Jesus não tinha maneira fixa de dar lições. Ele não se amarrava a rotinas,
nem se escravizou a nenhum sistema. Ao contrário, era senhor de sistemas e
rotinas, variando seu processo de ensino conforme a situação que se lhe
apresentava, segundo o objetivo que tinha em mente, e conforme o método que
então lhe parecesse melhor. Agia e ensinava da maneira que melhor lhe
parecesse no momento. O exemplo que neste sentido logo vem à tona de nossa
memória é o da conversa com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. £
caso referido mui frequentemente e conhecido quase que de todos. Estudaremos
este caso como ilustração geral dos passos de que consta a apresentação duma
lição, reconhecendo que, embora nos apresente ele as partes essenciais, é
apenas sugestão e não um padrão a ser seguido cm todas as lições.

1. O Começo da Lição

É claro que toda lição deve ter início dum certo modo. Precisamos começar
por algum lado e com alguma coisa. Em certos respeitos, o início é a parte mais
importante da maneira de ensinar, pois que o êxito ou o insucesso pode
depender muito da primeira sentença, ou pelo menos das primeiras. Se não
prendermos a atenção e o interesse de nossos alunos logo no início, é quase
certo que não mais conseguiremos isso no decorrer da lição. Por isso o professor
precisa estudar com muito cuidado e esmero o início da lição. De fato, muitos
professores gastam mais tempo preparando esta parte da lição do que
qualquer outra.

1) O que significa o começo da lição

A introdução ou o começo da lição é o atrair a atenção e dirigi-la para o
assunto do dia. Como o inspetor de trânsito chama a atenção de todos os carros,
assim o professor chama a de todas as mentes. Enquanto não se fizer isto não
poderá ensinar coisa alguma. Não podemos ensinar sem a atenção do aluno,
nem contra a atenção dele. É a mesma coisa que querer fazer andar um auto
sem que seu motor esteja funcionando, ou querer fazê-lo ir avante com o motor
funcionando ao contrário. Ou, mudando de figura, o mesmo que querer fazer andar
uma carroça sem atrelar primeiro os cavalos que a puxarão. Enquanto o
mestre não conseguir a atenção da classe não deve começar a lição. Precisa
prender a atenção e o interesse do aluno, para daí iniciar. A coisa mais
importante no início é prender a atenção da classe, de modo que a mente de
todos esteja ligada à lição que vai ser dada.

Para prender a atenção é preciso estabelecer alguma espécie de contato
com, a mente do aluno. É preciso o professor penetrar na área em que o aluno
se acha. Noutras palavras, o mestre precisa ligar-se de qualquer maneira ao
pensamento do aluno. Eduardo Leigh Pell diz bem: “A diferença entre o professor
experimentado e o mestre novato aparece logo nos cinco primeiros minutos
duma meia hora de lição. O novato olha primeiro para a lição, ao passo que o
mestre de mão cheia olha primeiramente para os alunos.”

Noutras palavras, o professor perito procura ver primeiro o que é que os
alunos estão pensando, para daí iniciar com isso. Patterson Du-Bois assim se
expressa: “A mente é um castelo que não pode ser tomado nem furtivamente,
nem de assalto. Há, porém, uma porta especial de entrada, que é sempre uma
experiência ou um ponto de contato com a vida.” Aí professor e alunos se
encontram num campo comum.

Neste ponto é bom anotar que os métodos artificiais de prender a atenção
são de pouco valor. Chamar a atenção, esmurrando a mesa, ou fazendo alguma
coisa sensacional, pode levar a atenção da classe para outras coisas que nem
sempre a fazem voltar à lição do dia. São métodos de pequeno fôlego, e podem
mais distrair que atrair. Histórias que não estão na linha do ponto central da lição
podem facilmente levar a mente para uma digressão infrutífera. Por isso, o
professor deve diligenciar por não gastar tempo com assuntos de interesse, mas
irrelevantes, como aviões, futebol, modas e política, para com eles atrair a
atenção dos alunos. Nem sempre é fácil colocar na estrada um carro que
destrilhou

