Sabemos que o fundamento das seitas não se acha na pessoal bendita de Jesus Cristo.
Quais seriam então os alicerces utilizados por esses grupos religiosos para que possam fundamentar
suas crenças?
Sabiamente, Paulo afirmou: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto,
o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque
ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.10).
Para que um edifício permaneça em pé, seu fundamento deve ser sólido. As seitas também
têm alicerce, porém, estão edificadas sobre a areia.
“E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato,
que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos,
e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mt 7.26,27).
De todos os elementos que as pessoas procuram basear, consciente ou inconsciente, suas
crenças, podemos citar:

Aumento de adeptos

Não é porque determinada seita cresce que podemos deduzir que a crença praticada por ela
é verdadeira. Jesus afirmou que são poucos os que andam pelo caminho estreito:“E porque estreita
é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.14).
No monte Carmelo, havia oitocentos e cinqüenta profetas de Baal contra um único profeta
do Senhor: Elias (1 Rs 18.19). Não precisamos dizer quem detinha a verdade. O número de pessoas
que crêem em uma afirmação não é algo suficiente para torná-la verdadeira. Por exemplo: um bilhão
de muçulmanos crentes no Alcorão não podem torná-lo na verdadeira Palavra de Deus. Julgar
uma crença pelo número de adeptos que elapossui é um padrão de medida extremamente falí­
vel. Se Colombo assim pensasse, jamais descobriria a América. Neste caso, os números mentem.
Isto também não quer dizer que algo se torna verdadeiro somente porque são poucos os seus
defensores. As pequenas seitas, geralmente, citam a porta estreita (Mt 7.14) para justificar a perdição
dos bilhões de pessoas que não aceitam seus ensinos absurdos. Alegam que poucos são os que
entram pela porta estreita. Não podemos nos esquecer, porém, que “pouco” é relativo. Sessenta
milhões de crentes na China é relativamente pouco para uma população de um bilhão e duzentos.
Todavia, se esse número fosse no continente Europeu, seria bastante expressivo.
Logo, a nossa fé não se apóia na adesão de poucos ou de muitos. O prumo das Escrituras ignora
resultados numéricos, embora o mundo moderno ame as estatísticas. Seguir multidões não
é sinônimo nem antônimo de seguir a Cristo. A Palavra é a Palavra,“quer ouçam, quer deixem de
ouvir” (Ez 2.7).

Sucesso

As pessoas estão em busca de momentos ou de algo que lhes satisfaçam. O que importa é se
fulano é bem-sucedido. Se fulano é bem-sucedido, então, tudo o que ele diz é verdade, não importa
se no fundo não é bem assim. Algumas seitas funcionam como uma massagem no ego. Mas não
é bem assim, pois o apóstolo Paulo afirmou: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”
(Fp 4.13). Ele, no entanto, não se considerava uma pessoa infeliz quando sofria por amor a Cristo:
“Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos
pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados,
e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos; até o presente temos
chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos” (1 Co 4.11 -13).
Sucesso transformou-se na palavra do momento, capaz de justificar qualquer comportamento
e validar qualquer conceito. As pessoas estão dispostas a aceitar qualquer ensino — até
mesmo o evangelho— se este conduzi-las ao sucesso imediato. Se uma pessoa obteve sucesso na
vida, então tudo o que ela diz deve ser verdade. Se alguém ensina algo e não é bem-sucedido em
relação aos padrões seculares atuais, então seu ensino deve ser descartado em favor de outro melhor.
Uma mensagem de “deixa tudo e segue-me” ou “negue-se a si mesmo”soa muito fracassada.
Mártires já não são bem aceitos e muito menos ouvidos. Qualquer líder religioso que demonstre
e/ou prometa prosperidade, felicidade e sucesso é considerado verdadeiro.
Sabemos que a verdade pode tornar alguém bem-sucedido. Mas isto não significa que alguém
bem-sucedido pode tornar qualquer coisa verdadeira. Pessoas bem-sucedidas podem estar
avançando por outros caminhos que não são os de Deus. Nem toda a fama de Paulo Coelho
pode dar validade ao conteúdo de seus livros de ficção repletos de idéias pagãs que matam ao invés
de dar vida.

Atração

De certa forma, as seitas exercem um tipo de atração nas pessoas. Quando não, as pessoas é
que se sentem atraídas pelas seitas por algum motivo.
Quem não se lembra das“curas espirituais” de Rubens Farias, que encarnava o doutor Fritz?
Ou do espiritismo com sua ênfase na possibilidade da comunicação com os mortos? Imaginem o
efeito que esse tipo de coisa provoca na mente das pessoas.
Quantos estão se deixando iludir com a possibilidade de conhecer seu próprio futuro por
meio das vidências?
Tudo isso, e muito mais, tem o poder de manipular as pessoas, funcionando como um ímã,
atraindo-as para suas “malhas”.

