1855

Conversão de Dwight L Moody

O jovem de dezessete anos tentava fazer a vida na grande cidade de Boston. Depois de caminhar pelas calçadas por várias semanas, conseguiu trabalho como vendedor de sapatos na loja de seu tio. Morava no andar de cima da loja. “Tenho um quarto no terceiro andar”, escreveu, “… posso trabalhar com minha máquina de costura, e existem três edifícios antigos cheios de meninas, as mais bonitas da cidade —, que xingam como papagaios [sic]”.

Uma das nove crianças criadas por uma jovem viúva na área rural de Northfield, Massachusetts, Dwight Lyman Moody não recebeu muita instrução, mas tinha sonhos e determinação. Contudo, a cidade de Boston não foi gentil para com ele. “Se o homem quiser sentir que está sozinho no mundo”, escreveu Moody certa vez, “ele não precisa ir ao deserto, onde terá a companhia de si mesmo; deixe que vá para alguma dessas grandes cidades e que caminhe pelas ruas onde poderá encontrar milhares de pessoas, mas não achará ninguém que o conheça ou possa reconhecê-lo”.

“Lembro-me de quando saí por aquela cidade à busca de algum trabalho, mas não consegui encontrar nenhum. Parecia que havia um lugar para todas as outras pessoas no mundo […] exceto para mim. Por quase dois dias tive a horrível sensação de que ninguém me queria.”

Moody ouviu os abolicionistas discursarem em um lugar próximo do Faneuil Hall. Passou a freqüentar a Associação Cristã de Moços (ACM), organização que, havia pouco tempo, fora importada da Inglaterra, além de começar a freqüentar a Igreja Congregational de Mt. Vernon para ouvir os sermões do famoso Edward Norris Kirk. Moody achou a pregação bastante poderosa e tocante — tão tocante que, por diversas vezes, caiu no sono. “Um jovem aluno de Harvard […] deu-me um cutucão com o cotovelo, e, a seguir, esfreguei meus olhos com a ponta de meus dedos e acordei. Olhei para o ministro e — vejam só — achei que ele pregava diretamente para mim. Então, falei para mim mesmo: ‘Quem será que contou alguma coisa sobre mim ao dr. Kirk?’ […] No final do culto […] peguei meu casaco e saí dali o mais rápido que pude.”

Seu professor da escola dominical, Edward Kimball, tomava conta do jovem Moody, insistindo em que voltasse a prestar atenção quando se desviava. Ele também desafiava Moody a ler a Bíblia com regularidade. Ele até tentou, mas não conseguia entendê-la. “Conheci poucas pessoas com mente tão obscura em termos espirituais como a daquele jovem que começara a freqüentar minha classe”, escreveu Kimball mais tarde.

Em 21 de abril de 1855, Kimball achou que era hora de pedir que Moody assumisse um compromisso com Cristo. Ele foi até a loja de sapatos e parou meditativo bem em frente a ela. Pôs-se a caminhar de lá para cá e, sem mais nem menos, como se tivesse mudado de idéia, entrou de repente na loja. Encontrou Moody empacotando sapatos e colocando-os nas prateleiras. O jovem já estava pronto para ouvir. Naquele dia, D. L. Moody tornou-se cristão.

Demorou um pouco para que Moody compreendesse as implicações de sua fé. Na realidade, foi-lhe negada a filiação à igreja porque não passou no exame de admissão: ele não conseguiu explicar o que Cristo fizera por ele. Entretanto, seu coração estava transformado. Ele não tinha vergonha de ser cristão e continuava aprendendo sobre sua fé.

Não demorou muito para ele se cansar de Boston, levando seus sonhos rumo a oeste, para a cidade de Chicago. Seu jeito impetuoso era bem mais aceito ali, e ele se deu bem na venda de sapatos. Também se envolveu em trabalhos evangelísticos. Certa vez, caminhou até uma missão na rua North Wells e perguntou se poderia ensinar em uma classe de escola dominical. Disseram-lhe que a missão tinha muitos professores, mas não havia alunos suficientes. Se ele pudesse trazer alunos, então poderia ensiná-los. Isso não era problema para alguém como Moody, que possuía as habilidades de bom vendedor. Em pouco tempo, ele lecionava para uma multidão de crianças pobres.

Em 1861, Moody já trabalhava em tempo integral no ministério, tanto com a escola dominical quanto na ACM. Ele conseguiu apoio de comerciantes locais como John Farwell e Cyrus McCormick. Em 1864, sua missão foi transformada em igreja.

Em 1871, o ministério de Moody em Chicago era bastante confortável, seguro e próspero. Ele começou a pensar na possibilidade de viajar como evangelista, mas por que deixaria uma situação tão boa? O grande incêndio de Chicago fez com que mudasse de idéia. Sua igreja, sua casa e o prédio da ACM se transformaram em um monte de cinzas, e o mesmo aconteceu com o comércio de seus patrocinadores. Seria muito difícil levantar dinheiro em outras cidades para reconstruir o ministério em Chicago, de modo que Moody decidiu botar o pé na estrada.

Ele viajou para a Inglaterra em 1873. Suas reuniões evangelísticas varreram as ilhas britânicas como uma verdadeira tempestade. Depois de dois anos de trabalho na Grã-Bre-tanha, voltou para os EUA como uma celebridade internacional. Foi convidado a pregar em muitas cidades americanas.

Seguindo os passos da tradição avivalista estabelecida por Charles Finney, Moody trouxe o evangelismo para a era industrial. Pregava um evangelho simples, livre de divisões denominacionais. Isso expandiu sua influência, assim como o apoio que recebia. Moody fez alianças de peso com os comerciantes respeitáveis, que foram os líderes da nova geração, e não os pregadores. Ele insistia em que os homens colocassem suas riquezas em boas causas, como cuidar dos pobres em áreas urbanas. Moody trouxe técnicas de negócio para o planejamento evangelístico. Música, aconselhamento e acompanhamento eram partes de uma abor dagem organizada para atingir o coração das pessoas.

Em 1879, Moody voltou sua atenção para a educação, criando o Seminário de Northfield, para moças, e depois a Escola Monte Hermom, para rapazes. Deu início às conferências bíblicas de verão e ao Instituto Bíblico, que hoje possui seu nome. Inicialmente, ele temia competir com os seminários já estabelecidos, porém, cada vez mais, percebia a necessidade de treinamento prático para o ministério. Seu problema não estava relacionado tanto com a linha liberal dos seminários norte-americanos, mas o que o perturbava era o isolamento dessas escolas com relação às pessoas comuns. Seu objetivo era treinar comunicadores que pudessem levar a verdade simples de Deus às massas que precisavam dela.

Essa abordagem prática persiste no foco do império que possui seu nome. O Instituto Bíblico Moody, por exemplo, continua a treinar pastores, missionários e outros obreiros. A influência de Moody, no entanto, chegou muito além disso. Ele foi o precursor de evangelistas como Billy Sunday e Billy Graham, e o aspecto social de seu evangelismo ajudou a inspirar profundo compromisso com o ministério social entre os evangélicos.

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