conselhos que Aitofel dava eram seguidos como se fossem a própria palavra de Deus; tanto Davi como Absalão os seguiam.

 

2 Sm 17

Depois Aitofel disse a Absalão: — Deixe-me escolher doze mil homens, e eu sairei esta noite para perseguir Davi.

Eu o atacarei enquanto ele está cansado e desanimado. Ele ficará com medo, e todos os seus homens fugirão. Então matarei somente o rei

e trarei de volta todos os homens dele para o senhor, como uma esposa que volta para o seu marido. Já que o senhor quer matar somente um homem, o resto do povo será deixado em paz.

Absalão achou que esse conselho era bom, e todos os líderes israelitas também acharam.

Aí Absalão disse: — Chamem agora Husai, e vamos ouvir o que ele tem a dizer.

Quando Husai chegou, Absalão disse: — O conselho que Aitofel nos deu é este; devemos segui-lo? Se não, diga você o que devemos fazer.

Husai respondeu: — Desta vez o conselho de Aitofel não é bom.

O senhor sabe que o seu pai Davi e os seus homens são lutadores valentes e que eles estão furiosos como uma ursa na floresta, de quem roubaram os filhotes. O seu pai é um soldado experiente e durante a noite ele não fica com os seus soldados.

Agora mesmo ele deve estar escondido numa caverna ou em algum outro lugar. Logo que Davi atacar os seus soldados, todos os que ouvirem falar a respeito disso dirão que os soldados de Absalão foram derrotados.

Então até os soldados mais corajosos, mesmo aqueles que são ferozes como leões, ficarão com medo. Pois todos em Israel sabem que o seu pai é um grande soldado e que os homens que estão com ele são lutadores valentes.

O meu conselho é que o senhor reúna, de uma ponta a outra do país, todos os israelitas, tantos quantos são os grãos de areia da praia do mar, e que o senhor mesmo os guie na batalha.

Onde quer que Davi estiver, nós o encontraremos antes mesmo que ele saiba o que está acontecendo. Assim nem ele nem nenhum dos seus homens escaparão.

Se ele fugir para dentro de alguma cidade construída num morro, todo o nosso povo trará cordas, arrasará a cidade e não deixará nem uma pedra lá em cima.

Aí Absalão e todos os israelitas disseram: — O conselho de Husai é melhor do que o de Aitofel. O SENHOR Deus havia resolvido que os bons conselhos de Aitofel não seriam seguidos, para que assim o castigo do SENHOR caísse sobre Absalão.

Então Husai contou aos sacerdotes Zadoque e Abiatar o conselho que tinha dado a Absalão e aos líderes israelitas e também o conselho que Aitofel tinha dado.

E disse: — Agora mandem depressa uma mensagem a Davi dizendo a ele que não passe a noite nos caminhos do deserto. Que Davi atravesse o rio Jordão imediatamente para que ele e os seus homens não sejam todos destruídos!

Jônatas e Aimaás estavam esperando perto da fonte de Rogel porque não queriam se arriscar a serem vistos entrando na cidade. Uma empregada ia lá de vez em quando e informava sobre o que estava acontecendo; então eles iam contar ao rei Davi.

Mas dessa vez um rapaz os viu e contou a Absalão. Então Jônatas e Aimaás foram depressa para a casa de um certo homem, na cidade de Baurim. Havia um poço perto da casa, e eles entraram dentro dele.

A esposa do homem pegou uma coberta, estendeu sobre a boca do poço e em cima dela espalhou cereais socados para que ninguém pudesse perceber nada.

Os oficiais de Absalão chegaram lá e perguntaram à mulher: — Onde estão Aimaás e Jônatas? — Eles atravessaram o rio! — respondeu ela. Aí os homens os procuraram, mas não conseguiram achar; então voltaram para Jerusalém.

Depois que eles foram embora, Aimaás e Jônatas saíram do poço e foram avisar o rei Davi. Contaram o que Aitofel tinha planejado contra ele e disseram: — Atravesse o rio depressa!

Então Davi e os seus homens começaram a atravessar o rio Jordão e, ao nascer do dia, todos eles já haviam atravessado.

Quando Aitofel viu que o seu conselho não tinha sido seguido, arreou o seu jumento e voltou para a sua cidade. E, depois de pôr os seus negócios em ordem, enforcou-se. E foi enterrado na sepultura do seu pai.

Quando Absalão e os seus soldados atravessaram o rio Jordão, Davi já havia chegado à cidade de Maanaim.

Absalão tinha colocado Amasa no comando do seu exército, no lugar de Joabe. Amasa era filho de um homem chamado Itra, o ismaelita; a mãe dele era Abigail, filha de Naás e irmã de Zeruia, a mãe de Joabe.

Absalão e os israelitas acamparam na terra de Gileade.

Quando Davi chegou a Maanaim, encontrou-se com Sobi, filho de Naás, da cidade de Rabá, em Amom; com Maquir, filho de Amiel, da cidade de Lo-Debar; e com Barzilai, que era da cidade de Rogelim, em Gileade.

(28-29) Eles levaram bacias, vasilhas de barro, camas e também alimentos para Davi e os seus homens. Levaram também trigo, cevada, farinha, feijão, grãos torrados, ervilhas, mel, queijo, coalhada e algumas ovelhas. Eles sabiam que, no deserto Davi, e os seus homens ficariam com fome, com sede e cansados.

 

2 Sm 18

O rei Davi juntou todos os seus soldados, dividiu-os em grupos de mil e em grupos de cem e colocou oficiais para comandá-los.

Então mandou que saíssem em três grupos, um comandado por Joabe, outro por Abisai, irmão de Joabe (a mãe deles era Zeruia), e outro por Itai, da cidade de Gate. E o rei disse aos seus homens: — Eu também irei com vocês.

Eles responderam: — O senhor não deve ir. Se formos obrigados a fugir ou se os inimigos matarem a metade do nosso exército, isso não fará nenhuma diferença para eles. Mas o senhor vale por dez mil de nós. Será melhor que o senhor fique aqui na cidade e nos mande socorro.

— Eu farei o que vocês acharem melhor! — respondeu o rei. Então ficou ao lado do portão enquanto os seus soldados saíam marchando em grupos de mil e de cem.

Ele deu a seguinte ordem a Joabe, Abisai e Itai: — Se vocês gostam de mim, tratem o jovem Absalão com delicadeza. E toda a tropa ouviu Davi dar essa ordem a todos os oficiais.

O exército de Davi avançou contra os israelitas no campo e lutou contra eles na floresta de Efraim.

E os soldados de Davi derrotaram os israelitas. Foi uma derrota terrível: vinte mil homens foram mortos naquele dia.

A luta se espalhou por toda aquela região, e morreram mais homens na floresta do que no campo de batalha.

De repente, Absalão se encontrou com alguns dos soldados de Davi. Absalão ia montado numa mula, e, ao passar por baixo de um grande carvalho, a sua cabeça ficou presa nos galhos. A mula continuou a correr, e Absalão ficou pendurado.

Um dos homens de Davi viu Absalão e disse a Joabe: — Eu vi Absalão pendurado num carvalho!

Joabe disse: — Você viu? Então por que não o matou ali mesmo? Eu teria dado a você dez barras de prata e um cinto.

Mas o homem respondeu: — Mesmo que o senhor me desse mil barras de prata, eu não levantaria um dedo contra o filho do rei. Nós todos ouvimos o rei ordenar ao senhor, a Abisai e a Itai: “Se vocês gostam de mim, tratem o jovem Absalão com delicadeza.”

Se eu tivesse desobedecido e matado Absalão, o rei saberia disso— ele sabe de tudo— ,e o senhor não me defenderia.

— Não vou perder mais tempo com você! — disse Joabe. Então Joabe pegou três lanças e as enterrou no peito de Absalão enquanto ele ainda estava vivo, pendurado no carvalho.

E dez soldados de Joabe cercaram Absalão e acabaram de matá-lo.

Aí Joabe tocou a corneta a fim de parar a luta. As suas tropas pararam de perseguir os israelitas e voltaram.

Eles pegaram o corpo de Absalão e o jogaram numa cova funda na floresta e o cobriram com uma enorme pilha de pedras. Então todos os israelitas fugiram, cada um para a sua casa.

Quando ainda vivia, Absalão construiu um monumento para si mesmo no vale dos Reis porque ele não tinha nenhum filho para manter vivo o seu nome. E deu o seu próprio nome ao monumento, que até hoje é conhecido como o Monumento de Absalão.

Então Aimaás, filho de Zadoque, disse a Joabe: — Deixe que eu vá correndo dar ao rei a notícia de que o SENHOR Deus fez justiça, livrando-o dos seus inimigos.

— Não! — respondeu Joabe. — Hoje você não vai levar nenhuma boa notícia. Outro dia você poderá fazer isso, mas hoje não, porque o filho do rei morreu.

Então disse ao seu escravo etíope: — Vá você e diga ao rei o que viu. O escravo curvou-se diante de Joabe e saiu correndo.

Aimaás insistiu: — Por favor, deixe-me levar as notícias também, não importa o que aconteça. — Por que você quer fazer isso, meu filho? — perguntou Joabe. — Você não receberá nenhuma recompensa por isso.

— Aconteça o que acontecer, eu quero ir! — repetiu Aimaás. — Então vá! — respondeu Joabe. Aí ele saiu correndo pela estrada do vale do rio Jordão e passou na frente do escravo etíope.

Davi estava sentado entre o portão que dá para fora da cidade e o que dá para dentro. O vigia subiu para o alto da muralha e ficou no terraço do portão. Ele olhou para fora e viu um homem correndo sozinho.

Então avisou o rei. E o rei disse: — Se ele está sozinho, vem trazendo boas notícias. E o corredor veio chegando.

Então o vigia viu outro homem correndo sozinho e gritou para o guarda do portão: — Veja! Vem vindo outro homem correndo! — Esse também está trazendo boas notícias! — respondeu Davi.

O vigia disse: — Pelo jeito de correr, o primeiro homem deve ser Aimaás, filho de Zadoque! — Ele é um bom rapaz— disse o rei— e deve estar trazendo boas notícias.

Aimaás gritou para o rei: — Tudo vai bem! Então ajoelhou-se diante dele e encostou o rosto no chão, dizendo: — Que o SENHOR, seu Deus, seja louvado, pois lhe deu a vitória sobre aqueles que se revoltaram contra o senhor.

— O jovem Absalão está bem? — perguntou o rei. Aimaás respondeu: — No momento em que o seu oficial Joabe me mandou vir, eu vi uma grande agitação, porém não sei dizer o que era.