Intelectualismo

Existem líderes de seitas muito inteligentes, com vasto conhecimento, chegando a impressionar
a todos com sua erudição. Nestes casos, tanto os líderes quanto suas respectivas seitas al
cançam uma posição tal que se ouve dizer que eles são os “detentores da verdade”. Mas as grandezas
de Deus não foram reveladas aos grandes filósofos (como, por exemplo, Aristóteles e Platão),
aos revolucionários da história mundial, aos militares de grande influência (como, por exemplo,
Alexandre, o Grande, e Hitler) e muito menos aos grandes líderes religiosos.
Jesus, no entanto, em sua oração feita ao Pai, afirmou: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu
e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt
11.25). O apóstolo Paulo também foi enfático e corroborou com este pensamento, quando disse:
“As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito
Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13).
As palavras erudição e verdade não são sinônimas. O fato de alguém saber muito não significa
que conheça a verdade. É muito fácil alguém se deixar impressionar pela cultura de uma pessoa e,
por isso, achar que, pelo seu grande conhecimento, ela deve estar certa em suas afirmações.
Em se tratando, principalmente, das coisas de Deus, a cultura (o saber) pode ser irrelevante.
É claro que muitos escritores inspirados da Bíblia apresentavam cultura e erudição, mas foi isso
que tornou a Palavra de Deus no que ela é: a Palavra inspirada de Deus. Quando lemos as epístolas
de Paulo não é a erudição do autor humano que importa, mas a inspiração do Autor divino.
“Os judeus pedem um sinal e os gregos pedem sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado,
que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos”.
Sócrates, Platão e Aristóteles tiveram sua importância histórica, mas não foi por meio deles
que a verdade de Deus se estabeleceu. Neste aspecto, o iletrado Pedro foi instrumento de Deus
para proclamar a verdade inspirada.
Homens como Marx, Engels e Nietzsche foram filósofos de conhecimento e profundidade
extraordinários. Mas seus ensinos se mostraram falsos e destrutivos ao longo da história. Até
o pensamento científico, que é olhado como árbitro de todas as afirmações, já defendeu enormes
absurdos. Não rejeitamos a ciência, mas também não podemos tomá-la por infalível. Só Deus é
infalível. Somente sua Palavra determina o que é certo e o que é errado, o que é falso e o que é veraz.
“Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito
Santo ensina…” (ICo 2.13).

Agradabilidade

Ninguém se tornará popular pregando a doutrina do inferno. Ela não agrada aos ouvidos.
Os que rejeitam a idéia de um inferno de fogo, onde os ímpios passarão a eternidade, agem dessa
forma não por deixarem de acreditar que é uma doutrina bíblica, mas pela sua dureza. Da mesma
sorte, os que pregam a respeito do inferno não o fazem com um sentimento de prazer, mas de fidelidade
às Escrituras. A verdade nem sempre é totalmente doce.“E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-
me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o e come-o. E ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca
será doce como o mel” (Ap 10.9).
Há sempre a tendência de se querer “adocicar” a mensagem para não repelir os ouvintes e tirar
de seu conteúdo elementos que possam causar algum desconforto. Isto é perigoso e pode comprometer.
“Duro é este discurso. Quem poderá ouvi-lo?” (Jo 6.60). O rico foi embora porque Jesus
não quis suprimir as exigências da salvação (Mc 10.21,22). Não que a verdade seja um monte
de espinhos ou que tem por obrigação incomodar as pessoas, mas apegar-se a um ensino somente
porque traz conforto e nenhuma repreensão é correr grave risco.
Deus é bom e justo. Mas muitos têm abraçado sua bondade e rejeitado sua justiça. Um Deus
que julga, condena e castiga o pecado tem-se tornado cada vez mais impopular. A LBV chega a
ponto de interceder em favor de Lúcifer, para que ele seja salvo, e o universalismo prega a salvação
de todos os homens. São colocações agradáveis em termos de religião, mas não são verdadeiras;
portanto não salvam.