O melhor ponto de contato, ou cabeça de ponte, para prender a atenção é o
interesse natural do aluno, ou algo interessante na própria lição para onde
podemos dirigir a mente do aluno. A curiosidade, ou o desejo de conhecer, é
fundamental. Quando se desperta isso, teremos iniciado o aluno naquilo que
importa. Na verdade, o interesse do professor pelo assunto já é alguma coisa.
Mas não basta. Weigle afirma, com razão: “Falharemos toda vez que não
pudermos interessar o aluno pela lição a ser dada. Nosso problema não é tornar
a lição interessante pela artimanha dum método, ou por adicionar à lição certas
histórias ou matérias agradáveis, embora estranhas: é, sim, tirar de cada lição o
seu interesse intrínseco.” Podemos partir dum interesse íntimo ou dum problema
a ele relacionado, e ir disso para algo na lição que com isso se relacione.
Tudo isto quer dizer que devemos partir de alguma coisa, ou nos ligar a
alguma coisa, a desejos ou necessidades inatas, pois que “não podemos nos pôr
à distância e de lá jogar conhecimentos ao aluno”. E é certo que as
necessidades do aluno provêm de seus instintos naturais. Um destes é o da
preservação própria ou segurança aqui e além. Outro é o da associação e
propagação da raça. O desejo do poder e do mando também é impulso mui forte.
Também é poderoso o impulso do companheirismo e da consideração e respeito dos outros. Deles procedem as saídas da vida. São pivôs ao redor dos quais
vivemos e nos movemos. Por certo, despertaremos a atenção e o interesse de
nossos alunos sempre que relacionarmos nossa lição com tais impulsos ou
instintos.

Para nos relacionarmos eficazmente com os desejos instintivos precisamos
conhecer tanto quanto possível a vida de nossos alunos — seus interesses,
experiências, passa-tempos favoritos e problemas. Devemos conhecer alguma
coisa de sua vida doméstica, dos estudos que estão fazendo e experiências
escolares, de suas atividades e problemas profissionais, de sua vida social
recreações, de seus problemas morais e religiosos. Deve o professor estudar o
indivíduo por meio de livros, de observações e do seu testemunho pessoal. Daí
poderá partir dos interesses do aluno e levá-lo à lição da Escola Bíblica Dominical,
ou partir da lição à luz dessas situações e delas tirar princípios que dizem
respeito a esses interesses. De qualquer modo, terá sempre um bom ponto de
contato.

2) Um exemplo de Jesus

O mestre sabia muito bem estabelecer um ponto de contato. Lidando com
amigos ou com inimigos, logo se punha em contato com suas mentes. Cremos
que o exemplo mais frisante disto é a conversa com a mulher samaritana junto
ao poço de Jacó (João 4:1-7). A ocasião de ensinar não era propícia. Quase
todos os obstáculos concebíveis estavam no caminho de Jesus. Conforme o
sistema judeu de contagem das horas, foi ao meio-dia dum dia bastante quente,
após o Mestre haver andado bastante. Estava cansado, corpo suarento, sujo da
poeira da estrada, sedento e faminto, e em péssimas condições físicas para uma
entrevista. A mulher viera para buscar um balde de água, e certamente achavase
também suarenta e apressada, nada disposta a conversar, e muito menos a
receber lições. Havia ainda a desvantagem de serem pessoas estranhas. Quanto
à virtude, eram polos visceralmente opostos: Jesus, sem pecado; e a
mulher, uma decaída. Ele, homem; ela, mulher — terrível barreira nas terras
orientais. Ele judeu; ela, samaritana — dois povos eivados de preconceitos
mútuos. Discutindo o incidente, B. W. Spilman diz: “Havia tanta amizade e
ligação entre um judeu e um samaritano como entre um fox terrier e um gato
estranho.”

