1886

Início do Movimento Estudantil Voluntário

Isso aconteceu em uma das conferências de verão de Dwight L. Moody. O grande preletor convidou os estudantes universitários a comparecer à Conferência do Monte Hermom em Northfield, Massachusetts, para um período de um mês de estudo bíblico e de comunhão. Em julho de 1886, 151 estudantes compareceram.

Nas duas primeiras semanas, foi uma conferência bastante comum. Nada foi dito com relação às missões. O estudo bíblico fazia parte das atividades diárias. Porém, havia um estudante de Princeton que orava pelas necessidades do mundo. Ele sentiu que Deus usaria aquela reunião para iniciar um movimento de missionários. Aquele estudante estava certo.

Ele chamou 21 estudantes, que tinham o mesmo sentimento, para que orassem com ele. Eles oraram para que o espírito de missões invadisse a conferência. Em 16 de julho, o orador A. T. Pierson fez um assombroso desafio missionário: “Todos devem ir, e devem ir a todos”. O espírito tornou-se ainda mais intenso em 24 de julho, com a Reunião das Dez Nações. Representantes de dez diferentes países e nacionalidades falaram brevemente, relatando as necessidades de suas nações. No restante da semana de conferências, muitos estudantes decidiram dedicar sua vida ao serviço missionário. No final, uma centena deles havia assumido esse compromisso.

No último dia da conferência, os alunos começaram a avaliar formas de manter esse espírito vivo e de espalhá-lo. Eles indicaram Robert P. Wilder para viajar a várias universidades durante todo o ano, falando sobre o que acontecera em Monte Hermom, bem como para dar início a grupos de estudantes comprometidos com missões. No ano seguinte, Wilder e um colega visitaram 167 instituições e 2 200 estudantes se comprometeram com o trabalho nos campos missionários.

Contudo, em 1888, esse espírito arrefecia. O movimento precisava de liderança e organização. Em uma reunião na Escola Monte Hermom, um grupo principal de cerca de cinqüenta pessoas decidiu indicar um triunvi-rato de líderes: Wilder representaria a Aliança Missionária Interseminá-rios; Nettie Dunn, da Associação Cristã de Moças, e John R. Mott, da Associação Cristã de Moços. Mott se tornaria grande influência, pois transformou um movimento estudantil em uma enorme força de atividade ecumênica e evangelística.

Mott acabara de se formar na Universidade Cornell, onde era bastante ativo na liderança da ACM. Tinha um grande anseio por ganhar almas, de modo que levou bem a sério seu papel no recém-formado Movimento Estudantil Voluntário [MEV]. Comunicação, publicidade e organização eram áreas em que Mott se destacava. Ele fazia questão de esclarecer às sociedades missionárias que o MEV não competia com elas, mas que, em vez disso, fornecia-lhes material humano. Estudantes, cujo coração estava voltado para missões nas várias faculdades, eram organizados em “grupos” e se encontravam regularmente para oração e encorajamento. Convenções de estudantes voluntários aconteciam a cada quatro anos. Mott e outros líderes viajavam bastante no esforço contínuo de encontrar, treinar e enviar novos missionários.

O lema dessa organização, proclamado alto e bom som, era “A evange-lização do mundo nesta geração”. Mott escreveu um livro com esse título. Em 1914, o MEV já era responsável por ter enviado um número estimado de 5 mil estudantes para os campos missionários.

Além desses números, porém, o movimento foi responsável pelo novo entusiasmo missionário no mundo. Outras organizações surgiram a partir dele. Em 1895, Mott lançou a Federação Cristã Estudantil Mundial e tornou-se seu primeiro-secretário geral. O Movimento Missionário Leigo nasceu em uma das conferências do MEV em 1906, levantando entre os leigos o apoio para as missões. Mott também foi uma figura de grande importância na Conferência Missionária Internacional de Edimburgo, em 1910. Isso levou à formação, mais tarde, do Concilio Mundial de Igrejas.

Mott tornou-se amplamente conhecido e exerceu grande influência. O presidente Wilson lhe ofereceu a oportunidade de ser embaixador na China, mas ele recusou. A Universidade de Princeton considerava a possibilidade de ele se tornar seu presidente, mas também recusou. Mott chegou até mesmo a ter a oportunidade de se tornar secretário de Estado, porém, mais uma vez, não aceitou. Ele era um homem com uma missão: fazer missões.

O entusiasmo missionário arrefeceu nos EUA depois da Primeira Guerra Mundial. Entretanto, os missionários inspirados pelo MEV, obviamente, serviram por muitos anos. O Movimento Estudantil Voluntário fez que William Carey fizera um século antes: despertou o interesse por missões em um momento muito importante.

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