Já que estamos falando de ressurreição, é importante abrirmos
aqui um parêntese, a fim de observarmos o que a Palavra de Deus
afirma a respeito da condição dos mortos, hoje. Para quem ainda
não sabe, o espírito e a alma dos mortos encontram-se hoje em um
estado intermediário, aguardando a ressurreição. Todas as pessoas,
ao morrerem, salvas ou perdidas, ficam sob o controle de Deus.
Tenho ouvido muitas pregações estranhas a respeito da vida
após a morte. Ouvi um expoente dizendo: “Quando alguém morre,
o corpo vai para a sepultura, a alma vai para o Hades e o
espírito volta para Deus”. Isso é uma invencionice de quem não
observa a analogia geral da Bíblia e pensa que os termos originais
podem ser definidos a bel-prazer, independentemente do contexto
em que são empregados.

Em Hebreus 9.27 está escrito que aos seres humanos está ordenado
morrerem uma vez. Depois disso, vem o juízo. Mas isso
não quer dizer que, imediatamente após a morte, as pessoas são
levadas a um julgamento. O que acontece entre a morte e o Juízo
Final? Embora a vida após a morte ainda seja um mistério para
nós, a Bíblia fornece-nos detalhes importantes a respeito do estado
intermediário.
Todas as pessoas, ao morrerem — salvas ou perdidas —, ficam
sob o controle de Deus (Ec 12.7; Mt 10.28). Os salvos em Cristo são
levados ao Paraíso, no céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8). E os ímpios vão para
o Hades (gr. hades; hb. sheol), que não é a sepultura, e sim um lugar
de tormentos (SI 139.8; Pv 15.24). Nos tempos do Antigo Testamento,
Paraíso e I Iades ficavam na mesma região. Eram separados
por um abismo intransponível (Lc 16.19-31). Ao morrer, o Senhor
Jesus desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos
para o terceiro céu (Mt 16.18; Lc 23.43; Ef 4.8,9; 2 Co 12.1-4).
Quanto aos ímpios, permanecem no Hades — uma espécie de
antessala do Inferno —, o qual não deixa de ser “um inferno”, um
lugar de tormentos para a alma (Lc 16.23). Embora, em algumas
passagens da Bíblia, o vocábulo hades tenha sido traduzido para
“inferno”, Hades e Inferno final não são o mesmo lugar. O Inferno
final é chamado de Lago de Fogo (Ap 20.14,15 [gr. limnem tott puros]);
“fogo eterno” (Mt 25.41 [gr. pur to aiõnion]); “tormento eterno”
(v.46 [gr. kolasin aiõnion]); e Geena (Mt 5.22; 10.28; Lc 12.5).
A palavra geena foi empregada pelo Senhor de maneira figurada
e evoca imagens de ossos, corpos candentes e pássaros rasgando
a carne de corpos podres. O termo alude ao lugar onde o
bicho não morre, e o fogo nunca se apaga (Mc 9.48). Trata-se de
um desfiladeiro fundo e estreito que havia a sudeste de Jerusalém,
chamado gê ben hinnõm ou “Vale do Filho de Hinom”.
Diferentemente do Hades, o Inferno final está vazio. O seu povoamento
começará quando Cristo voltar em poder e grande gló­
ria e lançar o Anticristo e o Falso Profeta no Lago de Fogo (Zc
14.4; Ap 19.20). Em seguida, os condenados do julgamento das
nações irão para “o fogo eterno, preparado para o diabo e seus
anjos”, “o tormento eterno” (Mt 25.41,46). Mais tarde, será a vez

