A eternidade é um atributo que decorre da imutabilidade.
O termo é, com efeito, aquilo que não muda e não
pode mudar de maneira alguma, por conseguinte, aquilo
que não começa nem termina e que possui na atualidade
pura, exclusiva de qualquer sucessão ou modificação, a
plenitude de seu ser.
Daí a definição de Boecio(164) – De Consolatione Philosophix,
V, prosa 6, retomada por Tomás de Aquino: “A
eternidade é a posse, ao mesmo tempo, total e perfeita, de
uma vida sem limites. Portanto, a eternidade é um presente
imutável que existe em todos os tempos” .
a. Definição. O tempo veio a existir dentro de “uma
fenda” da eternidade. Deus criou o tempo por causa do homem;
porém, este tempo terminará um dia! O tempo se
define como o número ou a medida do movimento. Com
efeito, não se pode conceber o tempo sem o movimento. O
tempo sem o movimento não pode existir. O tempo é, pois,
uma espécie de número. Mas não de um número descontí-
nuo; é um número contínuo e fluente.
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Costuma-se dividir 0 tempo em três partes:
1) O tempo concreto. (Ou vivido). É aquele que resulta
do movimento vivido por cada ser. Na vida humana, por
exemplo, esse tempo algumas vezes é suprimido pelas
muitas ocupações. Sempre ouvimos alguém dizer: “Não
tenho tempo”.
Assim o tempo pode ser mais ou menos rápido, conforme
a rapidez ou a lentidão do movimento vivido por nós,
durante o sono, o tempo quase desaparece, em conseqüência
do relacionamento da atividade psíquica (ou movimento
psíquico). Na vida espiritual abundante, isso pode ser
elevado à terceira potência: “…pois passa rapidamente, e
nós voamos” (SI 90.10b). De outras vezes, desde que a atividade
é intensa, o tempo parece, ao contrário, precipitarse.(165)
2) O tempo abstrato. É o tempo uniforme e vazio que
nós representamos como uma linha, ao longo da qual se situam
os acontecimentos do Universo. Este é o tempo abstrato
de que fala o profeta Isaías 57.4: “ …de quem fazeis o
vosso passatempo?” Mas, evidentemente, isso faz também
parte do tempo abstrato “ …tudo tem o seu tempo determinado…”
(Ec 3.1a).
3) O tempo objetivo. É o tempo resultante do movimento
sobre si mesmo, e que foi tomado como unidade
(um dia de vinte e quatro horas).
Este tempo uniforme depende de nós, se bem que,
sem um espírito que numere (ou meça) o movimento da
terra, o tempo não existiria em ato, mas apenas em potência,
no movimento da terra.
Para Deus este tempo passa sem ser medido ou observado.
Moisés declara: “Porque mil anos são aos teus olhos
como o dia de ontem que passou” (SI 90.4a).
Em outras palavras o tempo poderia não ter começo
nem fim. Deus, com efeito, teria e pode fazer criar um tal
tempo. O tempo, assim concebido, não mudaria de natureza
não se confundiria de forma alguma com a eternidade,
uma vez que não deixaria de ser sucessão permanente.

fonte: Escatologia Severino Pedro da Silva

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