Após a respeitosa saudação, esperava-se de Estêvão uma defesa
pessoal. Mas não foi o que aconteceu. Como se não tivesse a sua vida por
preciosa, contanto que anunciasse a Cristo, o homem de Deus passa a citar a
Bíblia de forma magistral.
Começando pela chamada de Abraão, menciona vários personagens e
passagens das Escrituras e faz uma contundente aplicação no final (At 7.2-
53).
Ele demonstra, durante a sua prédica, um conhecimento bíblico que a
todos surpreende, inclusive aos leitores de primeira viagem. Lembro-me da
minha surpresa quando deparei-me pela primeira vez com tantas menções ao
Antigo Testamento. A primeira delas, inclusive, impressionou-me pelo fato
de conter uma revelação inédita: a primeira chamada de Abraão, que não
está clara no livro de Gênesis.
O chamamento mencionado em Gênesis é o segundo, quando Abraão
estava em Harã (12.1-3). E a Estêvão foi revelado o primeiro, que ocorreu
ainda em Ur dos Caldeus: “O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai,
estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, e disse-lhe: Sai da tua
terra e dentre a tua parentela e dirige-te à terra que eu te mostrar. Então, saiu
da terra dos caldeus e habitou em Harã” (At 7.2-4).
Sob olhares arregalados e corações cheios de ódio, de pessoas que só
pensam em matá-lo, Estêvão prega a Palavra! Já pensou se isso acontecesse
com um dos animadores de auditório da atualidade? Como ele se dirigiria a
todos? O que pregaria? Teria ele coragem de pregar a Palavra? Ou faria
como muitos, que preferem “dançar conforme a música”? Não têm coragem
de manter uma postura firme, compromissada com Deus. Para cada público
exibem uma performance diferente.
Não fomos chamados para nos apresentarmos ao povo ou a pastores.
Nosso compromisso tem de ser com a Palavra. É ela que dá entendimento
aos símplices e gera fé nos corações (Sl 119.130; Rm 10.17). E também é ela
que é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção e para a educação na justiça (2 Tm 3.16,17). Daí Paulo ter
aconselhado Timóteo a pregar, instar, redargüir, exortar, repreender segundo
a Palavra de Deus (2 Tm 4.1-4).
Pregue, pois, a Palavra!

 

fonte: Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar – Ciro Sanches Zibordi

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