do Diabo e seus anjos conhecerem o lugar para eles preparado (Ap
20.10). E, finalmente, após o Juízo Einal, todos os ímpios estarão
reunidos no mesmo local (20.15; 21.8).
Em Apocalipse 20.13 está escrito que o mar dará os mortos que
nele há. E Jesus também afirmou que “vem a hora em que todos os
que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz” (Jo 5.28). Onde quer
que estiverem, os pecadores ressuscitarão para comparecer diante
do Trono Branco. Segundo a Palavra de Deus, a morte (gr.
thana-tos) e o inferno (gr. hades) darão os seus mortos, os quais,
após o Juízo Einal, serão lançados no Lago de Fogo. O vocábulo
“morte”
— em Apocalipse 20.13,14 — tem sentido figurado. Alude, de for
ma metonímica, a todos os corpos de ímpios, oriundos de todas as
partes da Terra, seja qual for a condição deles.
Todas as pessoas mortas em pecado terão os seus corpos reconstituídos
para, em seu estado pleno — espírito+alma+corpo (1
Ts 5.23) —, se apresentarem ao Justo Juiz. Mas, para que os ímpios
compareçam ao Juízo Final nesse estado tríplice, acontecerá a
reunião das suas partes espiritual (espírito-i-alma) e física (corpo),
as quais se separam na morte. Daí a menção de que “a morte” e
“o inferno” darão os seus mortos (Ap 20.13). Aqui, “inferno” é
hades, também são empregados como uma metonímia. A “morte”
dará o corpo, e o “Hades” entregará a Deus a parte que não está
neste mundo físico; isto é, o espírito+alma ou o “homem interior”
(2 Co 4.16).
Com base no que foi dito acima, podemos entender melhor a
frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap
20.14). Ela denota que os corpos e os espíritos+almas dos perdidos
— que saíram do lugar onde estavam e foram reunidos na segunda
ressurreição, a da condenação (Jo 5.29b) —, depois de ouvirem a
sentença do Justo Juiz, serão lançados no Inferno propriamente
dito, o Lago de Fogo.
Segue-se que a frase “a morte e o inferno foram lançados no
lago de fogo” tem uma correlação com o que Jesus disse em Mateus
10.28 (ARA): “Não temais os que matam o corpo e não podem
matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer
no inferno [gr. geena] tanto a alma como o corpo”. Em resumo,

na passagem apocalíptica citada, “morte” alude aos corpos dos
mortos ímpios; “inferno”, por sua vez, equivale à parte espiritual
desses mortos; e “lago de fogo” refere-se ao destino final dos que
não morrem em Cristo.
E quanto aos que têm morrido salvos, em Cristo? Graças a
Deus, nenhuma condenação há para eles (Rm 8.1). Serão julgados
também, é evidente, logo após o Arrebatamento da Igreja, mas
apenas para efeito de galardão (Rm 14.10; Ap 22.12). Depois
da ressurreição dos que morreram em Cristo, nunca mais haverá
morte para os salvos (1 Co 15.26). Apesar de já se encontrarem
na presença de Deus, os salvos que morreram em Cristo ainda não
estão desfrutando plenamente do gozo preparado para eles. Isso só
acontecerá depois da ressurreição (v.51).
O estado dos mortos em Cristo agora é similar ao daqueles
mártires que morrerão durante a Grande Tribulação (Ap 6.9-11).
Essa passagem e a de Lucas 16.25, combinadas, indicam que, no
Paraíso, os salvos são consolados, repousam, estão conscientes e se
lembram do que aconteceu no mundo (Ap 14.13). Contudo, após
o Arrebatamento, eles estarão — no sentido pleno — “sempre com
o Senhor” (lTs 4.17).
Em 1 Tessalonicenses 3.13 está escrito: “que sejais irrepreensí­
veis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos”. Isso significa que
os santos, de todas as épocas, que estão com o Senhor, no Paraí­
so, virão com Ele, no Arrebatamento da Igreja. Como assim? Os
espíritos+almas deles se juntarão aos seus corpos, na terra, para a
ressurreição, num abrir e fechar de olhos (1 Co 15.50-52).
Conso-lemo-nos com essas palavras (1 Ts 4.18).

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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