08 de Agosto de 2021
 
Jovens 3º Trimestre de 2021
 
TEXTO DO DIA
“E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez.” (Jn 3.10)
 
SÍNTESE
Deus ama os pecadores mais desprezíveis, e está pronto a perdoá-los desde que eles se arrependam de seus pecados.
 
Agenda de leitura
SEGUNDA – Is 55.7 Deus se compadece de quem se arrepende
TERÇA – Sl 86.5 Deus é rico em perdão e abundante em benignidade
QUARTA – 1 Rs 21.27-29 Até o mais indigno tem o direito de se arrepender
QUINTA – Jr 31.3 A infinitude do amor de Deus
SEXTA – Cl 3.12 A misericórdia deve se manifestar por meio de nossas ações
SÁBADO – Lc 11.32 O exemplo dos ninivitas
 
OBJETIVOS
1 DEFENDER a historicidade do livro de Jonas;
2 ESCLARECER os motivos que levaram o profeta a desobedecer à ordem de Deus;
3 MOSTRAR como às vezes temos dificuldade de compreender o amor de Deus, principalmente quando este amor alcança àqueles a quem nós reprovamos.
 
INTERAÇÃO
Professor (a), na lição deste domingo estudaremos o livro do profeta Jonas, um judeu que levou a mensagem do Senhor aos assírios. É importante ressaltar que este não é um livro de profecias padrão, pois o profeta não atende a ordem divina de imediato, tenta fugir do seu chamado e acaba engolido por um grande peixe.  Contudo, por intermédio da mensagem desse profeta que parece ter iniciado tão mal a sua jornada, aprendemos a respeito do imensurável amor de Deus. O livro de Jonas nos mostra a graça divina disponível a todos os povos. Nós, como os ninivitas,  também não merecíamos o perdão e a misericórdia do Senhor, mas Ele nos amou e enviou seu Filho para morrer em nosso lugar.
Esteja atento a leitura e o estudo dessa lição, pois o livro de Jonas é uma aula a respeito de como devemos lidar com as pessoas que provocam em nós as piores sensações. Ele também nos mostra a diferença entre a bondade divina e a justiça humana.
 
Texto bíblico
Jonas 1.1-3
1 E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
2 Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.
3 E Jonas se levantou para fugir de diante da face do SENHOR para Társis; e, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, de diante da face do SENHOR.
 
INTRODUÇÃO
O livro de Jonas tem uma mensagem singular em relação aos demais profetas. Ele nos oferece a lição de que o amor de Deus não estava circunscrito apenas em Israel. O fato de Deus ter escolhido Israel não significava que havia desprezado as demais nações. Em Jonas contemplamos o imensurável amor de Deus capaz de se preocupar com o povo mais cruel daquela época: os Assírios. Além de defender a universalidade da graça, o livro também aponta para a misericórdia divina que concede novas oportunidades tanto para Jonas quanto para os Assírios. Nossos pecados podem ser vis e execráveis, porém jamais serão maiores do que o perdão e o amor de Deus. Estas dádivas divinas estão disponíveis a todos os seres humanos via arrependimento, até aqueles indivíduos que reputamos como os mais desprezíveis deste mundo. Deus ama a todos, inclusive àqueles a quem abominamos.
 