— Fique de lado e espere! — disse o rei. Ele ficou de lado e esperou.

Então o mensageiro etíope chegou e disse ao rei: — Ó rei, eu tenho boas notícias para o senhor! Hoje o SENHOR Deus lhe deu a vitória sobre todos os que se revoltaram contra o senhor.

— E o jovem Absalão está bem? — perguntou o rei. O mensageiro respondeu: — Eu gostaria que o que aconteceu com ele acontecesse com todos os inimigos do senhor e com todos os que se revoltam contra o senhor.

Então o rei ficou profundamente triste. Subiu à sala que ficava por cima do portão e começou a chorar. Ele andava para lá e para cá e gritava: — Ó meu filho! Meu filho Absalão! Absalão, meu filho! Eu preferiria ter morrido no seu lugar, meu filho!

 

2 Sm 19

Contaram a Joabe que o rei Davi estava chorando e se lamentando por causa de Absalão.

Assim, naquele dia, a alegria da vitória virou tristeza para toda a tropa de Davi porque eles souberam que o rei estava chorando a morte do seu filho.

Eles voltaram e entraram na cidade em silêncio, como fazem os soldados que fogem da batalha, envergonhados.

O rei havia coberto o rosto e gritava alto: — Ó meu filho! Meu filho Absalão! Absalão, meu filho!

Então Joabe foi à casa do rei e lhe disse: — Hoje o senhor humilhou os seus soldados, aqueles que salvaram a sua vida, a vida dos seus filhos e filhas e a vida das suas esposas e concubinas.

O senhor odeia os que o amam e ama aqueles que o odeiam. E mostrou que os seus oficiais e os seus soldados não valem nada para o senhor. Eu estou vendo agora que o senhor ficaria muito feliz se hoje Absalão estivesse vivo e todos nós estivéssemos mortos.

Vá agora e dê uma palavra de elogio aos seus soldados. Se não fizer isso, eu juro, em nome de Deus, o SENHOR, que amanhã de manhã nenhum deles estará do seu lado. E esse seria o pior desastre de toda a sua vida.

Então o rei se levantou e foi sentar-se perto do portão da cidade. Os seus soldados souberam que ele estava lá e se reuniram todos em volta dele.

E, em todo o país, eles começaram a brigar. Eles diziam: — O rei Davi nos livrou dos nossos inimigos. Ele nos livrou dos filisteus, mas agora fugiu de Absalão e saiu do país.

Nós escolhemos Absalão para ser o nosso rei, mas ele morreu na batalha. Então, por que não tentamos trazer o rei Davi de volta?

O rei Davi soube do que os israelitas estavam dizendo. Então enviou os sacerdotes Zadoque e Abiatar aos líderes de Judá para perguntarem o seguinte: — Por que vocês seriam os últimos a ajudar a trazer o rei de volta ao seu palácio?

Vocês são meus parentes, da minha própria carne e do meu próprio sangue; por que vocês seriam os últimos a ajudar a me trazer de volta?

Davi também mandou-os dizer a Amasa: — Você é meu parente. De agora em diante, você será o comandante do exército em lugar de Joabe. Que Deus me mate se eu não fizer isso!

Com essas palavras, o rei ganhou o coração de todos os homens de Judá, e eles mandaram lhe dizer que voltasse com todos os seus oficiais.

Davi voltou e chegou até o rio Jordão. Os homens da tribo de Judá foram encontrá-lo em Gilgal, para acompanhá-lo na travessia do rio.

Ao mesmo tempo, Simei, o benjamita, filho de Gera, da cidade de Baurim, foi depressa ao rio Jordão para se encontrar com o rei Davi.

Mil homens da tribo de Benjamim estavam com Simei. Também Ziba, que trabalhava para a família de Saul, foi ao Jordão com os seus quinze filhos e vinte empregados. Eles chegaram lá antes do rei

e atravessaram o Jordão para acompanhar a gente do rei na travessia do rio e fazer tudo o que o rei quisesse. Quando o rei estava se aprontando para atravessar o rio, Simei se jogou no chão, em frente dele,

e disse: — Ó rei, eu peço que perdoe o mal que lhe fiz no dia em que o senhor saiu de Jerusalém. Esqueça o que eu fiz; nunca mais pense nisso.

Eu sei que fiz uma coisa errada e é por isso que sou a primeira pessoa das tribos do Norte a vir encontrá-lo hoje.

Então Abisai, cuja mãe era Zeruia, disse: — Simei deveria morrer por ter amaldiçoado aquele que Deus escolheu como rei.

Mas Davi disse a Abisai e ao seu irmão Joabe: — Quem pediu a sua opinião? Vocês estão querendo me criar problemas? Agora eu sou o rei de Israel, e nenhum israelita será morto hoje.

E disse a Simei: — Eu juro que você não será morto.

Mefibosete, o neto de Saul, também desceu para ir ao encontro do rei. Ele não havia lavado os pés, nem aparado a barba, nem lavado as suas roupas desde o dia em que o rei tinha saído de Jerusalém até o dia em que voltou vitorioso.

Quando Mefibosete chegou de Jerusalém para se encontrar com o rei, este lhe perguntou: — Mefibosete, por que você não foi comigo?

Ele respondeu: — Ó rei, o senhor sabe que sou aleijado. Eu mandei o meu escravo arrear o meu jumento, para que eu pudesse montar e ir com o senhor, mas o meu escravo me traiu.

