2º Trimestre 2015

Data: 5 de Abril de 2015

TEXTO DO DIA

“Então ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel” (Mt 2.21).

SÍNTESE

Aprender a cultura da terra de Israel na época de Jesus é essencial para compreendermos a mensagem dos Evangelhos hoje.

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA — Hb 1.10

O fundador da terra

TERÇA — Mq 5.2

Terra do nascimento de Jesus

QUARTA — Gl 4.4,5

O envio à terra

QUINTA — Mt 2.6

Terra do Salvador

SEXTA — Mt 28.18

Poder sobre o céu e a terra

SÁBADO — Jr 22.29

Terra, ouve a Palavra do Senhor!

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

RESSALTAR a importância da encarnação do Filho de Deus na história humana;
COMPREENDER o contexto político sob o domínio romano da terra de Israel nos tempos de Jesus;
SABER como era o trabalho e a economia naquela época.

INTERAÇÃO

Caro professor, neste trimestre teremos a oportunidade de estudar a respeito do contexto social, político e religioso da Palestina nos tempos de Jesus. Além de aprender sobre a sua terra e os costumes do seu povo, veremos como o Mestre reagia frente às questões do seu tempo, desde os aspectos religiosos às questões sociais, cujos ensinos e exemplo servem-nos como modelo. O comentarista, Valmir Nascimento Milomem, é evangelista, teólogo e escritor.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, sugerimos que reproduza o mapa abaixo. Mostre aos alunos o relevo de Israel nos tempos do Novo Testamento. Peça-lhes que observem bem as regiões da Judeia e da Galileia.

TEXTO BÍBLICO

Mateus 2.1-12,19-21.

1 — E, tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém,

2 — e perguntaram: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo.

3 — E o rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e toda a Jerusalém, com ele.

4 — E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo.

5 — E eles lhe disseram: Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta:

6 — E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá, porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel.

7 — Então, Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.

8 — E, enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino, e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore.

9 — E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.

10 — E, vendo eles a estrela, alegraram-se muito com grande júbilo.

11 — E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra.

12 — E, sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.

19 — Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu, num sonho, a José, no Egito,

20 — dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino.

21 — Então, ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, faremos uma “viagem” ao início do primeiro século da era Cristã, a época em que Jesus viveu nesta terra. Nosso desafio será aprender a respeito da sociedade, cultura e a religiosidade daquele período, examinando nas Escrituras e na boa literatura cristã o cotidiano e como o Mestre reagia às questões do seu tempo. A partir de seu exemplo de vida e ensinos registrados nos Evangelhos, veremos que suas lições continuam atuais e relevantes ainda hoje, servindo como modelo de comportamento aos servos de Deus, diante das questões dos nossos dias.

Nesta primeira Lição, teremos uma visão do contexto político e econômico da terra de Israel, o berço de Jesus.

I. A TERRA DE ISRAEL NOS TEMPOS DE JESUS

1. O Filho de Deus na história humana. A Bíblia revela que o Verbo de Deus se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1.14). Chamamos esse evento de encarnação, através do qual Deus, em Cristo, tornou-se semelhante aos homens (Fp 2.7; Gl 4.4,5), ingressando no curso da história da humanidade. Trata-se de algo extraordinário: aquele por quem e para quem foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra (Cl 1.15,16), assume um lugar dentro da sua própria criação. O advento de Cristo entre os homens não é um mito, mas uma realidade.

2. Palestina ou Israel? O local escolhido para a morada terrena do Filho de Deus foi a terra de Israel no início do primeiro século, região popularmente chamada de Palestina. Segundo o Dicionário Wycliffe, o nome Palestina foi originalmente empregado por Heródoto (século V a.C.) numa alusão aos filisteus, que incluiu nessa designação a Fenícia situada ao norte. Entretanto, tal termo ganhou mais evidência em 135 d.C., quando o Imperador romano Adriano substituiu o nome da região da Judeia por Síria Filisteia, na tentativa de acabar a forte ligação dos israelitas com a terra sagrada, após a revolta judaica liderada por Simão Bar Kochba contra o Império Romano. Nessa mesma época, o nome de Jerusalém foi alterado pelos romanos para Aelia Captolina. Entretanto, a Bíblia não menciona a palavra Palestina, chamando a região de Canaã (Sl 105.11), terra de Israel (Mt 2.19-21), terra da promessa (Hb 11.9) e terra santa (Zc 2.12).

Na época de Jesus, Galileia, Judeia e Samaria eram os nomes das suas principais regiões (Jo 4.3-7).

3. Nascimento e obra na terra de Israel. Jesus nasceu em Belém (Mt 2.1), mas viveu grande parte da sua vida na região da Galileia (Jo 4.3). Por ter sido criado em Nazaré (Lc 4.16), terra natal de José e Maria, chamavam-no de Nazareno (Mc 14.67; Jo 18.7). Era uma cidade pequena e de pouca importância, tanto que, ao receber o convite para seguir o Mestre, Natanael exclamou: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1.46). Depois da sua rejeição nesta cidade (Lc 4.29), Jesus foi para Cafarnaum (Lc 4.31; Mt 4.13; 8.5), às margens do Mar da Galileia, onde realizou vários prodígios e maravilhas. As Escrituras ainda destacam outras cidades e vilarejos que o Mestre percorreu para anunciar o Reino de Deus e cumprir o seu ministério (Lc 7.11; 8.26), vindo a consumar a sua obra redentora em Jerusalém (Mt 20.18).

Pense!

“A vida de Cristo é parte total da história da humanidade, tanto quanto a fundação de Roma ou a derrota de Napoleão, em Waterloo. O evento pertence à história; o significado do evento pertence à teologia” (Merril Tenney).

Ponto Importante

A Bíblia não menciona a palavra “Palestina”. O mais comum era designar aquela região de Terra de Israel (Mt 10.23).

II. O DOMÍNIO ROMANO E A POLÍTICA

1. Domínio romano. Para compreender o contexto político daquela ocasião, é preciso lembrar que o Império Romano dominava a terra de Israel desde 63 a.C., e assim seu poder e influência abrangem todo o contexto do Novo Testamento. No nascimento de Jesus, César Augusto (27 a.C. — 14 d.C.) era o Imperador (Lc 2.1,2), Herodes “o Grande” havia sido nomeado o “Rei da Judeia” (Mt 2.1,3). Quando Herodes morreu, seu reino foi dividido entre seus filhos: Herodes Antipas, Herodes Filipe e Arquelau (cf. Mt 2.22; Lc 3.1). Contudo, Arquelau não conseguiu manter a ordem nas regiões de Samaria, Judeia e Idumeia, e um procurador romano foi nomeado. Pôncio Pilatos (Mt 27.2) foi o quinto procurador e governou a região antes governada por Arquelau; porém, ele não tinha jurisdição sobre a área da Galileia e Pereia pertencentes a Herodes Antipas (cf. Lc 23.5,6). Após a morte de César Augusto, seu enteado Tibério César (14 — 37 d.C) assumiu o Império Romano (Lc 3.1). Era dele a imagem estampada na moeda sobre a qual Jesus afirmou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Lc 20.25). A efígie do imperador na moeda servia para tornar conhecido o rosto do seu governante.

2. Tensão política. A tensão política e a instabilidade social pairavam no ar. O poder de Roma era contrastado por agitações, inquietação popular e também pelos diversos interesses dos grupos político-religiosos judeus. Apesar da ocupação, os israelitas tinham permissão para manter seus costumes e tradições religiosas, enquanto não conflitassem diretamente os interesses do Império. Desse modo, a política era caracterizada pelo domínio romano, mas o poder interno era exercido pelo Sinédrio (Mt 27.1), o tribunal para julgamento e aplicação das leis judaicas. Cada cidade poderia ter um Sinédrio Local (Mt 10.17; Mc 13.9) formado por 23 membros. O Grande Sinédrio, composto por 70 ou 71 membros, era a mais elevada corte judaica. Reunia-se em Jerusalém e tinha o poder de resolver todas as questões que estavam além da competência das cortes locais. O processo e o julgamento de Jesus evidenciam a complexidade do sistema político e legal existente naquele início de século, caracterizado pela confusão entre a autoridade romana e a jurisdição religiosa judaica.

3. Os publicanos. Os oficiais romanos vendiam o direito de cobrar tributos numa determinada área a quem pagasse melhor. Com isso, alguns dentre os judeus também trabalhavam para Roma como cobradores de impostos, chamados publicanos. Eles eram odiados pela população, porque extorquiam o povo e porque eram considerados traidores. Zaqueu, chefe dos publicanos, admitiu esse tipo de prática corrupta, mas ao encontrar-se com Jesus afirmou que devolveria quatro vezes o que recebera indevidamente (Lc 19.8). Ainda hoje, a corrupção tem provocado grandes males na sociedade. Pessoas que deveriam utilizar as verbas públicas para promover benefícios sociais, desviam-nas para seus próprios bolsos. Oremos e trabalhemos, jovens, em busca de transformações na política do nosso país!

Pense!

O processo e o julgamento de Jesus evidenciam a complexidade do sistema político e legal existente naquele início de século, caracterizado pela confusão entre a autoridade romana e a jurisdição religiosa judaica.

Ponto Importante

Império Romano dominava a terra de Israel desde 63 a.C.

