“ Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as á-
guias” (Mt 24.28). No contexto de Lucas 17.37 lê-se: “ E,
respondendo (os discípulos), disseram-lhe: Onde, Senhor?
E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as á-
guias” .
Alguns comentaristas acham que essas passagens de
Mateus e Lucas, respectivamente, tratam da destruição de
Jerusalém no ano 70 d.C. e que Jesus se referia à insígnia
militar dos soldados romanos, às águias. Outros, porém,
fazem aqui duas interpretações: Uma metafórica e a outra
profética.
a. A primeira: A cidade de Jerusalém que também
compreende a Judéia; a capital desta, seria então “ o lugar
santo” , conforme era depreendido nas seguintes passagens
(Mt 24.15; 27.53; At 6.13). A nação judaica seria nesse caso,
“ o cadáver” ou “ o corpo” . E que obedecendo a esta regra
de interpretação, a frase “ deixado” , significaria, então,
os judeus deixados mortos espiritualmente e, por esse motivo,
atrairiam as águias, os soldados romanos, ao seu País.
Enquanto que, no contexto: “ …um será levado, e deixado
o outro” (Mt 24.40), queria dizer: “ um deixado morto”
, a presa das aves, e o outro, 0 crente fiel, “ levado por
meio de Cristo” para o deserto de Pela, na Peréia.
b. A segunda: O “ lugar santo” de que falou Jesus seria
o Templo (1 Rs 8.29; SI 5.7; 2 Ts 2.4). Nesta interpretação,
que parece ser bastante lógica, a “ abominação da desolação,
de que falou o profeta Daniel…” seria, então, a introdução
da Besta no Santuário de Deus (Dn 12.11; 2 Ts 2.4).
Enquanto que o “ cadáver” em Mateus e “ corpo” em
Lucas, formando assim, a locução plural, significaria, então,
os soldados mortos no vale do Armagedom. E que, as
palavras de Jesus: “ levados e deixados” , têm então, a seguinte
formulação:
Primeiro: “ …será levado um” (24.40). Em Mateus
24.39, a palavra grega usada para levou que também se
traduz por levar, é “ airo” .
Segundo os rabinos, “ airo” tem o sentido de “ levado
para a destruição” como no Dilúvio. “ Até que veio o dilú-
vio, e os levou (para a destruição) a todos” . Já na seção seguinte
(v 40), levou é “ paralambano” , trazendo em si, o
sentido de “ levado para receber uma recompensa ao lado
de alguém” .(106)
Segundo: “ …e deixado 0 outro” (24.40). O vacábulo
“ paralambano” é empregado em Mateus e Marcos
(1.20,24; 26.37; 4.26; 5.40): traduzindo o sentido de “ receber”
.
No conceito de B.W. Newtin: “ Uma consulta dos
versículos 39-41 de Mateus 24, mostra a relação das palavras
“ um será levado” com 0 levar os santos por Cristo.
Nesta forma de interpretação, é invocada a passagem de
Mateus 26.37 para expressar o significado do pensamento.
Isto denota que, “ levado” aqui, quer dizer, levado por
Cristo no momento da grande batalha no vale do Armagedom,
isto é, referindo-se aos judeus e aos gentios convertidos
do período sombrio da Grande Tribulação. Já a segunda
locução proverbial: “ deixado” , quer dizer, deixado
morto (os infiéis) à destruição das aves.
Em realidade, nesse caso, as “ águias” mencionadas
por Jesus em Mateus (24.28) e Lucas (17.37) são abutres
que os antigos aceitavam como uma raça de águia especial
(Jó 39.30; Os 8.1). Plínio enfatiza isso em sua História Natural.(107)
1) Trata-se do abutre, que ultrapassa a águia em tamanho
e poder. A Versão Brasileira traduz também águia
por abutre, com sentido geral de todas as aves de rapina
(cf. Ez 39.17-20; Ap 19.17-21). Sua natureza é sempre vasada
num corpo tombado: pois “ …onde há mortos, ela aí
está” (Jó 39.30; Mt 24.28; Lc 17.37; Ap 19.17-21).
2) Aristóteles observa em seus escritos que esses pássaros
têm a capacidade de farejar a sua vítima a grande
distância, e que, com freqüência, acompanhavam os exércitos.
Lemos também que durante a guerra russa, grande
número desses pássaros se ajuntou na península da Criméia,
e ali estacionou até o fim da campanha, nas cercanias
do campo, embora antes, dificilmente fossem vistos
naquela parte do País.
Também lemos que esses pássaros seguidores dos
exércitos mortais, seguiram a Napoleão Bonaparte nos
campos gelados da Rússia.

 

fonte: Ecatologia Severino Pedro da Silva

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