Um dos erros escatológicos que os pregadores devem evitar é
o de apegar-se cegamente a uma das três escolas milenaristas, perdendo
de vista o que realmente dizem as Escrituras. Todo pregador
deve conhecer as escolas de interpretação do Milénio, mas priorizar
o que está escrito nas páginas sagradas.
Amilenarismo. Os amilenaristas interpretam, a qualquer custo,
as profecias sobre o Reino de Deus na Terra à luz da obra redentora
de Cristo. Na cruz, ao dar o último brado, o Senhor teria
aprisionado Satanás, simbolicamente. Esse aprisionamento significa
que o Senhor apenas limitou o poder do Inimigo de enganar
as nações (Ap 20.1-3). O amilenarismo espiritualiza boa parte das
passagens bíblicas a respeito do futuro e as considera cumpridas.
De acordo com esse sistema preterista, a Segunda Vinda não
terá duas etapas. Tudo acontecerá de uma vez só, “naquele dia”.
Quanto à expressão “mil anos”, mencionada claramente em Apocalipse
20.1 -7 por seis vezes, alude apenas a um número simbólico,
que indica um período de tempo iniciado na primeira vinda de
Cristo, o qual nunca terminará! Não haverá, pois, um Reino milenar
e físico. Afinal, o Reino eterno e espiritual já está em plena
atividade.
Entretanto, os próprios amilenaristas reconhecem que é impossível
ser dogmático quanto ao que significa a expressão “mil anos”
em Apocalipse 20.1-7. E, se eles admitem essa dificuldade, por que
preferem a interpretação alegórica à literal? Afinal, além de a aludida
expressão aparecer repetidas vezes no último livro do Novo
Testamento, não há em seu contexto imediato qualquer elemento
que induza o leitor à alegorização do Milénio.
Pós-milenarismo. Trata-se de um sistema de interpretação que
possui algumas semelhanças com o amilenarismo. Afirma que não
haverá um período de mil anos em que Cristo reinará na Terra. E
assevera que o Diabo já foi aprisionado quando o Senhor morreu,
no Gólgota. No primeiro advento do Senhor teria acontecido o
esmagamento pactuai do Inimigo. E, nesse caso, o anjo que desceu
do céu para prendê-lo (Ap 20.1) é o próprio Cristo — mas observe
que Jesus já estará na Terra no momento em que o tal anjo descer
(19.11-21).
Segundo o pós-milenarismo, os resultados da prisão de Satanás
estariam ocorrendo progressivamente ao longo da História.
Mas como interpretar o texto de Apocalipse 20.1-3 como uma
alusão ao suposto aprisionamento de Satanás, ocorrido na cruz,
se a própria Palavra de Deus assevera que ele é “o príncipe das
potestades do ar” (Ef 2.2) e pode, inclusive, opor-se hoje aos servos
do Senhor?
Em 1 Tessalonicenses 2.18 está escrito: “Pelo que bem quisemos,
uma e outra, ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás
no-lo impediu”. Isso mostra que o Inimigo não está preso, e
sim em derredor, “bramando como leão, buscando a quem possa
tragar” (1 Pe 5.8). Se ele tivesse mesmo sido aprisionado quando
Jesus foi crucificado, de que maneira teria conseguido encher o
coração de Ananias, para que ele mentisse ao Espírito Santo (At
5.3)? Por que Paulo afirmou que “o deus deste século [o Diabo]
cegou os entendimentos dos incrédulos” (2 Co 4.4)? E por que o
doutor dos gentios, ainda, asseverou que não ignorava os ardis de
Satanás (2.11)?
Pregadores do pós-milenarismo têm afirmado que já estamos
no Milénio! Cristo já está reinando, segundo eles, mas em espí­
rito. Ele foi entronizado como Rei logo após a sua ressurreição e
ascensão. E o fato de estar hoje assentado à mão direita de Deus,
nas regiões celestiais, denota que o Reino Milenar está em plena
atividade. Pouco a pouco, o Rei conquistará o mundo pela vitória
do evangelho.
