Na Bíblia, especialmente no Novo Testamento, empregam-se
dois grupos de palavras para descrever três gê-
neros de ressurreição:
O primeiro: ligado com “anhistèmi”:
O segundo: com “egeiró” . Estes dois substantivos contém
os seguintes sentidos:
“levantar”, “levantar-se”, “voltar à vida”, “ficar de
pé”, “revoltar”, “começar”, “aparecer”, “prontidão”, “erguer-se”.
No Novo Testamento o verbo mais freqüente (egeirõ)
apresenta as ressurreições de Jesus e dos mortos,
principalmente como ato do poder de Deus; enquanto que
0 outro verbo (anhistêmi), literalmente significa: “levantar-se”
, “erguer-se” e se apresenta mais como vitória da
vida sobre a morte.(1 ‘)
A idéia da ressurreição no mundo filosófico era esboçada
na crença da imortalidade da alma. Platão (430-347),
no seu Phaedo, defendia a idéia da imortalidade da alma
no decurso de um diálogo entre Sócrates (470-399) e seus
amigos antes da execução daquele por sua própria mão ao
beber veneno. Sócrates não teme a morte (ainda que de
forma errada), por causa da imortalidade da alma, que defende
por vários motivos ligados com a doutrina platônica
das formas, que são as realidades eternas por detrás do
nosso mundo físico. A alma possui certa semelhança com
as formas, de modo que, quando morre o corpo, a alma
continua. As doutrinas defendidas por Sócrates, Platão e,
até por Aristóteles (382-322), defendiam apenas uma espé-
cie de ressurgimento para a alma no mundo da imortalidade;
enquanto que negavam uma ressurreição corporal para
a pessoa humana como um todo.
Ora, isso nos leva a aceitar que, nesse sentido, a maior
autoridade é de fato a Bíblia.
a. A Doutrina da Ressurreição dos mortos ou do corpo
é expressa na revelação bíblica. Significa, de modo geral, e
em linguagem popular, a união da alma e espírito ao seu
corpo, após a morte física.
Esta união é vista em dois ângulos, de acordo com os
ensinamentos da Bíblia:
Primeiro: Para os santos, esta união dar-se-á por ocasião
do arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51,52; 1 Ts
4.13,17).
Segundo: Para os ímpios, esta união dar-se-á por ocasião
da ressurreição final diante do Trono Branco (Dn 12.2;
Ap 20.5,12). Era generalizada, desde os dias mais antigos
da humanidade, a crença da sobrevivência da alma, a sua
imortalidade ou seja sua vida ou existência futura, após a
morte física.(17) Mas, quanto à ressurreição corporal que
passaria também à imortalidade do pós-túmulo, unindo de
novo à alma e em situação adequada à nova existência, no
além, os antigos pagãos ignoravam completamente.
A ressurreição, biblicamente entendida, é do corpo
humano, e não da alma, que não pode morrer nem ser aniquilada.
Esta crença na ressurreição de tal modo foi vislumbrada
desde muito cedo pelo povo de Deus, o povo
hebreu, a princípio como matéria de grande esperança. Õ
fato de ser Deus 0 Deus dos seus pais ou patriarcas (Êx 3.6;
Mt 22.31,32), reforçou categoricamente a esperança do
povo da aliança.
b. Em 0 Novo Testamento, já nos dias de Cristo’e dos
apóstolos, a doutrina da ressurreição geral era comum, embora
negada pelos chefes gnósticos e os materialistas saduceus
(Mt 22.20-23,31; Lc 20.33; Jo 11.23,24; At 23.6-8;
24.14.15.21; 26.4-6). Mas, a doutrina do fato da ressurreição
dos mortos, ou seja da pessoa humana, corpo, alma e
espírito sendo incorporados no arrebatamento da Igreja
para 0 Juízo Universal, só teve 0 seu ponto mais alto com o
ensino de Cristo e de seus apóstolos inspirados.
Foi Jesus, com a sua ressurreição e a glorificação do
seu corpo (Rm 4.24,25; 5.12.17): “ …o qual aboliu a morte,
e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” (2
Tm 1.10b), quem elucidou, esclareceu, evidenciou e certificou
definitivamente 0 fato da vida eterna e da imortalidade
da pessoa humana.
Por isso, em outro argumento, Ele é retratado como
sendo “ …a ressurreição e a vida” (Jo 11.25).
c. Na Harpa de Israel (Os Salmos) a ressurreição era
retratada em grande gama de esperança. Fora deles porém,
0 Cântico de Moisés em Deuteronômio 32.1 e ss e 0 de
Ana (1 Sm 2.1 e ss) proclamam que Deus mata e faz viver.
Estes dois cânticos celebram o poder divino, e culminam
com a asseveração: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais
nenhum Deus comigo; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu
saro…” (Dt 32.39a). O Cântico de Moisés reflete sobre os
tratos de Deus com a Nação; o Cântico de Ana, que segue 0
nascimento de Samuel, celebra o poder de Deus para assistir
os necessitados, inclusive as estéreis (1 Sm 2.5).
No meio da canção há a reflexão: “O Senhor é o que
tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir
dela” (1 Sm 2.6).
d. Só Jesus e 0 Pai têm a imortalidade (Jo 5.26; Rm
1.23; 1 Ts 1.6; 1 Tm 6.15,16). Assim como a ressurreição é
um ato de Deus, assim também a imortalidade é uma dá-
diva de Deus. Geralmente se diz que o Pai é o agente da
ressurreição (Jo 5.21; At 26.8; Rm 4.17; 8.11; 1 Co 6.14; 2
Co 1.9; 4.14; Hb 11.19), mas ocasionalmente é o Filho (Jo
6.39,40,44,54). Quando Jesus ressuscitou, Deus estava operando
através do Espírito Santo (Rm 1.4).
Portanto, a negação da ressurreição tem sua origem,
não na ignorância da constituição do homem, mas, sim, na
ignorância acerca de Deus, da sua Palavra e do seu Poder
(Mt 22.29 e ss; 1 Co 15.12,34 e ss).
O Novo Testamento não faz referência direta a expressões
como: “A ressurreição do corpo” ou “A ressurreição
da carne”, mas, o sentido geral de ressurreição está
nele inserido. Somente com a morte e ressurreição de Cristo
é que as idéias da ressurreição e da imortalidade emergiram
das sombras do Antigo Testamento para a plena luz
no Novo (2 Tm 1.10) e como tal continuará até o grande
dia da ressurreição no arrebatamento e no Juízo Final.

 

fonte: Escatologia Severino Pedro da Silva

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