No fim do século VIII, os gregos adaptaram os sinais inventados séculos antes pelos fenícios e criaram, para seu uso, o alfabeto grego. Esse alfabeto, com modificações, é usado até hoje pelos gregos modernos e se tornou a base do alfabeto latino usado pela maioria das línguas modernas. A expressão alfabeto deriva das duas primeiras letras gregas: alfa e beta. O número de letras do alfabeto grego são de vinte quatro (24). Os primeiros manuscritos do Novo Testamento grego foram escritos em letras maiúsculas, são chamados Unciais. Modernamente, porém, se convencionou usar as letras minúsculas nos textos que são atualmente publicados, por isso o aluno deve se preocupar inicialmente na memorização destas.

É impossível estabelecer-se com precisão a exata pronúncia dos fonemas gregos. Não há registro fonográfico de como o grego era falado naquela época, pois não existe uma gravação de algum grego daquela época.

Então que devemos fazer ante a “não existência de gravações de som” e de “pronuncias diferentes segundo o tempo e região”? Temos, por tanto, que articular os fonemas gregos segundo os moldes da pronuncia “erasmiana”, aportuguesando-os, necessariamente. Nem poderia ser de outra forma.

Mas quem era Erasmo de Rotterdam? Pois um humanista renascentista que escreveu um diálogo chamado “De recta latini graecique sermonis pronuntiatione” no qual propôs um modelo de pronuncia do grego chamada posteriormente “erasmiana”. Este sistema se estendeu rapidamente por todo Ocidente até nossos dias.

Existe uma segunda pronuncia chamada “reuchliniana” ou “histórica” cujo representante foi Johann Reuchlin e está baseada na pronuncia nacional, ou seja, a que os gregos têm na atualidade.

E quais são basicamente as diferencias de ambas pronuncias? Pois as diferencias mais importantes estão na pronuncia das vogais e dos ditongos.

a) Na “pronuncia reuchliniana ou histórica” a letra H (Eta) soa como um “I”; na “pronuncia erasmiana” tem som de “E larga”.
b) Na “pronuncia reuchliniana ou histórica” os ditongos tem um só sonido vocálico; enquanto na “pronuncia erasmiana” os ditongos são pronunciados “letra por letra”.
Por isso, impõe-se observar que:

(1) A letra γ é um g gutural, duro (guê), que nunca tem som de jê. Entretanto, quando o γ aparece antes de outra consoante gutural (grupamentos γγ, γκ, γξ, γχ) é pronunciado como n, ou seja, deve ser nasalizado. Assim, σπόγγος (spóngos) esponja, ἔλεγχος (élenchos) escrutínio, σφίγξ (sphinx) esfinge.

(2) O zeta (ζ) soa como fonema duplo, dz, não simples z.

(3) O teta (θ, ϑ) não tem equivalente no português, correspondendo ao th do inglês.

(4) O capa (κ) e o qui (χ) se podem tomar como correspondentes ao nosso c ou q. Todavia, quando seguidos de e ou i preservando a prolação forte: que ou qui.

(5) O qui (χ) é uma aspirada explosiva, sem equivalente em português, semelhante ao ch do alemão ou ao jota do espanhol.

(6) A letra sigma minúscula ocorre em duas variedades, σ e ς, que datam dos tempos medievais. A forma σ usa-se no início ou no meio da palavra; a forma ς é usada somente no final da palavra (sigma final). Assim, escreve-se Σωσιγένης, Sosígenes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *