1º Trimestre de 2015

Data: 15 de Fevereiro de 2015

TEXTO ÁUREO

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor” (Cl 3.20).

VERDADE PRÁTICA

Honrar pai e mãe vai além da simples obediência; implica amar e respeitar de forma elevada, demonstrando espírito de consideração.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Gn 2.24

Deixar pai e mãe não significa abandoná-los

Terça – Êx 21.15-17

A sanção da lei é implacável para quem ferir ou amaldiçoar os pais

Quarta – Pv 1.8

Honrar pai e mãe significa também acatar os seus ensinos e instruções

Quinta – Pv 23.22

É honroso para o filho cuidar dos pais na velhice deles

Sexta – Zc 12.1

Os pais são instrumentos de Deus para nos trazer à existência

Sábado – Mt 15.4

O Senhor Jesus reafirma a origem divina do quinto mandamento

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Êxodo 20.12; Efésios 6.1-3; Marcos 7.10-13.

Êxodo 20

12 – Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.

Efésios 6

1 – Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.

2 – Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,

3 – para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.

Marcos 7

10 – Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido com a morte.

11 – Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor,

12 – nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,

13 – invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.

OBJETIVO GERAL

Estimular um profundo respeito aos pais e às mães, não somente de palavras, mas de obras de amor e carinho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico.

Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Mostrar que “honrar pai e mãe” é o primeiro mandamento do Decálogo que se refere ao relacionamento com o próximo.
II. Destacar que, na família, os pais representam a Deus.
III. Apontar que, segundo as Escrituras, os filhos devem aos pais o respeito, a atenção e a devida obediência.
IV. Conscientizar os alunos de que os filhos têm responsabilidades econômicas com os pais.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

A família é uma instituição divina que vem sofrendo golpes sucessivos na sociedade contemporânea. Tudo na família começa a partir das figuras do pai e da mãe. A criança precisa crescer com essa referência para desenvolver noções claras de papéis adequados na sociedade. Para isso, os pais devem exercer autoridade sobre os filhos, bem como o amor e o carinho na relação. A Bíblia diz que os filhos devem honrar os pais, mas, igualmente, que os pais não podem despertar a ira dos filhos (Ef 6.1,2). A lição desta semana tem a finalidade de resgatar um mandamento que ajudou a construir a sociedade ocidental.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

O quinto mandamento era originalmente uma ponte entre as obrigações do israelita com Deus e as do israelita com seu próximo, e liga os quatro primeiros mandamentos aos cinco seguintes. Oito dos dez mandamentos do Decálogo são proibições e dois são positivos, o quarto e o quinto. Temos aqui o segundo mandamento apresentado em fórmula positiva.

PONTO CENTRAL

Todos os seres humanos devem respeito, obediência e atenção aos seus pais. Esta é a vontade de Deus.

I. O QUINTO MANDAMENTO

1. Os pais biológicos. O propósito divino aqui é a sustentabilidade da estrutura familiar e a santificação da ordem social. Os pais são representantes de Deus na família; honrá-los e temê-los significa fazer o mesmo em relação a Deus. São eles que geram os filhos e são responsáveis pelo bem-estar deles, pelo seu sustento, alimentação, vestes, saúde e educação. Não existe na vida alguém mais importante para o filho do que o pai e a mãe, pois eles são seus heróis. Esse relacionamento é semelhante ao de Javé com o seu povo Israel (Dt 1.31; Ml 1.6).

2. Os pais espirituais. A expressão “o teu pai e a tua mãe” se aplica também aos pais espirituais, que devem ser honrados e respeitados pelos filhos na fé. Isso é visto na lei (2Rs 2.12; 13.14) e na graça (1Tm 1.2; 2Tm 1.2; 2.1; Tt 1.4). A figura do governante também se assemelha à dos pais; veja como Débora se considera mãe de Israel (Jz 5.7). Assim, o mandamento abrange as autoridades espirituais e civis, que devemos respeitar.

3. Os pais intelectuais. O respeito e a honra se devem também a quem se destaca pelo conhecimento em qualquer área. Isso é visto no Faraó que constituiu José como primeiro ministro do Egito (Gn 45.8). Isso deve servir como exemplo nas igrejas atuais. Muitos cristãos hoje precisam aprender a lição desse Faraó. Em qualquer lugar em que chegarmos, iremos sempre encontrar alguém melhor do que nós em alguma área, e devemos ter humildade suficiente para reconhecer essa autoridade.

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

O quinto mandamento revela a sustentabilidade divina da estrutura familiar e da ordem social.

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ

“Os filhos são bênçãos de Deus para os casais a fim de preenchê-los e complementá-los. Os filhos alegram uma casa, trazem plenitude ao casamento e estendem o nome e a memória dos pais. São, na verdade, o grande empreendimento de um casal, mais do que casa ou bens, pois além de serem fruto do dom divino de gerar vida outorgado ao casal, ainda são indivíduos a quem podemos chamar de ‘nossos’.

