Cada ser humano é singular. Não há duas pessoas
iguais no mundo, e essa realidade deve ser levada em conta
principalmente quando nos referimos a avós, tios ou irmãos
mais velhos. A estruturação psíquica é diferente em cada
pessoa.
Embora a herança genética possa produzir um ser
externamente semelhante a um ascendente, ela não representa
a totalidade do novo ser que chegou ao mundo. As
experiências e assimilações culturais que ele irá vivenciar
constituirão uma personalidade única, irreproduzível, onde
residirão as diferenças mais notáveis.
Não há cópias de pessoas. Se a clonagem humana um
dia se tornar realidade, aqueles que imaginam um ser humano
copiado em todos os aspectos terão uma grande surpresa. O
clone herdará apenas a aparência física da pessoa da qual foi
originado: a cabeça, ou seja, a psique será totalmente
diferente. Isso porque o clone viveria em outro ambiente e
teria experiências que jamais teve o ser original. O cuidado
materno seria radicalmente diferente. O tempo e o modo de
desenvolvimento se dariam em outras circunstâncias. A
alimentação não seria a mesma, podendo haver, por exemplo,
diferença de peso.
A percepção da realidade seria desenvolvida em outro
contexto tecnológico. Os relacionamentos seriam outros.
Assim, jamais se produzirá um clone absolutamente
semelhante ao doador da célula-mãe.
Portanto, imprimir na mente de seu filho que ele é
igual a outra pessoa, principalmente no que se refere a
qualidades negativas, não é bom nem é verdadeiro.
Não bastasse a impossibilidade científica, essa frase
enganosa poderá ter consequências danosas para a formação
da criança.

Conseqüências
Em primeiro lugar, se seu filho não gosta da pessoa
mencionada ficará entristecido, e a comparação acabará
despertando raiva nele. Se, pelo contrário, ele tiver admiração
por ela, irá se sentir ofendido pelo modo pouco lisonjeiro ou
hostil em que a pessoa é considerada. Em razão disso, irá
interpretar todas as expressões de desprezo e insinuações
negativas dirigidas à pessoa pela qual tem apreço como
endereçadas também a si.
Em segundo lugar, no caso de o familiar citado ser de
má índole, ter mau comportamento, ser agressivo ou
criminoso, ficará registrado na mente da criança que é dessa
forma que todos a enxergam. Em consequência disso, uma
destas duas atitudes geralmente é tomada pela criança: passar
a odiar o parente mencionado ou esforçar-se
inconscientemente para reproduzir, isto é, pôr em prática
aquele comportamento como resposta agressiva aos ofensores
– os pais.
A criança se sentirá, de certo modo, obrigada a ser
igual à pessoa a qual está sendo comparada. Isso acionará um
processo psicossomático, porque a necessidade de tal
identificação quase sempre é acompanhada de angústia,
sintomas de doenças, temores e fobias.

O que dizer?
Em vez de fazer comparações com algum familiar cuja
atitude você não aprecie — mesmo que com razão — para
corrigir um mau hábito de seu filho, prefira dizer algo como:
“O que você fez não está correto. Gosto de você, mas não
aprovo essa atitude. Você precisa mudar este
comportamento”.
Se você agir assim, ficará bem claro para seu filho que ele não
é um mau-caráter, mas que apenas se comportou de maneira
inconveniente. Fazer a separação entre o ato praticado e a
criança em si é fundamental para um desenvolvimento
saudável.

FONTE: 50 Coisas que os pais nunca
devem dizer aos filhos

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