a famosa capital do antigo Império Assírio, estava localizada 450 km
ao norte da Babilônia, à margem oriental do Tigre e do outro lado do rio da moderna
Mossul. Era chamada a “cidade dos ladrões”, porque seus moradores invadiam e
despojavam outras regiões para enriquecer. Nínive teve uma história cheia de colorido,
ainda que trágica, especialmente a partir do século IX a.C., até a época de sua destruição
final diante do ataque de uma união de forças encabeçada por medos e babilônios em
612 a.C.Henry Austin Layard visitou as ruínas de Nínive em 1845 e calculou que o
circuito total de sua área rodeada de muralhas era de 11 km. Dentro do recinto de 728 ha
de extensão, havia dois montículos. O do sul media 30 m de altura, cobria uma extensão
de 16 ha e era conhecido pelos naturais da região como Nebi Yunis [Profeta Jonas]. O
montículo do norte media 26 m de altura, cobria uma extensão de 40 ha e era chamado
Kuyunjik [Castelo de Nínive]. Layard cavou valas no promontório norte e desenterrou
uma porta flanqueada por dois leões alados e um muro no qual uma inscrição em
caracteres cuneiformes trazia o nome de Senaqueribe. Ao adentrar ainda mais a cidade,
Layard desenterrou o palácio real de Senaqueribe, cuja área de passeio estava ladeada
de gigantescos touros alados que tinham inscritas no corpo as crônicas do rei, em
caracteres cuneiformes. Imensos salões de 12 m de largura por 55 de comprimento
conduziam ao interior do palácio, acerca do qual Layard declarou: “Nesse esplêndido
edifício, desenterrei não menos de 71 salões, câmaras e corredores, cujos muros
estavam cobertos, quase sem exceção, com lajotas de alabastro esculpidas, que
registravam as guerras, os triunfos e as grandes façanhas do rei assírio. Calculando
aproximadamente, apenas nessa parte das edificações exploradas durante minhas
investigações foram desenterrados quase 3 km de baixos-relevos, com 27 portais
formados por colossais touros alados e esfinges de leões”.As crônicas de Senaqueribe
inscritas nos touros alados, que tinham cabeça de homem, uma terracota e um cilindro
cozido proporcionam um relato bastante completo das oito campanhas de Senaqueribe,
“entre elas, a tomada e destruição da cidade de Babilônia”, no ano 689 a.C., e de sua
grande incursão pela costa oriental do Mediterrâneo até o Egito, no ano 701 a.C. O
tratamento às cidades dos filisteus, a invasão da Judéia e o assédio a Jerusalém, nos
quais estiveram envolvidos Ezequias e Isaías, têm merecido consideração especial. O
relato apóia e em alguns casos complementa a narrativa bíblica de 2Reis 18:13-19 e
Isaías Is 36:1 e Is 37:1. O assédio e a captura de Láquis, durante a campanha do rei em
Judá, estão descritos de maneira nítida em um dos muros do palácio. Sob esse painel,
acha-se esta inscrição: “Senaqueribe, rei do universo, rei da Assíria, sentou-se em um
trono e reavaliou o despojo da cidade de Láquis”. Senaqueribe menciona o número de
cidades palestinas que capturou e descreve em detalhes o despojo, mas diz apenas que
prendeu Ezequias “como um pássaro enjaulado” e não dá razão alguma para não haver
capturado Jerusalém. Também não faz menção do desastre que sobreveio ao seu
exército e resultou na sua retirada precipitada, sem ter obtido uma vitória decisiva. O
relato bíblico está de acordo com as crônicas a respeito das cidades capturadas e do
despojo tomado e explica com bastante detalhes como Senaqueribe, enquanto acampava
em Láquis, despachou um destacamento de tropas e um mensageiro com uma carta, na
qual desdenhava a força de Judá, ridicularizando a confiança deste no Egito e
desprezando a fé que esse reino depositava em Jeová. Também conta como a carta foi aberta perante Jeová e como o rei Ezequias e o profeta Isaías clamaram ao céu e como
“naquela noite o anjo do Senhor saiu e matou cento e oitenta e cinco mil homens no
acampamento assírio. Quando o povo se levantou na manhã seguinte, o lugar estava
repleto de cadáveres! Então Senaqueribe, rei da Assíria, desmontou o acampamento e
foi embora. Voltou para Nínive e lá ficou”. O relato dos últimos dias de Senaqueribe
encontra-se em 2Reis 19:36,37 e é confirmado e complementado por um grande cilindro
hexagonal de barro cozido que Layard e Rassam encontraram no palácio de EsarHadom. Esse palácio foi desenterrado na seção sul de Nínive, agora conhecida como
