Uma pergunta recorrente sobre a escatologia é: “Passará a Igreja
pela Grande Tribulação?” Lembro-me de uma pregação em que
certo expoente ensinou os seus ouvintes a enfrentarem esse período.
“Não aceite o sinal da Besta”, disse ele. “Se você o aceitar, perderá
para sempre a salvação”. Alguns teólogos afirmam que a Igreja passará
apenas pela primeira fase da Grande Tribulação. Mas o Senhor
Jesus disse que devemos vigiar e orar, a todo tempo, para “escapar
de todas estas coisas que têm de suceder” (lc 21.36, ARA).
O pré, o meso e o pós-tribulacionismo são escolas de interpretação
da Grande Tribulação. A supervalorização delas pode levar
o leitor a concluir que existem três verdades ou verdade alguma
a respeito desse período tribulacional. Afinal, quando um teólogo
procura, a todo custo, convencer alguém de que determinada corrente
é a verdadeira, acaba por torcer as Escrituras ou priorizar
algumas passagens, em detrimento de outras. O melhor a fazer,
nesse caso, é examinar as três mencionadas escolas, mas permitir,
sobretudo, que a Bíblia interprete a própria Bíblia.
Não devemos, por conseguinte, perguntar: “Qual é o melhor
sistema de interpretação?”, e sim: “Quais são as verdades apresentadas
nessas escolas que honram a Bíblia e se harmonizam com
ela?” Considero muito perigoso o que muitos teólogos e pregadores
fazem, na atualidade. No afã de convencer o seu público de que
determinado sistema é o mais plausível, acabam ignorando ou depreciando
algumas passagens das Escrituras. Os amilenaristas, por
exemplo, para fazerem valer a sua tese, desmerecem as seis vezes
em que a expressão “mil anos” aparece em Apocalipse 20.
Os pré-tribulacionistas recorrem à simbologia para defenderem
a ideia de que a Igreja não enfrentará o tempo de angústia. Enoque
e Noé, por andarem com Deus, escaparam do Dilúvio. As águas
do mar Vermelho só caíram sobre os egípcios depois que Israel
passou. Elias subiu num redemoinho antes do cativeiro. E, depois
que a Igreja for arrebatada — posto que ela é a coluna e firmeza
da verdade e a luz do mundo (1 Tm 3.15; Mt 5.14-16) — , haverá
um grande “desmoronamento”, instalando-se aqui um período
de trevas. Todos esses exemplos, na verdade, apenas ilustram uma
verdade revelada claramente nas páginas sagradas.
Não há dúvida, segundo a Bíblia, de que a Igreja será arrebatada
antes do tenebroso período de sete anos, a despeito de os teólogos
pós e mesotribulacionistas possuírem as suas razões pessoais para
não crerem nisso. Os últimos asseveram que o advento de Cristo
se dará no meio da Grande Tribulação, e os pós-tribulacionistas
afirmam que o Senhor Jesus virá depois desse tempo de angústia.
Antes de fazer qualquer apreciação crítica a respeito dessas escolas
de interpretação, cada estudioso de escatologia deveria primeiro
examinar os seguintes textos bíblicos.
Apocalipse 19. Alguns críticos têm afirmado, equivocadamente:
“Considerando que as Bodas do Cordeiro ocorrerão após o Arrebatamento
da Igreja, elas deveriam ser retratadas em Apocalipse
4, e não no capítulo 19”. Entretanto, eles ignoram que o último
livro da Bíblia possui passagens parentéticas, como o capítulo 12 e
a primeira parte do capítulo 19. Este mostra que a Noiva de Cristo
estará no céu, enquanto ocorre a Grande Tribulação, na Terra.
A prova de que a Igreja não participará desse tenebroso período
de sete anos é que ela voltará com o Senhor, em sua manifestação,
para colocar fim ao império do mal: “Depois destas coisas, ouvi no
céu como que uma grande voz de uma numerosa multidão, (…) Vi
o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel
e Verdadeiro e julga e peleja cotn justiça. (…) e seguiam-no os exércitos
que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de
linho finíssimo, branco e puro. (…) Mas a besta foi aprisionada, e
com ela o falso profeta (…) Os dois foram lançados vivos dentro
do lago de fogo que arde com enxofre” (Ap 19.1-20, ARA).
Apocalipse 13.15. De acordo com esta passagem, serão mortos
todos os que não adorarem a imagem do Anticristo (Besta). Ele
terá permissão para fazer guerra aos santos, a fim de vencê-los (v.
7). Considerando o que dizem os pós e mesotribulacionistas, quantos
servos de Deus restariam para um arrebatamento durante ou
depois do período tribulacional? Na verdade, os santos que serão
mortos pela Besta são os mártires da Grande Tribulação, salvos
durante esse período, e não os outros salvos que farão parte do
Arrebatamento da Igreja.
Apocalipse 4-6. Antes de o Cordeiro de Deus desatar o primeiro
selo, dando início a uma série de juízos, João viu os 24 anciãos diante
de Deus, no céu. Eles representam a totalidade da Igreja: as doze
tribos de Israel e os doze apóstolos de Cristo. E isso confirma que,
desde o início da Grande Tribulação, os salvos já estarão no céu.