Ele lhe contou mentiras a meu respeito. Mas o senhor é como um anjo de Deus e sabe a verdade; portanto, faça o que achar melhor.

Toda a família do meu pai merecia ser morta pelo senhor, mas o senhor me deu o direito de comer junto com o senhor. Eu não tenho o direito de lhe pedir mais nenhum favor.

O rei respondeu: — Não diga mais nada. Eu resolvi que a propriedade de Saul será dividida entre você e Ziba.

— Que Ziba fique com tudo! — respondeu Mefibosete. — Para mim é suficiente que o senhor tenha voltado em paz para casa.

Barzilai, da cidade de Rogelim, que ficava na região de Gileade, também tinha vindo da sua cidade para acompanhar o rei na travessia do rio Jordão.

Barzilai era bem velho: tinha oitenta anos de idade. Era muito rico e, quando o rei esteve em Maanaim, ele o havia sustentado.

— Barzilai, — disse o rei— venha para Jerusalém e fique comigo, que eu o sustentarei.

Mas ele respondeu: — Eu não vou viver muito mais; por que iria para Jerusalém com o senhor?

Já tenho oitenta anos e não tenho prazer em mais nada. Não sinto o gosto do que como ou bebo e já não posso ouvir a voz dos cantores. Eu seria somente um peso para o senhor.

Não mereço uma recompensa tão grande como essa. Eu irei com o senhor só até um pouco depois do rio Jordão.

Deixe-me voltar para casa e morrer perto do túmulo dos meus pais. Mas aqui está Quimã, o meu escravo. Leve-o com o senhor e faça por ele o que achar melhor.

O rei respondeu: — Eu o levarei comigo e farei por ele tudo o que você quiser. E farei por você qualquer coisa que me pedir.

Então Davi e toda a sua gente atravessaram o rio Jordão. Ele beijou Barzilai e lhe deu a sua bênção, e Barzilai voltou para casa.

O rei atravessou o rio acompanhado por todos os homens de Judá e pela metade dos homens de Israel. Dali foi para Gilgal, e Quimã seguiu com ele.

Então todos os israelitas foram e disseram a Davi: — Ó rei, por que é que os nossos irmãos, os homens de Judá, se acharam com o direito de trazer o senhor, a sua família e a sua gente para este lado do rio Jordão?

Os homens de Judá responderam: — Nós fizemos isso porque o rei é nosso parente. Será que isso é razão para vocês ficarem zangados? Será que o rei pagou pela nossa comida ou nos deu alguma coisa?

Os israelitas disseram: — Nós temos dez vezes mais direito sobre o rei Davi do que vocês, embora ele seja seu parente. Por que é que vocês fizeram pouco caso de nós? Afinal de contas, nós fomos os primeiros a falar de trazer o rei de volta! Mas a resposta dos homens de Judá foi ainda mais violenta do que a dos homens de Israel.

 

2 Sm 20

Aconteceu que estava ali um sujeito ordinário, chamado Seba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim. Ele tocou a corneta para reunir o povo e gritou: — Abaixo Davi! Não temos nada a ver com ele! Não adianta nada segui-lo! Homens de Israel, vamos voltar para casa!

Então todos os israelitas abandonaram Davi e foram com Seba. Mas os homens de Judá ficaram fiéis a Davi e o seguiram desde o rio Jordão até a cidade de Jerusalém.

Davi foi para o seu palácio em Jerusalém e colocou numa casa guardada por soldados as dez concubinas que havia deixado tomando conta do palácio. Ele lhes deu tudo o que precisavam, porém não teve relações com elas. E elas foram obrigadas a ficar dentro de casa o resto da vida vivendo como viúvas.

O rei disse a Amasa: — Convoque todos os homens de Judá e esteja aqui de volta com eles depois de amanhã.

Amasa saiu para convocar os homens, porém não voltou no dia que o rei havia marcado.

Então Davi disse a Abisai: — Seba vai nos dar mais trabalho do que Absalão. Pegue os meus homens e vá atrás dele; se não, ele poderá tomar algumas cidades cercadas de muralhas e escapar de nós.

Então os homens de Joabe, os queretitas e os peletitas e os soldados mais valentes seguiram Abisai. Eles saíram de Jerusalém para perseguir Seba.

Quando chegaram à pedra grande, na cidade de Gibeão, Amasa encontrou-se com eles. Joabe estava vestido com roupa de guerra e tinha uma espada na bainha, que levava pendurada no cinto. Quando ele avançou, a espada caiu.

Então Joabe disse a Amasa: — Como vai, meu amigo? E pegou na barba de Amasa com a mão direita para beijá-lo.

Amasa não reparou que Joabe tinha uma espada na outra mão. Então Joabe enfiou a espada na barriga de Amasa, e os seus intestinos saíram e se esparramaram pelo chão. Ele morreu na mesma hora: Joabe não teve de feri-lo uma segunda vez. Em seguida Joabe e o seu irmão Abisai continuaram a perseguir Seba.

Um dos soldados de Joabe ficou perto do corpo de Amasa e gritou: — Todos os que estão do lado de Joabe e são a favor de Davi, sigam Joabe!

O corpo de Amasa ficou estendido no meio da estrada, coberto de sangue. O ajudante de Joabe viu que todos estavam parando; então arrastou o corpo para fora da estrada e estendeu um cobertor sobre ele porque todos os que o viam paravam.