I – JONAS
   1. Sua vida. Jonas era filho de Amitai, de Gate-Hefer, da tribo de Zebulom (Jn 1.1; 2 Rs 14.25). Era um profeta galileu. A vila de Gate-Hefer ficava a sete quilômetros da cidade de Nazaré
Os judeus na época de Jesus (Natanael) estavam enganados quando questionaram que nenhum profeta havia surgido de Nazaré (Jo 1.46). O livro de 2 Reis 14.25 circunscreve o ministério de Jonas no século VIII a.C., no período de 793-753 a.C., na época do rei Jeroboão II, rei de Israel. Ele profetizou a expansão geográfica e a prosperidade política de Israel antes dos triunfos de Jeroboão II. Deus desejava o bem de Israel, o problema é que a prosperidade anunciada por Jonas levou o povo a se distanciar de Deus. Até então, Jonas estava acostumado a entregar mensagens populares. O sucesso de sua profecia fomentou sua popularidade em Israel. Ele ficou tão preocupado com sua reputação que teve dificuldade para cumprir a missão que Deus lhe confiou, uma vez que a ordem divina colidia com os fortes sentimentos nacionalistas que caracterizavam os principais círculos sociais de Israel. De modo semelhante, muitos jovens estão preferindo desobedecer a Deus para preservarem a reputação que possuem diante dos seus círculos de amizades. Na vida cristã, a obediência está em primeiro plano, não a reputação. Cristo foi reputado por aflito, ferido de Deus e oprimido (Is 53.4), no entanto, enquanto os homens julgavam-no como ferido, na verdade estava nos curando, pois pelas suas feridas nós fomos sarados (Is 53.5). A reputação dos homens é falha, mas a obediência a Deus sempre será louvável. Não troque a aprovação de Deus pelas honras dos homens (At 5.29). 
    2. Um testemunho. Esse livro, ao contrário dos demais profetas, é mais um relato histórico do que uma profecia. O livro não é uma fábula, mas um testemunho verídico. O relato de Jonas não pode ser considerado uma “história de pescador”. A narrativa de sua experiência é a base da mensagem que Deus oferece, não apenas a Assíria, mas também a Israel. Jonas é o único profeta do Antigo Testamento cuja profecia não consiste no que disse, mas no que viveu e testemunhou. Ele é o próprio autor do livro (Jn 1.1). Alguns chegam a duvidar de sua autoria pelo fato do livro ter sido escrito na terceira pessoa. Alegam que o livro é uma biografia e não uma autobiografia, porém, era comum ao escritor hebraico relatar a sua própria história dessa forma. É provável que Jonas escolhesse escrever dessa forma como uma espécie de exortação para si mesmo e para a nação de Israel. Sua história precisava ser divulgada, pois havia muita gente em Israel que pensava semelhante a Jonas. As nossas experiências com Deus podem ser poderosas ferramentas de edificação, por isto, devem ser compartilhadas com as pessoas.
    3. A historicidade do livro. Jonas é o livro profético do Antigo Testamento mais questionado pelos teólogos liberais. Infelizmente o debate em torno desse livro tem obscurecido a sua beleza literária e significação teológica. A história do livro não é fictícia ou parabólica. Não podemos duvidar da historicidade de Jonas. Seu livro foi inspirado por Deus e sua história foi verídica. O nome de Jonas está vinculado a passagens históricas (2 Rs 14.25). Jonas é tão real e histórico quanto Jeroboão II. O próprio Cristo ratificou sua historicidade ao citá-lo como um profeta (Mt 12.38-40). Se negarmos a historicidade de Jonas questionaremos a veracidade das palavras de Jesus. Se Jonas foi uma lenda Cristo faltou com a verdade ao relatar a conversão dos ninivitas (Mt 12.41). Jesus confirmou os grandes pilares históricos de Jonas: sua estadia dentro do peixe e a grande conversão dos ninivitas. Assim como Jonas ficou três dias no ventre do grande peixe, o Filho do homem ficaria um tempo similar no coração da terra. Existia uma conexão real entre Jonas e Jesus, pois ambos serviram de sinal para suas gerações (Lc 11.29,30). Ele foi o único profeta indicado por Cristo como seu antítipo para representar a maior verdade bíblica: a ressurreição de Jesus dos mortos.
 
