Por favor, minhas amadas leitoras, peço-lhes que não fiquem bravas
comigo. Afinal, não sou eu o autor da Bíblia. E ela até menciona uma
pastora, sabiam? O nome dela é Raquel, uma pastora de ovelhas (Gn 29.9).
Quanto à palavra “bispa”, sequer existe… Foi uma certa “episcopisa” que, ao
lado de seu marido “apóstolo”, criou esse neologismo. Mas, sabe de uma
coisa? Esse assunto não é brincadeira e merece uma profunda análise bíblica.
É bom que os homens reconsiderem a sua opinião acerca das
mulheres, que, ao longo dos séculos, vêm sendo discriminadas,
principalmente no meio religioso. Vejo que a atitude inconveniente de
alguns homens tem como resposta uma postura hostil por parte das
mulheres, gerando a chamada “guerra dos sexos”. Por que muitas mulheres
cristãs estremecem diante do ensinamento bíblico da submissão? Porque
muitos maridos são autoritários e se consideram superiores a elas, não
respeitando a sua sensibilidade.
No cristianismo genuíno, não há espaço para machismo e feminismo,
movimentos extremados que não reconhecem a verdadeira posição do
homem e da mulher na sociedade. O primeiro considera a mulher inferior,
enquanto o outro trata o homem como um demônio. No Corpo de Cristo, há
lugar para ambos os sexos, desde que reconheçam, à luz das Escrituras, a sua
posição.
Abrindo aqui um parêntese para falar da relação homem-mulher,
vemos, à luz da Bíblia, que ela deve ser, antes de tudo, uma relação de
respeito mútuo (1 Co 7.3-5). Deus formou Eva a partir de uma das costelas
de Adão (Gn 2.18-22) para demonstrar que a mulher não deve estar nem à
frente nem atrás, mas ao lado do homem. A Palavra de Deus não diz que a
mulher é inferior ao homem. Ela é o “vaso mais fraco” (1 Pe 3.7). Quer
dizer, mais frágil, mais sensível e, por isso, deve ser amada e honrada pelo
marido (Ef 5.25-29).
Paulo compara a submissão da mulher ao homem à sujeição de Jesus a
Deus (1 Co 11.3). Tanto o Filho quanto o Pai pertencem à Trindade e são
iguais em poder (Mt 28.19; Jo 10.30).
Todavia, Cristo, por amor ao Pai, submete-se voluntariamente a Ele,
recebendo dEle toda a honra (Fp 2.5-11). Além disso, Paulo ensina:”… assim
como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo
sujeitas a seus maridos” (Ef 5.24). E Cristo não obriga ninguém a obedecê-lo
(Lc 9.23; Tg 4.8).
Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Por que, então, alguns
homens se consideram superiores? Deus fez a mulher diferente do homem
para que ambos se completem, no lar, na sociedade e no serviço do Senhor.
Nesse caso, existem tarefas que o homem desempenha melhor, enquanto há
atividades em que o talento feminino se sobressai. E isso também deve
acontecer nas igrejas.
Não estariam os homens impedindo as mulheres de exercer o
ministério pastoral? Essa questão é polêmica. O pastor Paul Gowdy, que
abandonou a Igreja do Aeroporto de Toronto, após participar de todas as
aberrações que ali aconteciam como parte da chamada “bênção de Toronto”,
discorreu, numa carta — citada ao longo desta obra —, sobre a ordenação de
mulheres, que também estava acontecendo naquela igreja, e de forma banal:
… não comentei a controvertida questão da ordenação de
mulheres. Pessoalmente acredito, pelas Escrituras, que as
mulheres não devem ser pastoras ou presbíteras numa
assembléia local. Eu poderia estar errado quanto a isto e existe
muito debate na igreja a este respeito, e esta era minha
convicção, mas as igrejas Vineyard estavam ordenando todas as
esposas de pastores para serem co-pastoras com eles. Sou a
favor de mulheres no ministério, mas creio que o papel do
ancião/presbítero/pastor local foi reservado aos homens. Não fui
eu quem escrevi a Bíblia, mas pela graça de Deus quero
obedecê-la daqui em diante.
Apesar de toda a polêmica em torno desse assunto, a Bíblia é
clara. Embora as mulheres tenham importante papel ao longo
das páginas do Novo Testamento, aparecendo na linhagem e no
ministério de Cristo (Mt 1.3,5,6,16; Lc 8.1-3), Deus conferiu
aos homens, em regra geral, o exercício da liderança
eclesiástica (Ef 4.8-11).
Priscila tem sido mencionada por alguns como apóstola, com
base em conjecturas, sem nenhum fundamento. Fala-se muito
de Júnia, que era um homem! O certo, contudo, é que, na igreja
primitiva, as mulheres se ocupavam da oração (At 1.14) e do
serviço assistencial (At 9.36-42; Rm 16.1,2). E algumas se
notabilizaram como fiéis cooperadoras do apóstolo Paulo, como
Febe, Priscila, Trifena, Trifosa, etc. (Rm 16), além de Lídia, a
vendedora de púrpura (At 16.14). Não há referência a mulheres
exercendo atividades pastorais.
Jesus escolheu doze homens para compor o ministério da igreja
nascente (Mt 10.2-4). E Ele não tinha nenhum vínculo com
fariseus, saduceus, escribas ou quaisquer grupos machistas de
sua época. Na escolha dos primeiros diáconos, que poderiam vir
a ser ministros, caso tivessem chamada de Deus para tal e
servissem bem ao ministério (Hb 5.4; 1 Tm 3.13), os apóstolos
disseram: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões…” (At
6.3). No primeiro concilio, em 52 d.C, os rumos da igreja foram
traçados por homens (At 15). E, em Apocalipse 2 e 3, são
mencionados os pastores das igrejas da Ásia.
As mulheres podem e devem pregar o evangelho, orar pelos
enfermos e desempenhar todas as tarefas de um seguidor de
Jesus (Mc 16.15-18), pois também são cooperadoras de Deus (1
Co 3.9). O que lhes é vedado é o desempenho de funções
reservadas aos ministros, como ungir enfermos (Tg 5.14).
Muitos obreiros as impedem de testemunhar, valendo-se
erroneamente do texto de 1 Coríntios 14.34, em que Paulo se
opõe ao falatório na casa do Senhor, e não à pregação (v.35).
Diante do exposto, não há, com todo respeito às mulheres,
nenhuma base bíblica para a ordenação ou consagração de
pastoras ou “bispas” ao santo ministério. Isso é uma inovação
extrabíblica.
Sabemos que há exceções, mas estas não devem ser
transformadas em regras. Quando fazemos valer o que
pensamos ou sentimos, e não o que a Palavra de Deus diz, o
perigo jaz à porta.

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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