A acusação contra Estêvão e sua execução precipitaram uma grande
perseguição contra a igreja em Jerusalém. E os crentes, espalhados,
pregaram o evangelho onde quer que fossem (At 8.1-4). O sangue de
Estêvão se tornou a semente do cristianismo gentio. Os cristãos foram
impulsionados a pregar o evangelho a todos: “E os que foram dispersos pela
perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia,
Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos
judeus” (At 11.19).
Não há dúvidas de que a morte de Estêvão foi um grande fator
motivador na vida de Paulo, que, depois de se converter, jamais esqueceu-se
do exemplo do primeiro mártir cristão. Prova disso foi a sua oração, em Atos
22.20: “E, quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava,
também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as vestes
dos que o matavam”. Deus tem os seus propósitos. Aceitemo-los.
Há quase dez anos, Deus chamou para a sua glória o conhecido
pregador Valdir Nunes Bícego. Sofri com a sua partida, pois foi ele quem me
encaminhou ao ministério, segundo a vontade do Senhor. Além disso, quatro
meses antes de sua partida para a glória, vinha eu auxiliando-o na
Assembléia de Deus da Lapa, em São Paulo, a seu pedido. Desde o dia em
que o vi pregar, passei a me esforçar para não perder nenhuma de suas
mensagens, verdadeiramente recebidas do Senhor.
Em julho de 1993, na Assembléia de Deus da Lapa, em São Paulo,
ensinando acerca dos dons concedidos aos crentes, ele apontou em minha
direção, em meio à multidão, e disse: “Irmão, você que recebeu o dom de
Deus para escrever, mande um artigo para o Mensageiro da Paz”. No dia
seguinte, ainda surpreso, enviei um texto, que escrevera havia algum tempo,
ao Setor de Jornalismo da CPAD. E, meses depois, com a publicação do
artigo, tive a confirmação de que Deus falara comigo profeticamente (cf. Ez
33.33).
Jamais conheci uma pessoa que reunisse tantas qualidades como
Valdir Bícego. De alguma forma, ele era usado com todos os dons
ministeriais (Ef 4.11). Sim, ele era um mestre, um pastor, um evangelista,
um profeta e, sem dúvidas, um apóstolo do Senhor. Quem o conheceu de
perto como eu, pode, sem medo de cometer exageros, fazer tal afirmação.
Valdir Bícego era um homem sério, discreto e simples. Não gostava
de elogios, temendo receber a glória que pertence só a Deus (Is 48.11). Com
a modéstia que lhe era peculiar, enfatizava: “Irmãos, eu sei pouco, mas
aprendi certo”. Para quem não sabe, ele aprendeu aos pés de homens como
Cícero Canuto de Lima e Eurico Bergstén, sempre mencionados em suas
preleções.
Seu pastorado foi marcado pela humildade e pela fidelidade. Quando
alguém o elogiava, em datas comemorativas, ele fazia questão de ler Salmos
118.23: “Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos”.
Seu ministério foi semelhante ao de Samuel, cujas palavras não caíram por
terra (1 Sm 3.19). Seu amor à Palavra e à evangelização, sua sinceridade e,
principalmente, sua humildade sempre me inspirarão.
Comparo a passagem de Valdir Bícego para a eternidade à de Estêvão.
Deus o “arrebatou”, por assim dizer, com o objetivo de realizar uma obra
ainda maior por meio de nós. A morte desses dois servos do Senhor, no auge
de seus ministérios, quando ainda tinham muito a oferecer, não ocorreu por
acaso.
E este livro é uma prova de que o pastor Valdir não morreu em vão.
Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus!
No próximo capítulo, quero falar um pouco mais sobre o culto a Deus.
Você sabe o que é um culto genuinamente pentecostal?

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

1 opinião sobre “O PORQUÊ DA MORTE DE UM PREGADOR”

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