1. Definição־ do termo
O termo “ escatologia” e seus cognatos correspondem à
“ doutrina das últimas coisas” .
Escaton (que vem por último) designa a doutrina que
diz respeito ao fim do mundo presente e ao mundo vindõuro.
Desde que Cristo irrompeu e com Ele o Reino de
Deus, o domínio da escatologia já está presente misteriosamente
entre nós, com o seu peso de promessas e, simultaneamente,
seu atual julgamento.(1)
2. Definição do argumento
Existem em o Novo Testamento alguns termos técnicos
que designam o domínio presente, atual e futuro, ao
mesmo tempo, da escatologia na vida da Igreja e na vida
do mundo.
Estes termos, segundo se diz, focalizam com exclusividade
este tempo futuro. Vejamos:
a. “ E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do
meu Espírito derramarei sobre toda a carne…” (J1 2.28 e
ss; At 2.17 e ss).
b. “ Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos
dias apostatarão alguns da fé…” (1 Tm 4.1a).
c. “ Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão
tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1).
d. “ Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e
de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falounos
nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1).
e. “ Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão
escarnecedores…” (2 Pd 3.3a), etc.
Portanto, a expressão “ os últimos dias” e seu equivalente
apontam para: a descida do Espírito Santo em sua
plenitude (J1 2.28; At 2.17 e ss); para a época do Evangelho
de Cristo (Hb 1.1) e, concomitantemente, para os últimos
dias maus (1 Tm 4.1; 2 Tm 3.1; 2 Pd 3.3).
3. A vinda de Jesus
A vinda do Senhor Jesus tem uma tríplice relação: à
Igreja (para o arrebatamento), a Israel (para seu preparo
em receber o Messias sete anos depois) e, às Nações (para o
Milênio). A tríplice divisão natural é depreendida de 1
Tessalonicenses 4.16 que expressa o significado do argumento
quando diz:
“ …o alarido” (à Igreja);
“ …a voz do arcanjo” (a Israel);
“ …a trombeta de Deus” (às Nações).
a. Em relação à Igreja. Para com a Igreja, a descida do
Senhor aos ares para ressuscitar os que dormem e transformar
os crentes vivos é apresentada como constante expectação
e esperança (1 Co 15.51,52; F1 3.20; 1 Ts 4.14-17; 1
Tm 6.14; Tt 2,13; Ap 22.20).
b. Para Israel. Para o povo escolhido, a vinda do Senhor
é predicada para cumprir as profecias que dizem respeito
ao seu ressurgimento nacional, a sua conversão, e estabelecimento
em paz e(־ (poder sob o Pacto Davídico (Am
9.11,12; At 15.14-17).
c. Para as Nações. No caso das Nações, a Volta do Senhor
é predicada para consumar a destruição do presente
sistema político universal (Dn 2.44,45; Ap 19.11 e ss). Sendo,
porém, que os dois últimos acontecimentos relaciona12
dos com Israel e as Nações só terão lugar sete anos depois
do arrebatamento da Igreja por Jesus Cristo.
4. O desenvolvimento do argumento
A volta do Senhor, no que diz respeito à sua primeira
vinda (ou fase), se destinará apenas à sua Igreja, e é chamada
de “ encontro” em 1 Tessalonicenses 4.17. A palavra
“ arrebatamento” não se encontra, graficamente falando,
nas passagens que descrevem o momento do arrebatamento
da Igreja, mas a idéia do termo está na frase inserida.
Isto é, no contexto que diz: “ …seremos arrebatados” (1 Ts
4.17).
A presente expressão obedece à seguinte sentença:
“ tirar” , “ arrancar” , “ levar” , “ afastar” , “ tirar por força ou
por violência” , “ impelir” , “ suprimir” , “ elidir” , etc.( ) Todas
estas expressões designam, fundamentalmente, 0
traslado de uma coisa de um lado para outro ou de uma dimensão
inferior para uma outra superior.