Depois que o corpo foi tirado da estrada, todos foram com Joabe perseguir Seba.

Seba atravessou as terras de todas as tribos de Israel e foi parar na cidade de Abel-Bete-Maacá. Todas as pessoas do grupo de famílias de Bicri se reuniram e foram com ele para dentro da cidade.

Os soldados de Joabe chegaram e cercaram a cidade. Eles construíram rampas de terra encostadas nas muralhas e também começaram a cavar debaixo da muralha para fazê-la cair.

Havia na cidade uma mulher muito esperta. Ela gritou do muro: — Escutem! Escutem! Digam a Joabe para vir aqui, que eu quero falar com ele!

Joabe foi, e ela perguntou: — Você é Joabe? — Sim, sou! — respondeu ele. — Escute, senhor! — disse ela. — Estou escutando! — respondeu ele.

Então ela disse: — Antigamente costumavam dizer: “Vão e peçam conselhos na cidade de Abel”; e era assim que resolviam os problemas.

A nossa cidade é grande e uma das mais pacíficas e leais de Israel. Por que você está tentando destruí-la? Você quer arrasar o que pertence a Deus, o SENHOR?

— Nunca! — respondeu Joabe. — Eu nunca destruirei, nem arrasarei a sua cidade!

O nosso plano não é esse. Um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, começou uma revolta contra Davi, o nosso rei. Entreguem só esse homem, e eu irei embora. — Nós jogaremos a cabeça dele por cima da muralha para você! — disse ela.

Aí ela foi dar o seu conselho ao povo da cidade. E eles cortaram a cabeça de Seba e a jogaram por cima do muro para Joabe. Ele tocou a corneta, reuniu os homens, e todos deixaram a cidade e voltaram para casa. E Joabe voltou para perto do rei Davi, em Jerusalém.

Joabe era o comandante do exército de Israel; Benaías, filho de Joiada, era o chefe dos queretitas e dos peletitas.

Adonirão era responsável pelos homens condenados a trabalhos forçados; Josafá, filho de Ailude, era o conselheiro do rei.

Seva era o escrivão. Zadoque e Abiatar eram os sacerdotes.

Ira, da cidade de Jair, também era um dos sacerdotes de Davi.

 

2 Sm 21

Durante o reinado de Davi, houve uma grande fome, que durou três anos seguidos. Por isso, Davi consultou a Deus, o SENHOR, e ele respondeu: — Saul e a sua família são culpados de assassinato: ele matou o povo de Gibeão.

O povo de Gibeão não era israelita. Eles eram um pequeno grupo de amorreus que os israelitas tinham prometido proteger; mas Saul havia tentado acabar com eles por causa do interesse dele pelo bem do povo de Israel e de Judá. Então Davi chamou o povo de Gibeão

e disse: — O que posso fazer por vocês? Eu quero pagar pelo mal que lhes foi feito, para que assim vocês abençoem o povo de Deus.

Eles responderam: — A nossa questão com Saul e a sua família não pode ser resolvida com ouro nem com prata. E também não queremos matar nenhum israelita. — Então, o que é que querem que eu faça por vocês? — perguntou Davi.

Eles responderam: — Saul quis nos destruir para que não sobrasse nenhum de nós em nenhum lugar de Israel.

Entregue-nos então sete homens descendentes dele, e nós os enforcaremos diante de Deus, o SENHOR, em Gibeá, a cidade onde nasceu Saul, o rei escolhido pelo SENHOR. — Eu entregarei! — respondeu o rei.

Mas, por causa do juramento que ele e Jônatas tinham feito um ao outro, o rei não deixou que fosse morto Mefibosete, que era filho de Jônatas e neto de Saul.

Porém pegou Armoni e Mefibosete— os dois filhos que Rispa, filha de Aías, tinha tido de Saul; pegou também os cinco filhos que Merabe, filha de Saul, tinha tido de Adriel, filho de Barzilai, da cidade de Meolá.

E Davi entregou os sete ao povo de Gibeão, e eles os enforcaram no monte, diante do SENHOR. E todos os sete morreram juntos. Isso aconteceu no fim da primavera, no começo da colheita da cevada.

Então Rispa, concubina de Saul, pegou um pano grosseiro e com ele fez um abrigo sobre uma rocha. E ficou ali desde o começo da colheita até o dia em que as chuvas do outono caíram sobre os sete corpos. E não deixou que as aves se aproximassem deles de dia nem os animais selvagens de noite.

Quando soube o que Rispa tinha feito,

Davi foi e tomou dos moradores de Jabes-Gileade os ossos de Saul e do seu filho Jônatas. Os moradores de Jabes haviam retirado os corpos da praça de Bete-Sã, onde os filisteus os tinham pendurado no dia em que mataram Saul no monte Gilboa.

Davi então colocou os ossos de Saul e de Jônatas junto com os ossos dos sete homens que haviam sido enforcados.

Sepultaram os ossos de Saul e de Jônatas no túmulo de Quis, o pai de Saul, na cidade de Zela, no território da tribo de Benjamim. Tudo o que o rei mandou foi feito. E depois disso Deus respondeu às orações do povo pelo seu país.

Houve outra guerra entre os filisteus e Israel. Davi e os seus soldados foram e lutaram contra os filisteus. Durante a batalha Davi ficou muito cansado.

