Precisamos ser generosos com nossos filhos em relação à
quantidade e à qualidade do tempo que lhes dispensamos.
Nossa profissão, as tarefas e as responsabilidades subtraem o
tempo que deveríamos passar com as crianças. Contudo, isso
não nos isenta de atender aos seus apelos para brincar ou
fazer algo junto.
Em Campinas, ocorreu um episódio que ilustra o
perigo de ser negligente nesse aspecto. Um médico, muito
ocupado, tinha um filho de sete anos, que todos os dias pedia
ao pai:
— Papai, vamos fazer nossa casinha hoje?
— Hoje não posso, estou muito ocupado — respondia o pai.
— Então quando vamos fazer a casinha?
— Não sei! Outro dia — retrucava o pai, impaciente. Certo
dia, a criança foi consolada com a promessa de que o pai
estaria disponível no final de semana seguinte, por isso
anunciou:
— Tudo bem, papai. Vou juntar mais madeira! Enquanto o pai
estava no trabalho, o menino dirigiu–se ao bosque defronte
de sua casa, que ficava em um condomínio fechado, a fim de
buscar alguns galhos para completar a construção da casinha.
Na volta, ao atravessar a rua, foi atropelado por um carro.
Alguém lhe prestou socorro, e o pai foi chamado às pressas.
Ele deixou sua equipe no centro cirúrgico do hospital e correu
ofegante ao encontro do filho.
O acidente fora muito grave. O menino sofrera um
traumatismo craniano de grande proporção. Ao chegar ao
local, o médico tomou o filho nos braços e gritou:
— Filhinho! Papai está aqui.
O pequeno, já agonizando, falou:
— Papai, não deu para fazermos nossa casinha. O carro me
pegou!
E morreu ali mesmo. Aquele competente profissional
foi por alguns anos atendido por um amigo meu, que era
terapeuta naquela cidade.
Disseme esse amigo que aquele homem jamais
superou a perda do filho. E se você também se encontra assim
— sem tempo para o seu filho — não hesite em mudar logo
essa situação.

Consequências
A criança que não obtém a atenção dos pais para suas
brincadeiras se sente desvalorizada. O mundo dela é o lúdico,
o brincar é sua interpretação da realidade. Se você nunca
participa do mundo da criança, irá se tornar cada vez mais
distante para ela. O tempo passará rapidamente. Logo essa
fase chegará ao fim, e seu filho entrará na adolescência.
Você então desejará participar com suas ideias,
conselhos e orientações, mas seu mundo estará muito distante
do mundo de seu filho. Você descobrirá que há um grande
abismo entre vocês e, consequentemente, sua voz não será
ouvida, seus conselhos serão rejeitados e o diálogo será
impossível. A dor no coração será imensa e constante.

O que dizer?
Quando sua parceria for solicitada numa brincadeira, a
resposta correta é: “Claro! Você sabe que gosto muito de
brincar com você”. Para que essa resposta sempre seja
possível, estabeleça horários para estar com seu filho. Dê–lhe
toda a atenção. A qualidade e a quantidade do tempo são
importantes. Quem ouve seu filho desde cedo, no futuro será
ouvido por ele. Seja criança com sua criança.
Mais tarde, ele será adulto com você.

FONTE: 50 Coisas que os pais nunca
devem dizer aos filhos

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