Nebi Yunis.Na primavera de 1851, enquanto escavavam uma parte do templo de Nebo,
contíguo ao palácio de Senaqueribe, Layard e Rassam retiraram o entulho de dois
grandes quartos que tinham comunicação entre si e encontraram parte da biblioteca real
acumulada por vários reis e dedicada a Nebo, o escriba divino que havia “criado as artes
e as ciências” e entendia “todos os mistérios relacionados com a literatura e a arte de
escrever”. Os milhares de volumes de argila representaram uma contribuição valiosa ao
Museu Britânico. Em 1853, Harmuzd Rassam continuou as escavações de Nínive e
pouco depois desenterrou o palácio do rei Assurbanipal, no qual havia um grande e belo
baixo-relevo que representava o rei de pé em um carro de guerra, dispondo-se a sair em
uma expedição de caça, enquanto seus servos lhe entregavam armas para caçar. Em dois
andares contíguos, de altas cúpulas, foram descobertas, amontoadas no piso, milhares de
preciosas tabuinhas de argila, que se constatou serem uma grande porção da biblioteca
de Assurbanipal. Seus mestres o haviam ensinado a ler e a escrever em vários idiomas,
tal como ele mesmo o expressa em uma das inscrições: “Eu, Assurbanipal, aprendi no
palácio a sabedoria de Nebo, a arte completa de escrever em tabuinhas de argila de
todas as classes. Tornei-me perito em várias classes de escritura […] li as belas
tabuinhas de argila de Sumer e a escritura acadiana, que é muito difícil de dominar.
Experimentei o prazer de ler inscrições em pedra, pertencente à época anterior ao
Dilúvio”.Era tão grande o interesse de Assurbanipal pela literatura e pela erudição que,
ao subir ao trono, reprimiu rapidamente um levante no Egito, conquistou a Lídia e a
Pérsia e, depois de consolidar seu reino, entregou-se à tarefa da erudição até
transformar-se no monarca mais poderoso e culto de sua época e em um dos maiores
patrocinadores da literatura no mundo. Enviou escribas eruditos a Assur, Babilônia,
Cuta, Nipur, Acade, Ereque e outros centros estratégicos ao longo e ao largo de seu
vasto império, onde foram reunidos e copiados livros (de argila) de astrologia, história,
gramática, geografia, literatura, leis e medicina como também cartas, orações, poemas,
hinos, esconjuros, oráculos, dicionários, crônicas, títulos de venda de terrenos, contratos
comerciais e registros legais, além de uma quantidade de temas de interesse geral e
específico. Todos os livros foram trazidos ao palácio de Assurbanipal em Nínive, onde
ele não só os estudou ou cotejou como também em muitos casos mandou fabricar
tabuinhas novas de argila, nas quais foram gravadas cópias bilíngües em escritura
cuneiforme, mais tarde arquivadas de forma metódica “para a instrução do povo de
Nínive”. Completa, sua biblioteca somava cerca de 100 mil volumes, uma das maiores e
mais preciosas de toda a Antiguidade. As grandes galerias nas quais a biblioteca foi
encontrada, conforme se constatou depois, eram a biblioteca e a galeria de pintura
particulares do rei e constituíam apenas uma parte do palácio do brilhante monarca. George Smith, enquanto
trabalhava com as tabuinhas no Museu Britânico, encontrou um grande pedaço de uma
delas que falava do Dilúvio. Ao fixar os olhos na frase “a barca descansou sobre as
montanhas de Nisir”, Smith emocionou-se muito, à semelhança do senhor Gladstone, do
decano Stanley e do proprietário do jornal London Daily Telegraph. Smith foi enviado a
Nínive, onde, mediante diligente busca, encontrou o outro pedaço da tabuinha, contendo
as dezessete estrofes que completavam a narração caldaica do Dilúvio. Mais tarde,
encontrou também as tabuinhas da Criação, que publicou em 1876 sob o título
“Narração caldaica do Gênesis”. Havia tanta semelhança com a história bíblica de Noé e
do Dilúvio e tantos acontecimentos duplicados que, na opinião de muitos eruditos, o
relato confirma o acontecimento. Muito pouco do relato caldaico da Criação coincide
com o de Gênesis, mas foi só o primeiro dos muitos que seriam encontrados, alguns
mais próximos da narrativa bíblica. Ver tb: Gn 10:11, 2Rs 19:36, Is 37:37, Jn 1:2, Jn 3:3, Jn 4:11, Na 1:1, Sf 2:13, Mt
12:40, Lc 11:32

 

fonte: BIBLIA THOMPSON

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