Um gigante chamado Isbi-Benobe tinha uma lança de bronze que pesava mais ou menos cinco quilos e estava usando uma espada nova. Ele pensou que podia matar Davi.

Mas Abisai, cuja mãe era Zeruia, socorreu Davi, atacou o filisteu e o matou. Então os soldados de Davi fizeram a promessa de nunca mais deixar que Davi saísse com eles para a guerra. Eles disseram: — O senhor é a esperança de Israel, e nós não queremos perdê-lo.

Depois disso houve outra batalha contra os filisteus na cidade de Gobe. E Sibecai, da cidade de Husa, matou um gigante chamado Safe.

Houve mais uma batalha contra os filisteus em Gobe, e Elanã, filho de Jair, de Belém, matou Golias, da cidade de Gate. O cabo da lança de Golias era da grossura do eixo de um tear de tecelão.

E houve ainda outra batalha em Gate. Ali havia um gigante, descendente dos antigos gigantes, que tinha seis dedos em cada mão e em cada pé.

Ele desafiou os israelitas; e Jônatas, filho de Siméia, irmão de Davi, o matou.

Esses quatro eram descendentes dos gigantes da cidade de Gate e foram mortos por Davi e os seus soldados.

 

2 Sm 22

Este é o hino que Davi cantou a Deus, o SENHOR, quando ele o salvou de Saul e de todos os seus inimigos:

O SENHOR é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador.

O meu Deus é uma rocha em que me escondo. Ele me protege como um escudo; ele é o meu abrigo, e com ele estou seguro. Deus é o meu Salvador; ele me protege e me livra da violência.

Eu clamo ao SENHOR pedindo ajuda, e ele me salva dos meus inimigos. Louvem o SENHOR!

Estive cercado de perigos de morte, e ondas da destruição rolaram sobre mim.

A morte me amarrou com as suas cordas, e a sepultura armou a sua armadilha para me pegar.

No meu desespero eu clamei ao SENHOR; eu pedi que ele me ajudasse. No seu templo ele ouviu a minha voz, ele escutou o meu grito de socorro.

Então a terra tremeu e se abalou, e as bases dos montes balançaram e tremeram porque Deus estava irado.

Do seu nariz saiu fumaça, e da sua boca saíram brasas e fogo devorador.

Ele abriu o céu e desceu com uma nuvem escura debaixo dos pés.

Voou nas costas de um querubim e viajou rápido nas asas do vento.

Ele se cobriu de escuridão; nuvens grossas, cheias de água, estavam ao seu redor;

com o relâmpago, brasas se acenderam diante dele.

Então o SENHOR trovejou do céu, e o Altíssimo fez ouvir a sua voz.

Ele atirou as suas flechas e espalhou os seus inimigos; e com o clarão dos seus relâmpagos ele os fez fugir.

Quando o SENHOR repreendeu os seus inimigos e, furioso, trovejou contra eles, o fundo do mar apareceu, e os alicerces da terra ficaram descobertos.

Lá do alto o SENHOR me estendeu a mão e me segurou; ele me tirou do mar profundo.

O SENHOR me livrou dos meus poderosos inimigos, daqueles que me odiavam. E todos eles eram fortes demais para mim.

Quando eu estava em dificuldade, eles me atacaram; porém o SENHOR Deus me protegeu,

me livrou do perigo e me salvou porque me ama.

O SENHOR me recompensa porque sou honesto; ele me abençoa porque sou inocente.

Eu tenho feito a vontade do SENHOR e nunca cometi o pecado de abandonar o meu Deus.

Eu tenho cumprido todas as suas leis e não tenho desobedecido aos seus mandamentos.

O SENHOR sabe que não cometi nenhuma falta e que tenho ficado longe do mal.

Assim ele me recompensa porque sou honesto, e porque sabe que não sou culpado de nada.

Tu, ó SENHOR Deus, és fiel para os que são fiéis a ti e correto com aqueles que são corretos.

Tu és puro para os que são puros, mas és inimigo dos que são maus.

Tu salvas os humildes, mas humilhas os orgulhosos.

Tu, ó SENHOR, és a minha luz; tu, SENHOR, acabas com a minha escuridão.

Tu me dás força para atacar os meus inimigos e poder para vencer as suas defesas.

Este Deus faz tudo perfeito e cumpre o que promete. Ele é como um escudo para os que procuram a sua proteção.

O SENHOR é o único Deus; somente Deus é a nossa rocha.

Ele é o meu forte refúgio e me protege aonde quer que eu vá.

Ele não me deixa tropeçar e me põe a salvo nas montanhas.

Ele me treina para a batalha para que eu possa usar os arcos mais fortes.

Tu, ó SENHOR, me deste o escudo que salva a minha vida; o teu cuidado me tem feito prosperar.

Tu não tens deixado que os meus inimigos me peguem, e eu não caí nenhuma vez.

Persigo esses inimigos e acabo com eles; não paro até vencê-los.

Eu os esmago, e eles não podem se levantar; eles caem derrotados aos meus pés.

Tu me dás força para a batalha e fazes com que eu derrote os meus inimigos.

Tu os fazes fugir de mim, e eu destruo os que me odeiam.

Eles procuram socorro, mas não há ninguém para salvá-los; chamam o SENHOR, mas ele não responde.

Eu os esmago, e eles viram pó; eu os piso como se fossem a lama das ruas.