Beleza

Hoje, o mundo procura um Deus estético e não um Deus ético. Todos querem uma religião
de aparência, que pareça bonita, sem se importar se ela é verdadeira ou não. Trocam facilmente o
conteúdo pela forma. Os muçulmanos gostam de dizer que uma das provas da inspiração do Alcorão
é a sua beleza. Que nos perdoem, mas se este fosse o caso, a Bíblia ganharia de longe. O poeta
libanês Kalil Gibran orou a Deus, dizendo: “Para dizer a tua verdade, envolta em tua beleza”.
Não podemos negar a beleza de seus versos, mas também não podemos considerá-los infalíveis.
Somente as Escrituras são infalíveis, mesmo quando não são belas.
Nem tudo o que é belo é necessariamente bom e verdadeiro. Nem tudo o que é verdadeiro
tem de ser necessariamente belo, mas com certeza será bom. Não podemos nos esquecer de que
aquele que é a Verdade, quando esteve entre nós, “não tinha parecer, nem formosura. Olhando
nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos […] Era um de quem os homens
escondiam o rosto, era desprezado e não fizemos dele caso algum” (Is 53.3,4). Se buscarmos somente
a beleza, a encontraremos em muitos lugares. Mas se buscamos a verdade, só a encontraremos
na Palavra de Deus.
Um belo hino, uma pregação eloqüente e um texto bem escrito podem facilmente conter
inverdades que serão aceitas por causa de sua beleza. Pior que um veneno, é um veneno gostoso,
perfumado e bem embalado.

Convicção

Errar com convicção é algo mais comum do que se pensa. “Há caminhos que ao homem parece
direito, mas no fim são caminhos de morte” (Pv 14.12). Alguém pode pregar e ensinar o erro
com mais entusiasmo do que aqueles que ensinam a verdade. Uma crença não é verdadeira somente
porque seus seguidores se dispõem a morrer por ela. O martírio pode honrar a verdade,
mas jamais pode tornar verdadeiro aquilo que é falso. Sem dúvida, Hitler estava convencido das
idéias loucas do nazismo e as proclamava com tal convicção que pôde influenciar toda uma nação,
isto, porém, não tornou a doutrina nazista veraz.
O ser humano tende a ser sugestionado. Então, qualquer pessoa que proclame algo com insistência
pode influenciar alguém, um grupo, ou até mesmo uma multidão, a aceitar coisas que
não são verdadeiras. Por isso, os irmãos da cidade de Beréia, ao ouvirem Paulo, conferiam a cada
dia nas Escrituras se as coisas que ele dizia eram de fato verdadeiras (At 17.10,11).

Moralidade

A verdade de Deus deve produzir justiça e gerar santidade. Ela não é apenas algo para armazenarmos
mentalmente. Temos de “andar na verdade” (3 Jo 3,4) e não simplesmente conhecê-la.
Nosso procedimento comprova a nossa fé.
Por outro lado, é perigoso colocar o comportamento como fundamento da verdade. As boas
obras impressionam de tal forma que muitos pressupõem que se alguém prega e faz bem ao pró­
ximo, então seu ensino deve definitivamente ser verdadeiro. Estas coisas são boas e devem ser estimuladas
e praticadas, sem, no entanto, confirmar qualquer doutrina. Se por um lado o espiritismo
exalta a caridade e consegue, por conta disso, conquistar o respeito da opinião pública, por
outro fomenta a consulta e incorporação dos chamados “espíritos de luz”, levando muitos ao pecado
e à influência satânica. Suas boas obras não podem justificar seus erros.
O apóstolo Paulo, muitas vezes, teve de se defrontar com homens que por um lado apresentavam
aparência de justiça e por outro sustentavam ensinos contrários ao evangelho. Seus discí­
pulos ficavam perplexos em concordar com o apóstolo, tendo de condenar homens que viviam
uma vida justa. Sua resposta foi: “E não é maravilha, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo
de luz. Portanto, não é muito que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça” (2Co
11.14,15). Todos os que servem a Deus devem ser justos, mas nem todos aqueles que possuem
aparência de justiça servem a Deus. O amor não é equivalente à verdade, embora os dois devam
andar juntos.

Antiguidade

A antiguidade de uma crença jamais será garantia de sua veracidade. O politeísmo é quase tão
velho quanto a humanidade, mas isto não o torna aceitável. Astrólogos e reencarnacionistas gostam
de apoiar-se sobre este fundamento, vangloriando-se de vestígios mesopotâmicos e egípcios
de suas práticas. Mas a verdade não vive de múmias. Os antigos podem estar tão errados quantos
os modernos. O movimento Nova Era, em sua adoração ao primitivo e ao antigo, não tem restaurado
a verdade, mas, sim, ressuscitado o paganismo.
Não devemos menosprezar as tradições como sendo algo desprovido de valor. Mas também
não devemos superestimá-las. O catolicismo, ao colocar a tradição em pé de igualdade com a Bí­
blia, sancionou erros históricos quando deveria extirpá-los com a régua de Deus. O que a Reforma
Protestante fez foi apenas começar a aplicar o padrão divino (leia-se Escrituras Sagradas) depois
de séculos de desvios doutrinários. “E assim invalidaste o mandamento de Deus pela vossa
tradição” (Mt 15.6). Tem sido esse o problema com muitas doutrinas: querem ser mantidas pelo
aval dos anos, quando a História ensina que o tempo desgasta e distorce ao invés de edificar.
“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo
a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

FONTE: BIBLIA APOLOGETICA ICP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *