Existe uma grande preocupação dos milagreiros em justificar as suas
práticas com passagens bíblicas, pois, apesar de não andarem segundo a
Palavra, sabem que ela depõe contra eles. E, a fim de ficarem bem em
relação à consciência, recorrem a textos isolados, que em nada apóiam as
suas invencionices. Apropriam-se, forçosamente, de passagens para pregar
falaciosos e inverossímeis fenômenos tidos como divinos.
Isaías 43.19. Com base nesta referência, os milagreiros chamam os
seus sinais de “coisa nova”. Mas a profecia contida no versículo é específica
e revela qual é a coisa nova: “Eis que farei uma coisa nova, e, agora, sairá à
luz; porventura, não a sabereis? Eis que porei um caminho no deserto e rios,
no ermo”.
João 14.12. Esta é a passagem preferida dos pregadores milagreiros,
devido à ênfase a obras maiores do que as realizadas pelo Senhor Jesus: “Na
verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as
obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu
pai”. Analisarei esta referência num tópico à parte, neste capítulo.
Atos 13.40,41. Esta passagem eles empregam com o objetivo de dizer
que os seus sinais exóticos são uma “obra tal que não crereis se alguém vo-la
contar”. No entanto, trata-se de uma profecia relacionada com o reino de
Judá, devastado pela Babilônia, em 586 a.C. Isso fica claro, quando lemos
Habacuque 1.5.
1 Coríntios 1.25. Já expliquei o sentido desta referência no capítulo 2
desta obra. A expressão “loucura de Deus” não se refere à loucura de Deus
ou à que provenha dEle. Ela é empregada, em conexão com outra expressão
— “fraqueza de Deus” — para enfatizar o quanto o Senhor é superior a cada
um de nós, pois as suas “loucura” e “fraqueza” são mais sábias e fortes que a
sabedoria e a força dos homens. É óbvio, ainda, que o termo “loucura”
refere-se ao que os homens consideram loucura (1 Co 1.18), e não a uma
qualidade pessoal de Deus.
1 Coríntios 2.9. Citam esta referência com o intuito de dizer que o que
fazem ninguém nunca ouviu, viu ou sentiu, ignorando que “as coisas”
mencionadas não são milagres, e sim as glórias indizíveis do evangelho,
desfrutadas em parte na terra (Rm 8.18; 1 Pe 5.1).
2 Coríntios 3.6. Dizem os milagreiros em relação aos que os criticam à
luz da Bíblia: “A letra mata”. Porém, a letra que mata não é a Palavra de
Deus, viva e eficaz (Hb 4.12), e sim a lei mosaica (2 Co 3.7), haja vista
sermos vivificados pela graça de Deus. Como se vê, apesar de “poderosos”,
esses pregadores (pregadores?) desconhecem verdades elementares do Santo
Livro. Eles erram por não conhecerem as Escrituras nem o verdadeiro poder
de Deus (Mt 22.29).

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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