Tu me livras de revoluções no meio do povo e me colocas como rei das nações. Povos que eu não conhecia são agora meus escravos.

Estrangeiros se curvam diante de mim e me obedecem quando dou ordens.

Eles perdem a coragem e saem tremendo das suas fortalezas.

O SENHOR Deus vive. Louvem aquele que é a minha rocha, anunciem a grandeza do poderoso Deus que salva a minha vida.

Ele me vinga dos meus inimigos, põe os povos debaixo do meu poder

e me livra dos meus adversários. Tu, ó SENHOR, fazes com que eu vença os meus inimigos e me proteges dos homens violentos.

Por isso eu te louvo entre pagãos; a ti eu canto hinos de louvor.

Deus dá grandes vitórias ao seu rei e mostra o seu amor a quem ele escolheu— a Davi e aos seus descendentes para sempre.

 

2 Sm 23

São estas as últimas palavras de Davi, filho de Jessé. Davi foi o homem que Deus tornou importante, que o Deus de Jacó escolheu para ser rei e que compôs as belas canções de Israel. Davi disse:

O Espírito do SENHOR fala por meio de mim, e a sua mensagem está nos meus lábios.

O Deus de Israel falou, o protetor de Israel me disse: “O rei que governa com justiça, que governa respeitando a vontade de Deus

é como o nascer do sol numa madrugada sem nuvens, como o sol que faz a grama brilhar depois da chuva.”

É assim que Deus abençoará os meus descendentes, pois ele fez uma aliança eterna comigo, uma aliança bem certa e segura. Isso é tudo o que quero; será essa a minha vitória, e eu sei que Deus fará isso.

Mas os pagãos são como os espinhos jogados fora: ninguém se atreve a pegá-los com as mãos;

para isso é preciso uma ferramenta de ferro ou de madeira; eles serão totalmente queimados no fogo.

São estes os nomes dos soldados famosos de Davi: Josebe-Bassebete, de Taquemoni, que era o líder do grupo chamado “Os Três”; com a sua lança ele lutou contra oitocentos homens e matou todos numa batalha.

Eleazar, filho de Dodo e neto de Aoí, era um dos famosos “Três”. Uma vez ele e Davi desafiaram os filisteus que se haviam reunido para a batalha. Os israelitas se retiraram,

mas Eleazar ficou e lutou contra os filisteus até que teve uma cãibra tão forte na mão, que não podia largar a espada. O SENHOR Deus conseguiu uma grande vitória nesse dia. Depois que a batalha terminou, os israelitas voltaram até o lugar onde Eleazar estava para tirar a armadura dos mortos.

Em seguida vinha Sama, filho de Agé, o hararita. Os filisteus se juntaram em Leí, onde havia uma plantação de ervilhas. Os israelitas fugiram dos filisteus.

Porém Sama ficou na plantação, defendeu-a e matou os filisteus. Nesse dia o SENHOR conseguiu uma grande vitória.

Perto do começo do tempo da colheita, três do grupo chamado “Os Trinta” desceram até a caverna de Adulã, onde Davi estava, enquanto um bando de filisteus acampava no vale dos Gigantes.

Nessa época Davi se encontrava na fortaleza, e um grupo de filisteus estava na cidade de Belém.

Então Davi teve uma vontade e disse: — Como eu gostaria que alguém me trouxesse um pouco de água do poço que fica perto do portão de Belém!

Aí os três soldados famosos passaram pelo acampamento dos filisteus, tiraram água do poço e levaram para Davi. Mas ele não bebeu daquela água; em vez disso, a derramou como uma oferta a Deus, o SENHOR,

e disse: — Ó SENHOR Deus, eu nunca poderia beber desta água! Isso seria o mesmo que beber o sangue destes homens que arriscaram a sua vida para trazê-la! E assim ele não tomou daquela água. Foram essas as coisas que os famosos “Três” fizeram.

Abisai, irmão de Joabe (a mãe deles era Zeruia), era o líder dos famosos “Trinta”. Com a sua lança, ele lutou contra trezentos homens e os matou, ficando famoso entre “Os Trinta”.

Abisai era o mais famoso dos “Trinta” e se tornou o líder do grupo, mas ele não era tão famoso quanto “Os Três”.

Benaías, filho de Jeoiada, da cidade de Cabzeel, foi um soldado famoso e praticou muitos atos de coragem. Ele matou dois grandes guerreiros moabitas. Em um dia de neve, desceu numa cova e matou um leão.

Ele matou também um egípcio, um homem enorme, que estava armado com uma lança. Benaías atacou o egípcio com o seu bastão, arrancou a lança da mão dele e o matou com ela.

(22-23) Foram essas as coisas que Benaías fez. Ele tinha uma posição de destaque entre “Os Trinta”, mas também não foi tão famoso quanto “Os Três”. Davi o colocou como chefe da sua guarda pessoal.

