Perguntaram-me, em um grande simpósio, se crente que tem promessa
não morre. E eu dirigi outra pergunta ao auditório: “Quantos aqui têm
promessas de Deus?” Todos levantaram as mãos. Então, lhes disse: “Bem,
nesse caso, nenhum de vocês morrerá. Se Jesus demorar a voltar uns cem
anos, ainda continuarão vivos, pois todos têm promessas”.
Esse chavão anda de mãos dadas com outros clichês predestinalistas
que não resistem a uma boa exegese. Afinal, se o Arrebatamento da Igreja
não acontecer logo, todos nós morreremos, quer de uma forma, quer de
outra. Basta lermos Hebreus 11 para sabermos que nem todas as promessas
que aqueles heróis da fé abraçaram se cumpriram em suas vidas. A nossa
maior promessa, aliás, é a de morar com Cristo, na glória (Fp 3.20,21; Tt
2.11-14).
Em Hebreus 11.39, menciona-se o seguinte acerca dos heróis da fé,
fiéis ao Senhor Jesus até à morte: “E todos estes, tendo tido testemunho pela
fé, não alcançaram a promessa”. E o versículo 13 também diz: “Todos estes
morreram na fé, sem terem recebido as promessas…” Pois é… aquele grande
grupo de testemunhas, de verdadeiros servos de Deus, morreu sem ter
alcançado as promessas! Somos melhores do que eles?
As promessas de Deus são verdadeiras, mas temos de levar em conta a
condicionalidade de muitas delas (2 Cr 7.14,15; Is 1.18-20; Dt 28.1,2). No
dia de Pentecostes, a promessa do derramamento do Espírito Santo se
cumpriu para cerca de 120 crentes (Lc 24.49; At 2). Se eles não tivessem
ficado em oração, em Jerusalém, teriam recebido a promessa? Não foram
mais de quinhentos irmãos que viram ao Cristo ressurreto, conforme 1
Coríntios 15.6? E os outros cerca de 380, não tinham a promessa? Sim, mas
não estavam lá.
Segundo a Palavra de Deus, é possível sim morrer antes do tempo (Ec
7.17; Pv 10.27). Deus tira a vida de quem peca (Gn 38.10; Pv 22.23; Ez
18.4). Essa história de que há um destino para cada um — e que só
morremos quando chegar a hora predeterminada — não tem apoio bíblico. O
fato de termos muitas promessas não garante que não morreremos até que se
cumpram todas elas (1 Pe 1.24,25).
Muitos têm deixado de pensar nas coisas de cima (Cl 3.1,2),
considerando que as promessas que recebemos por meio de profecia devem
ser abraçadas cegamente, como se fossem a garantia de que jamais
morreremos enquanto elas não se cumprirem. Que engano! Temos de viver
como se o Arrebatamento fosse acontecer a qualquer momento (1 Co
15.51,52).
A frase em análise, portanto, é mais um “versículo novo”. Ela não está
registrada na Bíblia, tampouco a tese contida nela tem o apoio das
Escrituras. Afinal, para Deus vivemos e para Ele também morreremos (Fp
1.21-23; Rm 8.38,39).
Fiquemos com a Palavra do Senhor, que diz: “Eia, agora, vós que
dizeis: Hoje ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e
contrataremos, e ganharemos. Digo-vos que não sabeis o que acontecerá
amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e
depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se
vivermos, faremos isto ou aquilo” (Tg 4.13-15).

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *