1º Trimestre de 2006

 

Data: 12 de Março de 2006

TEXTO ÁUREO

“Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade?” (2 Pe 3.11).

VERDADE PRÁTICA

Os salvos em Cristo são exortados à santidade em razão da nova vida que receberam e do glorioso futuro que os aguarda na eternidade.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Fp 2.15

O salvo como luz numa geração perversa

Terça – Mt 5.14-16

A luz do salvo deve resplandecer diante dos homens

Quarta – Jo 13.35

Os discípulos de Jesus são identificados pelo amor

Quinta – Jo 14.3

A salvação do crente é garantida por Cristo

Sexta – 1 Pe 1.3-5

Uma herança incorruptível aguarda o salvo nos céus

Sábado – 2 Pe 3.11,14,18

Características dos que aguardam a salvação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 13.8-14.

8 – A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.

9 – Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

10 – O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

11 – E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.

12 – A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz.

13 – Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.

14 – Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.

PONTO DE CONTATO

O discernimento do “kairos” divino ou do tempo que Deus determinou para a nossa salvação, impele-nos a vivermos como salvos: “porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nos do que quando aceitamos a fé… Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (vv.11,12). Professor, atente para o modo dos verbos: rejeitar, vestir, andar e revestir nos versículos 12 a 14, todos estão no imperativo. O modo imperativo exprime uma atitude de ordem, solicitação, convite ou conselho. Portanto, viver como salvo neste século perverso implica em ações que contemplem a santidade, a ética, o caráter e a moral cristã, de acordo com o exemplo de Cristo (v.14).

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Comentar sobre a essência do cristianismo.
Descrever a salvação como fato no passado, presente e futuro.
Distinguir entre luz e trevas.

SÍNTESE TEXTUAL

O texto da Leitura Bíblica em Classe, conclui as exortações tratadas nos capítulos 12 e 13 de Romanos por meio de dois parágrafos: vv.8-10 e 11-14. O primeiro, sintetiza todas as exigências éticas expostas no Decálogo (Êx 20.13-17), na lei do ágape ou do amor. Paulo segue e mantém a tradição judaico-cristã que resume os valores éticos e morais em relação ao outro, no imperativo “amar o próximo como a si mesmo” (Lv 10.18: Mt 22.35-40; Gl 5.14). Observe que o termo grego “agápe” ou amor é a palavra-chave, presente no início e final da primeira divisão (vv.8,10). No segundo, Paulo exorta a igreja ao discernimento do “kairos”, isto é, do tempo da salvação, da aproximação escatológica: “A noite é passada, e o dia e chegado” (v.12 cf. 1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.15-17). No entanto, a percepção cronológica do fim transforma-se em ações santas e no completo revestimento do caráter de Cristo (vv.12-14). Por fim, cabe aqui lembrar, do profundo impacto que o versículo treze causou na vida de Agostinho.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

Paulo cita cinco mandamentos do Decálogo e diz que estão todos resumidos numa única lei: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (v.9). Peça aos alunos para que reflitam por alguns instantes sobre cada lei mencionada por Paulo. A seguir, solicite que mostrem como o cumprimento da lei do amor produz obediência a cada uma das outras leis.

COMENTÁRIO

introdução

No texto de Romanos 13.8-14, o cristão é exortado a viver de modo digno diante de Deus e dos homens (Ef 4.1-3; Cl 1.10; 1 Ts 2.12). Ele também é impelido a uma vida santa, tendo em vista o iminente retorno do Senhor e o glorioso futuro que o aguarda (vv.11-14). A Leitura Bíblica de nossa lição, portanto, divide-se em duas seções principais: exortação ao amor fraternal (vv.8-10) e exortação á esperança do retorno de Cristo (vv.11-14).

Nesta lição, estudaremos diversas instruções bíblicas a respeito da conduta cristã autêntica, pois como afirmam as Escrituras: “… assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos” (1 Pe 2.15).