Encontramos em o Novo Testamento cinco termos
técnicos na língua grega que descrevem a manifestação de
Cristo em suas duas fases futuras: Arrebatamento e Parousia
e cada uma delas exemplificadas com passagens bíblicas:
a. Optomai (aparecer). “ Assim também Cristo, oferecendo-se
uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá
segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”
(Hb 9.28).
b. Ercomai (vir). “ E, se eu for, e vos preparar lugar,
virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que
onde eu estiver estejai vós também” (Jo 14.3).
c. Epphanos (aparição). “ Que guardes este mandamento
sem mácula e repreensão, até a aparição de nosso
Senhor Jesus Cristo” (1 Tm 6.14).
d. Apokalypsis (revelação, desvendamento). “ De maneira
que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação
de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7).
e. Parousia (presença ou vinda). “ E então será revelado
o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua
boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Ts 2.8).
Aqui estudamos a ocasião da parousia de Cristo.(4)
Será no fim da Grande Tribulação, e, efetivamente, terminará
esse período de aflição.
O aparecimento do Rei será acompanhado de certos
sinais que não deixarão ninguém em dúvida sobre o que
vai acontecer (Mt 24.29). Isto significa que a volta do Senhor,
portanto, terá efeitos opostos e resultados positivos
(para os santos) e negativos (para os incrédulos). Os efeitos
serão sentidos sobre: amigos (Mt 24.31) e inimigos (Mt
24.30); tristeza e alegria, gemidos e adoração, medo e delicias.
Ele não virá como veio da primeira vez, em fraqueza
(a fraqueza de Deus) e humildade, mas na glória e poder
(Ap 1.7; 19.11-21).
5 .0 encontro
“ Em 1 Tessalonicenses 4.17, a palavra “ arrebatamento”
tem o mesmo sentido no grego que “ nosso encontro” ,
em Atos 28.15 onde lemos: “ …ouvindo os irmãos novas de
nós, nos saíram ao encontro à praça de Ápio e às três Vendas.
E Paulo vendo-os deu graças a Deus, e tomou âni- Λ י י mo .
A palavra “ encontro” , neste sentido, significa portanto
literalmente “ sair” a fim de voltar com “ alguém” . Somente
duas passagens focalizam essas palavras com tal
sentido, a saber: no trecho de Gênesis 24.63-67 e Mateus
25.1,6.
Na passagem de Gênesis descreve-se o encontro de
Rebeca com Isaque e na passagem de Mateus ilustra o encontro
da Igreja com Cristo.
a. Para Israel. A volta do Senhor no que diz respeito à
sua segunda fase (Parousia) se destinará especificamente
a Israel, mas as Nações, de um certo modo, estão envolvidas
no acontecimento.
Prenunciando a volta do Senhor nos ares, Israel é representado
na figueira que brota. “ Aprendei pois esta parábola
da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros
e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão” (Mt
24.32). As parábolas foram métodos de ensino muito usados
por Jesus. As parábolas são estórias que transmitem
instrução, comunicando geralmente um ponto importante.(
)
O ponto enfatizado na parábola da figueira contada
por Jesus tem como objetivo ensinar-nos a identificar um
“período de tempo geral” .
Quando as folhas da figueira começam a brotar, sabemos
que o verão se aproxima. Ainda hoje em Israel a natureza
da figueira continua a mesma. Tão-somente quando
as árvores ali brotam, anunciam a vinda da primavera, assim
estes sinais (disse Jesus) anunciarão a Volta do Rei em
glória.
b. A figueira nesta passagem e em outras do mesmo
gênero é Israel (Lc 13.6-9). “ A nação judaica é comparada
a três árvores nas Escrituras Sagradas:
À vinha (Is 5.1-7), este foi o conceito de Isaías e de outros
profetas do Antigo Testamento.
A oliveira (Rm 11.17 e ss), este foi o conceito de Paulo
por amor de seu argumento.
E à figueira (Mc 13.28), este foi o conceito de Jesus em
relação a Israel. Antigamente a nação era como uma “ vinha
frutífera” , depois uma “ figueira estéril” , e mais tarde
na Vinda do grande Rei uma “ oliveira florescente” .
