É preciso ter em mente o que é pregação expositiva, segundo o
modelo bíblico. Mas, antes disso, discorrerei sobre o que não é pregação
expositiva. Afinal, quando conhecemos o lado negativo das coisas, passamos
a valorizar ainda mais o positivo.
Não é palestra motivacional. Muitas falações tidas como pregações
priorizam a motivação das pessoas. São mensagens como “Você já nasceu
vencedor” ou “Quando você levantar da cama, olhe para o espelho e diga ‘Eu
sou vencedor’ por três vezes”. Um dia desses ouvi certo pregador dizendo ao
povo: “Entre milhões de espermatozóides, somente um fecundou o óvulo de
sua mãe. Você já nasceu vencedor”.
É claro que o fator motivacional está embutido na pregação do
evangelho, mas não devemos confundir a exposição das verdades da fé cristã
com a apresentação de conceitos que melhoram a auto-estima. Será que a
mensagem de Jesus ao pastor de Laodicéia, contida em Apocalipse 3.17,18,
visava à melhora de sua auto-estima, ou ao seu arrependimento? O Senhor o
motivou a abandonar o pecado.
Não é palestra de psicologia. Torna-se comum, a cada dia, nas igrejas,
a exposição de conceitos da psicologia como se fossem verdades bíblicas.
Ora, a psicologia estuda a alma, com as suas faculdades. Mas o único livro
que trata da parte mais profunda do ser humano, o seu espírito, é a Bíblia. A
despeito de a mencionada ciência ter a sua importância, a tentativa de
mesclar os seus conceitos aos princípios das Escrituras gera um jugo
desigual. A pregação expositiva, como veremos, consiste mesmo em
exposição da Palavra de Deus (1 Ts 2.13).
Não é exposição para promover entretenimento. Tenho assistido com
tristeza a espetáculos promovidos por super-pregadores, cuja “pregação”
resume-se a mandar o povo fazer isso e aquilo. O arsenal de manipulação de
auditórios de que eles dispõem é impressionante. Um deles, depois de
empregar todo o seu repertório de olhe-para-o-seu-irmão-e-diga-isso-eaquilo,
disse à ingênua platéia: “Encoste a sua testa na testa do seu irmão e
olhe bem dentro dos olhos dele e diga…”
Onde nós vamos parar? Imagine o que aconteceria se um marido
descrente chegasse a um “culto” e visse a sua esposa com a testa encostada à
testa de um irmão? O que pensaria esse marido? E… como ele reagiria? Por
isso, é melhor expor as Escrituras, ainda que não haja reação imediata do
público. Aliás, se a Palavra é a semente, por que sempre queremos uma
resposta rápida do auditório? Cabe aos pregadores espalhar a semente, e ao
Espírito Santo — conforme o tipo de terreno — fazê-la prosperar (Mt 13.18-
23; Jo 16.8-11).
Não é exposição de sabedoria humana. Pregar não é uma
demonstração de sabedoria ou conhecimento. Há pregadores que, ao
microfone, esquecem-se de que devem ministrar a Palavra de Deus e
discorrem sobre os seus conhecimentos de filosofia, cultura, arte, cinema,
etc. Todos ficam admirados… mas, qual foi a mensagem de Deus? Embora
Paulo tivesse um vasto cabedal, as suas palavras aos coríntios não foram “…
persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de
poder” (1 Co 2.4).
Há expoentes que falam de tudo; menos da Palavra de Deus. Sabem
de cor letras de canções, roteiros de filmes… Ah, e já leram livros e mais
livros! Nada tenho contra quem possui um grande interesse cultural, mas o
maior conhecimento do pregador deve ser bíblico, a menos que faça parte do
grupo mencionado em Jeremias 6.10: “A quem falarei e testemunharei, para
que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir;
eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa; não gostam
dela”.
E você, caro leitor, aprecia a Palavra de Deus? Tem prazer em lê-la e
nela meditar de dia e de noite? E as suas pregações, são exposições das
Escrituras ou de sabedoria humana? Que façamos nossas as palavras de
Paulo, em 1 Coríntios 1.17,18: “Porque Cristo enviou-me… não em
sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. Porque a
palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus”.
Não é exposição impecável à luz da Homilética. Certo pregador, que
seguia à risca aos princípios homiléticos, porém era incapaz de fazer uma
prédica de improviso, passou por grande dificuldade. Ele não teve o cuidado
de fixar seu arcabouço à Bíblia, e o vento gerado por um ventilador junto ao
púlpito levou para longe a sua “inspiração”… Felizmente, um atencioso
irmão apanhou o papel e o entregou discretamente ao mensageiro. Antes,
curioso, deu uma olhadinha no esboço e deparou-se com a frase: “Aqui,
chorar”.
Conquanto a Homilética seja uma ferramenta imprescindível ao
pregador, este não deve se tornar um escravo dela. Pregadores há que a
valorizam além da conta, esquecendo-se de depender do Senhor. Em Atos
4.33, está escrito: “E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da
ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça”.
A pregação pode ser homileticamente impecável, com introdução,
desenvolvimento e conclusão humanamente perfeitos. Contudo, se não
houver graça de Deus no pregador, teremos apenas um belo discurso — sem
graça —, como o de Herodes, o qual levou o povo a exclamar: “Voz de
Deus, e não de homem!” (At 12.22). A nossa mensagem precisa ter graça e
vida provenientes do Espírito Santo (Jo 1.14; 1 Co 2.1-5).

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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