I. O AMOR CRISTÃO

A essência do Cristianismo é o amor (Rm 13.8-10; 1 Co 13). Isto foi declarado pelo Senhor ao ser inquirido por um doutor da lei (Lc 10.25-27), e ao dar as últimas instruções aos discípulos (Jo 13.34,35). O apóstolo João afirma: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é caridade” (1 Jo 4.8). Entretanto, todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

1. O amor ao próximo. Quando interrogado sobre quem é o nosso próximo, Jesus proferiu a parábola do Bom Samaritano, esclarecendo que o próximo pode ser qualquer pessoa que necessite de nosso amor (Lc 10.25-37; Mt 5.44).

A ordenança de Jesus, portanto, ultrapassa o limite de ajudar apenas os nossos amigos ou admiradores; devemos amar também os que nos maltratam (Mt 5.43-48). Somente assim poderemos demonstrar que, realmente, somos filhos de Deus (Mt 5.45).

Assim como Ele nos amou, quando éramos por natureza filhos da ira (Rm 5.8,10), devemos amar os que nos perseguem (Lc 6.27,28). Escreve o apóstolo: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça” (Rm 12.20).

2. O amor que procede do Espírito. A Bíblia afirma que antes de conhecermos a Cristo, éramos “odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3).

Sem Cristo, ninguém é capaz de amar ao próximo, muito menos se este for um inimigo contumaz. Mas, como nova criatura (2 Co 5.17), “o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5). O fruto do Espírito leva-nos a amar até mesmo os que nos odeiam. Além disso, afirmou Jesus que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor com que se amavam (Jo 13.35).

3. O amor cristão é prático. A essência da vida cristã é a prática do amor e da fé. Assim como a fé sem obras é morta (Tg 2.20), o amor, que não se manifesta em atos, não reflete a excelência da vida cristã renovada pelo Espírito: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 Jo 3.18).

O amor é demonstrado quando o cristão obedece às leis divinas: “Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.9,10).

O cristão não se limita a fazer o bem ao próximo, mas ama-o como a si mesmo!

II. A CERTEZA DO FIM

No tópico anterior, vimos a importância do amor em nossa vida prática. Como a nossa vida não se restringe a este mundo, aguardamos ansiosamente a manifestação de Cristo. Por conseguinte, a doutrina das Últimas Coisas tem íntima conexão com a vida e o comportamento do cristão.

1. O Deus da História. Sabemos que Deus atua providencialmente na história humana (At 2.23; 4.27,28). Ele não age fortuitamente, pois nada foge ao seu controle. A salvação é um exemplo deste maravilhoso domínio (Gn 3.15; Is 7.14; Mq 5.2; Gl 4.4,5; Rm 5.6).

2. Um fim predeterminado. Podemos constatar nas Escrituras que tudo acontece progressivamente no mundo, caminhando para o fim predeterminado por Deus (Ef 1.9-11). E o cristão deve estar ciente disto (Tt 2.11-13; 2 Pe 3.13; 2 Tm 3.1; 1 Jo 2.18).

3. A vinda do Senhor é certa. A Bíblia afirma isto diversas vezes (At 1.10,11; Mt 26.64; Ap 1.7; 22.20). O Senhor virá buscar a sua Igreja e estabelecer o seu reino eterno. Os ímpios, assim como o Diabo e seus anjos, serão lançados da presença do Senhor para o sofrimento eterno (2 Ts 1.7-10; Mt 25.41).

4. O comportamento cristão. O crente é exortado a uma vida de santidade pela certeza do retorno iminente de Cristo (Rm 13.11). Sua vida em nada lembra o modo de viver dos incrédulos. Por esta razão, vive como peregrino (2 Co 5.1; 1 Pe 2.11,12), não amando o mundo nem o que há nele (1 Jo 2.15-17) e almejando o dia em que deixará para sempre este corpo mortal (Fp 3.20,21).

III. A SALVAÇÃO PLENA

Paulo afirma que estamos mais perto da salvação do que quando aceitamos a fé: “E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (v.11).

A fim de compreendermos melhor esta afirmação, faz-se necessário abordar a salvação de acordo com os três tempos definidos pela Bíblia: passado, presente e futuro.