O Senhor Jesus já no entardecer de seu ministério terreno
exorta-nos a observar os acontecimentos por virem
na vida de Israel e depois acrescenta: “ Olhai para a figueira,
e para todas as árvores” (Lc 21.29).(6) Ora, a partir do
ano 70 d.C., a figueira secou-se de acordo com as palavras
proféticas de Jesus (Lc 13.8,9), e durante quase dois mil
anos que se seguiram, a nação israelita se transformou profeticamente
falando num “ montão de ossos secos” (cf. Ez
37.1,2,11). Esses “ ossos” como diz o profeta do Senhor, seriam
espalhados na face de um grande vale (o mundo), e
ali seriam absorvidos pelas sepulturas (as nações). (Cf
37.12).
Mas apesar de tudo, a promessa de Deus é de restauração
e. em 14 de maio de 1948, a figueira começa então a
“ brotar” , e as sepulturas (as nações) devolvem a Israel não
só seus filhos, mas também sua Terra e, de lá para cá, o
grande progresso na vida deste povo são os brotos, preditos
por nosso Senhor quando falou sobre o futuro (Mt 24.33).
(c) Mas segundo os ensinos de Jesus, não só a figueira
(Israel) seria alvo das profecias, mas todas as árvores haviam
também de “ brotar” Lc 21.29). As Escrituras são
proféticas e se combinam entre si em cada detalhe! Todas
as nações que margeiam Israel vêm, de uma maneira ou de
outra, sentindo um certo progresso. Isto prenuncia a Vinda
do Senhor, que continua dizendo: “ Não passará esta geração…”
6. A posição de Cristo
No plano mais amplo de Seu ministério mediatorial,
Cristo está agora assentado no Céu “ aguardando” . O grego
êkõêxouai transmite o significado de alguém esperando o
recebimento de alguma coisa vinda de outro. Isto mostra
Cristo agora na atitude de alguém que está esperando; encontra-se
revelado em Hb 10.12,13. Ele está entronizado e
pacientemente aguarda: o tempo certo e a ordem do Pai.
Mas enquanto isso não acontece, Ele está exercendo sua
tríplice função:
Primeiro, como concessor de dons (Ef 4.7-16), e o diretor
do seu exercício (1 Co 12.4-11), e conforme tipificado
pelos sacerdotes do Antigo Testamento que consagravam
os filhos de Levi (Êx 29.1-9), Cristo está incessantemente
ativo no Céu. Em relação a isto, todo o campo de serviço
fica adequadamente apresentado e a que deve ser notada
está entre a atividade universal tríplice do crente como sacerdote
e o seu exercício diário.
Segundo, como intercessor, Cristo continua o seu ministério
no Céu, o qual começou aqui na terra (Jo 17.1-26;
Rm 8.34). Este empreendimento estende-se ao seu cuidado
pastoral daqueles que Ele salvou. Ele vive para sempre
para fazer intercessão por eles, e por causa disto Ele pode
salvá-los quando se aproximam de Deus através dele (Hb
7.25).
Ele não ora pelo mundo, ora, porém, por aqueles que o
Pai lhe deu (Jo 17.9). A intercessão de Cristo relaciona-se
com a fraqueza, imaturidade e limitações daqueles por
quem Ele ora. Sua intercessão garante nossa segurança
para sempre (Lc 22.31,32).
Terceiro, como advogado, e como aquele que nos representa
agora no Céu (Hb 9.24), Cristo lida com o pecado
atual do cristão. Ele é a propiciação pelos nossos pecados
(1 Jo 2.2). Quando acontece um pecado na sua vida, o cristão
tem um advogado junto ao Pai.
Um advogado é aquele que defende a causa de outra
pessoa nos tribunais, e há motivos abundantes para Cristo
advogar em benefício daqueles que tão constantemente necessitam
de sua ajuda.(7)
7. O retorno de Cristo exemplificado
Encontramos no Antigo Testamento, especialmente
no livro de Levítico 23, o ritual de cada festa estabelecida
por Deus e observada pelo povo de Israel na Terra Santa.
