Na passagem de Apocalipse 22.16, Jesus se identifica
como sendo “ …a geração de D avi” . Esse fato, portanto,
nos leva a entender porque Mateus inicia seu Evangelho
dizendo: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi,
filho de Abraão” (Mt 1.1).
As duas genealogias (M ateus e Lucas) que diferem entre
si em alguns detalhes, podem ser um a só (pelo menos é
de um a só pessoa): e não se originam de duas linhagens;
um a sendo de José e a outra de M aria.(11) Essa idéia foi
universalm ente aceita na Igreja Prim itiva e continuou até
0 século XV, quando Annius de Viterbo, que morreu em
1502 (d.C.), achou um a diferença.
Segundo ele entre a linhagem de José (em Mateus) e a
linhagem de Maria (em Lucas) havia “pontos difíceis” de
serem conciliados entre si por várias razões:
Primeiro: Mateus, apresenta Jacó como “ pai” de José
(1.16), e segue em direção a Jesus.
Segundo: Lucas, apresenta Heli como “ pai” de José
(3.23), e segue em direção a Adão. Para o doutor R.N.
Champlin, Ph. D., diversas interpretações procuram explicar
a diferença:
a. Para os que pensam que a genealogia de Lucas dá a
linhagem de Maria, e a de Mateus dá a de José. Jacó seria
o pai de José, e Heli seria o sogro (compare-se 1 Sm
24.11,16). O uso da palavra “ pai” no hebraico e no grego,
permitia que a palavra “ pai” fosse usada livremente no lugar
de sogro, apesar de sogro não ser 0 parentesco verdadeiro
e sim, por afinidade.
b. Para os que pensam que ambas as genealogias dão a
linhagem só de José, Jacó seria irmão de Heli; segundo o
costume hebreu, quando Heli morreu, Jacó teria tomado
sua viúva como esposa (compare-se Gn 38.1 e ss; Dt 25.5 e
ss; Rt 4.5), e José seria filho de Jacó no sentido literal e de
Heli, no sentido legal.
c. É possível que José tenha sido filho de Jacó por nascimento,
e filho de Heli por adoção, ou 0 inverso.(12) Esta
questão não é bastante solúvel, mas qualquer destas três
interpretações é possível.
Nos versículos 3 a 6 da genealogia de Mateus, aparecem
quatro nomes de mulheres estrangeiras, a saber: Tamar
(Gn 38.1 e ss); Raabe (Js 2.1 e ss; Hb 11.31), Rute (ver
livro de Rute para sua história); e aquela que foi mulher de
Urias, isto é, Bate-Seba, que o Espírito Santo omitiu o seu
nome (2 Sm 12.10,24).
1) A genealogia do Salvador abrange 42 gerações,
num período de dois mil anos. Está dividida em três partes
de catorze gerações cada.
O primeiro grupo, de Abraão ao rei Davi (Mateus),
abrange mil anos aproximadamente.
Na de Lucas abrange três mil anos (pois continua até
Adão). Ela tem caráter descendente.
0 segundo grupo, do rei Davi ao exílio babilônico,
abrange um período de quatrocentos anos.
O terceiro grupo, do exílio a Cristo, tem treze gerações,
sendo que a 14? geração, obviamente inclui Maria ou
Jesus, abrange um período de seiscentos anos. Examinando
com cuidado, observamos que existem certas “ lacunas”
de nomes·nas duas tábuas genealógicas de Mateus e Lucas.
Podemos encontrar algo similar, em Esdras 6, onde se
vê uma genealogia com o mesmo número de “ lacunas” ,
nada menos de seis gerações de sacerdotes são omitidas,
como transparece pela comparação em 1 Crônicas 6.3-15.
2) “ Ao examinar a genealogia de Mateus, para ver
quando se rompeu a linhagem real de Judá (visto que as
duas genealogias seguem de Abraão a Davi numa só árvore
genealógica e a partir daí, há uma “ bifurcação” – Não segue
com Salomão e sim, com Natã), fica claro que foi em
Jeconias.
Note-se, também, como o Senhor usou a Jeremias dizendo:
“ Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem (Jeconias)
está privado de seus filhos, e …nem prosperará algum
da sua geração, para se assentar no trono de Davi, e
reinar mais em Judá” (Jr 22.30). Os dois nomes que seguem
o de Jeconias, Salatiel e Zorobabel estão realmente transferidos
da outra genealogia (de Lucas), na qual consta que
o pai de Salatiel foi Neri, da família de Natã.
Torna-se certo, portanto, que Salatiel, da família de
Natã, irmão de Salomão, se tornou herdeiro ao trono de
Davi, quando falhou a linhagem de Salomão na pessoa de
Jeconias. Assim Salatiel e seus descendentes foram transferidos,
como “ filhos de Jeconias” para a tábua genealógica
segundo o costume da lei judaica” .(1 )
Em Mateus 1.6, “ …Jessé gerou ao rei Davi; e o rei
Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias; e Saiomão
gerou a Roboão…” etc.
Em Lucas 3.31, “ …Matatá de Natã, e Natã de Davi, e
Davi de Jessé…” etc. Tanto Salomão como Natã eram filhos
de Bate-Seba (2 Sm 12.24; 1 Cr 3.5). Então aparecem
seis nomes em Mateus, que não aparecem em Lucas.(14)
Seja como for, há somente duas genealogias no Novo Tes32
lamento – e as duas são de uma só pessoa: O Senhor Jesus
Cristo que, através das quais, se identifica como sendo
“ …a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”
(Ap 22.16b).
Evidentemente, quando uma “ geração” traz em si o
sentido genealógico, refere-se à sucessão de um pai por seu
filho primogênito (primogenitura aqui é por direito nato ou
adquirido). De Abraão a Cristo as gerações sobem (Mt 1.1-
7); de Cristo até Adão, as gerações descem (Lc 3.23-38). De
Adão até Abraão uma “ geração” é calculada pelo decorrer
de 100 anos; enquanto que, de Abraão até Cristo é de 40
anos aproximadamente (cf. Mt 24.34 etc).

fonte: Ecatologia Severino Pedro da Silva

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