III. A ECONOMIA E O TRABALHO

1. Aspectos econômicos. As principais fontes da economia israelita estavam na produção agrícola, na pesca e no trabalho pastoril. Nos dias do Novo Testamento, o domínio romano e a construção de novas estradas também fizeram aumentar o comércio. As viagens tornaram-se mais seguras, e a Judeia, por exemplo, passou a exportar maiores quantidades do fruto das oliveiras. Este é o contexto de que se valeu o Senhor Jesus para proferir seus ensinamentos e parábolas, usando uma linguagem simples e com figuras relacionadas à vida agrícola (Mt 24.32; Mc 4.1-20). Isso nos instrui a aproveitar o contexto social em que estamos para anunciar o Evangelho, mas sem desfigurar a essência da Palavra.

2. Funcionamento do comércio. Existiam os mercados públicos onde as pessoas compravam e vendiam seus produtos, como cereais, frutas e até mesmo animais. Eram locais bem movimentados, para onde os desempregados iam na esperança de conseguir trabalho (Mt 20.3-10). As negociações comerciais eram feitas por meio de troca de mercadorias (Lc 16.5,6) ou em dinheiro. O denário (Mc 12.15; Lc 7.41). por exemplo, era uma moeda romana e representava, em geral, o salário por um dia de trabalho. A dracma (Lc 15.8-10) era uma moeda de origem grega, e equivalia a um denário.

3. Trabalho e profissões. Os trabalhos e ofícios giravam em torno das atividades produtivas de cada região. Assim, em algumas localidades prevaleciam os trabalhos agrícolas (Mt 13.4), do arado da terra ao armazenamento dos produtos. Em outras, predominavam o pastoreio e a pesca, como o exemplo dos primeiros discípulos que trabalhavam junto ao Mar da Galileia (Mt 4.18,19). Ainda tinham os tecelões, comerciantes e artífices de obras de barro, metal e madeira. O próprio Jesus era carpinteiro (Mc 6.3), cujo trabalho envolvia a construção e a fabricação de objetos menores, inclusive mobílias.

Pense!

O trabalho foi dado por Deus ao homem desde antes da Queda. Através da profissão, podemos glorificar a Deus e cumprir o seu propósito.

Ponto Importante

As principais fontes da economia israelita estavam na produção agrícola, na pesca e no trabalho pastoril.

CONCLUSÃO

Como vimos, conhecer a terra de Israel da época de Jesus é importante para fazermos uma reflexão bíblica atual na medida em que nos possibilita ver e compreender — ainda que passados mais de dois mil anos — o contexto da sociedade judaica do início do primeiro século. Se falharmos em compreender as influências culturais daquele tempo, como escreveu Gary Burce, deixaremos de assimilar muitos dos ensinamentos de Jesus, presentes nos Evangelhos.

ESTANTE DO PROFESSOR

BURCE, Gary M. A Bíblia e a Terra.
GOWER, Raph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos.

HORA DA REVISÃO

1. Quais eram os nomes mais utilizados para designar a Palestina dos tempos de Jesus?

Canaã (Sl 105.11), Terra de Israel (Mt 2.14; 10.23), Terra da Promessa (Hb 11.9) e Terra Santa (Zc 2.12).

2. Como era Nazaré, a cidade de nascimento de Jesus?

Uma cidade pequena e de pouca importância naquela época, tanto que ao receber o convite para seguir o Mestre, Natanael exclamou: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1.46).

3. Naquela época, quem dominava a região?

Império Romano, desde 63 a.C.

4. Quais eram as principais fontes de economia?

As principais fontes da economia israelita estavam na produção agrícola, na pesca e no trabalho pastoril. Nos dias do Novo Testamento, o domínio romano e a construção de novas estradas também fizeram aumentar o comércio.

5. Como eram realizadas transações comerciais?

As negociações comerciais eram feitas por meio de troca de mercadorias (Lc 16.5-6) ou em dinheiro.

SUBSÍDIO

Roma e o Novo Testamento

“A cidade de Roma ofereceu um contexto político, religioso e geográfico para a maior parte do Novo Testamento. Seu poder e influência permeiam quase todos os livros do cânon do NT. Um imperador romano emitiu a ordem que resultou no nascimento do Senhor Jesus Cristo em Belém, ao invés de Nazaré. Um oficial romano providenciou sua crucificação. Engenheiros romanos construíram as estradas que o apóstolo Paulo percorreu para pregar o evangelho, protegido pela cidadania romana. Os imperadores romanos administravam todas as províncias alcançadas pelo Evangelho em seus primeiros dias. Nas primeiras décadas da Igreja, seus principais oponentes foram às seitas greco-romanas” (PFEIFFER, Charles F.; REA, John; VOS, Howard F. (Eds). Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1701).

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