Cada festa destas, de acordo com sua significação especial,
aponta para um tempo futuro.(8)
a. A Páscoa (Lv 23.4). A primeira delas era a Páscoa
do Senhor. Era celebrada “ no mês primeiro, aos 14 dias do
mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor” . Esta festa é comemorável,
e recorda a Redenção, feita por um grande Redentor.
Em figura ela significa “ …Cristo, nossa páscoa…,
sacrificado por nós” (1 Co 5.7).
b. Os Asmos do Senhor (Lv 23.6). Esta era a segunda
festa deste calendário. Esta simboliza comunhão com
Cristo, e pão sem fermento, na plena bem-aventurança de
sua redenção, e ensina um andar santo. A ordem divina
aqui é linda: primeiro, redenção, depois um viver santo (1
Co 5.6-8 etc).
c. As Primícias (Lv 23.10). A festa das primícias era
uma figura da ressurreição, primeiro. Cristo, depois os que
são de Cristo na sua vinda (1 Co 15.23; 1 Ts 4.14-16 etc).
d. O Pentecoste (Lv 23.15-22). Esta festa, que é a
quarta do calendário, era chamada de “ pentecoste” . Segundo
a interpretação dada pelo doutor C.I. Scofield, ela
simbolizava a descida do Espírito para a Igreja, conforme
aconteceu no Cenáculo em que os discípulos oravam no dia
de Pentecoste (At 2.1 e ss). “ Desde seu início até o fim,
esta festa é o antítipo da descida do Espírito Santo para
formar a Igreja do Senhor. Por isso o fermento está presente
(Lv 23.17), porque infelizmente, mesmo em contrário à
vontade divina, o mal existe na Igreja (Mt 13.33; At 5.1 e
ss; Ap 2.1 e ss).
Notemos que agora fala-se de pães, e não de um “ molho”
(feixe) de espigas soltas. Importa numa verdadeira
união de partículas, formando um “ corpo homogêneo” . A
descida do Espírito Santo no Pentecoste uniu os discípulos
em um só organismo (1 Co 10.16,17; 12.13,20).
Os pães movidos eram oferecidos “ cinqüenta dias depois
que se tinha oferecido o molho da oferta movida” (Lv
23.15). Isto é precisamente o período entre a ressurreição
de Cristo e a formação da Igreja no Pentecoste, pelo batismo
no Espírito Santo (At 2.1-4), com o “ molho” não havia
fermento, porque em Cristo não existe mal.
e. A das Trombetas (Lv 23.23-25). A quinta festa era
chamada a “ …das trombetas” . Chegamos aqui, ao tempo
do fim, porque esta festa tem um valor completamente
profético e se refere à futura restauração no sentido total
da nação israelita Note que existe um longo período entre
o Pentecoste e a festa das Trombetas. correspondendo ao
período entre o Pentecoste e a introdução do Milênio. Este
período, segundo se depreende, corresponde ao longo
período do trabalho pentecostal do Espírito Santo sobre a
Igreja aqui na terra, na atual dispensação (cf. Is 18.3;
27.13; 58.1 e ss; J1 2.1 e ss; 3.21 etc).
Devemos observar que, em relação à festa das Trombetas,
algo especial a acompanha, que é um testemunho
referente ao ajuntamento e arrependimento de Israel depois
de terminar o período pentecostal, que é o da Igreja.
Esta festa é seguida imediatamente pelo dia da Expiação.
Simbolicamente falando, a festa das Trombetas fala do
ajuntamento de Israel; profeticamente, porém, fala do arrebatamento
da Igreja (“ ···A Grande Colheita” ), e logo a
seguir, vem a penúltima festa.
f. A festa da Expiação (Lv 23.26-32). Segundo os rabinos,
o dia da Expiação é o mesmo descrito em Levítico
16.29-34, mas aqui a ênfase está sobre a tristeza e arrependimento
de Israel. Em outras palavras, seu valor profético
é saliente, e isto antecipa o arrependimento de Israel, depois
do seu julgamento, quando de Sião vier o Libertador,
e expiar a iniqüidade de seu povo (Is 9.14; Rm 11.26).
g. A festa dos Tabernáculos (Lv 23.34 e ss). A festa dos
Tabernáculos simboliza o estabelecimento do reino mile18
nial de Cristo com poder e grande glória. “ A festa era tanto
memorial como profética, memorial porque lembrava o
tempo de peregrinação no Egito (Lv 23.43); e profética
pelo descanso milenar de Israel depois da restauração,
quando a festa dos Tabernáculos virá a ser outra vez um
memorial; e, desta vez, não será só para Israel mas para todas
as nações durante o Reino Milenar de Cristo (Ez cap.
40 a 48; Zc 14.16-21). Esta festa era memorial para Israel
como a Santa Ceia do Senhor é para sua Igreja: “ Fazei isto
em memória de mim” .(9)
8. Para os primeiros cristãos
Para os cristãos da Igreja Primitiva a maior e mais
sublime expectação era o retorno de Cristo para seus Santos.
Eles não se conformavam ausentes da “ presença do
Senhor” e ardentemente almejavam por ela. Paulo, por
exemplo, conserva em si uma expectação imediata da presença
de Cristo em sua vida. Ouça o que Paulo diz: “ Mas,
se o viver na carne (no corpo) me der fruto da minha ôbra,
não sei então o que deva escolher. – Mas de ambos os lados
estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo,
porque isto é ainda muito melhor” (F1 1.22,23).
Nesta sua expectativa, Paulo deseja estar com Cristo
de qualquer maneira: tanto “ partir” como esperar na “ carne”
o retorno de Cristo. Esse deve ser, portanto, o sentido
de “ viver na carne” para Paulo (F11.22). E, evidentemente,
ele é inspirado a fazer esta oração aramaiquizada, que
é: “ MARANATA!” (1 Co 16.22). Tal locução proverbial,
como produto da cristologia do Filho de Deus na comunidade
primitiva, encontra seu correspondente em Apocalipse
22.20: “Amém. VemT Senhor Jesus!” No mais, a expectativa
imediata do retorno de Cristo para os seus santos está
ancorada numa palavra falada por Jesus e escrita por
Paulo, em 1 Tessalonicenses 4.15: “ Dizemo-vos, pois, isto,
pela palavra do Senhor: que nós (ele atualiza), os que ficarmos
vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os
que dormem”. E na seção seguinte ele exclama: “ Porque o
mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus…”
Na passagem de Romanos 16.20, encontramos a ardente
expectação de Paulo pelo retorno de Cristo, quando
diz: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo
dos vossos pés…” Esta ansiedade de Paulo e dos demais
cristãos no primeiro século vem à tona em vários elementos
doutrinários, tais como:
a. Em 1 Coríntios 7.29, lemos: “ Isto, porém, vos digo,
irmãos, que o tempo se abrevia-, o que resta é que também
os que têm mulheres sejam como se as não tivessem” .
b. Em 1 Coríntios 10.11, Paulo diz: “ Ora tudo isto lhes
sobreveio como figuras, e estas estão escritas para aviso
nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” . Em
outras formulações referentes à expectativa imediata dos
escritores do Novo Testamento quanto ao retorno de Cristo,
são os verbos e advérbios que deixam bem claro a urgência
para tal acontecimento! Veja:
1) “ E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de
despertarmos do sono; porque a nossa salvação (plena redenção
do corpo) está agora mais perto de nós do que
quando aceitamos a fé” (Rm 13.11).
2) “ Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens.
Perto está o Senhor!” (F1 4.5).
3) “ Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos
corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tg
5.8).
4) “ O Senhor não retarda a sua promessa (da sua vinda),
ainda que alguns a têm por tardia…” (2 Pd 3.9a, etc).