II – A EXPERIÊNCIA DO PROFETA
    1. A ordem divina. Jonas recebeu uma ordem clara: “Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive” (Jn 1.2). 
A maldade (malícia) de Nínive (capital da Assíria) era grande (Jn 1.2). A Assíria era uma espécie de Sodoma e Gomorra reerguida naqueles dias. Era o epicentro mundial da violência, tortura, feitiçaria, idolatria, etc. O profeta Naum chama Nínive de “a cidade sanguinária” (Na 3.1). A deusa Ishtar – da guerra e do sexo – era a principal divindade adorada na Assíria. Violência e imoralidade eram as marcas constitutivas daquele povo. Eles tinham o costume de decepar as mãos, orelhas e narizes, vazar os olhos e esfolar vivos os seus inimigos. Até crianças eram queimadas vivas. Eles desconheciam a palavra misericórdia. Jonas não desejava que esse povo fosse perdoado, por isto, recusou cumprir a missão. Somos hábeis em condenar pessoas por crimes e atos vis, todavia, até o criminoso mais cruel, por mais difícil que seja de entendermos, tem direito de experimentar o perdão e o amor de Deus (Lc 23.43). Deus ama até quem nós detestamos (Rm 5.8; 1 Tm 1.15). 
    2. A fuga e a tempestade. Jonas tentou fugir da face do Senhor indo para uma direção oposta. Társis, uma colônia fenícia de mineração no sudoeste da Espanha era o lugar mais longe que alguma embarcação poderia levá-lo (Jr 10.9; Ez 27.12). Ele comprou a passagem e se escondeu dentro do navio. O Todo-Poderoso interferiu enviando ao mar uma tempestade (Jn 1.4). Enquanto os marinheiros estavam apavorados, Jonas permanecia apático, dormindo no porão do navio. Seu sono não era apenas físico, mas também espiritual. Os marinheiros do navio acreditaram que por detrás da tempestade existia uma causa espiritual e resolveram lançar sortes para ver a origem do problema (Jn 1.7). Esta era uma prática muito popular entre as nações no passado (Js 7.16; 15.1; Pv 16.33; At 1.26). A sorte caiu em Jonas (Jn 1.7) que foi lançado ao mar (Jn 1.12-15). O livro de Jonas nos ensina que é melhor obedecer a Deus do que desafiá-lo (Dt 27.10; 1 Sm 15.22).  Há muitas pessoas desafiando a Deus com sua rebeldia e obstinação. Caminhar na contramão da vontade divina é uma decisão perigosa demais. Desobediência é a rejeição da vontade de Deus. A Bíblia nos ensina a viver em conformidade com a vontade de Deus (Rm 12.2).
    3. O arrependimento do profeta. Ao ser lançado no mar, Deus enviou um grande peixe para engolir Jonas (Jn 1.17). O peixe não foi um dispositivo punitivo da parte de Deus, mas um instrumento do seu livramento. O grande peixe engoliu Jonas, não para devorá-lo, mas para protegê-lo. O milagre não estava em Jonas ter sido engolido pelo grande peixe, mas em não ter sido digerido por ele. Através do grande peixe Deus preservou a vida do profeta. Jonas tinha desistido de tudo, mas Deus não tinha desistido dele. Deus não desiste de você até mesmo quando você desiste de si mesmo. O profeta ficou três dias e três noites nas entranhas do peixe (Jn 1.17). No interior do peixe, orou ao Senhor. Pela primeira vez no livro, recobrou a consciência espiritual e se quebrantou diante de Deus.
A verdade é que Jonas esperava morrer envolto pelas águas do mar, mas ao acordar vivo nas entranhas do peixe, percebeu o milagre. Depois de caminhar nas trilhas da rebeldia e sofrer a disciplina, Jonas encontrou alívio no caminho do arrependimento e da consagração. A oração de Jonas consistia de duas partes: Agradecimento pelo livramento (Jn 2.2-6) e renovação do compromisso profético (Jn 2.7-10).
 
III – A LIÇÃO DO LIVRO
    1. A pregação de Jonas. Jonas foi novamente comissionado por Deus (Jn 3.1). O grande peixe vomitou-o no litoral palestino, provavelmente próximo ao porto de Jope. 
Ele precisou se dirigir a Nínive realizando uma longa viagem. Chegando lá, a mensagem proclamada por ele foi catastrófica. Pareceu incondicional, pois Jonas não apresentou a possibilidade de salvação. Era uma mensagem de juízo e calamidade. O profeta anunciou: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (Jn 3.4).
A palavra “subvertida” no original é a mesma utilizada para retratar a destruição de Sodoma e Gomorra. O profeta tinha fogo em suas palavras. A misericórdia pelos ninivitas não ardia em seu coração. Embora tivesse sido alvo da misericórdia, se comportou como um instrumento de juízo. Mas os ninivitas ficaram impactados com a pregação dele. A resposta dos ouvintes foi imediata: Proclamaram um jejum, vestiram-se de panos de saco e se humilharam (Jn 3.5,6). O arrependimento foi unânime. Eles não justificaram seus erros, apenas clamaram pelo perdão divino. O arrependimento sincero é um ato de graça que Deus nos concede e esta atitude tem o poder de mudar completamente o nosso destino. O arrependimento é uma via de restauração espiritual (Lc 15.7; 24.47; At 11.18).
    2. O descontentamento do profeta.  O arrependimento dos ninivitas não agradou a Jonas. Ele ficou ressentido (Jn 4.1). No auge da angústia revelou as causas que o levaram a fugir de sua missão. Ele temia pela misericórdia divina (Sl 78.38; 86.5). Sabia que Deus, em sua piedade, poderia se sensibilizar com o arrependimento dos ninivitas e remover o juízo (Jn 4.2). O desejo de Deus não é punir imediatamente o pecador, por isso oferece oportunidade para o arrependimento (Jr 36.3; 2 Pe 3.9). Frustrado, Jonas desejou morrer (Jn 4.3). Saiu da cidade e de longe ficou assistindo desgostosamente o desfecho de Nínive, já prevendo a possibilidade da suspensão do juízo (Jn 4.5). Neste ínterim, recebeu a lição da aboboreira (Jn 4.6-11). Deus lhe mostrou que ele tinha compaixão de uma planta que morreu, mas não se compadecia daquele povo que morreria (Jn 4.11). Deus o confrontou e expôs sua incoerência. A misericórdia divina que experimentamos deve também ser compartilhada com todos aqueles que dela carecem (Mt 6.12).
    3. Deus ama quem você detesta. A questão principal era que Jonas abominava os ninivitas. Ele desejava, no seu íntimo, que eles fossem condenados. Precisamos entender que Deus não é um controle remoto ao alcance de nossas mãos, que age de acordo com nossos comandos. Seus planos são perfeitos, sua misericórdia é eterna e seus pensamentos são sempre melhores que os nossos, para nós e para todos (Jó 11.8; Sl 40.5; Is 30.18; 55.8,9). Jonas agiu como um típico hebreu de sua época. Seu preconceito contra os Assírios era resultado de sua visão altamente nacionalista, e Deus precisou trabalhar em sua visão para mudar seu coração. Também possuímos valores e pensamentos contaminados pelo espírito de nossa época. Precisamos que Deus trabalhe em nós levando-nos à libertação. Somos apressados em julgar o próximo e temos dificuldade de liberar o perdão, inclusive a quem amamos. Imagine então a dificuldade que temos de perdoar a quem reprovamos. Não somos tão diferentes de Jonas! Precisamos da misericórdia divina sobre nossas vidas.
 
