Se alguém pensa que os judeus estão equivocados quanto a esperarem
um Reino messiânico na Terra (Lc 2.38; At 1.6), é bom atentar
para o fato de que o próprio Senhor Jesus não tirou deles essa
esperança. Ao ser perguntado sobre o tempo da restauração do tall
Reino, Ele apenas respondeu: “Não vos pertence saber os tempos
ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (v. 7).
A comparação entre Apocalipse 19.11-16 e 20.2-6 não apenas
confirma que o Milénio é literal. Ela informa que ele ocorrerá depois
da manifestação de Cristo, logo após a Grande Tribulação. Na
primeira passagem vemos que Jesus vem à Terra com todos os seus
santos. Na segunda, há uma sequência de acontecimentos, até que
Satanás é preso por mil anos. Então, inicia-se o Reino Milenar.
Não é somente Israel que espera a restauração do Reino. A
Igreja também tem essa esperança, e a oração diária de quem ama
a Segunda Vinda é: “Venha o teu Reino”. Hoje, nós já fazemos
parte do Reino de Deus, que implica domínio divino nos corações
dos salvos c no meio deles (Mt 12.28; Jo 14.23; Mc 9.1; Cl 1.13).
No entanto, o Milénio será estabelecido na Terra, literalmente (1
Co 15.24-28).
Alguns pregadores apegam-se ao seguinte texto
neotestamen-tário para afirmar que Jesus só voltará depois de
toda a Terra ter sido evangelizada: “E será pregado este
evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas
as nações. Então, virá o fim” (Mt 24.14, ARA). Mas essa
interpretação reflete má exegese, posto que, além de
desconsiderar a ordem dos acontecimentos escatológicos,
retardaria a Segunda Vinda por mais alguns milhares de anos.
Em Mateus 24.3 — como temos visto ao longo desta obra —,
os discípulos de Jesus lhe fizeram uma pergunta tríplice: “Dize-nos
quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do
fim do mundo?” Quem lê atentamente o contexto dessa passagem
percebe que a resposta do Senhor também foi tripartida, mas não
necessariamente em ordem cronológica. Ele falou de eventos que
ocorreriam num futuro próximo (a invasão de Jerusalém, no ano
70) e de outros dois tipos de acontecimentos que se dariam num
futuro mais remoto.
O termo “fim”, em Mateus 24.14, tendo em vista a triplicidade
da pergunta dos discípulos, não diz respeito à Segunda Vinda, e sim
ao fim do mundo. O evangelho começará a ser pregado em todo o
mundo durante a Grande Tribulação, através das duas testemunhas
e dos 144 mil eleitos. Mas somente no Milénio a Terra se encherá
do conhecimento do Senhor (Is 2.3), pois o próprio Cristo estará
reinando. Daí Ele ter mencionado o evangelho do Reino — conquanto
este termo também seja empregado em referência ao evangelho,
de modo geral (Mc 1.14).
Em 1 Coríntios 15.24,25 vemos a confirmação de que o evangelho
do Reino, citado pelo Senhor, alude à pregação das Boas-Novas
por ocasião do Milénio, especialmente: “Depois, virá o fim, quando
tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado
todo império e toda potestade e força. Porque convém que
reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés”.
Observe que o fim só virá depois que Cristo reinar (Dn 2.36-44)!
Segundo Efésios 1.9,10, para o Milénio convergem todas as
alianças e períodos mencionados na Bíblia: “descobrindo-nos o
mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera
em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas,
na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos
céus como as que estão na terra”. Os teólogos dispensacionalistas
chamam esse período de “a última dispensação”. Eles dividem a
História em sete dispensações ou períodos em que Deus trata com
a humanidade mediante alianças.
O dispensacionalismo, assim como outras escolas, apresenta
posições extrabíblicas, resultantes de especulações. Mas um exame
diligente, sem preconceito, da Bíblia evidencia que o Senhor sempre
teve as suas maneiras de tratar com a humanidade, fazendo
com ela alianças que ensejaram começos, fins e novos começos.
Segue-se que é possível dividir a História em, pelo menos, sete períodos
distintos:
Período da inocência: antes da queda do homem, conhecida
como “a Queda” (Gn 2.15-17).
Período da consciência: depois da Queda (Gn 3.9-24).
Período do governo humano: a partir do pacto com Noé (Gn
9.8-17)
Período patriarcal: a partir da chamada de Abraão (Gn 12.1-3).
Período da lei: a partir de Moisés (Êx 20-23; Dt 28).
Período da graça: a partir de Jesus Cristo (Jo 1.17; Lc 16.16).
Período da plenitude dos tempos: a partir do Milénio. Observe
que o Senhor Jesus, em Lucas 21.24, afirmou que Jerusalém seria
pisada pelos gentios até que os tempos deles se completassem. A
expressão “tempos dos gentios” alude ao tempo em que Israel permaneceria
sob o domínio estrangeiro. Esse período começou quando
uma parte dos israelitas foi levada cativa pelos babilónios, em 586
a.C, e terminará efetivamente quando Cristo inaugurar o Milénio

 

fonte: Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar

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