Apocalipse 3.10. Nesta passagem, Jesus fez uma promessa à
igreja de Filadélfia: “Como guardaste a palavra da minha paciência,
também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre
todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. Embora
os crentes daquela igreja estivessem enfrentando tribulações, não
passaram — e não passarão — pela “hora da tentação que há de
vir sobre todo o mundo”. Afinal, os mortos em Cristo ressuscitarão
e serão arrebatados antes da “ira vindoura” (1 Ts 1.10) que
“virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a
terra” (Lc 21.35).
Em Apocalipse 2 e 3, além das instruções específicas às igrejas
da Ásia, há mandamentos e exemplos extensivos a todo o povo
de Deus. Tudo o que foi dito àquelas quanto à manutenção do
amor e da fidelidade (2.4,10; 3.11), ao combate às falsas profecias
(2.20-22), ao perigo de Jesus ficar do lado de fora (3.20), etc.
se aplica à Igreja de Cristo como um todo. Considerando o que
está escrito em Apocalipse 3.13,22: “Quem tem ouvidos ouça o
que o Espírito diz às igrejas”, podemos dizer que a promessa de
livramento da tentação mundial (v. 10) é extensiva às igrejas; isto
é, a todos os salvos.
2 Tessalonicenses 2.3-8. Nas duas epístolas de Paulo aos crentes
de Tessalônica, o assunto principal é a Segunda Vinda. Um
dos textos escatológicos que mais geram controvérsias entre os
teólogos é 2 Tessalonicenses 2.1-12. Não obstante, vemos nessa
passagem a reiteração de que a Igreja, no período da Grande Tribulação,
não estará sob o domínio do Anticristo e seu aliado, o
Falso Profeta — ou Iníquo (gr. ánomos, “transgressor”, “sem lei”,
“desordeiro”, “subversivo”).
Salientando que o mistério da injustiça ou da iniquidade opera,
Paulo diz aos tessalonicenses que eles já sabem o que detém ou
resiste o Iníquo, para que a seu tempo se manifeste: “Ninguém, de
nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que
primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade,
o filho da perdição, (…) E agora sabeis o que o detém, para que
ele seja revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o mistério
da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado
aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a
quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá
pela manifestação de sua vinda” (2 Ts 2.3-8, ARA).
Se o mistério da injustiça já opera neste mundo, por que as Bestas
ainda não se manifestaram de maneira visível? Quem as resiste,
e o que as detém? Quem será tirado do mundo? Como o apóstolo
Paulo não apresentou o assunto em apreço como um mistério a
ser revelado, parece-me óbvio que a frase “agora sabeis o que o
detém” seja uma referência à saída do povo de Deus deste mundo,
mediante o Arrebatamento (Tt 2.13,14; Fp 3.20,21).
A título de comparação, os anjos executores do juízo sobre
So-doma e Gomorra nada puderam fazer enquanto Ló, o justo,
não saiu de Sodoma (Gn 19). Segue-se que o elemento inibidor,
repres-sor, quanto à manifestação aberta do Anticristo aqui no
mundo é a Igreja do Deus vivo. E, se é depois do Arrebatamento
que será revelado o Iníquo, então estamos diante de mais uma
prova de que a Igreja não passará pela Grande Tribulação!
1 Tessalonicenses 5.1-9. Nesta passagem, no versículo 9, está
escrito: “Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição
da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. Este versículo, iso
ladamente, parece não ter relação com o livramento da Grande
Tribulação. Mas veja o que Paulo afirmou, nos versículos 3 e 4:
“quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina
destruição (…) e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos,
já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda
como um ladrão”.
A expressão “repentina destruição” alude aos males que sobrevirão
apenas aos que estiverem “em trevas”. E o versículo 5 (ARA)
deixa ainda mais claro que, para os salvos, haverá livramento da ira,
por ocasião do Arrebatamento da Igreja: “vós todos sois filhos da luz
e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas”. Em outras
palavras, os filhos da luz já terão sido arrebatados (1 Ts 4.16,17)
quando a ira futura for derramada sobre os filhos das trevas.
1 Tessalonicenses 1.10. Ao mencionar o Arrebatamento da Igreja
pela primeira vez, em suas cartas aos crentes de Tessalônica, o
apóstolo Paulo os exortou a “esperar dos céus a seu Filho, a quem
ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”.
“Onde está escrito que ira futura equivale a Grande Tribulação?”
— alguém argumentará.
As Escrituras são análogas. Se o Senhor Jesus disse que “haverá
grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora
não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24.21, ARA); se Ele
afirmou que devemos escapar dos juízos que sobrevirão, nesse tenebroso
período, “a todos os que vivem sobre a face de toda da
terra” (Lc 21.29-36); se os filhos da luz não estão destinados à ira
(1 Ts 5.1-9); por qual motivo deveríamos pensar que o termo “ira
futura” não alude à Grande Tribulação?
Lucas 21.25-36. Nesta passagem, o próprio Senhor Jesus nos
ensina, de modo claro e objetivo, a vigiar e orar, a todo tempo, para
escapar das coisas terríveis que virão sobre a humanidade, nos últimos
dias, as quais levarão as pessoas a desmaiarem “de terror e pela
expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes
dos céus serão abalados” (v. 26). Note que, no versículo 36, Ele afirmou
que devemos escapar, e não participar de “todas estas coisas”.
Amém?

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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