Os pós-milenaristas — e também os amilenaristas — apresentam
alguns argumentos contrários à literalidade da expressão “mil
anos” (Ap 20.1-7). Para eles, o Milénio é uma extensão do período
da Igreja que ocasionará uma grande disseminação do evangelho.
Corresponde ao período entre a morte de Cristo e a evangelização
total do mundo. Eles afirmam que, assim como mil é o cubo de dez
(10x10x10), e este é um número de perfeição quantitativa, os “mil
anos” serviriam como descrição simbólica da glória permanente
do Reino que Cristo estabeleceu quando veio ao mundo.
Além de interpretarem o Apocalipse de maneira generalizante e
reducionista, considerando-o um livro ultra-simbólico (por assim
dizer), os proponentes do pós-milenarismo se valem das parábolas
de Jesus, das profecias do Antigo Testamento e de suposições, como
a mencionada acima, para fundamentarem a sua teoria preterista.
Por meio dela, praticamente ignoram a escatologia, haja vista quase
todas as promessas sobre o futuro, segundo eles, já tenham se
cumprido no primeiro século. Essa conduta é muito perigosa, à luz
de Apocalipse 22.18,19.
Pré-milenarismo. A despeito de ser a escola de interpretação
mais coerente e que, em geral, honra as Escrituras, pode se mostrar
contraditória, dependendo de seu sistema de interpretar o período
tribulacional. Os pré-milenaristas afirmam — acertadamente —
que Cristo voltará antes do Milénio. Mas o pós-tribulacionismo
e o mesotribulacionismo, correntes pré-milenaristas, defendem a
ideia (já refutada neste capítulo) de que a Igreja passará pela Grande
Tribulação ou pela primeira parte dela.
A verdade está contida nas Escrituras, e não no que afirmam os
teólogos. Não obstante, a escola de interpretação que melhor se
ajusta às Escrituras é o pré-milenarismo, pré-tribulacionista. Não
digo isso por mera preferência, e sim porque, de fato, os teólogos
que fazem uma leitura preterista das Escrituras estão equivocados.
Como já vimos, por exemplo, a afirmação de que a Grande Tribulação
já ocorreu na geração contemporânea de Cristo e que o
Anti-cristo já veio ao mundo, no século I, é desprovida de
embasamento bíblico e histórico.
Por que o pré-milenarismo é a escola mais coerente? Porque, se
acreditarmos que já estamos no Milénio — supondo que este seja
um período indefinido entre a morte de Cristo e a evangelização
mundial —, o Arrebatamento não será o primeiro evento
escato-lógico, e sim o fim de todas as coisas. Como explicar o fato
de que haverá duas ressurreições e vários julgamentos? Todos os
eventos mencionados após o Rapto da Igreja se darão num só
instante? O Arrebatamento, as ressurreições de justos e injustos, o
Tribunal de Cristo, o julgamento das nações, o Juízo Final…
Tudo ocorreria “num momento”?!
Para adaptar a escatologia bíblica ao sistema preterista do
pós-milenarismo teríamos de ignorar a clara sequência
cronológica de Apocalipse 19 — 22:
1) A Igreja glorificada no céu (19.1-10).
2) A manifestação de Cristo em poder e grande glória (19.11­
16).
3) A batalha do Armagedom (19.17-19).
4) A vitória de Cristo sobre o Anticristo e o Falso Profeta
(19.20,21).
5) A prisão de Satanás (20.1-3).
6) A ressurreição dos mártires da Grande Tribulação (20.4,5).
7) O Milénio (20.4-6).
8) A liberação de Satanás após o Milénio (20.7-9).
9) A condenação do Diabo (20.10).
10) O Juízo Final (20.11-15).
11) Novo céu e nova terra (21-22).

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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