SUBSÍDIO
“Jonas, a inimaginável graça e misericórdia de Deus
A história de Jonas é uma das mais conhecidas histórias da Bíblia. O livro que narra esta história é um manual missionário sobre o assunto do escopo universal (e não individual) da salvação de Deus.
Alguns chamam o livro de Jonas de ‘O livro de Atos do Antigo Testamento’, porque ele demonstra, vividamente que Deus está disposto a ter misericórdia de todos aqueles que o buscam com humildade e sinceridade. O arrependimento do povo de Nínive adiou a destruição da sua cidade por, aproximadamente, 150 anos (até 612 a.C.).
O grande mérito do livro é o fato de que ele comenta, de maneira objetiva, sobre o cenário humano, especialmente o seu lado religioso, do ponto de vista divino. Aqui está o segredo da história continuada do livro. O que faz com que ele dependa, em parte, do autoentendimento e, em parte, do entendimento que temos do amor abrangente do Deus a quem servimos” (Profetas Menores: Livro de Estudo. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 113).
 
CONCLUSÃO
O livro terminou apresentando o imensurável amor de Deus pelas pessoas, independente da nacionalidade. Nenhum livro no Antigo Testamento ensinou de maneira tão visível e categórica a misericórdia divina às outras nações. Jonas aprendeu a lição? Acreditamos que sim. O ato de registrar a história apresentando suas grosserias pessoais paralelamente à perfeição divina indica o desejo de exortar seus compatriotas para que não cometessem os mesmos erros praticados por ele.
 
HORA DA REVISÃO
1. Quem foi o profeta Jonas?
Foi um profeta Galileu, da tribo de Zebulom que viveu no século XIII, nos dias de Jeroboão II. Recebeu a missão de pregar para Nínive, capital da Assíria.
 
2. Qual a grande diferença do livro de Jonas para os demais livros proféticos do Antigo Testamento?
Jonas é o único profeta do Antigo Testamento cuja profecia não consiste no que disse, mas no que viveu e testemunhou. Seu livro não contém profecias, mas sim a experiência do profeta com Deus.
 
3.  Como podemos defender a historicidade do livro de Jonas?
Seu nome está vinculado a passagens históricas (2 Rs 14.25). O próprio Cristo ratificou sua historicidade ao citá-lo como um profeta (Mt 12.38-40).
 
4. Por qual motivo Jonas desobedeceu a ordem divina?
Ele considerava os ninivitas desprezíveis e dignos da mais enérgica condenação. Sabia que quando pregasse, caso os ninivitas se arrependessem, Deus poderia remover o juízo (Jn 4.2). Não queria vê-los salvos, mas sim destruídos.
 
5. O livro termina apresentando a insatisfação de Jonas. É possível crer que ele tenha se arrependido?
Cremos que Jonas se arrependeu e no fim compreendeu a lição sobre o amor de Deus. O ato de registrar a história apresentando suas grosserias pessoais paralelamente à perfeição divina indica o desejo de exortar seus compatriotas para que não cometessem os mesmos erros praticados por ele.

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