“Ora o último inimigo que há de ser aniquilado é a
morte” (1 Co 15.26).
Pela primeira vez encontramos em Gênesis 2.17, a origem
de uma palavra que vai percorrer toda história humana
até o Juízo Final: A Morte! Ali, ela estava oculta (certamente
morrerás) e na seção seguinte, já “revelada” . A morte
é apresentada na Bíblia de várias maneiras. Em algumas
passagens refere-se apenas a um estado, em outras,
porém, ela aparèce como sendo “um ser personificado” (Jó
28.22: 1 Co 15.26; Ap 6.8; 20.14). Na passagem de Apocalipse
6.8. a Morte e o Inferno são vistos personificados
como os guardiães respectivamente dos corpos e das almas
dos homens sem Deus. entre a morte e a ressurreição (Ap
20.13).
a. O patriarca Jó nos dá um quadro vivido sobre a
Morte: “A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos
ouvidos a sua fama” (Jó 28.22). No Novo Testamento,
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como na literatura clássica, há uma variedade de palavras
que descrevem a Morte e o morrer; mas sempre há termos
mais relacionados com 0 sentido do argumento, tais como:
Primeiro: Thanatos (“morte”)
Segundo: Teleutão (“chegar ao fim”). Todas estas palavras
e outras similares trazem em si o sentido do cessar a
existência terrena; outras, porém, de morte espiritual, e
nunca, pelo menos em sentido geral, trazem a idéia de que
seja a morte um inimigo real; porém, na passagem de 1
Coríntios 15.26, diz que sim.(15)
b. As Escrituras nos apresentam vários graus de morte
ou aspectos em que é descrita. Estes aspectos negativos foram
ocasionados pela influência do pecado. A Bíblia diz:
“ …pelo pecado a morte” (Rm 5.12); mas devemos destacar
pelo menos quatro aspectos ou formas de morte na existência:
1) A morte física. Morte, no sentido amplo, ou melhor,
no mais universal possível, significa “cessação do processo
vital em um organismo vivo”.
Na linguagem biológica molecular a morte é definida
como “a dissolução da estruturação molecular necessária
para o fenômeno da vida” .
Do ponto de vista filosófico, e principalmente na linguagem
ordinária da Bíblia, uma definição muito comum
da morte é a que diz que “a morte é a separação da alma e
do corpo” . Neste sentido costuma-se distinguir dois tipos
principais de morte: a morte clínica e a absoluta.
Primeiro: A morte clínica é o “morrer” graças ao qual
se verifica no homem a cessação das funções essenciais do
corpo, mas não necessariamente “a separação da alma e do
corpo”.
Segunçlo: Ao contrário, a morte absoluta é a separação
definitiva da alma e do corpo. Este gênero de morte foi
contraído por meio do pecado de Adão; e Abel, seu segundo
filho torna-se a primeira vítima (Gn 4.8; M t 23.35);
mas, se faz necessário lembrar que, antes da morte de um
ser humano houve uma outra vítima (Gn 3.21).
2) A morte moral. Este gênero de morte está restritamente
ligado ao mundo moral. E dela temos notícia de
vítimas em ambos os Testamentos.
Exemplificando temos Deus repreendendo o rei Abimeleque
em sonhos: “ …Eis que morto és por causa da mulher
que tomaste; porque ela está casada com marido” (Gn
20.3).
Em 0 Novo Testamento, Paulo fala também deste gê-
nero de morte, quando advertia as mulheres viúvas da
Igreja, dizendo: “Ora a que é verdadeiramente viúva e desamparada
espera em Deus, e persevera de noite e de dia
em rogos e orações. Mas a que vive em deleites, vivendo está
morta” (1 Tm 5.5,6). O “anjo da igreja de Sardo” era
vítima também deste gênero de morte; ele se encontrava
moralmente morto diante de Deus e, ouviu o Senhor lhe
dizer: “Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e
estás morto” (Ap 3.1). Nossos primeiros pais (Adão e Eva)
também foram vítimas da morte moral. Quando ouviram a
voz de Deus, correram espavoridos com medo da santidade
divina (Gn 3.9,10).
3) A morte espiritual. “E vos vivificou, estando vós
mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Existem outras
passagens similares que descrevem este estado de morte
tais como:
“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas…” (Ef
2.5a): “ …passou da morte para a vida” (Jo 5.24b), etc.
Ora. este estado de morte apesar de ser detestável, não é,
todavia, “um estado de morte definitivo”. Há ainda esperança
mediante o arrependimento para salvação (1 Jo
3.14). Jesus disse para tais pessoas (por inferência): “Eu
sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que
esteja morto, viverá…” (Jo 11.25). E acrescenta: “E não
quereis vir a mim para terdes vida?”
4) A morte eterna. Este gênero de morte é teologicamente
conhecido como “a segunda morte” (Ap 2.11; 20.6).
Esta morte é aquela que primariamente costumamos dizer:
“É uma eterna separação de Deus”.
Isto sucederá, porque, todo e qualquer esforço por parte
de Deus em favor do homem terá sido feito. Mas em vida,
alguém pode contrair essa fórmula de morte. Os fariseus
que zombaram de Jesus (Mc 3.29); 0 Anticristo, o homem
do pecado, pois blasfemará dos “poderes do mundo
superior”, ridicularizando sua própria existência. Qual149
quer pecado desta natureza, ultrapassará todos os limites
da redenção, e. portanto, tornará a criatura “ré” de um “eterno
pecado”. Assim sendo, conforme se depreende, fica
subentendido que o perdão é impossibilitado nesta existência
terrena, e não poderá ocorrer na vida além-túmulo.
Mas a advertência de Cristo não se prende somente a isto.
Ele adverte: “ …se vos não arrependerdes, todos de igual
modo perecereis” (Lc 13.3b).

 

fonte: Escatologia Severino Pedro da Silva

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