Há pregadores que descrevem o Tribunal de Cristo de maneira
fantasiosa. Criam na mente dos ouvintes a ideia de que o Senhor
trará consigo uma enorme bagagem, à semelhança do servo de
Abraão, que, ao partir em busca de Rebeca, levou dez camelos
cheios de presentes (Gn 24.10). Na verdade, quando partirmos
deste mundo, as nossas obras nos seguirão (Ap 14.13). Tudo o que
temos feito está registrado. E, no Arrebatamento, Jesus — que conhece
todas as nossas obras (2.2,9,13,19; 3.8,15) — trará consigo
o resultado, a avaliação de nosso trabalho, a fim de nos galardoar.
Coisas encobertas — positivas ou negativas — virão à tona,
no Tribunal de Cristo. Em 1 Coríntios 4.5 está escrito: “nada julgueis
antes do tempo, até que o Senhor venha, o qual também
trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios
dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor”. Daí
ser prioritária a aprovação do Senhor (2 Co 10.17,18), e não a

dos homens (Pv 25.27; 27.2). As obras que ninguém vê aqui serão
expostas pelo Senhor, naquele Dia, para que todos tomem conhecim
ento (Hb4.13).
Muitos pensam que os galardões serão, literalmente, coroas de
ouro, com pedras preciosas. “Quanto maior a fidelidade, maior a
coroa”, dizem. Alguns gostam até de mencionar os tipos de coroa
que serão entregues aos servos do Senhor. Seriam elas colocadas
uma sobre a outra? Qual seria posta primeiro, a da vida, a da justiça
ou a de glória? E, no caso das coroas grandes ou pequenas,
de acordo com o tamanho da fidelidade? Não teria o galardoado
que possuir uma cabeça no tamanho compatível com as coroas
recebidas? -— risos.
Na verdade, o termo “coroa” alude, figuradamente, a posição,
domínio, poder. Na parábola das minas, um senhor — que representa
o nosso Senhor — disse aos seus servos fiéis: “Bem está, servo
bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade”
(Lc 19.17). O Senhor Jesus também prometeu: “Ao vencedor,
que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade
sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços
como se fossem objetos de barro” (Ap 2.26,27, ARA).
Ao sermos salvos, recebemos Jesus como Senhor e Salvador (Fp
3.20; 2 Pe 3.18). Relacionamo-nos com o Salvador como filhos (Jo
1.11,12). Mas, como Ele é Senhor, nosso comportamento perante
Ele deve ser, também, de servos fiéis até o fim (Ap 2.10; 3.11), para
que tenhamos confiança no Dia do Juízo (1 Jo 4.17) e recebamos
a coroa incorruptível (1 Co 9.25).
Jesus não galardoará apóstolos, bispos, missionários, reverendos,
escritores, teólogos, conferencistas internacionais, cantores…
O prémio da soberana vocação (Fp 3.14) será dado aos “servos
bons e fiéis” (Mt 25.21,23)! Infelizmente, muitos têm buscado títulos,
ignorando o que o Senhor disse, em Mateus 23.8: “Não queirais
ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o
Cristo, e todos vós sois irmãos”.
A base do julgamento serão as obras, e não os títulos. A passagem
de 1 Coríntios 3.10-15 mostra que as obras aprovadas por
Deus são as realizadas em Cristo, o fundamento da Igreja. Os ele
mentos ouro, prata e pedras preciosas representam, de forma figurada,
o trabalho feito com humildade e temor, para a glória do
Senhor (10.31). Já os materiais madeira, feno e palha — facilmente
consumíveis pelo fogo — aludem às obras feitas por vaidade e orgulho,
para receber glória dos homens (Mt 6.2,5). Somente serão
galardoados os servos cujas obras resistirem ao fogo da presença
do Senhor (Hb 12.29).
Sofrer detrimento pelo fogo (1 Co 3.15) denota perda de galardão,
em contraste com o que está escrito no versículo 14: “receberá
galardão”. São os materiais que se queimam, isto é, as obras.
Não há nessa passagem qualquer margem para o falso ensinamento
romanista do purgatório, visto que, após a morte, segue-se
o juízo (Hb 9.27). A frase “o tal será salvo, todavia como pelo
fogo” denota que “o tal será salvo por um triz”, como alguém
que num incêndio escapa através do fogo, só com a vida (cf. Jd
v.23). Mas isso não significa que a salvação só se concretizará no
Tribunal de Cristo.
O Justo Juiz considerará, naquele maravilhoso Dia, também a
fidelidade do crente a Deus, ao resistir às tentações. Daí haver na
Bíblia uma mensagem de consolação aos que têm se mantido fiéis
ao Senhor em meio às investidas do Tentador: “Bem-aventurado
o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá
a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o
amam” (Tg 1.12).
No momento em que cremos em Jesus Cristo e o confessamos
como Senhor, obtivemos a certeza da vida eterna (Jo 5.24; Rm
10.9,10). No entanto, a salvação — no sentido de glorificação —
só se dará a partir do Arrebatamento. À luz da Bíblia, a nossa
preciosa salvação possui três tempos e um tríplice aspecto. No passado,
ela é posicionai. Passamos a estar em Cristo! No presente,
é progressiva. Estamos nos aperfeiçoando, a cada dia (Hb 6.9; Ef
4.11-15). No futuro, ela será perfectiva. É a nossa glorificação (Rm
13.11; Hb 9.28).
Em 2 Coríntios 5.10, vemos mais dois aspectos do julgamento
dos servos do Senhor: a sua individualidade — “cada um” (Rm
14.12; Ap 22.12) — e o sentido vasto de obras: “Segundo o que

tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal”. O termo “mal”,
aqui, alude às obras que, apesar de inconvenientes, não interferem
na salvação, obtida mediante a graça de Deus (1 Co 10.23; Hb
12.1; 1TS5.22).
O tratamento dispensado aos irmãos em Cristo será levado em
consideração, visto que o julgamento será baseado em tudo o que
tivermos feito por meio do corpo. Às vezes, não chegamos a odiar
um irmão (1 Jo 2.11; 3.15), porém falamos mal dele ou o desprezamos.
Veja o que diz a Palavra de Deus, em Romanos 14.10: “Tu, por
que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão?
Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”.
Na abrangente expressão “o que tiver feito por meio do corpo”
(2 Co 5.10) consta também — indubitavelmente — o trabalho
secular. Muitos pensam que o Senhor só vê as obras relativas à
igreja. De acordo com a Bíblia, o nosso trabalho secular deve ser
feito para agradar ao Senhor (Ef 6.5-8). “E, tudo quanto fizerdes,
fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,
sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque
a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3.23,24). Lembremo-nos sempre de
que nenhum trabalho é vão, se realizado no Senhor (1 Co 15.58).

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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