1678 Publicação da obra O peregrino, de John Bunyan

1678

Publicação da obra O peregrino, de John Bunyan

Um dos maiores clássicos cristãos surgiria não nos corredores de uma grande universidade, mas na cela de uma prisão. O homem que o escreveu não era um erudito, mas um simples pregador sem pouca formação acadêmica.

John Bunyan nasceu em Elston, em Bedfordshire, em 1628. Seu lar era uma pequena cabana de sapé e seu pai era um latoeiro que passava os dias empurrando uma carroça pelas estradas, parando nas casas para consertar potes de metal.

O jovem John estudou gramática, mas, como a maioria dos filhos daqueles dias, passou a exercer a mesma profissão de seu pai. Durante a guerra civil inglesa, serviu como soldado, provavelmente do lado puritano. Casou-se aos dezenove anos e sua esposa cristã fez com que ele tentasse mudar sua vida. Bunyan, no entanto, constantemente retornava aos velhos hábitos. Embora vivesse bem o suficiente para impressionar seus vizinhos, Bunyan descrevia a si mesmo como “a representação de um hipócrita”.

Em 1651, Bunyan começou a freqüentar uma reunião da Igreja Independente em Bedford e foi tocado pela forte pregação bíblica do pastor. Começou, depois desse episódio, a se debruçar sobre as Escrituras até que o conflito dentro dele se transformou em uma convicção da graça. A salvação chegara ao coração de John Bunyan. Ele se filiou à congregação de Bedford e começou a pregar ali, deixando as pessoas maravilhadas com a capacidade de um simples latoeiro.

Embora o rei Carlos n tivesse prometido a liberdade religiosa em um primeiro momento, a Igreja Anglicana tornou-se cada vez mais a única igreja aceitável. A dissidência não era encorajada, e, em 1661, John foi enviado à prisão de Bedford devido à sua pregação. Ele permaneceu ali até 1672, quando Carlos promulgou a Declaração de Indulgência, estendendo o perdão aos não-anglicanos.

Diante de sua libertação, o grupo de irmãos independentes chamou-o para que se tornasse seu pastor. Ele recebeu uma licença para pregar e ficou conhecido como bispo Bunyan, e talvez tenha se tornado o gênio organizador dos independentes naquela área. Essa tolerância, no entanto, não duraria muito.

Em 1675, Bunyan se viu mais uma vez na prisão e deu início à sua maior obra: O peregrino. Essa alegoria da salvação e da caminhada cristã é a responsável por cunhar frases como “fogueira das vaidades”, “pântano do desespero”, “bela casa”, “difamador” e “a forca é algo bom demais para ele”. Baseando-se apenas em sua experiência da Bíblia, esse homem quase iletrado criou uma cativante peça de literatura que apela aos que fazem — ou que venham a fazer — a peregrinação espiritual partindo da Cidade da Destruição rumo à Cidade Celestial.

Talvez pelo fato de muitos leitores experimentarem um tipo semelhante de peregrinação em sua vida, O peregrino se tornou o livro devocional cristão mais vendido do mundo. Bunyan descreve os mais íntimos estados da alma cristã. A percepção que possui da profundidade da graça de Deus em sua vida deu a Bunyan a capacidade de falar para muitas pessoas, até mesmo outras gerações, sobre o estado espiritual em que se encontravam.

Suas outras obras —Abounding to the chief of sinners [Graça abundante ao principal dos pecadores]; The Ufe and death of mr. Badman [A vida e a morte do sr. Maldade] e The holy wart [A guerra santa] — nunca alcançaram a popularidade de O peregrino. Este livro tão humilde, porém, tocou milhares de vidas e se tornou um clássico.

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