Alguns pregadores têm afirmado: “Eu fui chamado para pregar
milagres”. Na verdade, nenhum servo de Deus foi chamado para pregar os
efeitos do evangelho, e sim o próprio evangelho (Mc 16.15). E os tais efeitos
devem acontecer naturalmente, como conseqüência da proclamação do
evangelho (Mc 16.17-20), e não de maneira induzida.
Jesus curou muitas pessoas (Mt 8.16,17). Os apóstolos também, em
nome do Senhor, fizeram obras extraordinárias, até maiores do que algumas
praticadas pelo Mestre (At 5.15,16; 19.11,12), como Ele prometera (Jo
14.12). Contudo, não há apoio bíblico para as operações estranhas que vêm
ocorrendo em nossos dias.
Certos milagreiros esfregam óleo no local da enfermidade, para depois
extrair objetos que supostamente indicam a ocorrência de enfermidades ou
“trabalhos malignos”. Essas “operações” têm gerado muita confusão no meio
do povo de Deus, e não são poucos os obreiros que fazem perguntas sobre o
assunto.
Nos tempos bíblicos, o azeite era empregado diretamente nas feridas,
mas como remédio (Is 1.6; Lc 10.34). Hoje, a unção para os doentes é
apenas simbólica. Não deve ser aplicada no local da enfermidade. E se esta
for numa parte íntima? Ademais, extrair pedaços de ossos, pedras, filetes
com sangue ou algo parecido do corpo das pessoas — se é que não se trata
de fraude — tem muito mais semelhança com as chamadas cirurgias
mediúnicas do que com a manifestação de Deus.
Embora muitos milagreiros e seus defensores recorram a versículos
bíblicos isolados para se justificarem perante o povo, não vemos na Bíblia
apoio consistente às suas estranhas práticas. Não devemos aceitar como
sendo da parte de Deus qualquer operação prodigiosa, pois a própria Palavra
do Senhor nos manda testar, examinar, julgar, provar o que ouvimos, vemos
e sentimos (At 17.11; 1 Ts 5.21; 1 Co 14.29; 1 Jo 4.1).
Alguém argumentará: “Jesus não untou os olhos de um cego com lodo
feito com a sua saliva? Não devemos restringir os métodos de curar”. Oh,
sim. Mas Jesus não fez daquela prática um método para curar os enfermos.
Além disso, aquele episódio isolado não respalda toda e qualquer prática dos
milagreiros da atualidade.
Quanto à cura, Jesus disse: “… porão as mãos sobre os enfermos e os
curarão” (Mc 16.18). E a imposição de mãos, como vimos, pode incluir a
unção com óleo. Esta, no entanto, não é a condição primacial para a cura,
que ocorre por meio da fé (Lc 8.48; 17.19).
Qual dos apóstolos precisou de azeite para levantar os enfermos? Já
pensou se Pedro tivesse dito ao coxo junto à porta Formosa: “Jesus te cura
depois; agora, estou sem azeite para ungi-lo”?!
“E quanto aos dons de curar?” — alguém perguntará. Ora, estes se
referem às operações multiformes do Espírito Santo, e não às invenções dos
criativos milagreiros. Deus age como quer.
Quando Ananias visitou a Saulo, que estava cego, tão-somente impôslhe
as mãos, e caíram dos olhos do apóstolo algo semelhante a escamas (At
9.17-18). Houve um sinal visível da cura, porém Ananias não precisou
empregar um método exótico.

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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