Assim, vemos que tudo conspirava contra um favorável ponto de
contato. Não obstante, Jesus derribou todas aquelas barreiras com uma
introdução mui simples, humana, natural, inteiramente despida de qualquer
antagonismo — pedindo um pouco de água. Um estranho apressado, cheio de
preconceitos e pecador, ainda que doutro sexo, não se sentiria ofendido com tal
pedido. Provavelmente a parte que mais nos impressiona do famoso quadro da
Batalha de Atlanta aqui do Ciclorama é a que representa um soldado dando a
beber do seu cantil a um inimigo ferido. O pedido de Jesus afastava toda e qualquer animosidade, exigia resposta favorável e era um golpe de mestre. Após
haver estabelecido contato c chamado a atenção, era fácil fazer a transição da
água natural para “a água viva”, e daí Jesus saiu para o largo e caminhou direto
para o alvo que tinha em vista.

Por todo o seu ministério encontramos exemplos semelhantes de
introduções bem conduzidas. Praticamente em cada caso Jesus apelava para
aquilo que mais estava empolgando a mente, como ocupações problemas,
necessidades.

No Ensino do Monte, Jesus Se congratulou com os famintos, com os que
choram, com os pobres, assegurando-lhes as maiores bênçãos para eles
reservadas (Mat. 5:3-9). No último dia da festa, clamou à multidão abrasada e
sedenta: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (João 7:37). Frequentemente
ele fazia referências aos ensinos de Moisés, que os judeus
reverenciavam muito, fazendo disso ponto de partida para ensinar suas verdades.
Quando os escribas e fariseus o criticavam, tomava a atitude deles como ponto
de partida. Jesus tomava parte em reuniões sociais, comia e bebia com publicanos
e pecadores, buscando, assim, maior comunhão e amizade com eles.
Até de um milagre Jesus se aproveitou para abrir caminho à apresentação duma
verdade. Parece mesmo que as multidões o seguiam em grande parte por causa
dos contatos vitais previamente estabelecidos.

Fosse qual fosse o método empregado, o primeiro cuidado de Jesus era
estabelecer um ponto de contato — despertar o interesse e atrair a atenção.
Podia ser por meio dum pedido, dum objeto, duma pergunta, duma sentença ou
duma história. Fosse qual fosse a maneira necessária para isso, ele assim agia.
De fato, conhecendo aquilo que estava na mente do homem, Jesus podia realizar
isso muito mais eficazmente do que esperávamos. Em qualquer caso, conosco,
como para com ele, o primeiro cuidado deve ser estabelecer contato com o aluno
antes de lhe transmitir a lição.

2 . O Desenvolvimento da Lição

Havendo conseguido chamar a atenção do aluno para a lição do dia, importa
agora avançar. Isto é tão importante como prender o interesse e a atenção, e
como a apresentação da verdade. Deve-se, então, avançar, apresentando,
aclarando e apegando-se à lição. Deve-se extrair a verdade, meditar nela, sentila
bem na alma, apanhando-se bem os princípios e implicações que lhe
subjazem. A mente dos alunos deve estar presa ao assunto até o fim da aula.

1) Coisas essenciais ao desenvolvimento da lição

Para que seja eficiente toda a tarefa da apresentação da lição é necessário
ter-se boa compreensão das leis fundamentais do ensino. Estas, já se disse bem,
são as leis seguintes: prontidão, exercício e prática do que se aprendeu. A
primeira, “como já vimos, significa que, estando a pessoa já amadurecida para
uma experiência, passar por essa experiência lhe é coisa agradável, e não
passar por ela é desagradável; assim devemos usar então material apropriado
para tal. A segunda lei significa que, sendo tudo o mais igual, quanto mais
fizermos uma coisa, mais ela fará parte de nós. É a velha ênfase sobre repetições
e hábitos. A terceira lei diz que, quando é satisfatório o efeito duma experiência,
nós nos inclinamos a repeti-la, mas quando o efeito é incomodo e desagradável,
tendemos a evitá-la. Portanto, nosso ensino deve ir ao encontro das
necessidades da vida.

Estes princípios nos devem guiar, no planejar e no dar a lição. Também
devemos lembrar sempre a diferença que há entre ensino transmissivo e ensino
criador. O primeiro consiste apenas em transmitir a outrem nossas idéias sem
qualquer pensamento particular da parte de quem recebe nossas idéias; já o
segundo consiste em ajudar o aluno a descobrir a verdade por si mesmo. O
primeiro método pode criar seguidores; o segundo cria líderes.