9. O conceito errôneo
Para muitos a segunda vinda de Cristo a este mundo é
apenas um processo de acontecimentos. Para outros, porém,
isso significa um estado de morte. Mas, segundo se
depreende, não é uma coisa nem outra. Razão porque a
morte é a penalidade imposta pelo pecado, mas o retorno
de Cristo livra do pecado e da penalidade (Rm 6.23). “ Os
pensamentos e as experiências relativas à morte são dolorosos;
os pensamentos relativos à vinda de Cristo nos são
muito caros (Jo 11.31; Tt 2.13).
No primeiro caso, olhamos para baixo e choramos; no
segundo, para cima e nos regozijamos (Jo 11.35; F1 2.16).
20
No primeiro caso (a morte), o corpo é semeado em corrupção
e desonra; no segundo caso será ressuscitado em incorrupção
e glória (1 Co 15.42,43; 1 Ts 4.16,17). No primeiro
caso, somos despidos; no outro, revestidos (2 Co 5.4). No
primeiro caso, há triste separação entre amigos; no outro,
alegre reunião (Ez 24.16; 1 Ts 4.16 e ss). Na morte entramos
no descanso, mas na vinda de Cristo seremos coroados
(1 Ts 4.13; Ap 14.13).
A morte vem como nosso grande inimigo; Cristo, como
nosso grande amigo (Pv 14.27; 1 Co 15.26). A morte é 0 rei
dos terrores (Jó 18.14); Cristo é o Rei da glória (SI 24.7).
Satanás tem o poder da morte; Cristo é o príncipe da vida
(At 3.15; Hb 2.14). Por ocasião da morte partimos para estar
com Cristo; por ocasião da sua vinda Ele virá até nós
(Jo 14.3; F11.23). Jesus faz distinção entre a sua vinda e a
morte do crente. Cristo e os apóstolos nunca ordenaram
aos santos que aguardassem a morte, mas, repetidamente,
exortaram-nos a esperar a vinda do Senhor (1 Co 15.51,52).
a. A “ Nova Teologia” ensina que Jesus Cristo nunca
voltará a este mundo em forma literal para os seus santos:
que Cristo está retornando tão rapidamente quanto lhe é
possível entrar neste mundo; que Ele veio no Pentecoste,
na presença do Espírito Santo; que Ele veio por ocasião da
destruição de Jerusalém, no julgamento contra aquela cidade,
e que Ele vem por ocasião da morte das pessoas,
como já falamos acima.
Com efeito, a vinda de Cristo não deve ser identificada
com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., conforme a
interpretação de alguns. O julgamento de Deus contra Jerusalém
não é o acontecimento referido na maioria das
passagens em que a segunda vinda de Cristo é mencionada.
Isto. por vários motivos:
Primeiro, por ocasião da destruição de Jerusalém,
aqueles que dormiam em Jesus não foram ressuscitados.
Segundo, os crentes vivos não foram arrebatados ao
encontro do Senhor nos ares, nem seus corpos foram transformados.
Terceiro, anos depois dessa ocorrência, encontramos
João ainda aguardando a vinda do Senhor (Ap 22.20).
21
Quarto, segundo os ensinamentos dos profetas, dos
apóstolos e do próprio Senhor, um reino de justiça e paz
deve seguir-se imediatamente à volta de Cristo. Isso. todavia.
não ocorreu, nem por ocasião nem depois da destruição
de Jerusalém. Portanto, ela ainda está por vir!
b. Outro ponto de vista da “ Nova Teologia” é que
Cristo veio na pessoa do Espírito Santo. Em sentido muito
real e im portante, de fato, a vinda do Espírito Santo foi
uma vinda de Cristo para os seus (Jo 14.15-18,21-23). Essa,
porém, não foi a vinda de Cristo referida nas passagens que
afirmam que Ele voltará.
Evidentem ente, sua vinda é claram ente estabelecida
e distinta pelo testem unho conjunto dos profetas, de João
Batista, dos anjos, dos apóstolos, e do próprio Cristo! Dele.
disseram os anjos: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido
em cima no céu. há de vir assim como para 0 céu o vistes
ir” (At 1.11b).

 

fonte: Ecatologia Severino Pedro da Silva

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