Assim como na terra e no mar, existe também no
mundo invisível a “região abissal” . Este “Abyssos” é realmente
um adjetivo, com o significado de “sem fundo” =
“insondável”. Empregado isoladamente com o substantivo
“gê” (“terra”) subentendendo, significa “lugar sem
fundo”, e, portanto, um “Abismo” .(147) No grego da Septuaginta
(LXX), a palavra representava as “profundezas
primevas”, “oceanos primevos”, ou “o reino dos mortos”,
ou ainda “o mundo inferior” . Ocorre 25 vezes na LXX,
mormente para traduzir o hebraico “tehôm”, isto é, “o
oceano primevo” (Gn 1.2), “águas profundas”, (SI 42.7), o
“reino dos mortos” (SI 71.20).
O judaísmo e até escritores helenistas conservaram o
significado de “dilúvio primevo” para tehôm. Esta palavra,
no entanto, também representa o “interior da terra” .
a. Em o Novo Testamento, esta expressão é equivalente
a “Hades”, “ Sheol” e outros termos que são traduzidos
dentro do mesmo conceito.
São palavras usadas tanto pelos escritores do Antigo
como do Novo Testamentos.
b. Não só há alusão ao “Abismo”. Mas, de um modo
singular e específico, há também alusão ao “Poço do Abismo”
(Ap 9.2). Alguns estudiosos traduzem a presente expressão
por “fenda do abismo”, isto é, porque o termo grego
(“phear”) tem esse sentido.
Já entre os gregos o “Abismo” ou “Abyssus” (grego)
ou poço do Abismo, ou Tártaro é a “escuridão” onde está
localizada a prisão dos espíritos maus (Jd v 6). A passagem
de Apocalipse 9.2, não se refere apenas ao “Abismo”, mas
ao “Poço do Abismo”, isto é, “o mais interior da cova” (cf.
Ez 32.23); ali, pois, por expressa ordem de Deus, estão
aprisionados os poderosos que zombaram de Deus na “terra
dos viventes”.
Ezequiel diz que sete nações desceram ali e que
“…seus sepulcros foram postos no mais interior da cova”
(Ez 32.18,21 e ss).
Nas Epístolas de Pedro e Judas, encontramos anjos ali
aprisionados (2 Pd 2.4 e Jd v 6). No conceito teológico,
bíblico, esse é o lugar chamado de “região tenebrosa e melancólica,
onde se passa uma existência consciente, porém
triste e inativa”. (14!í)

 

fonte: Escatologia Severino Pedro da Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *