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Um mosteiro é estabelecido em Cluny

Nos séculos IX e X, a igreja estava doente. As lutas políticas causaram várias divisões na Europa. Os líderes da igreja buscavam poder e terras, praticavam violência e engano, assim como favoreciam o comportamento libertino. Em nada diferiam dos déspotas seculares.

Guilherme (William), o Pio, duque de Aquitânia, fundou um mosteiro em Cluny, que seria uma sociedade independente, livre das lutas de poder do império, sob a proteção do papa. O mosteiro seguiria a Regra estabelecida por Bento de Núrsia nos anos de 500: pobreza, castidade e obediência. A Regra foi bem recebida. Expoentes como Gregorio Magno e Carlos Magno promoveram essa idéia e ela se espalhou rapidamente por todo o império no século IX. Ela, porém, nunca conseguiu criar raízes, a não ser em Cluny.

Uma série de líderes capacitados fez com que Cluny funcionasse adequadamente: Berno, Odo, Majólo, Odilo, Hugo. Sob a orientação desses homens, novos mosteiros surgiram na França, Itália e Alemanha, os quais eram considerados “filhos” de Cluny. Alguns mosteiros já existentes procuraram a ajuda de Cluny. Em uma era feudal, Cluny se tornou o centro de um feudo espiritual. Esse mosteiro acumulava um poder muito além de sua idéia original. Porém, o tempo era adequado para um movimento de reforma, e Cluny carregava essa bandeira. Aquele foi o lugar em que se ergueu a maior edificação do cristianismo ocidental até a construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Por volta do ano 1110, Cluny liderava cerca de dois mil mosteiros.

O movimento monástico teve e-feito reformador sobre a igreja. Os monges exemplificavam e promoviam o comportamento cristão. O sacerdócio foi melhorado à medida que monges cluniacenses se tornaram bispos e até mesmo papas. Cluny se colocou terminantemente contra a simonía — a compra de ofícios sarce-dotais — e o nicolaísmo — o ato de os sacerdotes tomarem para si concubinas e esposas.

Cluny, no entanto, também conseguiu aparar uma série de arestas da sociedade secular. A classe dos cavaleiros começou a desenvolver a bravura cristã. A promoção por parte de Cluny de uma “Trégua Divina” — que afirmava que era ilegal guerrear da noite de quinta-feira até a manhã de segunda-feira — de algum modo limitava as contendas mesquinhas entre os nobres, embora o édito, aparentemente, não se aplicasse às batalhas contra os infiéis. Uma vez que o papa Urbano π fora prior em Cluny, a influência desse mosteiro pode ter sido responsável, de alguma maneira, pelas primeiras Cruzadas.

O poder de Cluny alcançou seu ápice sob o abade Hugo (1049-1109). Quando esteve sob a direção de Pedro, o Venerável (que serviu ali de 1122 a 1156), as coisas começaram a declinar. O poder pode ter levado Cluny à direção oposta da simplicidade de Bento. A ordem cisterciense, de Bernardo, mais tarde renovaria a força espiritual da igreja.

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