Quem afirma que a vida é um castigo vê no
sofrimento uma virtude. São pais que, por terem sido
maltratados, quase sempre por pais sádicos, acreditam que
nada na vida é obtido sem sofrimento. O castigo serve para
purgar os sentimentos de culpa que carregam desde a infância.
Tudo na vida dessas pessoas é considerado pela
perspectiva do sofrimento, por isso interpretam a vida como
uma luta com constantes sofrimentos em uma guerra sem fim.
Acham que a vida nos castiga cobrando o aluguel do viver.
Para elas, a vida sempre é amarga, cinzenta e difícil. Não
conseguem celebrar os pequenos sucessos e vitórias, até
porque para elas não existe celebração, apenas castigo.
Assim, passam ao filho o lema de sua própria vida, na
verdade, reeditando o que ouviram na infância. Em geral, os
pais que agem dessa maneira foram crianças programadas
para conseguir afeto, carinho, alimentação, brinquedos e tudo
o mais que desejassem e necessitassem à custa de muito
choro, insistência e sofridas negociações. Sem dúvida, são
pessoas de choro fácil — a declaração habitual de suas
necessidades e conflitos. Na maioria das vezes, nem estão
expressando um estado de sofrimento, apenas apresentando
uma senha para obter o que desejam. A exibição do
sofrimento é um passaporte para quase tudo na vida deles.

Consequências
Convencer seu filho de que a vida é um castigo irá
imprimir nele um sentimento masoquista. Ele verá o mundo
como um ambiente hostil e agressivo. Jamais exercerá sua
profissão com prazer — ela também será um castigo imposto
pela vida. Aprenderá a ser resignado no sofrimento, sem
procurar alternativas para superar as dificuldades, já que sofrer
faz parte da existência humana. Sua mente estará sempre
voltada para a amargura.
Seu filho se tornará uma pessoa excessivamente séria,
angustiada, achando que tudo está contra ele.
Esse modo de encarar a vida, no entanto, nem
sempre será evidente. O indivíduo melancólico pode
disfarçar seus sentimentos. Para escapar da tristeza,
tentará se mostrar alegre ou se entregará a uma atividade
hipomaníaca*. Ele também terá a tendência de se
comparar com aqueles que vivem bem e felizes, o que
lhe dará certa satisfação, pois considera o sofrimento
uma coisa nobre. Verá o sofrimento como um mérito
que, junto com a tendência de refletir sobre a amargura
da vida terrena e a profunda necessidade de ajuda, o
levará a buscar refúgio no ostracismo ou no trabalho
compulsivo.
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* Elevação ligeira, mas persistente de humor, da energia e da atividade,
associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de eficácia física e
psíquica.

Seu pessimismo diante de todas as coisas encerrará
certo fanatismo pela tragédia. Ao mesmo tempo em que terá
prazer no fracasso, será incapaz de desejar algo de bom para
os outros. Enfrentará a vida por meio da dependência e do
auto depreciação. O sofrimento que atrair sobre si servirá para
justificar suas exigências de afeto, controle e reparação.

O que dizer?
Em vez de ficar repetindo o mantra do masoquismo,
diga ao seu filho: “Há momentos na vida em que enfrentamos
situações de sofrimento, mas a vida é um presente de Deus e é
muito preciosa, por isso, devemos sempre celebrar os bons
momentos que ela nos oferece”. Diga também: “A vida é um
banquete!”.

FONTE: 50 Coisas que os pais nunca
devem dizer aos filhos

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