Entre “Os Trinta” estavam: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodo, de Belém;

Sama e Elica, da cidade de Harode;

Heles, de Pelete; Ira, filho de Iques, de Tecoa;

Abiezer, de Anatote; Mebunai, de Husa;

Salmom, o aoíta; Maarai

e Helebe, filho de Baaná, da cidade de Netofa; Itai, filho de Ribai, de Gibeá, no território da tribo de Benjamim;

Benaías, de Piratom; Hidai, dos vales de Gaás;

Abi-Albom, de Arabá; Azmavete, de Baurim;

Eliaba, de Saalbom; os filhos de Jasém; Jônatas;

os hararitas Sama e Aião, filho de Sarar;

Elifelete, filho de Acasbai, de Maacá; Eliã, filho de Aitofel, de Gilo;

Hezro, de Carmelo; Paarai, de Arabe;

Igal, filho de Natã, de Zoba; Bani, do território de Gade;

Zeleque, de Amom; Naarai, de Beerote, que carregava as armas de Joabe, cuja mãe era Zeruia;

Ira e Garebe, de Jatir;

e Urias, o heteu. Houve trinta e sete soldados famosos ao todo.

 

2 Sm 24

Em outra ocasião, o SENHOR ficou muito irado com o povo de Israel e levou Davi a prejudicá-los. Deus disse a Davi: — Vá e faça a contagem do povo de Israel e de Judá.

Então Davi deu a Joabe, o comandante do seu exército, a seguinte ordem: — Vá com os seus oficiais por todas as tribos de Israel, do Norte ao Sul do país, e faça a contagem do povo. Eu quero saber quantos somos.

Mas Joabe respondeu ao rei: — Que o SENHOR, nosso Deus, faça o povo de Israel cem vezes mais numeroso do que é agora, e que o senhor viva para vê-lo fazer isso! Mas por que o senhor quer fazer essa contagem?

Porém o rei fez com que Joabe e os seus oficiais obedecessem à sua ordem; então eles saíram da presença de Davi e partiram para contar o povo de Israel.

Atravessaram o rio Jordão e acamparam ao sul de Aroer, a cidade do vale, no território de Gade. Dali foram para o norte até a cidade de Jazer,

continuaram até Gileade e chegaram até Cades, terra dos heteus. Então foram a Dã e de Dã viraram a oeste, para Sidom.

Depois foram para o sul, para a cidade de Tiro, que era cercada de muralhas, e dali foram a todas as cidades dos heveus e dos cananeus e finalmente até Berseba, na parte sul de Judá.

E assim, depois de nove meses e vinte dias, voltaram a Jerusalém, tendo viajado pelo país inteiro.

E eles informaram ao rei que o total de homens capazes para o serviço militar era o seguinte: oitocentos mil em Israel e quinhentos mil em Judá.

Mas, depois que Davi fez a contagem, a sua consciência começou a doer, e ele disse: — Ó SENHOR Deus, eu cometi um pecado terrível ao mandar contar o povo. Por favor, perdoa-me! O que fiz foi uma loucura.

Então o SENHOR disse ao profeta Gade, o vidente de Davi:

— Vá e diga a Davi que eu dou a ele o direito de escolher uma de três coisas; aquilo que ele escolher eu farei. Na manhã seguinte, depois que Davi já se havia levantado,

Gade foi falar com ele, contou o que Deus tinha dito e perguntou: — O que o senhor prefere? Três anos de fome na sua terra, três meses fugindo dos seus inimigos ou três dias de peste na sua terra? Resolva agora e me diga que resposta devo dar a Deus.

Davi respondeu: — Estou desesperado, porém não quero ser castigado por homens. Que seja o SENHOR Deus quem nos castigue, pois ele tem pena de nós!

Então o SENHOR mandou que uma peste caísse sobre o povo de Israel, desde a manhã até a hora que ele havia marcado. Do Norte ao Sul do país, morreram setenta mil israelitas.

Quando o Anjo do SENHOR já ia destruir Jerusalém, o SENHOR resolveu não castigar mais o povo e disse ao Anjo que estava matando: — Pare! Já chega! O Anjo do SENHOR estava perto do terreiro de malhar cereais que pertencia a Araúna, o jebuseu.

Davi viu o Anjo que estava matando o povo e disse a Deus, o SENHOR: — Só eu sou culpado. Fui eu que errei. O que foi que essa pobre gente fez? Eu e a minha família é que deveríamos ser castigados por ti.

Naquele mesmo dia, Gade foi e disse a Davi: — Suba até o terreiro de malhar cereais que pertence a Araúna e construa lá um altar para Deus.

Davi obedeceu à ordem de Deus, o SENHOR, e foi, como Gade lhe tinha dito.

Araúna olhou para baixo e viu que o rei e os seus oficiais vinham falar com ele. Então se ajoelhou e encostou o rosto no chão, em frente de Davi,

e perguntou: — Senhor, por que veio aqui? Davi respondeu: — Eu vim para comprar este terreiro e construir nele um altar para Deus, o SENHOR, a fim de que a peste acabe.

Então Araúna disse: — Senhor, pegue tudo o que quiser e ofereça a Deus. Aqui estão os bois para serem queimados como oferta no altar, e aqui as cangas deles; e também as tábuas de debulhar cereais para serem usadas como lenha.

Araúna deu tudo isso ao rei e disse: — Que o SENHOR, seu Deus, aceite a sua oferta!

Mas o rei respondeu: — Obrigado, não aceito. Eu vou pagar tudo isso. Eu não vou oferecer ao SENHOR, meu Deus, sacrifícios que não me custaram nada. Então Davi comprou o terreiro de malhar cereais e os bois por cinqüenta barras de prata.

Ele construiu ali um altar para Deus, o SENHOR, e apresentou ofertas que foram completamente queimadas e ofertas de paz. O SENHOR respondeu à oração dele, e a peste acabou em Israel.

 

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