Antes de se dar uma lição, deve ser cuidadosamente planejada. Isto é tão
importante quanto procurar achar o significado material escriturístico então
usado. Ao se fazer o plano da lição, a primeira coisa é selecionar a verdade
principal a ser ensinada. Isto quer dizer que, tendo-se já estudado a composição,
os fatos e as verdades, como no caso da lição ao moço rico, mas há verdades
que queremos que a classe aprenda.

Se o material admitir isso, é muitas vezes melhor enfatizar uma só verdade,
como no caso da lição ao moço rico, mas. há muitos casos em que estão
envolvidas várias verdades, como no caso das Bem-aventuranças.

Tendo-se um esboço definido, o ensino se torna mais específico e de alvo
bem certo. A lição planejada tem alvos preciosos, e assim não haverá dispersão,
nem digressões. Em cada lição, porém, não se deve perder de vista os maiores
objetivos do conjunto de lições, e, por isso, deve ajustar-se ao alvo global e total
de toda a série de lições. Importa anotar aqui novamente que, para se selecionar
cada domingo a verdade de que a classe mais necessita, se faz necessário
compreender os tempos em que se vive e também o viver pessoal de cada aluno
da classe. Isto é mui importante, se desejamos ensinar alunos, e não apenas dar
lições.

Vem, então, o assunto de se dar a lição de modo tão interessante que a
classe toda acompanhe o professor, e a verdade apareça viva e impressionante.
Isto é bem mais fácil dizer que fazer, mas é coisa importante e necessária.

Envolve clara compreensão do material por parte do professor e também
genuíno interesse para com os alunos e para com os assuntos discutidos.
Quando se ensina sem observar estes pontos é o mesmo que não ensinar.

O ensino na Escola Bíblica Dominical é bem mais do que ajudar o aluno a
adquirir conhecimentos. A lição verdadeira envolve o desenvolvimento de
atitudes e leva o aluno a controlar sua conduta. Precisa o professor conservar-se
alerta às idéias e atitudes da classe, e fazer delas o melhor uso possível. Isto
significa o freqüente emprego de ilustrações, de perguntas e de discussões ou
debates. Exige igualmente a ajuda de materiais visuais de dramatizações e de
projetos. Na verdade, os métodos variarão de acordo com a idade dos alunos, de
acordo com a qualidade do material usado e ainda de acordo com a habilidade
do professor. Aquele que der melhor resultado será o melhor.

É de suma importância que o professor se apegue ao assunto principal e
não se deixe levar ou desviar por pensamentos irrelevantes. Isto não é coisa fácil,
mas é muito importante. Não significa isso que o professor ignore assuntos
relevantes que não estão no plano, porque estes podem ser mais importantes
que o próprio material, mas quer dizer que o professor não permitirá que os
alunos consciente ou inconscientemente o desviem do ponto central e principal.
O professor se apegará ao aluno e ao tema central, se não aos próprios materiais
que usa. O professor precisa ater-se cuidadosamente ao horário, para omitir
aquilo que não é essencial, para dar a cada parte da lição a necessária ênfase e
nada fazer atropeladamente. Ele ali está para guiar e orientar o processo de
ensino e também para transmitir informações interessantes e valiosas.

2) Um exemplo de Jesus

O Mestre fez o que vimos de mencionar, ao desenvolver seu tema na
conversa com a mulher samaritana (João 4:7-26). Após abrir o assunto natural e
desejável da “água”, enfrentando agora a sentença repreendedora e digressiva
de que um judeu nada devia pedir a um samaritano, disse à mulher que, se ela o
entendesse, lhe pediria para dar-lhe “água da vida”. Vemos que ela ainda não o
entendera, e objetou que o poço era demais fundo e que Jesus não tinha com
que tirar dele a água, e passou a dizer que Jesus em nada era maior que Jacó
que cavara aquele poço. Mas o Mestre se apegou ao tópico da água e disse que
a qualidade de água que ele lhe daria matava a sede duma vez para sempre,
permanentemente, e se tornaria “uma fonte de água que mana para a vida
eterna” (v. 14). Agora Jesus chegara ao âmago do seu assunto e havia despertado
a curiosidade e o interesse da mulher, conquanto ainda ela não
compreendesse bem o que ele estava dizendo, pois que pediu que Jesus lhe
desse daquela água para nunca mais ter sede e nunca mais precisar vir buscá-la
ali naquele poço.

Para aclarar seu pensamento, para enfatizar o sentido espiritual de suas
palavras e aprofundar a convicção na mente da mulher, disse-lhe Jesus que
fosse e chamasse seu marido. Ela respondeu que não tinha marido. Jesus
respondeu que aquilo era verdade, porque ela tivera cinco maridos, e o homem
com quem estava vivendo não era marido dela. Vendo que ele era um profeta,
pois lhe lera toda a sua vida, tentou a samaritana desviar o assunto, introduzindo
a questão, mui discutida entre judeus e samaritanos, do lugar onde se devia
adorar a Deus, se no monte deles ou em Jerusalém. Jesus não admitiu sair do
assunto, e voltou à afirmativa de que o verdadeiro culto não depende de lugar, e,
sim, de atitude — “em espírito e em verdade” — porque Deus é espírito. Quando
ela compreendeu que o Messias prometido aclararia aqueles assuntos, Jesus lhe
disse imediatamente: “Eu o sou, eu que falo contigo” (v. 26). Assim o Mestre
atraiu a atenção da samaritana, conservou o interesse dela, recusou desviar-se
do assunto, aclarou e se apegou à verdade. Temos aqui esplêndida
demonstração de como se desenvolve uma lição. Bem faremos em estudá-la frequentemente
como padrão incomparável.

Poderiam ser dados outros exemplos de como Jesus desenvolvia as lições
que dava. Conquanto este caso nos apresente o método de discussão do
assunto, outras lições Jesus deu por meio de preleções, como o Ensino do
Monte, outras ainda por meio de histórias, como o capítulo 15 do Evangelho
segundo Lucas, e ainda outras mais, lançando mão de objetos e pessoas, como
quando pôs no meio deles uma criança. Ainda Jesus usou de demonstrações,
como quando respondeu à dúvida de João Batista, apelando para as obras que
ele estava realizando. Lançava mão também de perguntas, como quando indagou
sobre a origem do batismo; e mesmo do método de dramatizações, como
fez no batismo e na Santa Ceia. O Mestre não parava enquanto não tornasse
claro e conveniente o seu ensino.

3. A Conclusão

A parte final duma lição é aquela que desemboca na conclusão ou aplicação
de tudo quanto se disse. Para alguns, é esta a parte mais difícil da tarefa. Isto
parece ser verdade, tanto com mestres como com pregadores. Constantemente
se dá mui pouca atenção à conclusão, esperando-se que tudo termine bem. Mas
a conclusão e parte de muita importância para ser assim descuidada, pois
sabemos que aquilo que se diz por último é que causa maior impressão e fica
mais tempo na memória.

1) Em que consiste a conclusão?

É claro que uma lição não termina só quando os fatos do trecho escriturístico
já foram apresentados. Isto deixaria o pensamento do aluno vagando no passado, numa época de há mais de dois mil anos, como aconteceria com um
grupo de adultos após uma lição que tratasse das atividades curadoras de Cristo
num dia de sábado. É preciso que o professor atualize a verdade e a aplique aos
problemas de nossos dias, bem como aos alunos da classe. É preciso também
enfatizar a verdade discutida. Se estudamos fatos históricos ou certo número de
verdades, um bom resumo no final é coisa eficaz, constituindo a conclusão em
apresentar à classe o ensino total da lição e em enfatizar por meio de repetição.
A natureza da lição e as necessidades da classe determinarão a espécie de
conclusão a ser feita. O método empregado também em mor parte determinará a
fórmula especial de conclusão.

É de suma importância extrair dos fatos e das verdades específicas das
Escrituras, então estudados, o princípio fundamental que lhes subjaz. Do
contrário, apanharemos apenas fatos ou verdades desconexas e isoladas, e não
descobriremos o princípio básico. E também não estaremos preparados para
aplicá-lo ao dia que passa. A coisa principal a respeito de qualquer lição
estudada é a verdade que lhe subjaz. Por exemplo, o estudo duma cura em dia
de sábado, a que já nos referimos, deve frisar não só as atividades específicas
de Jesus, mas também o subjacente interesse de Jesus pela integridade da vida
humana e o propósito fundamental do seu ministério, que era o de servir mais
àqueles que precisavam de saúde física do que àqueles que já estavam sãos. No
caso do jovem rico, deve-se enfatizar que Cristo está acima de todos os
interesses materiais.

Também se deve aplicar o princípio básico da lição à vida de cada dia. Para
conseguir isto, o professor deve pensar em termos da comunidade de que faz
parte, do mundo como um todo. Pode partir também do ponto de vista da igreja
ou da ordem social. Para levar a lição da cura a uma conclusão apropriado, o
professor poderá frisar o lugar proeminente que ocupam em nossa sociedade a
Cruz Vermelha, os hospitais, as enfermeiras e os médicos de nossos dias, na
obra de suavizar o sofrimento humano. Ainda mais, quanto possível, se aplicará
a lição à vida de cada um dos alunos da classe. Do contrário, não se terá
relacionado a lição de modo devido à vida de cada dia. Nessa mesma lição que
trata da cura, pode o professor mostrar o dever que todos têm de contribuir
alegre e liberalmente para o progresso e eficiência dos hospitais, a fim de que
haja médicos e enfermeiras em número suficiente para atender aos desvalidos,
ou mesmo para que cada aluno pessoalmente preste algum serviço de
assistência social. A lição precisa tocar a terra.

Na conclusão, boas ilustrações são de grande valor e eficácia, tanto para
dar vida à verdade discutida como para aprofundar as convicções e impressões
da mesma. Nada nos inspira tanto como ver a verdade encarnada. Nenhum
argumento conseguirá fazer mais, nem levantará mais ofertas para um orfanato
do que a história de um menor abandonado redimido e recuperado por esse orfanato. O mesmo é verdade no que respeita a hospitais, asilos e albergues.
Nem estatísticas, nem a maior eloqüência conseguirá maiores ofertas em favor
das missões estrangeiras do que a rememoração dos serviços de um Judson ou
de um Livingstone. O mesmo se pode dizer das contribuições para as
necessidades de guerra e da humanidade sofredora. Assim, é de grande
vantagem, no clímax da conclusão duma lição, apresentar uma ilustração bem
escolhida, tanto para aclarar a verdade como para incitar à ação. Isto em grande
parte explica por que Jesus empregava constantemente parábolas em suas
lições.

2) Um exemplo de Jesus

Quando os discípulos voltaram, justamente quando o Mestre estava dizendo
à mulher samaritana que ele era o Messias esperado, parece que não foi feita
nenhuma conclusão formal ou aplicação. Não obstante, Jesus havia atingido o
clímax de sua lição. E, com êxito, houve um bom remate, pois vemos que a
mulher deixou ali junto ao poço seu cântaro, esquecendo-se de tirar a água (para
o que viera), e voltou à cidade dando testemunho de Jesus. Está claro que o
Mestre levou a samaritana a tirar por si mesma a conclusão; e isso ela o fez não
apenas intelectualmente, mas com todo o peso de sua atitude e em resposta à
lição que recebera do Mestre, coisas que constituem o teste final duma boa
conclusão. Uma conclusão formal nem sempre é coisa necessária ou
imprescindível.

No caso do doutor da lei que ele fez perguntas, Jesus apresentou uma
conclusão definida e muito prática. Tendo enfatizado a necessidade de se amar o
próximo como a si mesmo, e havendo contado a história do Bom Samaritano,
para ilustrar quem é o nosso próximo, o Mestre perguntou ao inquiridor qual dos
três que passaram pela estrada provou ser bom vizinho e amigo do pobre
assaltado e atirado à beira da estrada. E, quando o doutor da lei respondeu que
fora aquele que mostrara misericórdia e socorrera a vítima do assalto e roubo,
Jesus lhe disse: “Vai, e faze tu o mesmo” (Luc. 10:37). O Mestre não só revelou a
verdade central da lição, como também a aplicou diretamente ao doutor da lei, de
modo específico e pessoal. Jesus, quando ensinava a alguém, nunca o deixava
ncar ou a meio caminho.
Aplicação um tanto semelhante Jesus nos apresenta no lidar com o moço
rico. Depois de lhe haver recomendado a prática de alguns dos Dez
Mandamentos, descobriu o ponto fraco do moço, diagnosticou o mal dele e lhe
recomendou: “Falta-te uma coisa: vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres…
e vem, e segue-me” (Mar. 10:21). Era uma aplicação mui definida e específica,
de acordo com as necessidades do jovem. Voltando-se depois para a multidão,
enfatizou ainda mais a verdade, dizendo: “Quão dificilmente entrarão no reino de
Deus os que têm riquezas!” (Mar. 10:23). O Mestre dos mestres sempre chegava
ao ponto.

Concluindo este capítulo que trata da maneira de se dar lições, creio ser
necessário dizer algumas palavras sobre a verificação dos resultados, pois que,
em certo sentido, isto também faz parte das atividades de ensino. Têm-se
empregado vários tipos de testes para tal verificação. Um deles é o velho método
de perguntas e respostas. Outro é o da escolha múltipla, no qual o aluno
seleciona, dentre duas ou mais respostas, a resposta certa. Ainda outro é o
método de verificar, como verdadeiras ou falsas, afirmativas baseadas na lição. E
ainda outro consiste em se completar ou preencher qualquer parte omitida de
sentenças bíblicas ou doutras sentenças. De quando em quando se fazem testes
de atitudes, bem como de conhecimentos. Observações pessoais e verificações
de sua conduta para com os pais e os professores da escola pública ajudarão
bastante na computação dos resultados obtidos.

Conquanto pareça que Jesus não houvesse usado muito tais testes, é fato
que de várias maneiras ele buscou aferir os resultados do seu ensino. Certa
ocasião ele perguntou a seus discípulos: “Quem dizeis que eu sou?” (Mat.
16:15). Certamente estava procurando ver se seus discípulos haviam progredido
no modo de compreendê-lo. Também noutra ocasião disse: “Pelos seus frutos
os conhecereis” (Mat. 7:16). Evidentemente ele observava as conseqüências,
para poder verificar os resultados de sua obra. E sabemos que ele obteve
relatório da atividade dos setenta, quando estes regressaram duma excursão
missionária (Luc. 10:17). Também Jesus menciona sinais e frutos como testes
dos verdadeiros fiéis. Igualmente devemos verificar os resultados, se quisermos
saber se nosso ensino está atingindo, ou não, a vida de nossos alunos.

Sugest ões auxiliares para o ensino do sexto capítulo

Esboço no Quadro-negro

1. O Começo da Lição
1) O que significa a Introdução ou Começo da Lição
2) Um Exemplo de Jesus

2. O Desenvolvimento
1) Partes Essenciais do Desenvolvimento
2) Um Exemplo de Jesus

3. A Conclusão
1) Em Que Consiste
2) Um Exemplo de Jesus

Tópicos para Discussão

1. Mencione outros interesses além dos já citados.
2. Explique a estratégia de Jesus no lidar com a samaritana.
3. Como desenvolve você suas lições?
4. Mencione outras maneiras pelas quais Jesus dava suas lições.
5. Mostre qual o melhor remate de uma lição.
6. Qual o melhor método para aquilatar os resultados d» lição?

Assuntos para Revisão e Exame

1. Dê os elementos básicos para se iniciar uma lição.
2. Discuta como Jesus desenvolveu a lição que deu à samaritana.
3. Dê os elementos da conclusão duma lição.

Fonte: A PEDAGOGIA DE JESUS 3º edição

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