“ E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma
coisa de sua casa” (M t 24.17).
Noutras versões modernas ao invés de “ telhado” , temos
“eirado” nesta seção, ( ״’־ (Vários historiadores da antiguidade
informa-nos que, naqueles tempos podia-se fugir
de “ telhado em telhado” , sem descer ao solo, porquanto as
casas eram erigidas próximas um as das outras, e seus telhados
eram planos.
Os rabinos falavam sobre as estradas dos telhados.
Quando se descia para 0 que parecia um lugar seguro, chegava-se
a um átrio, de onde se abriam diversas portas da
casa. mas até mesmo nessa posição vantajosa, segundo Jesus.
ninguém deveria aproveitar-se da proximidade das
portas.
Tudo isso, e mais ainda, aponta na sua fase final, para
o tempo sombrio da Grande Tribulação, mas é evidente
que, teve seu primeiro estádio no ano 70 de nossa era.
a. “ E quem estiver no campo não volte atrás a buscar
os seus vestidos” (Mt 24.18).
Como na seção anterior, “ vestido” aqui se traduz por
“ capa” em outras versões.(101) Ordinariamente, segundo
testemunho contemporâneo, ninguém pensaria em aparecer
em lugares públicos apenas com sua veste interior, isto
é, sem a sua “ capa” , “ túnica” ou “ veste exterior” .
Porém, devido à grande prontidão, todos deveriam fugir
do ponto onde se encontravam. 13e fato, tudo isso aconteceu
como estava vaticinado, ninguém pereceu ali, a não
ser, os que se deram por inadvertidos.
b. “ Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles
dias” (Mt 24.19).
Necessariamente, dois pontos importantes devem ser
aqui analisados: Primeiro, nosso Senhor fala das “ mulheres
grávidas” ; e segundo, daquelas que “ amamentavam” .
1) Essas expressões dão à narrativa uma nota de lamento
lúgubre, pois até mesmo funções naturais da vida,
que visam garantir a continuação da espécie humana, servirão
de obstáculos e serão motivos de perigo. Isto é motivado,
segundo se diz, pelo processo da inanição. A fuga seria
tão repentina que traria conseqüências àquelas que estavam
próximas de dar a luz.
2) Já no contexto imediato, diz nosso Senhor que também
“ aquelas que amamentarem” serão atingidas. As jovens
mães, cujos filhinhos são pequenos, ainda terão maior
dificuldade nessa fuga, portanto não será fácil fugir e cuidar
dos bebês ao mesmo tempo.
Josefo e Eusébio afirmam que, no tempo da invasão romana,
tais mulheres sofreram mais do que todas as outras,
e no futuro, que aponta para a Grande Tribulação, esses e
outros sofrimentos, serão vividos numa escala superior (cf.
Os 13.16).
c. “ E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno
nem no sábado” (Mt 24.20).
Como na seção anterior, esta, que segue, contém dois
elementos importantes. O primeiro, diz respeito à fuga no
“ inverno” e 0 segundo, em dia de “sábado” .
1) “ …no inverno” (v 20a). O historiador F. Josefo informa-nos
que a advertência de Jesus foi correspondida
pela oração dos discípulos.
O inverno na Palestina, geralmente inicia em l 9 de outubro
e os cristãos deixaram a cidade em 10 de setembro,
portanto, vinte dias antes.
Também no que diz respeito às condições atmosféricas,
estavam perfeitamente favoráveis. Uma fuga em pleno
inverno seria extremamente perigosa, porquanto as
condições do tempo estariam péssimas, as estradas estariam
escorregadias e até mesmo intransitáveis, e os dias
seriam “ breves” e as noites “longas” .(104)
2) “ …no sábado” (v 20b). O sábado para os judeus representava
temor e ao mesmo tem po obstáculo. Ninguém
nesse dia podia cam inhar mais de 1000 metros (cf. At 1.12)
e com certa restrição. Em dia de sábado, os judeus só podiam
afastar-se de suas moradias a distância mencionada,
sem quebrar o m andam ento sabático.
Outrossim, em dia de sábado os portões das cidades
eram fechados.(“15) Porém, segundo nos informa os historiadores,
os cristãos fiéis escaparam de tudo isso.
Eles saíram da cidade no dia 10 do mês (quintafeira),
e 0 exército romano destruiu a cidade no dia 12 (sá-
bado). Portanto, as Escrituras são infalíveis! Tudo que ali
aconteceu, em escala limitada, foi apenas um estádio daquilo
que sucederá durante a fuga dos fiéis no tempo da
Grande Tribulação; pois, na primeira fuga, os cristãos não
foram perseguidos durante a fuga; mas, durante a Grande
Tribulação. sim! (Cf. Ap 12.6,13,14 etc).

 

fonte: Ecatologia Severino Pedro da Silva

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