Além de ensinamentos, há experiências que ultrapassam o que está
escrito na Palavra de Deus, depondo contra ela. Tenho ouvido histórias
impressionantes e analiso todas elas segundo a Bíblia. Ouço irmãos dizendo
que “receberam” mensagens proféticas de aves ou de animais; que foram
arrebatados ao Céu e ao Inferno e viram caixinhas com as pontas dos cabelos
das irmãs; que conversaram com Paulo, Maria e outros heróis da fé…
No livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria trato dessa questão de
maneira pormenorizada, salientando que toda e qualquer experiência deve
ser submetida à Palavra de Deus.
Não devemos ir além do que está escrito. Embora a Bíblia mencione
arrebatamentos em espírito (2 Co 12.1-4; Ap 1), tudo o que ocorre hoje deve
ser provado (1 Jo 4.1; 1 Ts 5.21). Mesmo as experiências que envolvam
anjos devem ser testadas pela Palavra (Gl 1.8).
Há super-pregadores que se valem de João 14.12 para justificar todas
as suas experiências exóticas. Fazer isso também é ultrapassar o que está
escrito, posto que a citação isolada dessa passagem é feita com a intenção de
combater à tese baseada na analogia geral da própria Bíblia de que ela é a
nossa regra de fé, de prática e de viver.
O fato de Jesus ter dito que faríamos obras maiores refere-se à
quantidade de obras, e não à qualidade delas. Não se trata de um aval para
fenômenos como óleo na mão, dentes de ouro, ouro nos dentes,
emagrecimento e crescimento de cabelo. Veja a explicação sobre a frase “…
aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores
do que estas…” (Jo 14.12) no capítulo 8 desta obra.
Aliás, falando nisso, volto a me reportar à “bênção de Toronto” e ao
pastor Paul Gowdy, que, depois de abandonar a Igreja Aeroporto de Toronto,
escreveu uma carta (mencionada no capítulo 2 desta obra) denunciando
ensinamentos e fenômenos antibíblicos.
Quanto aos dentes de ouro, Gowdy declarou:
Pessoas de nossa congregação abriam a boca umas para as
outras procurando os dentes de ouro que Deus colocara ali, para
provar o quanto nos amava. Durante os anos que ali fiquei só
ouvi uma vez uma mensagem de arrependimento pregada por
um conferencista de Hong Kong, Jack Pullinger. A mensagem
passou alto, bem acima de nossas cabeças, como um balão de
gás; não estávamos ali para nos arrepender, e sim para fazer
“festa ao Senhor”!
Isso é uma grande verdade. Os super-pregadores que “distribuem”
dentes de ouro para o povo nunca pregam sobre o arrependimento; eles não
priorizam o evangelho cristocêntrico.
Vivem dizendo: “Eu fui chamado para pregar milagres”. Isso é
ultrapassar o que está escrito, pois não fomos chamados para pregar
milagres, que são, na verdade, o efeito da pregação do evangelho de Cristo
(Mc 16.15-18).
Tenho ouvido testemunhos de irmãos que participam dessas “cruzadas
de milagres”. Um depoimento me chamou atenção. O irmão disse que achou
estranha a liturgia do culto, pois um conhecido milagreiro pronunciou vários
impropérios contra um pastor, presente no local, o qual demonstrara não
concordar com as estranhas manifestações. O irmão, um novo convertido,
também disse que passou mais tempo olhando para a boca da sua esposa
procurando dentes do que cultuando a Deus…
Bem, no capítulo 7 voltaremos a esse assunto, pois quero, inclusive,
analisar um certo “avivamento extravagante”…

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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