1. Passado: “Nós fomos salvos”. Quanto à culpa do pecado, o cristão já está salvo da maldição e da condenação da lei (Rm 8.2; 6.6; Tt 3.5).

2. Presente: “Estamos sendo salvos”. Quanto à sua relação com o poder e a corrupção do pecado, o cristão está constantemente aperfeiçoando a sua salvação conforme diz a Bíblia (Fp 2.12).

3. Futuro: “Seremos salvos”. Em Romanos 8.18-23, Paulo fala da salvação absoluta, final e completa. O escritor aos Hebreus também se refere aos que aguardam a Cristo para a salvação (Hb 9.27,28). De modo semelhante, Pedro trata da salvação “já prestes para se revelar no último tempo” (1 Pe 1.3-5,8,9).

IV. O CONTRASTE ENTRE LUZ E TREVAS

1. A diferença entre a luz e as trevas. A diferença entre o salvo e aquele que não tem a Cristo é tão grande quanto a existente entre a luz e as trevas. E não é uma questão apenas de comparação; é um fato demonstrado pelo Senhor Jesus (Jo 8.12; At 26.16-18).

O salvo, por conseguinte, não é alguém “um pouco melhor” do que os demais; é total e absolutamente diferente (Ef 5.6-8; 1 Ts 5.1-6; 1 Pe 1.23; 1 Jo 5.17-19).

2. A santificação requerida. A Escritura ensina que a santificação é decorrente de uma nova natureza: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2).

O crente foi resgatado para uma vida santa (1 Co 6.19,20; 1 Pe 1.16). Cristo não veio apenas livrar o homem do inferno; veio torná-lo santo (Tt 2.14).

O objetivo de Deus é que o crente participe da “herança dos santos na luz” (Cl 1.12). João chama de mentiroso aquele que diz ter comunhão com Deus e não muda seu modo de viver (1 Jo 1.5,6; 2.4). O salvo é luz no meio de um mundo perverso (Fp 2.15).

3. Quem convive com as trevas. O cristão corre perigo quando vive como se pertencesse à noite. (1 Ts 5.4-7). Assim como Demas (2 Tm 4.10), o que ama as trevas pode ser seduzido por elas. A sedução do homem é progressiva. O crente começa fazendo concessões em algumas práticas “inocentes”. Não demora muito, e já estará fazendo concessão em matéria de fé e quanto ao modo de entender a Palavra. Pedro garante que, procurando viver como filho da luz, o cristão não tropeça (2 Pe 1.10,11).

CONCLUSÃO

É requerido daquele que nasceu de novo um comportamento condizente com a nova vida em Cristo. O retorno de Cristo reforça a necessidade de uma vida pautada nos padrões bíblicos. O amor de Deus, implantado e sendo aperfeiçoado no crente pelo Espírito Santo, é imprescindível para o apropriado relacionamento do crente com o próximo.

VOCABULÁRIO

Condizer: Estarem harmonia; que condiz; dizer bem.
Eminente: Alto; elevado; que excede os outros; sublime; excelente.
Fortuitamente: De modo fortuito; ocasionalmente, casualmente.
Imprescindível: Indispensável.
Predeterminar: Determinar com antecipação.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ELIENAI, C. R. Comentário bíblico: Romanos. CPAD, 1999.

EXERCÍCIOS

1. O que é viver de modo digno do nome do Senhor?

R. É viver vida santa, tendo em vista o iminente retorno do Senhor.

2. Por que o amor é a essência do Cristianismo?

R. Porque é a demonstração do cumprimento das leis divinas.

3. Por que é importante para o crente amar o inimigo?

R. Porque assim demonstramos que realmente somos filhos de Deus.

4. Por que o amor cristão é prático?

R. Porque o amor que não se manifesta em atos, não reflete a excelência da vida cristã renovada.

5. Qual a diferença entre o salvo e o ímpio?

R. É tão grande quanto a existente entre as luz e as trevas.

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