Enquanto a Igreja galardoada estiver participando das Bodas
do Cordeiro, já terá começado o mais difícil período de toda a
História, “o grande Dia da ira”, através do qual os juízos do Senhor
se manifestarão contra os ímpios e adoradores da Besta (Ap
6.16,17). A primeira alusão à Grande Tribulação, nas Escrituras,
está em Deuteronômio 4.30: “Quando estiveres em angústia, e
todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de dias [lit. “nos
últimos dias”], te viraras para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua
voz”. Essa e outras passagens do Antigo Testamento se referem,
profeticamente, ao evento em análise, como Deuteronômio 31.4,
Isaías 13.9-13; 34.8, Jeremias 30.7,8, Ezequiel 20.33-37, Daniel
12.1 e joel 1.15.
Em Apocalipse 2.22, a expressão “grande tribulação” é empregada
com o sentido estrito de punição à falsa profetisa Jezabel e
seus seguidores. Mas, no mesmo livro, menciona-se a “hora da tentação
que há de vir sobre todo o mundo” (3.10), isto é, a Grande
Tribulação — termo empregado em Apocalipse 7.14 e que melhor
define esse evento, apesar de as Escrituras o apresentarem com outras
designações: “tempo de angústia” (Dn 12.1); “dia da vingança
do nosso Deus” (Is 61.2), etc.
Para alguns pregadores, Apocalipse 7.13,14 não alude a esse
tempo de angústia, posto que — segundo eles — os servos de Deus
ali mencionados são os que sofrem aflições e tribulações hoje (cf.
Rm 8.18; Jo 16.33). Afinal, “por muitas tribulações nos importa
entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Entretanto, ao lermos o contexto
imediato de Apocalipse 7.13,14, vemos que os tais santos
serão os “mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho
que deram” (6.9-11). Estes são as vítimas do Anticristo
(13.7,15), que, vestidas de branco (6.11; 7.13), virão “da grande
tribulação” (v. 14, ARA).
Teólogos que se apressam em afirmar que esse terrível e
aterro-rizante evento escatológico não acontecerá deveriam
atentar com mais cuidado para o que está escrito em Mateus
24.21 e Apocalipse 7.14. As expressões “grande aflição” e
“grande tribulação” são equivalentes no grego, e não aparecem na
Bíblia por acaso. De fato, “desde o princípio do mundo até agora
não tem havido, nem haverá jamais” tanto sofrimento, destruição,
tragédias naturais, degradação moral, etc, como ocorrerão na
Grande Tribulação.
Na Palavra profética, os anos são formados, geralmente, por
360 dias (30 dias x 12 meses = 360 dias). E os meses são de trinta
dias. Não havia, nos tempos bíblicos, meses de 31 ou 28 dias. E
não se considerava o ano bissexto. Em Apocalipse 11.3 está escrito
que as duas testemunhas de Deus profetizarão por 1.260 dias ou
três anos e meio (1.260 dias / 360 dias = 3,5 anos). Esse período
também aparece em Apocalipse 13.5 sob a forma de 42 meses: “E
foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfémias;
e deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses” (42
meses x 30 dias = 1.260 dias).
Os três anos e meio mencionados em Apocalipse são apenas
a primeira metade da Grande Tribulação, que terá duração total
de sete anos, conforme a profecia registrada em Daniel 9.24-27:
“Setenta semanas estão determinadas […] E, depois das sessenta e
duas semanas, será tirado o Messias, (…) E ele [o Anticristo] firmará
um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. O Anticristo,
portanto, firmará um concerto com muitos por sete anos. E, depois
dos primeiros três anos e meio, romperá o pacto, inaugurando a
fase final do período tribulacional.
Muitos pregadores opõem-se à Grande Tribulação em razão da
sua dificuldade de entender a profecia de Daniel a respeito das
setenta semanas. E alguns até acham uma perda de tempo estudar
sobre o assunto. Assim como relativizam a expressão “mil anos”,
que aparece seis vezes em Apocalipse 20, não aceitam que a duração
do período tribulacional esteja relacionado com as aludidas
setenta semanas. Todavia, não cabe a nós ignorar a Palavra do Senhor,
e sim interpretá-la à luz do contexto, segundo a iluminação
do Espírito Santo.
A septuagésima semana, dentre as setenta, são os últimos sete
anos de um total de 490 anos (7 x 70 = 490), revelados ao profeta
Daniel. Mas não é apenas com base nisso que se conclui que a
Grande Tribulação terá sete anos de duração. A profecia de Daniel
é apenas o ponto de partida para se chegar a essa conclusão. A
contagem dessas setenta semanas de anos começou com o decreto
de Artaxerxes para restaurar Jerusalém e foi interrompida com a
morte do Messias (Dn 9.25,26).
De acordo com a revelação dada ao profeta Daniel, as setenta
semanas se subdividem em três períodos.
Primeiro período. Este, conforme Daniel 9.25, compreende 7
semanas ou 49 anos (isto é, 7 x 7 = 49): “Sabe e entende: desde
a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até
ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”.
Daniel destaca, com clareza, o começo da contagem dessas semanas:
“desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém”.
Daquele ponto de partida até a conclusão da mencionada obra
passaram-se, de fato, 49 anos (Ne 1-6; Ed 6.13-15).
Segundo período. A segunda parte das setenta semanas de anos
compreende 62 semanas ou 434 anos (isto é, 62 x 7 = 434). Começa
com a restauração de Jerusalém e vai até os dias em que o
Senhor Jesus andou na terra: “até ao Messias, o Príncipe, sete semanas
[49 anos] e sessenta e duas semanas [434 anos]” (Dn 9.25).
É realmente impressionante observar que desde o decreto para a
restauração até a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt
21.1-10) passaram-se exatamente 69 semanas ou 483 anos (isto
é, 69 x 7 = 483).
Terceiro período. É a última semana de anos, isto é, a septuagésima
semana, sobre a qual a profecia diz: “Ele [o Anticristo]
firmará um concerto com muitos por uma semana, e na metade da
semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, e sobre a asa
das abominações virá o assolador” (Dn 9.27). Confrontando esta
passagem com a profecia de Jesus constante de Mateus 24.15-21,
fica provado que a septuagésima semana representa o tempo da
Grande Tribulação.
Quando comparamos as profecias constantes de Daniel, Apocalipse,
Mateus 24 e Lucas 21 concluímos que o lapso temporal
indefinido, que começou logo após a destruição de Jerusalém (no
ano 70 d.C), já estava previsto na Palavra profética. É o período
denominado “os tempos dos gentios” (Lc 21.24), o qual perdurará
até o início da septuagésima semana, isto é, a Grande Tribulação.
Depois desse período parentético indeterminado, “os tempos
dos gentios” — entre o primeiro século e o Arrebatamento da Igreja
— , o Anticristo firmará um concerto ou pacto com muitos por
sete anos (septuagésima semana), mas só cumprirá a sua parte do
acordo firmado nos primeiros três anos e meio. Na segunda metade
da semana, ele se voltará contra os judeus, e os juízos divinos
cairão de maneira ainda mais intensa sobre o mundo (Dn 9.27; Ap
15— 16).

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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