Sei que as definições que apresentarei não satisfarão aos superpregadores,
haja vista apreciarem os itens negativos acima. Para eles, o que
importa é agradar o povo e se tornarem cada vez mais famosos e populares.
Agem como se fossem humoristas, grandes comunicadores e palestrantes de
auto-ajuda. No entanto, as definições que mencionarei agora são baseadas
inteiramente na Palavra de Deus.
E exposição da Palavra de Deus. Não deve haver rodeios ou quaisquer
artifícios para agradar o público. O pregador deve expor a Palavra, pois é
isso que traz o conhecimento da vontade do Senhor (Sl 119.130), gerando no
coração dos ouvintes a fé (Rm 10.17; At 16.14). Infelizmente, expoentes há
que ignoram o fato de a Palavra de Deus ser proveitosa para ensinar,
redargüir, corrigir e instruir em justiça (2 Tm 3.16,17).
Em 1 Pedro 4.11, está escrito: “Se alguém falar, fale segundo as
palavras de Deus…” Não existe outra alternativa. É inadmissível um obreiro
não pregar as Escrituras e ainda desculpar-se, dizendo: “Cada um tem uma
ferramenta. Eu não fui chamado para pregar citando a Bíblia. Eu sou um
contador de histórias, um avivalista”. Ora, como foram as pregações contidas
no livro de Atos? Pedro não explanou a Palavra, na primeira pregação
pentecostal? Estêvão e Filipe não expuseram o que está escrito? E Paulo, o
que fez?
Não é o mensageiro que decide sobre o que falar. A mensagem não é
dele, e sim de Deus. Quanto a isso, o Senhor Jesus afirmou: “A minha
doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo 7.16). E, por isso,
pôde dirigir-se ao Pai com estas palavras: “porque lhes dei as palavras que
me deste…” (Jo 17.8).
O Mestre não pregou nada além do que recebeu do Pai celestial. E é
isso que devem fazer os pregadores: não expor nada além do que está escrito
na Palavra da verdade (Mt 4.4; Jo 17.17).
É explanação cristocêntrica. Pregar a Palavra de Deus não significa
citar versículos sem correlação. Tudo o que pregamos em relação à Bíblia
deve estar atrelado ao seu Personagem central: o Senhor Jesus Cristo:
“Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós
pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para
os gregos” (1 Co 1.22,23).
John F. MacArthur Jr. afirmou: “… pregar a Palavra nem sempre é
fácil. A mensagem que somos convocados a pregar é ofensiva. O próprio
Cristo é uma pedra de tropeço e rocha de escândalo (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). A
mensagem da cruz é uma pedra de tropeço para alguns (1 Co 1.23; Gl 5.11) e
loucura para outros (1 Co 1.23) (…)
Por que você acha que Paulo escreveu ‘não me envergonho do
evangelho’ (Rm 1.16)? Certamente porque há muitos cristãos que estão
envergonhados da própria mensagem que são ordenados a proclamar” (Com
Vergonha do Evangelho, Editora Fiel, pp.28,29).
Muitas mensagens, em nossos dias, aparentemente bíblicas, não são
cristocêntricas. Há faladores — e não pregadores — que citam passagens
isoladas, porém não mencionam Cristo e sua obra. Suas mensagens são
humanistas, motivacionais, psicologizantes. Dizem-se pentecostais,
ignorando que a verdadeira pregação pentecostal é a que enfatiza o nome de
Jesus e sua obra (Mc 16.15-18; At 2.22-36; 8.30-37; 9.15; 17.18).
É exposição da verdade, ainda que o povo não goste. Como vimos
acima, há quem não goste da Palavra (Jr 6.10; Rm 10.16), embora isso não a
invalide nem enfraqueça a sua influência sobre aqueles que lhe abrem o
coração. Por isso, caro pregador, jamais abra mão da Palavra da verdade (2
Tm 2.15-18; Jr 1.17). Deus não está nada satisfeito com esses faladores que
ocupam os púlpitos, em grandes festividades, para dizer tudo o que o povo
quer ouvir.
Leiamos Jeremias 14.13-15:
Então disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ, eis que os profetas lhes
dizem: Não vereis espada e não tereis fome; antes, vos darei
paz verdadeira neste lugar. E disse-me o SENHOR: Os profetas
profetizam falsamente em meu nome; nunca os enviei, nem lhes
dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade,
e o engano do seu coração são o que eles profetizam. Portanto,
assim diz o SENHOR acerca dos profetas que profetizam em
meu nome, sem que eu os tenha mandado, e dizem que nem
espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão
consumidos esses profetas.
Não é isso que temos visto em nossos dias também? Aliás, há até
pregadores que se intitulam profetas! Entregam os seus belos cartões,
oferecendo-se para pregar, e dizem de modo jocoso: “Profeta fulano ao seu
dispor”. A semelhança dos “profetas” que viveram nos dias de Jeremias,
falam falsamente em nome do Senhor, pois nunca foram enviados por Ele. A
visão deles é falsa. E, conquanto o povo pense que Deus a eles revela isso ou
aquilo, são adivinhos, vaidosos, enganadores e candidatos ao Juízo Final (Mt
7.21-23; Ap 20.12).

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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