Contudo, por mais gratificante que seja ser pai ou mãe, gerar um filho é só o primeiro ato da paternidade ou maternidade. A partir da fecundação, da vida criada ainda no útero materno, há um ser a formar, uma pessoa a construir, uma responsabilidade a considerar. Filho é uma pedra preciosa bruta e rara que Deus entrega aos pais, e o dever deles é esculpir, limpar e moldar o novo ser de forma a torná-lo único, para posteriormente devolvê-lo a Deus na forma de um adulto feliz, íntegro e temente a Deus.

Educar um filho, portanto, é muito mais do que ensinar regras básicas de educação, pagar os estudos, e dar comida e moradia. Educar um filho é formar uma pessoa, moldar seu temperamento, construir seu caráter e direcionar sua vida espiritual para Deus” (CRUZ, Elaine. Formando Filhos para Deus. cpadnews.com.br. Rio de Janeiro, Out. 2014).

II. OBEDIÊNCIA

1. O verbo honrar. Honrar pai e mãe é mandamento divino, e não sugestão humana (Êx 20.12; Dt 5.16; Mt 15.4). O verbo honrar, kaved, é um imperativo intensivo hebraico, do qual vem o substantivo kavod, “honra, glória”. A raiz desse verbo aparece em todas as línguas semíticas, com exceção do aramaico, e o significado é de “ser pesado”, sentido figurado, cuja ideia é de ser importante (Nm 22.15). É usado no Antigo Testamento com vários significados. Um deles diz respeito ao temor, ao reconhecimento, responsabilidade e autoridade; em nosso contexto, refere-se a alguém merecedor de respeito, atenção e obediência (Lv 19.3).

2. Filho adulto. A ordem divina é para os adultos; não se restringe à infância e adolescência. Não importa o estado civil ou o status social, todos devem respeitar e reverenciar de coração os pais. Em nenhum lugar da Bíblia ensina que essa ordem seja somente para crianças e adolescentes. Quando o moço e a moça chegam à maioridade, ou mesmo se casam, seus pais continuarão sendo os seus genitores e os filhos devem honrá-los e respeitá-los.

3. À luz da exegese. O termo grego usado em Efésios para “filhos” é tekna, plural de teknon; que indica descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta epístola: “filhos da ira” (2.3); “filhos amados” (5.1); “filhos da luz” (5.8). Somente 6.4 sugere criança ou adolescente. Em 6.1 parece ambíguo; seria precipitação aplicar esse ensino apenas às crianças e adolescentes. O verbo “obedecer” está na voz ativa, mostrando que se trata de pessoas moralmente livres para assumir uma responsabilidade diante de Deus (Ef 6.1).

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

A Bíblia declara que “honrar pai e mãe” é mandamento divino, não sugestão humana.

CONHEÇA MAIS

A Constituição do Núcleo Familiar no AT

“A constituição do núcleo familiar a priori foi composta por um homem e uma mulher. Mais tarde, acrescentou-se ao casal os filhos gerados dessa união. A partir do nascimento dos primeiros, a família se tornou o primeiro sistema social no qual o ser humano é inserido.”,

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“O que um leitor da Bíblia poderia esperar é ‘Obedeçe a teu pai e a tua mãe’. Obedecer, contudo, é mais fácil que honrar. Pode-se odiar e obedecer, mas é impossível odiar e honrar.

A gravidade da ordem é reforçada pela escolha do verbo ‘honrar’. Por diversas vezes, ele é usado com Deus como objeto (1Sm 2.30; Sl 50.23; Pv 3.9; Is 29.13; 43.20,23). Tanto Deus como os pais são dignos de honra. Esse termo hebraico é ocasionalmente traduzido por ‘glorificar’, e descreve como Deus deve ser adorado (Sl 22.23; 50.15; 86.9,12; Is 24.15).

Isso não quer dizer que os pais são dignos de adoração. Jesus citou e corroborou o quinto mandamento (Mt 15.4; Mc 7.10; também Paulo o fez em Efésios 6.2), mas também disse: ‘Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim’ (Mt 10.37). Os pais, como parte dos ‘outros deuses’ proibidos no primeiro mandamento, seriam deuses por demais impotentes.

Como Levítico 19.3, ainda que em ordem oposta, os mandamentos sobre guardar o sábado e honrar pai e mãe estão juntos. Possivelmente, a relação entre os dois está na ideia de que observar o sábado é uma forma de honrar a Deus e, portanto, corresponde a honrar os pais” (HAMILTON, Victor. Manual do Pentateuco. RJ: CPAD, 2006, p.223).

III. SUSTENTO

1. Cuidado. O sentido de deixar pai e mãe quando se casa (Gn 2.24) é a construção de um novo lar, e não o abandono dos pais. Deus é justo e retribuirá tudo o que o filho fizer com o pai e com a mãe. Quem age dessa forma está semeando para o seu próprio futuro, pois colherá isso na velhice. Há inúmeros exemplos no Antigo Testamento da responsabilidade do filho em cuidar do sustento dos pais (Gn 47.12; Js 2.13,18; 6.23; 1Sm 22.3). O Senhor Jesus citou e viveu este mandamento (Mt 15.4, 5; 19.19; Mc 7.10-12; Lc 2.51).

2. Oferta Corbã. O termo “corbã”, korban, é aramaico e significa literalmente “sacrifício”, mas o contexto aqui é algo muito triste. Trata-se de um artifício para fugir “legalmente” do compromisso de sustentar pai e mãe na velhice. O filho podia ser absolvido dessa responsabilidade se fizesse uma promessa de doação em dinheiro destinada ao Templo (Mc 7.11,12). Era uma desculpa para não ajudar os pais, pois se consagrava a Deus tudo o que possuía. Assim, ele dizia aos pais que não podia oferecer ajuda nem fazer nada por eles porque tudo já estava comprometido diante de Deus.

3. Ensino de Jesus. Deus não exige esse tipo de oferta de ninguém em sua Palavra, por isso o Senhor Jesus foi contundente com as autoridades religiosas de Israel. Essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7.13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa. Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já está fazendo a obra de Deus; o cuidado da família deve ser prioritário, só depois é que vem a Igreja (1Tm 5.8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós.

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

Os filhos não podem se esconder das suas responsabilidades para com os seus pais.

IV. ENTRE A LEI E A GRAÇA

1. Autoridade dos pais. Honrar e respeitar pai e mãe é um ensinamento que ocupa um lugar de elevada consideração na Bíblia. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois estão investidos de autoridade divina sobre a vida dos filhos e receberam de Deus a responsabilidade pelo bem-estar deles. A observação “porque isto é justo” (Ef 6.1) ou “porque isto é correto”, como diz outra tradução (NTLH), significa tratar-se de uma lei natural que existe desde o princípio do mundo. Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1.19; 2.14,15). Essa norma existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés, e foi dada a Israel como revelação e mandamento divinos (Mt 15.4).

2. O sistema mosaico. A promessa aos filhos que honram e obedecem aos pais, descrita no Decálogo, é a longevidade: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx 20.12). A passagem paralela de Deuteronômio acrescenta o sucesso econômico: “para que te vá bem” (Dt 5.16). Temos aqui uma prova incontestável de que originalmente este mandamento era exclusividade de Israel, pois fala sobre herdar a terra de Canaã.

3. Adaptado sob a graça. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento em ambos os textos do Decálogo, Êxodo e Deuteronômio: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6.2,3). Aqui, a Terra Prometida não é citada nem especificada como no Decálogo: “que te dá o SENHOR, teu Deus”. A Igreja, o povo de Deus do novo concerto, não tem terra para herdar, pois a nossa herança é o céu (Fp 3.20). Somos uma congregação de estrangeiros e peregrinos no mundo (1Pe 2.11).

SÍNTESE DO TÓPICO (IV)

Dentro da perspectiva da graça, o quinto mandamento tem o mesmo valor que os outros. Uma lei que existe desde que o mundo existe.

CONCLUSÃO

O quinto mandamento é de fundamental importância para conservar uma sociedade estável. Todavia, o cristão o observa como resultado da sua nova vida em Cristo, e não por coerção da lei, que condena à morte os filhos rebeldes (Êx 21.15,17; Lv 20.9; Dt 21.18-21), pois na graça somos guiados pelo Espírito Santo para as boas obras que Deus preparou para andarmos nelas. Não desperdice, portanto, o privilégio e a oportunidade de honrar seu pai e sua mãe, para não perder as bênçãos de Deus.

VOCABULÁRIO

Sustentabilidade: Característica ou condição do que é sustentável, que pode ser sustentado, preservado.

PARA REFLETIR

Sobre honrar o pai e a mãe:

Como os filhos devem honrá-los?

Devotando-lhes todo o respeito, a atenção e a obediência devida.

Qual é o dever dos filhos para com os seus pais na velhice?

Cuidar dos pais em tudo o que for necessário.

O Evangelho exige que os filhos deixem de cuidar dos pais para dar dinheiro à obra de Deus?

Não! Essa era a desculpa das autoridades religiosas de Israel para não assistirem os pais na velhice.

Os filhos não podem desacatar os pais (cf. Ef 6.1-3). Por quê?

Porque as Escrituras colocam os pais em posição de honra.

Os pais podem despertar a ira nos filhos (cf. Ef 6.4)?

Não. As Escrituras orientam aos pais a não despertarem a ira nos filhos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *